A Conspiração, Clive Cussler e Dirk Cussler, tradução de Henrique Amat Rego Monteiro, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 544 páginas.
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Além de um escritor excepcional, autor de mais de 50 livros e com mais de 150 milhões de exemplares vendidos, Clive Cussler é um famoso arqueólogo marinho e fundador de uma empresa que descobriu mais de sessenta naufrágios. Apesar da National Underwater and Marine Agency (NUMA) ser uma empresa real, ela também ganhou destaque na série ficcional protagonizada por Dirk Pitt.

O 21º livro da série inicia narrando o naufrágio de uma embarcação romana do século IV e de um navio inglês destruído durante a Primeira Guerra Mundial. Já nos dias de hoje, ícones da fé islâmica e um pergaminho sobre a vida particular de Jesus surgem como peças que podem mudar radicalmente a religião mundial.

Aparentemente todos esses fatos não possuem nenhuma relação, mas o engenheiro naval Dirk Pitt, diretor da NUMA, entra em ação para explorar os mistérios que podem surgir com a disputa de interesses. Pitt faz isso mesmo sabendo desde o início que está se envolvendo com pessoas perigosas e capazes de tudo para atingir seus principais objetivos.

“A pistola disparou de novo, dois clarões gêmeos visíveis no canto dos olhos de Pitt enquanto os ruídos ressoaram pela câmara. Uma das balas atingiu a balaustrada e a outra passou assobiando pela sua orelha. Já em movimento, tudo o que ele podia fazer era continuar em frente” (pág. 68).

A Caçada, Clive Cussler, tradução de Camila Fernandes, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 384 páginas.
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As histórias investigativas surgiram em meados do século XIX e os melhores livros do gênero são justamente aqueles que se passam entre o século XIX e meados do século seguinte. Essas histórias nunca deixaram de atrair o público, nem mesmo as contemporâneas, porém existe algo ainda mais encantador em livros que retratam uma época não tão distante, onde a inteligência era a única maneira de encontrar os culpados.
Sem toda a tecnologia encontrada em histórias mais atuais, o romance A Caçada se passa em 1906 e mostra o oeste dos Estados Unidos enfrentando uma série de assaltos a bancos que já dura dois anos. Esses assaltos foram cometidos por um único homem: o Assaltante Açougueiro, que não pensa duas vezes antes de assassinar qualquer possível testemunha presente na cena do crime. Por já não aguentar ver tantas vítimas e sem saber por onde começar a investigação, o governo norte-americano contrata a Agência de Detetives Van Dorn e entra em cena o detetive Isaac Bell.
Com sua personalidade única e colocando em prática toda a sua capacidade, Bell percorre os Estados Unidos tentando prever os movimentos de seu inimigo e chegar à cena do crime antes do que o Assaltante Açougueiro. Porém esse consegue sempre estar um passo à frente. E quando Bell parece finalmente estar próximo de alcançar o seu objetivo, precisa lutar por sua sobrevivência para não deixar que o criminoso faça mais vítimas.

“Bell sentou-se no chão e massageou a própria garganta, ofegando pelo esforço. Virou a cabeça e olhou para o corredor, vendo que homens vinham correndo para a suíte. Eles se detiveram, pasmos e chocados, à vista do mar de sangue e da montanha de homem cuja face era irreconhecível por causa da máscara de sangue coagulado. A face parecia particularmente grotesca devido aos dentes de ouro que se exibiam entre os lábios abertos, lentamente cobrindo-se de vermelho” (pág. 155).

O Reino, Clive Cussler e Grant Blackwood, tradução de Marcos Maffei Jordan, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 336 páginas.

Na grande maioria de seus livros, o autor best-seller Clive CusslerO Espião (Resenha) – conta com a parceria de especialistas em algumas áreas exploradas em determinados livros. Em O Reino, mais recente trabalho do autor lançado no Brasil, a parceria é com Grant Blackwood, veterano da Marinha dos Estados Unidos, autor de uma série e co-autor de duas outras séries.
O Reino é o terceiro livro da série As Aventuras dos Fargo e começa narrando acontecimentos de uma época muito distante. Voltando para os dias atuais, somos apresentados – já que é o primeiro da série a ser lançado no país - ao casal Sam e Remi Fargo, dois aventureiros caçadores de tesouros. Apesar de serem especialistas em tesouros e não em pessoas, o casal é chamado por Charles King, um rico empresário da área petroleira, para descobrir sobre o desaparecimento de um antigo amigo dos Fargo que estava trabalhando em busca do pai de Charles King. Pouca coisa é revelada ao casal, que aceita entrar nessa aventura sem imaginar que a história é muito mais complexa.

“De cada lado e à frente deles, caixões de madeira erodidos estavam empilhados, oito na altura e quatro na profundidade, formando um corredor que era pouco mais largo que os ombros deles. Lanternas de cabeça iluminando o caminho, foram até o fim do corredor. Descobriram-se numa encruzilhada em T. Para a esquerdar e a direita, mais caixões” (pág. 213).

