Texto: Véto Nicolau
Baseado: “Édipo Rei”, de Sófocles
Direção: Véto Nicolau
Duração: 50 minutos
Gênero: Drama
Apresentação: 08 de julho de 2016
La Profecia é baseada na história de Édipo Rei, onde um rapaz mata seu próprio pai, casa com sua mãe e, se não bastasse, com ela tem três filhos. Depois, para se castigar, fura os próprios olhos.
A peça é uma junção de cenas de sombra com o real, proporcionando assim um novo estilo de espetáculo para todo o público que sem dúvida vai se surpreender com as cenas e efeitos criados. A peça é feita com cenário e figurino completamente neutros, onde o principal é manter o foco no ator e com ele cativar a plateia.
No clima dos Jogos Olímpicos, começo esse texto reforçando a máxima de que em uma competição vale tudo para se sagrar campeão. O grande problema é que ao assumir um risco, muitos competidores podem acabar enfrentando grandes consequências e isso foi exatamente o que aconteceu com a Cia. Trupeçar ao participar, em julho, do I Prêmio AATA de Teatro Amador.

Ao meu ver um dos principais erros do grupo foi ao construir a sinopse oficial de La Profecia, que não apenas entrega de bandeja toda a história, como também cria expectativas em relação a promessa de um jogo de sombras que visa cativar a plateia. Mas um erro ainda mais significativo foi na apresentação em questão, quando o grupo assumiu o risco de levar o público para cima do palco e com isso foi obrigado a encarar a consequência de escancarar os acertos e principalmente as falhas.

A explicação para isso é muito simples: pelo público estar no palco junto com o elenco, há poucos metros de toda a encenação e da própria produção do espetáculo, qualquer mínimo detalhe não passa despercebido. Um ruído qualquer na coxia ou um objeto cênico fora de contexto acaba se transformando em uma grande catástrofe e qualquer boa ideia corre o risco de não funcionar como funcionaria com uma relativa distância.

Foto: Ana Souza
Reprodução Facebook
Texto: Hermes Bernardi Jr.
Baseado: “A Tempestade”, de William Shakespeare
Direção: Nando Gonçalves
Duração: 60 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 05 de julho de 2016
Após ser expulso de seu ducado, Próspero (João Araújo) é exilado em uma ilha. Anos depois, com a ajuda de seu servo, ele trabalha para retomar o que é seu das mãos do usurpador e proteger sua filha Miranda (Lívia D’Angelo), além de lidar com um escravo estranho, um pretendente a noivo e três bêbados trapalhões.

A primeira cena de um espetáculo pode dizer muita coisa sobre o que esperar do que será apresentado em um palco, mas poucas vezes uma primeira cena foi tão impecável quanto a de A Tempestade. Digo isso porque em poucos minutos o Núcleo de Pesquisa Teatral mostrou que todos em cena seriam responsáveis por um espetáculo que dificilmente será esquecido por esse que vos escreve.

Peça premiadíssima no I Prêmio AATA de Teatro Amador (festival em que tive o prazer de ser um dos jurados), essa montagem é o melhor exemplo do que sempre espero ao ver uma produção de um gênio como William Shakespeare. Ela já começa com a perfeição de um naufrágio de encher os olhos e que desencadeia, com leveza e encantamento, todos os conflitos do enredo. Ali tive a certeza que o diretor Nando Gonçalves me surpreenderia muito até o fim do espetáculo e isso apenas se confirmou com o passar do tempo.

Escolhido como o melhor diretor do festival, Nando mostrou ser alguém disposto a surpreender em todas as suas ideias. Contando com um cenário relativamente simples, que se molda conforme a necessidade, o diretor se aproveitou da força de seu elenco e da grandeza de um texto shakespeariano para abusar da criatividade em todas as cenas de A Tempestade, peça dividida em três núcleos bem definidos: o poder, a comédia e o romance.

Aí que está o grande problema!

