A Cidade dos Segredos, Sasha Gould, tradução de Luis Gonzaga Fragoso, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2014, 256 páginas.
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A questão pode ser muito debatida e a opinião variar de pessoa para pessoa, mas enquanto não me derem motivos para ser diferente, a cidade de Veneza, conhecida por seus canais, continuará sendo a mais encantadora do mundo. Se ela é tão encantadora atualmente, imagine então em meados do século XVI.
Nessa época tão distante, em que as mulheres não tinham o mínimo poder de escolha, a jovem Laura foi enviada a um convento e nem mesmo a sua obediência impede que ela se sinta presa. Depois de muito tempo, o fim dessa rotina silenciosa chega quando recebe a notícia de que seu pai quer que ela volte para casa. O que era motivo de alegria, no entanto, não demora a se transformar em uma infeliz experiência.
Laura chega a sua casa e percebe estar voltando porque sua irmã Beatrice acaba de falecer em circunstâncias misteriosas. Como irmã mais nova e responsável por manter a dignidade do pai, Laura é obrigada a se casar com o então noivo de Beatrice, um homem muito mais velho e que qualquer mulher desejaria manter o mais longe possível devido a sua aparência desagradável.
Quando acredita não ter mais o que fazer, Laura entrega todas as suas possibilidades nas mãos das mulheres da sociedade Segreta, que está disposta a ajudá-la a se livrar do noivo e descobrir o que causou a morte de Beatrice. Mas, para isso, Laura precisa revelar seu maior segredo, mesmo que isso signifique quebrar a confiança depositada por alguém e entregar um segredo para pessoas que podem não ser confiáveis.
“Em minha janela, a frágil cortina se agita como uma coisa viva e presa com a brisa. Em meio a este som lento e repetido, outros sons flutuam no dia veneziano: o estalar dos sapatos no chão de pedra, o vento agitando a água, os gritos dos homens nos barcos, o riso das crianças ecoando nas ruas laterais ao redor do convento” (pág. 15).