Diferente de O Espião, onde havia muitos termos técnicos que deixaram a leitura cansativa, em O Reino isso é praticamente inexistente e quando usado de alguma forma é com algo comum para o leitor, principalmente por se passar no século XXI. Dessa vez, o autor explora a descrição de tesouros e de lugares que os protagonistas se aventuraram ao longo da história, dando uma realidade maior ao livro – já que não importa se está fora ou dentro de uma caverna; em um lugar misterioso ou não. Entre os países, as aventuras no Nepal, China e Bulgária são as mais empolgantes, por inúmeros motivos, e também pela importância na história.
Até determinado momento, o leitor pode pensar que tudo não passa de uma invenção da cabeça genial de Clive Cussler, mas o autor demonstra mais uma vez trabalhar ficção e realidade como ninguém - tanto que o título se deve a essa junção. Nesse caso os tesouros estão relacionados ao século XVII, quando o italiano Francesco Lana Terzi projetou uma aeronave mais leve que o ar – assim como sugere a capa e o prólogo. Cussler se aproveitou de uma parte perdida da história de Terzi para construir o enredo de O Reino, que ligou presente e passado em diversos pontos, explorando segredos, lendas e tesouros, sejam eles arqueológicos ou não.
Mas quando se trata de uma caça ao tesouro, o espectador/leitor espera que a história seja repleta de aventura e ação, não deixando de lado a investigação para que a história chegue em seu clímax de uma forma convincente. Cussler sabe como elaborar um enredo do início ao fim, porém neste caso há momentos desnecessários e que às vezes se estendem mais do que deveria, ainda que se trate de um livro relativamente curto. Demorar alguns capítulos para deixar um lugar fácil – para os personagens, que fique claro - não é o que se espera de um livro que deveria prezar pela agilidade, afinal, qualquer erro pode ser fatal.
Um dos grandes destaques no livro O Espião é o protagonista Isaac Bell, que começa de forma pouco agradável, mas que aos poucos mostra sua verdadeira personalidade. Já em O Reino, os protagonistas não chamam a atenção se estiverem sozinhos e sim pela união perfeita de Sam e Remi. Mais do que um simples casal, os personagens se completam pelo estilo aventureiro, o romantismo característico e os diálogos marcantes que têm um tom bem humorado. Não importa a situação. Sam e Remi conseguem encantar e tirar diversas gargalhadas do leitor, ao contrário dos vilões da história, que não têm nenhuma atitude digna de um grande vilão, que no caso de O Espião era uma atração à parte.
O Reino e O Espião são histórias distintas e ainda assim é impossível deixar de fazer comparações, afinal, Clive Cussler conquistou a admiração a cada troca de páginas em ambas as leituras. Ao contrário da aventura de Isaac Bell, dificilmente O Reino vai conquistar a grande maioria dos leitores, apesar de ter uma história complexa, algumas aventuras empolgantes e ao menos dois personagens incríveis. Uma coisa é certa: ler esse livro é ter a certeza de que os Fargo têm muito para passar e vindo de um grande mestre a expectativa será sempre das melhores. Quando chegarem, os demais livros têm muita chance de serem tão bons – ou até melhores - quanto os dois primeiros de um dos maiores autores de espionagem, e agora também de aventura, do mundo.

“- Na pouco provável chance de não conseguirmos uma aterrissagem perfeita, macia como uma pluma, a nossa melhor alternativa são os pinheiros... encontrar um grupo bem denso e tentar voar direto para ele.
- O que você acabou de descrever é um pouso de emergência, só que sem o pouso.
- Essencialmente.
- Exatamente.
- Ok, exatamente.” (pág. 290).

O Espião, Clive Cussler e Justin Scott, tradução de Henrique Amat Rego Monteiro, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 416 páginas.

Com mais de 40 livros publicados, o autor Clive Cussler é um dos especialistas da literatura de espionagem e em parceria com Justin Scott, que já publicou 24 romances, escreveu O Espiãoterceiro da série -, um livro cheio de altos e baixos – mais altos do que baixos - envolvendo um dos seus personagens mais marcantes.
É 1908. Pouco tempo antes da primeira grande guerra e os países já iniciam uma batalha marítima em busca de tecnologias revolucionárias para época. Arthur Langer era um homem que detinha as patentes das principais invenções dos Estados Unidos e morre misteriosamente enquanto toca piano. Tudo leva a crer que seja suicídio, porém Dorothy Langner, filha de Arthur, acredita que na verdade seu pai foi assassinado. Para tentar resolver esse mistério, a jovem procura Isaac Bell, um detetive que tem a missão de descobrir quem teria causado a morte de um importante nome para a marinha norte-americana.
Isaac Bell, investigador da Agência de Detetives Van Dorn, passa a investigar a fundo tudo aquilo que envolve a morte de Arthur e aos poucos descobre peças de um quebra-cabeça que apontam para algo muito mais sério do que a morte de um homem inteligente. Ele não demora a perceber que a intenção do assassino – seja ele quem for – é eliminar pessoas que possam engrandecer a marinha dos EUA. Sua missão muda de foco e agora, além de descobrir o culpado, precisa salvar vidas. Salvar seu país.

