Olá, caros 3 ou 4 leitores. Tudo bem? Espero que sim.

Alguém já reparou que desde o primeiro “Fala, Davi!” eu sempre comecei um artigo com uma pergunta? Será que vocês fazem ideia de por qual motivo eu agi assim?

Se não sabem ou nunca pararam para pensar, não vou embora sem antes responder.

Perguntas exigem respostas. E respostas exigem raciocínio. E raciocinar sobre a situação é o que muitos fazem, exceto para seus próprios atos.

Esse é o meu artigo de despedida do quadro “Fala, Davi!” por eu já não ter mais o que falar. Comentei sobre a profissão, o ato da leitura, o sistema de cotas, acesso aos deficientes, etc. Expus todos os podres do ensino. E aí, quem mudou de atitude depois que leram os meus artigos?

Não sei. Digam vocês.

O que eu posso dizer depois de todo esse convívio com a educação e o blog Overshock (pelo menos nessa coluna) é que as pessoas são hipócritas no que se refere à educação escolar.

“Hipócritas ?”, pensa o leitor. Sim, senhor.

Mesmo que você não seja um pai de família, você tem a noção de que a educação é algo importante para o futuro. Seja o seu, do grupo com o qual foi criado ou até mesmo da sua comunidade. E será que durante esse tempo que dediquei a escrever artigos, você mudou? Fez algo diferente? Entendeu que educação escolar é uma coisa e educação civil é outra? Parou de usar celular ou ter conversas paralelas na sala de aula?

Não sei. Digam vocês.

Sou uma pessoa bem racional quando escrevo tanto na forma artística quanto na acadêmica. Mas confesso que quando faço um conto que até eu mesmo não gostei, por exemplo, já penso “xi... esse não vai ser aprovado”. E com este artigo que vocês estão lendo, o meu palpite é: ou eu vou receber uma porrada de comentários do tipo “eu amo Machado e Clarice” ou “você está errado” ou coisas do tipo sem nem ao menos o pessoal levar em consideração todo o texto que estou produzindo.

A minha experiência de vida como professor, escritor, leitor assíduo e freqüentador de eventos literários me dá um pouco de base para falar isso. Em uma Bienal do Livro em que a presença da Cassandra Claire faz adolescentes passarem mal e esse mesmo público já torce o nariz quando aquele professor de literatura carrega aquele exemplar de “Dom Casmurro” para dentro da sala de aula faz com que eu traga essa questão para vocês: quantos livros nacionais vocês leram esse ano? E quantos estrangeiros (não estou falando só de autores americanos. Falo de qualquer autor que não nasceu entre o Oiapoque e o Chuí)? Gostaram? Lembram os títulos e os autores?

O que eu quero aqui não é levantar uma bandeira do complexo de vira-lata. O grande Ricardo Biazotto me dá oportunidade de expor o que penso através de estudos e vivência de vida. E eu aproveito essa chance para trazer a vocês um artigo que vocês possam ler e pensar.

Então, vamos aos fatores.

Falta de costume com a leitura geral: temos que aceitar que não somos um povo que lê. Fato. Compramos um celular e queremos mexer nele em vez de ler o manual assim como acreditamos que cozinhar está no próprio nome do prato e não na receita (é por essas e outras que muitas pessoas não colocam vinagre na água e a casca do ovo racha antes de cozinhar). Não temos tempo para ler. A prática, a vivência e o William Bonner nos dizendo as notícias do dia são os nossos melhores “livros”.

As férias escolares chegaram!

Tempo da molecada descansar ficando acordada até tarde e no dia seguinte levantar da cama às 11h, viajar, ir ao cinema e criar calos dos dedos de tanto jogar videogame. Afinal, foram dois bimestres muito cansativos, não é mesmo?

O ano mal começou e todos já estavam de olho em quando começava o Carnaval. E assim quando as aulas começaram, foi só pensar “são só duas ou três semanas e depois posso ficar em casa”. Delícia.

Em seguida tivemos feriados. Municipais ou estaduais... não importa. Era só decretarem “ponto facultativo” que todos já entendiam “u-huuu! Não teremos aula” e os alunos não iam. Ou os pais não se importavam em levar.

E é claro, tivemos também as greves. Como foi bom ficar em casa esse tempo, não é mesmo? Ou melhor, era bem chato para os alunos se arrumarem para ir à escola e depois no meio do caminho encontrar aquele amigão que te diz “pode voltar para casa que não teremos aula” com aquele sorriso quase chegando na nuca.

Mas nada disso deve ser considerado. Não há necessidade de falarmos de educação escolar porque estamos de férias! Vivemos em um país em que só se estuda em um turno (ou manhã, ou tarde ou noite) e os outros dois são usados para deveres escolares ou a chance do jovem ajudar nas tarefas domésticas. Só que na prática é o tempo do estudante se divertir, afinal nada é mais doce do que essa época que temos na infância. E os pais procuram dar um jeito de sempre aumentar esse tempo o máximo possível, pois “é importante que eles aproveitem esse momento, já que eu não tive isso. Mas quando meu filho tiver X anos, aí eu o farei estudar”.

