A Lenda do Lago Dourado, Edson Vanzella Pereira, 1ª edição, Içara-SC: Dracaena, 2012, 380 páginas.
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Por estarem em lados opostos, o bem e o mal estão eternamente em guerra e em busca de pessoas capazes de representá-los. Mas para isso essas pessoas precisam ter determinadas características, como o amor e a luz em pessoas que lutam contra a escuridão do mal. Uma guerra que está presente também em A Lenda do Lago Dourado, obra do paranaense Edson Vanzella Pereira.

Ao contar a história de uma família norte-americana tipicamente do interior, conhecemos David, um garoto de apenas quinze anos que acaba de ganhar o Concurso Nacional de Superinteligentes, que tem como objetivo revelar novos gênios e futuros cientistas. Devido a sua inteligência extraordinária, David é recrutado para uma missão, mas acaba se envolvendo em um misterioso acidente que o deixa entre a vida e a morte.

Sabendo que nem tudo era como aparentava, o irmão mais novo de David, Max, começa a investigar as causas e os possíveis erros que resultaram no acidente, e com isso descobre situações aparentemente sem qualquer tipo de relação. O jovem descobre ainda a verdade sobre o mistério do Lago Dourado, lenda que atravessou gerações, e que ele próprio possui o Poder da Luz, sendo um dos poucos capazes de localizar e derrotar o Agente Negro, principal representante do mal.

“Enquanto Lisa se deparava com a triste realidade daquele local deteriorado, Max tinha uma visão diversa. Ele percebeu um reluzente foco de luz no fundo do lago, que o atraía de maneira hipnótica. Inesperadamente, o calor proveniente daquele ponto luminoso materializou-se em um feixe de raios dourados que saiu da água e atravessou seu corpo” (pág. 48).

Com uma conspiração que foge dos já conhecidos e utilizados padrões, o que acaba agradando ao leitor, A Lenda do Lago Dourado possui suas falhas, mas ainda assim mostra a inteligência do autor ao estruturar uma narrativa sem pontos soltos. Até mesmo o fato de se passar nos Estados Unidos, o que poderia ser questionado, aparenta ter um motivo convincente: a política norte-americana, que tecnicamente não deveria dar chances a determinados tipos de pessoas.

Se envolvendo em vários ramos governamentais, sobretudo o cientifico e o de segurança, Max se vê preso em uma verdadeira bola de neve, já que quanto mais descobre a verdade, mais situações misteriosas surgem para mostrar que o perigo está próximo e que seu objetivo, de salvar o mundo do mal, precisa ser alcançado o quanto antes. E para isso, além de contar com a ajuda de Srta. Marshall, uma agente do governo, ele precisa obrigatoriamente tomar decisões impensáveis.

A imaginação de Edson Vanzella certamente é o que mais chama atenção com a leitura de A Lenda do Lago Dourado, já que os personagens fazem de tudo um pouco, quebrando protocolos e desafiando o governo norte-americano – ainda que contem com o apoio de uma pessoa ligada a esse governo. Como o próprio Max diz na página 341, é tudo tão surreal que não dá para acreditar.

No entanto, como foi citado anteriormente, o livro também possui suas falhas, a começar por diálogos formais, inclusive em conversas entre crianças e adolescentes, e até mesmo irreais em momentos desnecessários e que exigiam algo mais informal e próximo da realidade. A lenda que dá nome ao livro, e que deveria ter uma atenção especial, acaba sendo apenas um detalhe, importante, porém sem ter um foco muito grande. E o tão aguardado confronto final entre o bem e o mal, que o leitor espera ser algo de tirar o fôlego, é narrado em poucas páginas e sem toda a emoção merecedora após tantas investigações, planejamento e o essencial: artimanhas – o que não significa que a obra tenha perdido sua essência e qualidade com o desfecho.

Com grandes chances de agradar ao público jovem, que busca uma obra de leitura rápida e um enredo surpreendente, A Lenda do Lago Dourado envolve muito mais do que apenas uma lenda que define pessoas boas e ruins, que estão em guerra pelo bem ou o mal da humanidade. A obra de Edson ainda revela como a ciência, tecnologia e o poder modificam a personalidade e o dia-a-dia das pessoas, sejam elas simples ou especiais. Mas por sorte temos pessoas, no caso personagens, superinteligentes e também contamos com a força do amor, que como sempre é uma das melhores armas contra os males da humanidade.

“Diante dessa cena, Max emudeceu. Acabava de ter uma nova lição de vida: a intensidade do amor que uma mãe e um pai sentem pelo filho não é no mesmo grau que este oferta aos pais. Ele já aprendera que a força mais poderosa da natureza é o amor, mas nesse momento teve a compreensão absoluta de que o amor materno e o paterno constituem a força mais poderosa entre as poderosas forças do universo” (pág. 276).

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