A literatura sempre foi uma ferramenta poderosa e capaz de atingir até os mais fortes. Assim como a música, teve grande importância ao longo dos anos em que o nosso país viveu em um regime militar, mas as vozes ativas desse período sofreram para transmitir suas mensagens e muitas vezes não apenas pela censura imposta pelo governo.

Caio Fernando Abreu é um dos principais representantes da literatura no período da ditadura. Considerado um dos expoentes de sua geração, o escritor gaúcho conseguiu atrair a atenção dos leitores por transmitir sua visão sobre a vida de maneira clara e objetiva. Mas a qualidade de seus textos não foi suficiente para deixá-lo livre das críticas que o perseguiram no início de sua carreira.

Nascido em 12 de setembro de 1948, na cidade de Santiago, Caio Fernando Loureiro de Abreu seguiu os passos de outros importantes escritores da literatura mundial e demonstrou seu interesse pela escrita ainda muito jovem. Na idade em que a maioria das crianças começa a ser alfabetizada, o pequeno garoto gaúcho de seis anos já escrevia seus primeiros textos de ficção.

O tempo se passou e rapidamente ganhou concursos de contos. Aos dezoito anos, publica um de seus contos na revista Cláudia e inicia o processo de escrita do romance “Limite Branco”, livro publicado apenas em 1970 e em que já demonstraria as características presentes em toda a sua trajetória literária.

Após concluir o colegial, Caio passa a estudar Letras e Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no entanto não conclui nenhum dos cursos e pouco tempo depois, após ganhar um concurso, muda-se para São Paulo e trabalha como repórter da revista Veja. Ainda concorre ao Prêmio José Lins do Rego com uma obra em que o próprio escritor declarou ser “para sempre inédita”.

A partir do momento em que publica “Limite Branco”, sua carreira passa a ganhar novos capítulos com a participação de antologias literárias, como “Roda de Fogo” (1970), e a publicação em diversos jornais.