Texto: Manuel Figueiredo
Baseado: “A Máquina”, de Adriana Falcão
Direção: Gabriel Gonçalves
Duração: 90 minutos
Gênero: Cordel
Apresentação: 02 de julho de 2016
“Karina da rua debaixo” (Jac Giacon) sonha em ser atriz e partir para o mundo. Antes que seu amor lhe escape, “Antônio de Dona Nazaré” (Manuel Figueiredo) adianta-se numa cruzada kamikaze para trazer o mundo até Karina. Em uma visão subjetiva, o próprio Antônio narra seus feitos, divergindo-os entre Sanidade, Lembrança e Loucura (componentes de sua história que, frequentemente, se interferem).
Uma história em que os sonhos contradizem a realidade, as condições geográficas e políticas ameaçam conter a vida, e o amor, como sempre, desempenha o papel de elemento transformador.
Na última semana, em um intervalo de três dias, tive a alegria de assistir por duas vezes A Máquina, peça reconhecida como o Melhor Espetáculo do I Prêmio AATA de Teatro Amador. Mas esse texto não é apenas sobre a apresentação que rendeu este prêmio ao Teatro Flácus, mas também sobre a estreia, quando os nervos estavam à flor da pele e erros bobos aconteceram, sem que isso tirasse a magia por trás do melhor trabalho que o grupo realizou até hoje.

Baseado no romance homônimo de Adriana Falcão, A Máquina é um espetáculo diferente de tudo o que o Teatro Flácus está acostumado a apresentar e talvez foi o que conquistou, mesmo não sendo um enredo de fácil compreensão. Afinal, o teor filosófico e reflexivo da peça exige muito mais do que apenas a vontade de se sentar na poltrona para se divertir.

Apesar de ter consciência de que muitos sairiam do teatro sem compreender o espetáculo, o grupo soube balancear tudo para agradar gregos e troianos, em um misto de diversão e emoção. Se a diversão vem através das sacadas que levam ao humor, a emoção se dá por uma trilha sonora de fazer o peito apertar e os olhos ficarem marejados, quase levando às lágrimas, algo que até hoje particularmente me aconteceu em apenas duas ou três peças (mas abro parêntese para dizer que na estreia o som alto prejudicou e muito o andamento, algo corrigido para a segunda apresentação).

E se fui obrigado a segurar a emoção, isso se deve muito pelo enredo forte que serve como aliado para todo o elenco. A história se encaminha através da visão de Antônio (Ary Oswaldo), um senhor que vive na mais pura sanidade e começa a recontar, depois de muitos anos, a sua história de amor e como o seu parentesco com o tempo acabou influenciando toda a trajetória de sua vida. Ou não… Isso porque a sua sanidade se confunde com a lembrança e esta, por sua vez, se confunde com a loucura, criando a dúvida do que de fato acontece.

Texto: -
Baseado: “A Megera Domada”, de William Shakespeare
Direção: -
Duração: -
Gênero: Comédia
Apresentação: 08 de maio de 2016
Adaptado a um universo country, a história é desenvolvida entre trancos e barrancos. Bianca, a filha mais nova de Batista, somente pode-se casar com seu amor, Lucêncio, se sua irmã mais velha, a intragável Catarina, casar-se primeiro.
Eis que surge Petruchio, com seu fiel servo Grúmio, que se dispõe a não só conquistar o coração de Catarina, mas também, amansar a fera.
Há quase um ano, escrevendo para essa mesma coluna, comentei sobre a responsabilidade de adaptar um texto de William Shakespeare, o maior dramaturgo de todos os tempos. Na ocasião afirmei que a mínima referência ao dramaturgo inglês exigia apenas o melhor, menos do que isso não seria agradável e tampouco aceitável, por isso a necessidade de capacidade técnica para se ter a ousadia de remontar um texto shakespeariano. Algo que se encontra em raros casos, como em um grupo que há quarenta anos estuda, vive e respira William Shakespeare.

Formado em 1975, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, o Cena IV – Shakespeare Cia é um grupo que, entre outras coisas, forma atores através de um método de estudo próprio e desenvolvido ao longo das últimas décadas. A Megera Domada é apenas um exemplo do belo trabalho realizado pelo grupo, tanto na formação de atores, como na criação de espetáculos, visto que neste caso é possível afirmar que a essência, apesar de todas as adaptações, permaneceu exatamente a mesma.