“Como se uma estrela cadente tivesse apagado os últimos vestígios de escuridão no céu da manhã, Isaac Bell viu o poderoso couraçado pelo que ele poderia ser... uma visão grandiosa de homens vivos e um monumento aos mortos inocentes. (pág. 114)”.

Dividido em cinco partes (A Filha do Artilheiro; Caixões Blindados; A Frota; Um Sinal de Deus; e Em Serviço Distante) e com uma escrita detalhista, Cussler e Scott leva o leitor a um país no inicio do século XX, que possui uma sociedade diferente e ao mesmo tempo encantadora. Conhecemos um pouco dos costumes dessa sociedade, bem como tudo aquilo que envolve os anos que antecederam a guerra, sobretudo na questão marítima. Há muitos detalhes técnicos sobre navios e armas de guerra, e por isso fica fácil entender o que levou diversos países a entrar nessa aventura de espionagem. Tudo fica claro e sentimos como se estivéssemos vivenciando as aventuras das personagens.
Encontramos em O Espião uma narrativa de tirar o fôlego com a quantidade de mortes e mistérios que surgem com o decorrer das páginas. Inimigos que criam situações prejudiciais e pessoas com atitudes inimagináveis não faltam neste livro. Nem todos são aquilo que realmente aparentam ser e isso cria uma atmosfera que diferencia este estilo literário de outros semelhantes.
Porém, a escrita detalhista também é um dos – únicos - pontos negativos e que deixam a leitura um tanto quanto arrastada no inicio. Se envolver com a história é sempre muito bom, contudo é estranho imaginar algumas situações quando não se conhece o ambiente, por exemplo. Felizmente aos poucos tudo fica natural, e a leitura se torna mais agradável. Claro que os grandes detalhes deve ser considerada uma característica dos autores, afinal, narram, com maestria, uma história de uma época diferente.

“Arrastou o corpo até o píer no lado do depósito em que a construção se projetava acima do Rio Potomac. Uma alavanca de madeira, que ficava à altura de seus ombros, liberava o alçapão no piso. Este abriu com um forte ruído. O corpo chocou-se contra a água. Em uma noite de chuva como aquela, o rio o levaria a quilômetros de distância. (pág. 247)”.

No inicio, Isaac Bell também parece ser uma personagem simples, sem características que o tornam inesquecível. Um engano que é esclarecido já na primeira parte, quando a personalidade de Bell é revelada e conhecemos o homem educado, dentro da lei, romântico, inteligente, com gosto para a aventura e métodos investigativos surpreendentes – ele aproveita fatos simples para conseguir informações esclarecedoras. Talvez esse engano citado não acontecesse se a primeira experiência fosse com The Chase (2007), aventura de estreia de Isaac e ainda não lançado no Brasil.
No mais, a editora Novo Conceito novamente fez um excelente trabalho, começando pela capa – muito bem trabalhada e com detalhes relacionados com a história. A tradução de Henrique Monteiro dividiu opiniões, mas felizmente não há falhas – nem mesmo na revisão - e a discussão é: nomes de ruas e lugares deveriam ser traduzidos? Acho que isso não faria diferença, mas talvez se tornasse interessante.
O Espião é um livro para todos os públicos, que tem tudo para agradar a todos. Há aventuras, investigações, romances, mortes, personagens carismáticos e conflitos envolvendo diversos países do mundo, o que fez toda a diferença. Tudo isso combinado com um final arrebatador, que eu diria ser um dos melhores de livros parecidos com este, e que mostram aquilo que podemos encontrar em outros trabalhos de Clive Cussler, que serão lançados em breve pela Novo Conceito.

“A máscara impassível que Louis Loh habitualmente usava sobre a face deslocou-se um fio de cabelo. Bell detectou uma minúscula queda de seus ombros, que transmitia um colapso na esperança interior de que seu ataque, embora fracassado, provocasse um atrito entre o Japão e os Estados Unidos. (pág. 316)”.

Desde já digo que o kit de O Espião é fantástico e inovador. Claro que a promoção não poderia faltar e em breve ela estará no ar, junto com outro kit da editora. Aguardem!!
Não poderia deixar de agradecer a editora - sempre muito atenciosa com os parceiros -, que gentilmente cedeu o livro para que essa resenha pudesse acontecer. Espero que goste e que se interessem por essa leitura fantástica.