Isso é o mais importante!

Texto: Wallace Borges
Baseado: “Faroeste Caboclo”, de Renato Russo
Direção: Wallace Borges
Duração: 70 minutos
Gênero: Drama
Apresentação: 26 de setembro de 2015
Após a morte de seu pai, Santo Cristo conhece corrupção, drogas e poder. O destino o leva a Brasília. Chegando lá decide ter uma vida melhor, porém acaba caindo no mundo do crime e é preso. Na prisão conhece Maria Lúcia. Apaixonado, decide novamente mudar de vida, faz de tudo para se tornar uma pessoa honesta. Contudo, a chegada de um senhor misterioso em sua casa faz com que o destino lhe dê dois caminhos. Na tentativa de salvar sua mulher, Santo Cristo deixa tudo pra trás e quando volta tem uma surpresa: sua mulher agora é de seu maior inimigo. Com raiva, declara um duelo em rede nacional, todos vão até o local conferir quem sairá vivo nessa história.
Santo Cristo, uma história que você já conhece, mas de um jeito que nunca viu.
Ninguém precisa me conhecer profundamente para saber que pessimismo pode até ser considerado o meu segundo nome. Isso significa que demoro a acreditar que algumas coisas podem ser boas, como aconteceu na primeira vez em que soube que uma das músicas mais incríveis da Legião Urbana ganharia vida nas telas dos cinemas. Assim como São Tomé, só acreditei vendo e o resultado não poderia ter sido mais positivo, afinal, de um modo geral, apreciei o filme de René Sampaio.

Mas quando pensava que a canção “Faroeste Caboclo” não mais me surpreenderia em algum segmento artístico, eis que descubro Santo Cristo: Faroeste Caboclo nos Palcos. Não era mais capaz de duvidar de nada. Restava saber como os versos de Renato Russo seriam transformados em cenas de uma peça teatral e como a saga de João de Santo Cristo seria apresentada. Sabia apenas como tudo teria início: não tinha medo o tal João de Santo Cristo…

Texto: Eduardo Martins
Baseado: Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato
Direção: Eduardo Martins
Duração: 75 minutos.
Gênero: Infantil.
Apresentação: 26 de julho de 2015
A peça narra as primeiras aventuras que acontecem no Sítio do Picapau Amarelo e apresenta Emília (Paolla Tamaso), a boneca de pano tagarela e sabida, Tia Nastácia (Eduardo Martins), famosa por seus deliciosos bolinhos, Dona Benta (Gabriela Sanches), uma avó muito especial, e sua neta Lúcia, a menina do nariz arrebitado, ou como é conhecida, Narizinho (Jaqueline Del Giudice). Narizinho é quem transporta os espectadores a incríveis viagens pelo mundo da fantasia.
Tudo começa com uma inesperada visita da neta de Dona Benta ao Reino das Águas Claras e com a chegada de seu primo, Pedrinho (Rodrigo Izidoro) ao Sítio para mais uma temporada de férias. Depois do passeio pelo Reino das Águas Claras, as reinações de Narizinho ficam ainda melhores. As crianças se divertem fazendo o Visconde de Sabugosa (Igor Siton) com um sabugo de milho e planejando o casamento de Emília com o leitão Rabicó (Danilo Mazarin).

A princípio não tinha qualquer motivo para escrever mais uma vez sobre a peça O Sítio do Picapau Amarelo — Reinações de Narizinho. A Companhia Viva Arte já havia apresentado essa peça em outra oportunidade e, na ocasião, fiz diversos elogios ao trabalho que me fez voltar a ser criança por alguns instantes. Sabendo que não seria surpreendido negativamente, não tinha a intenção de ir ao teatro pensando no que escrever, mas apenas apreciar as personagens que em outrora foram responsáveis por despertar a minha paixão pelos livros.

Infelizmente uma queda de energia, que deixou a cidades às escuras, mudou completamente os planos do grupo teatral e a consequência disso foi a mudança dos meus próprios planos. A primeira apresentação em comemoração aos cinco anos da Viva Arte, que deveria acontecer em um sábado à noite, precisou ser transferida para a tarde de domingo. Em minha opinião esse era o horário ideal, especialmente por ser uma peça voltada ao público infantil, mas para o grupo a mudança resultou em uma grande dor de cabeça.

Texto: Erivelton Nicolau
Baseado: Romeu e Julieta, de William Shakespeare
Direção: Erivelton Nicolau
Duração: 100 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 02 de junho de 2015
Em uma versão totalmente diferente e engraçada de “Romeu e Julieta”, a única coisa que se iguala é a briga entre os Montecchios e os Capuletos. Dois jovens apaixonados representam essas famílias: Romeu Montecchio (Erivelton Nicolau) e Julieta Capuleto (Letícia Chaparim). Com uma boa dose de humor, a peça traz consigo várias personagens loucas que armam várias confusões, tentando destruir e outros ajudar o amor existente entre o casal.
Mas a grande dúvida é: dessa vez finalmente haverá um final feliz para Romeu e Julieta?
William Shakespeare. Não deve existir no mundo da arte um nome tão pesado e importante quanto o do dramaturgo inglês que criou algumas das maiores histórias de todos os tempos. Entre suas maiores criações, está a história de amor proibida entre Romeu Montecchio e Julieta Capuleto, um casal que, como nenhum outro, representa o amor em sua forma mais pura. Um casal que teve sua história virada ao avesso com a peça Deu a Louca em Romeu e Julieta.

Sendo uma história tão conhecida e adorada, é natural encontrar produções que recriam o que foi contado por Shakespeare em outrora, muitas vezes em versões nada parecidas com a original. Até aí não existe nenhum problema, tanto que um dos filmes nacionais que mais aprecio mudou muitos pontos da história. No entanto, deveriam existir algumas regras essenciais para se produzir essa obra.

Texto: Maria Clara Machado
Baseado: -
Direção: Alessandra Pasquini
Duração: 50 minutos
Gênero: Infantil
Apresentação: 18 de abril de 2015
O Coronel Felício cultiva em seu sítio três preciosos pés de cebolinha da Índia. Quem toma o chá destas cebolinhas tem garantia de vida longa e alegria, no entanto uma cebolinha é roubada da horta e o Coronel contrata o Detetive Camaleão Alface para descobrir o ladrão.

A principal responsabilidade do grupo Teatro Flácus ao produzir a peça O Rapto das Cebolinhas foi trabalhar em um texto de uma das maiores dramaturgas de nosso país. Reconhecida com inúmeros prêmios, Maria Clara Machado consegue, com seus trabalhos, conquistar crianças de todas as idades e isso não poderia deixar de acontecer.

Por mais que seja uma peça sem qualquer pretensão, ou seja, com único intuito de divertir os pequenos, O Rapto das Cebolinhas tem uma mensagem a ser transmitida e isso ficou claro com a produção, que, portanto, cumpre o seu objetivo. Ir ao teatro esperando se deparar com o melhor espetáculo da vida pode ser um grande erro, porém voltar a ser criança por alguns minutos é simplesmente inevitável.

Texto: Ronaldo Ciambroni
Baseado: -
Direção: Eduardo Martins
Duração: 60 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 15 de março de 2015
A comédia é desenvolvida por três personagens: Júlio (Eduardo Martins), Marina (Gabriela Sanches) e Pardal (Daylon Martineli). Júlio e Marina são sequestrados por Pardal logo após o casamento, no caminho da festa de recepção aos convidados. Marina é órfã e milionária, mimada, irritante e egocêntrica. Júlio, ex-funcionário de Marina, casou-se com ela por pleno interesse. A história se passa no cativeiro e é embasada todo tempo em armações do casal contra o sequestrador Pardal para conseguirem se libertar e armações do sequestrador em cima do casal para satisfazer seus desejos psicopáticos. Pardal por sua vez é um sequestrador diferente, apresenta muitas mudanças de humor e problemas em sua autoestima. Com muita comédia, os três desenvolvem um diálogo engraçado e chegam ao extremo do ridículo para exercerem suas vontades sobre o outro. No final da peça, algumas revelações são feitas, os valores se invertem e o desfecho é tão inusitado quanto todo o contexto.
Essa não é a primeira e muito provavelmente não será a última vez que a Cia. Viva Arte surpreende com uma apresentação teatral. Após três anos acompanhando o trabalho do grupo, e assistindo de perto a evolução de todos que fazem parte do mesmo, fica cada vez mais claro que as surpresas estão apenas começando, o que pode ser considerado motivo de muita alegria.

A primeira peça do grupo em 2015 é também a mais singular ao longo de todos esses anos. Além de não se tratar de um roteiro clássico, ainda que seja de autoria de um dos grandes nomes do teatro nacional, Onde Come Um, Comem Dois! nos mostra um lado diferente da companhia e, mais do que isso, revela todos os caminhos que ainda podem ser percorridos, visto que exige muito mais de seus atores.

Texto: Os Melhores do Mundo
Baseado: -
Direção: -
Duração: 90 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 07 de março de 2015
Tendo como pano de fundo fantásticos contos bíblicos e civilizações milenares, a peça narra a história de Hermanoteu (Lucas Segreti), simplório pastor, que, em um belo dia de trabalho, recebe a incumbência de encontrar a terra de Godah e libertar o povo do Senhor que lá há muito pena. Nosso herói, então passa a peregrinar ininterruptamente rumo a seu objetivo passando por Roma, Egito e chegando até mesmo a dar umas beliscadinhas na Santa Ceia!
Banhada a sarcasmo e bom humor, "Hermanoteu na Terra de Godah" é uma viagem avassaladora aos cantos mais sombrios do mundo antigo e um desafio aos limites da diversão.
Inspirado pelo clássico de "Os Melhores do Mundo", o Grupo Piraartes deu novo matiz, brilho e intensidade ao consagrado espetáculo. Este é o segundo grande trabalho do grupo que, em 2013, apresentou o "Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna. Símbolo de superação, a peça foi sucesso de público em Juruaia/MG berço da trupe.
A peça Hermanoteu na Terra de Godah, do grupo Os Melhores do Mundo, foi a comédia mais espetacular que tive o prazer de assistir, ainda que apenas por vídeos na internet. Justamente por isso, saber que a Piraartes, da cidade de Juruaia-MG, apresentaria a mesma peça criou uma expectativa enorme, sem imaginar que o resultado final seria tão incrível quanto a peça que inspirou o grupo em seu segundo espetáculo.

Não dá para negar que se trata de uma peça com humor pesado e que poderia facilmente desagradar a muitas pessoas, no entanto é exatamente essa característica que dá um tom de originalidade, tornando impossível não se divertir ao extremo. Mas, se o humor é original desde a primeira vez que o enredo foi apresentado, há vinte anos, esse mesmo humor ganha um toque bem diferente com a Piraartes, mostrando a qualidade e a capacidade de o grupo criar sua própria identidade.

Texto: Trupeçar (Adaptação)
Baseado: Conto russo-judaico do século XIX
Direção: Véto Nicolau
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia Musical
Apresentação: 08 de fevereiro de 2015
Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst (Véto Nicolau), um jovem que está prestes a se casar com Victoria Everglot (Karu Tonietti). Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver (Letícia Chaparim), que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu.
A responsabilidade de produzir uma peça baseada em um filme de muito sucesso era grande, assim como de uma ousadia enorme. Não que duvidasse de um resultado positivo por parte do grupo Trupeçar, mas sabia que deixar a peça com sua própria cara poderia ser quase impossível. Por sorte, estava redondamente enganado e deixei o teatro com a certeza de ter assistido um ótimo espetáculo para um grupo amador.

A primeira certeza que se tem com Noiva Cadáver, tão logo as cortinas se abrem e os atores entram em cena, é que o grupo evoluiu muito desde a produção de O Segredo das Bruxas (2013). O cenário, melhor elaborado e de uma qualidade necessária em um bom espetáculo, convida o público para uma visita ao século XIX e ao mundo dos mortos. O mesmo vale para o figurino e as próprias atuações.

Texto: Eduardo Martins
Baseado: O Bem Amado, de Dias Gomes
Direção: Eduardo Martins
Duração: 95 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 28 de outubro de 2014
O Bem Amado conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu (Eduardo Martins), que tem como meta prioritária em sua administração, na cidade de Sucupira, a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras, Dorotéa, Judicéa e Dulcinéa (Gabriela Agostini, Paolla Tamaso e Daniela Agostini). Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Neco Pedreira (Edney Souza), dono do jornaleco da cidade. Sempre apoiado por seu secretário e fiel escudeiro Dirceu Borboleta (Daylon Martineli), Odorico arquiteta sua história e altera frequentemente o cotidiano da cidade, visando tomar providências cabíveis a sua administração e ao seu sucesso pessoal.

Mesmo um grupo de teatro amador conquista novos aprendizados com o passar do tempo, por isso novas apresentações significam novas surpresas ao público. Em alguns casos, o tempo resulta, por exemplo, em melhores cenas, em outros melhores interpretações, o que é exatamente o caso de O Bem Amado.

Essa não é a primeira comédia da Companhia Viva Arte, que nos anos anteriores apresentou também O Rico Avarento e O Auto da Compadecida, mas talvez seja a peça mais diferente – e isso não apenas por essa ser baseada no trabalho de outro autor. Baseada na obra do imortal Dias Gomes, a peça possui raros momentos de pura comédia, mas ainda assim não perde a essência do grupo – felizmente.

Texto: David Ives (tradução de Daniele Ávila Small)
Baseado: A Vênus das Peles, de Leopold Von Sacher-Masoch
Direção: Hector Babenco
Duração: 90 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 23 de agosto de 2014
O espetáculo conta a história de uma jovem e talentosa atriz determinada a protagonizar uma nova peça baseada num clássico, “Vênus em Visom”. Seu teste para o diretor e adaptador do espetáculo se torna um eletrizante jogo que ultrapassa o limite entre fantasia e realidade, sedução e poder.

A imagem de Vênus, deusa do amor e da beleza na mitologia romana, sempre é lembrada por sua sensualidade quase incomum, até porque o erotismo tem a sua devida importância para a vida e a arte em todos os seus segmentos. A relação de Vênus com o erotismo artístico começou muitos séculos atrás, mas se destaca também em “A Vênus das Peles”, livro erótico publicado por Leopold von Sacher-Masoch em 1870 e que deu origem ao termo sadomasoquismo.

Inspirado na obra de Sacher-Masoch, David Ives roteirizou a peça Vênus em Visom, grande sucesso da Broadway e que no Brasil já rendeu a indicação de Bárbara Paz ao Prêmio Shell de melhor atriz. O sucesso, que se repete nos palcos brasileiros, é apenas o resultado de um texto de humor muito inteligente e de uma dupla que dá gosto de ver em cena.

Texto: Fauzi Arap
Baseado: -
Direção: Marcos Loureiro e Fauzi Arap
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 10 de julho de 2014
Chega ao Circuito Cultural Paulista a comédia “Chorinho”, consagrada com o prêmio APCA de Melhor Autor (2007). A peça marca o reencontro das atrizes Denise Fraga e Cláudia Mello com o autor e diretor Fauzi Arap.
A montagem se passa em uma praça de uma grande cidade, onde duas vidas se entrelaçam graças aos encontros e conversas de uma solteirona aposentada com uma estranha moradora de rua. De um lado estão preconceitos e solidão; de outro, lucidez, loucura – e mais solidão. Com diálogos regados de humor e emoção, a peça narra, em sete momentos, a construção da inusitada amizade entre estas duas mulheres aparentemente tão diferentes.

Um nome pode ser suficiente para que o teatro lote de pessoas interessadas em ver de perto o talento de uma atriz de sucesso. Muitas vezes, por uma série de motivos, esse nome pode ser o único ponto especial de um trabalho, mas esse não é o caso de Chorinho, peça brilhantemente protagonizada por Denise Fraga e Cláudia Mello (uma moradora de rua e outra solteirona, ambas solitárias).

Com direção de Marcos Loureiro e Fauzi Arap, Chorinho passa a ideia inicial de que será uma comédia inesquecível, afinal, temos no palco uma das principais comediantes da dramaturgia brasileira e isso tem um peso enorme. Contudo, a união de Denise e Cláudia representa mais do que o encontro de duas talentosas atrizes. Ela parece ter a exata intenção de que uma complete a outra, apresentando assim o drama e a comédia – juntos, sim, inesquecíveis. Enquanto Denise Fraga tem o humor característico de seu trabalho, Cláudia Mello passa uma sutileza encantadora.

Texto: Cássio Pires
Baseado: A Sonata a Kreutzer, de Liev Tolstói
Direção: Marcelo Airoldi
Duração: 70~80 minutos
Gênero: Tragédia
Apresentação: 13 de abril de 2014
Quatro discos contendo a “Sonata a Kreutzer”, de Beethoven, tocados numa velha vitrola, provocam as memórias das personagens. A música e os ruídos misturam pensamentos, emoções, acontecimentos, ilusões e lembranças. Mas... lembranças de quê?
Embora a sensação seja intensa, a recordação não é nítida. Vertiginosamente, como a sonata que os impulsiona, eles atravessam séculos em instantes. Na busca alucinada de compreensão e do que realmente aconteceu, recorrem às pistas que podem estar nos objetos antigos e duradouros ao seu redor.
É nessa busca que as cenas acontecem, chegando, enfim, à tragédia, descrita no livro “A Sonata a Kreutzer”, de Leon Tolstói.

Ainda que os representantes da atual literatura também produzam obras excepcionais e inesquecíveis, os grandes clássicos internacionais possuem um charme diferente. Com toda a complexidade de seus textos e a beleza de seus cenários, essas obras se destacam e possibilitam o encanto em diversas linguagens artísticas.

Baseado no livro “A Sonata a Kreutzer”, escrito pelo russo Liev Tolstói, a peça Sonata a Kreutzer – Uma História para o Século XIX possui um dos melhores textos teatrais entre as peças já apresentadas na coluna Boca de Cena. Além de uma linguagem própria da época em que se passa a história, temos ainda uma perfeita interação entre roteiro, atores, espaço e tempo.

O Segredo das Bruxas
Texto: Viviane Rissardi
Direção: Viviane Rissardi
Duração: 90min
Gênero: Fantasia
Apresentação: 07 de dezembro de 2013

A fantasia possibilita uma infinidade de situações que normalmente fogem da nossa realidade, por isso consegue ser um gênero tão encantador e consequentemente amado por todos. O problema é quando usamos de tal gênero em uma arte em que é praticamente impossível explorar o irreal.

Apresentada em um mundo de fantasia repleto de magia, O Segredo das Bruxas se passa em um Reino Encantado onde vivem bruxas, fadas e duendes, nem sempre em plena harmonia. O mistério e a confusão envolvendo esses seres surgem quando duendes e fadas precisam se unir para descobrir o que as bruxas têm planejado nos últimos tempos. O segredo das bruxas deixa todos apavorados, por isso outras pessoas precisam se envolver, afinal, apenas a união de todo do reino pode evitar um grande tumulto. Ou será que as aparências enganam?

O Rico Avarento
Texto: Ariano Suassuna
Direção: José Eduardo Martins
Duração: 73 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 06 de novembro de 2013

Uma, duas três... Sete vezes. Daqui a pouco será impossível contar nos dedos a quantidade de vezes em que assisti a peça O Rico Avarento, de Espírito Santo do Pinhal. Apesar desse número relativamente alto, cada apresentação é uma nova surpresa e por isso pouco importa já saber inúmeras das falas ou as piadas do espetáculo. Independente de qualquer coisa a diversão é garantida.

Tendo como cenário o sertão nordestino, a peça conta a história do humilde Tirateima (José Eduardo Martins), que por falta de um emprego melhor aceita ser o mestre sala de um coronel avarento (Celso Xinini). Esse coronel não vai à casa da mãe para que ela não venha visitá-lo; dorme cedo para não jantar e acorda tarde para não tomar o café-da-manhã; e se recusa a dar esmola aos mendigos.

A avareza do personagem se intensifica com o passar dos dias, até que a chefe do inferno Canita (Rebeca Monteiro), com toda a sua inesperada beleza, aparece para fazê-lo pagar por seus pecados. Tirateima também é perseguido, mas como será que ele reagirá a essa perseguição infernal?

Rápidas e Brejeiras
Texto: Christina Trevisan
Direção: Cristina Pacheco
Duração: 40 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 06 de novembro de 2013

Além de irmão de Aluísio Azevedo, o escritor maranhense Artur Azevedo marcou seu nome na história da literatura por participar da fundação da Academia Brasileira de Letras e principalmente por suas dezenas de peças teatrais e crônicas para jornais. Essa é a história que o Grupo de Teatro Reserva Cultural, de Bragança Paulista, transmite na série de esquetes apresentada em Rápidas e Brejeiras.

Baseada em crônicas publicadas no jornal O Século entre 1906 e 1908, e posteriormente no livro Teatro a Vapor, Rápidas e Brejeiras possui o tom leve constantemente encontrado no humor do início do século passado e diálogos rápidos que causam uma dinâmica interessante de se acompanhar. Dessa forma que o grupo conta, além de acontecimentos marcantes da época, a relação das famílias com o teatro e com as mudanças naturais de uma sociedade.

Som, Fúria, Silêncio e Palavras
Texto: Alexandre Cruz
Direção: Alexandre Cruz
Duração: 75 minutos
Gênero: Drama
Apresentação: 05 de novembro de 2013

O título de uma peça teatral pode ser fundamental para despertar o interesse do público, e foi exatamente o que aconteceu com Som, Fúria, Silêncio e Palavras, representante de Amparo na fase regional do Mapa Cultural Paulista. Imagine então a surpresa ao descobrir que a peça na verdade era baseada em Hamlet, uma das obras shakespearianas de maior importância.

A peça da Cia. Arteatrando se passa no castelo de Elsinor, na Dinamarca, onde após a morte de seu pai, o jovem Príncipe Hamlet (Luiz Leopoldi) tenta se vingar do seu tio, Cláudius, que envenenou o verdadeiro Rei e se casou com sua esposa, a Rainha Gertrudes. Ao longo de toda trama, além da vingança e dos dilemas de Hamlet, nos deparamos com a raiva, a traição e a disputa pelo poder, apresentados com a mistura de som, fúria, silêncio e palavras.

Foto: Reprodução
O Pequeno Mundo de Naninha das Dores
Texto: C. Domingues
Direção: C. Domingues e Wellington Durán
Duração: 30~40 minutos
Gênero: Drama
Apresentação: 29 de outubro de 2013

Quando a plateia é convidada a subir ao palco (pela segunda vez no dia) já imaginamos que algo diferente está para acontecer. A curiosidade, e principalmente a estranheza, se tornam mais intensas quando somos acolhidos de forma tão simpática, participando de uma quermesse. Com sorrisos e o jeitinho cativante do interior, um casal serve um delicioso bolo e um copo de suco. Nos sentimos em casa, sem imaginar que esse sentimento será ainda mais verdadeiro quando as luzes se acenderem.

Estamos dentro da casa de Naninha das Dores (Bianca Moreno). Moradora do sertão pernambucano, Naninha é uma jovem com a responsabilidade de uma dona de casa. Sua vida difícil se resume aos cuidados da casa e do pai, que está cada vez mais doente e por isso morando em outro lugar. Mas, para tentar se conformar com tudo o que está acontecendo e aceitar as dificuldades que precisa enfrentar, Naninha cria um mundo imaginário. Um mundo que acredita ser totalmente real.

Cuidando dos bonecos que “vivem” junto a ela, Naninha tem sua vida abalada com a chegada de uma tia. Vanilce (Flávia Moreno) chega para levar a menina para a capital, com o intuito de cuidar da sobrinha. No entanto, a intenção de Vanilce é outra e pode mudar radicalmente a vida da pequena e frágil Naninha das Dores.