O instrutor de kendô Jorge Kishikawa já disse em seu livro Shin Hagakure que “o vestibular é uma das primeiras batalhas do jovem samurai moderno (...). Muitos morrem e somente os aprovados sobrevivem”.

Não é um erro ver o processo seletivo como uma guerra. Amenizar o risco e a responsabilidade que representa uma prova que caso você perca precisa esperar um ano inteiro para realizar é praticamente tapar o sol com uma peneira e tentar levar tudo no tradicional espírito “oba, oba” do povo brasileiro.

Infelizmente o sistema trabalha muito bem para que não possamos arcar com tal tarefa. Aprovação automática, benefícios para pessoas de classes baixas e o aprendizado de quando precisar, fazer aquela voz de choro e dizer “poxa, professor. Deixe-me entregar o trabalho para semana que vem?” são coisas que vão culminando nos milhões de adultos que somos hoje: sujeitos que não sabem discernir se o cão abana o rabo ou o rabo abana o cão.

Dado a situação, o pai sensato ou o jovem ciente procuram um curso pré-vestibular. Um lugar onde o ensino tem que ser superior ao que é apresentado na escola pública, além de exigir do participante o empenho que ele precisará trabalhar para ir bem na tão temida prova.

Segundo o primeiro parágrafo da lei 11.788 de 25/10/2008:

“Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos.”

Bonito? Como toda lei deve ser. Infelizmente, só no papel.

O estagiário é visto como bucha de canhão nas instituições em que vai exercer suas atividades e até oferecer sua mão de obra e disposição sem receber salário. No Brasil sua inexperiência com o mundo prático faz com que o termo fique associado à má qualidade. Erraram? Culpe o estagiário.

Nas instituições de ensino, o estagiário é considerado o “aspira (alguém lembra do filme Tropa de Elite?)” e é designado às funções que o professor não tem tempo ou não quer ver uma pessoa competindo com ele em grau de conhecimento ou poder na sala de aula. Por ser um estagiário, ele não só é mal pago (quando é remunerado) como também não tem os poucos benefícios oferecidos a um funcionário público.

Outra forma de contornar: o responsável pela assinatura de documentos dispensa o estagiário “educadamente” e pede para que o mesmo só compareça quando precisar de assinatura de documentação. Muitos aceitam por não querer entrar em uma queda de braço com aquele que pode salvar ou arruinar suas vidas acadêmicas. Isso quando também não ocorre dele ser alvo de uma chantagem do tipo “ou você faz o que eu mando ou eu não assino o seu estágio”. É claro que a vítima pode entrar com recursos e processos. Mas até o caso ser devidamente apurado o culpado tem que arcar com aquilo que nem todo ganho financeiro pode devolver: o tempo perdido.

Creio que é difícil eu escrever um bom artigo sobre o ensino de uma matéria oposta a qual eu estudo (estou me formando em Letras). Contudo espero que minhas vivências como estagiário, pesquisas e colaborações construam um texto do qual você que está lendo a este artigo possa gostar. Do contrário podemos ir conversando nos comentários, como sempre faço.

O que posso dizer pela vivência com alunos de primeiro ano é que o ensino de Matemática é colocado em segundo plano ou como um pacote adicional. As metas do governo são tão voltadas para alfabetização (subentenda-se alfabetização ler e escrever em caixa alta. Ainda que possua alguns erros ortográficos, o que é trabalhado no segundo ano) que não há uma meta exata para o que se atingir no mundo dos números. Os alunos aprendem até onde dá e seguem em frente para nos próximos anos a disciplina ser ensinada de forma mais uniforme. Uma pena, visto que ele tem muito a oferecer e respeito isso (Matemática não passa por alterações como a língua portuguesa sofreu em 2009. Eu sei que 1 mais 1 é 2 hoje e ainda será amanhã). Com a Matemática os alunos aprendem muito sobre precisão. Não é a toa que ela é “a ciência” da área das Exatas.

A que isto se deve: segundo opiniões, a uma própria limitação que os próprios professores sofrem em lidar com uma área que foge um pouco da vertente. Estudo um pouco do processo pedagógico e ele não é muito preciso quando o assunto é ensinar Matemática.

A coisa realmente melhora? Creio que não. A Proposta Curricular do Estado de São Paulo fala sobre a Matemática servir às outras áreas (e o documento só tem duas páginas para falar sobre a disciplina. Algo que soa como desrespeitoso a meu ver). Algo meio equivocado visto que todas as disciplinas somam-se para os estudos (como pedir a um aluno ler um texto sobre a escravidão, buscar entendê-lo e calcular por quanto tempo os negros estiveram sob tais condições. Assim o aluno aprende sobre História, exercita sua habilidade em um cálculo e interpreta a informação e entende que 125 anos não são suficientes para desfazer 388 anos de uma visão do negro como ele se fosse um animal) e ao mesmo tempo, precisam ter as suas individualidades.

Segundo a lei, a escola mais próxima da residência do aluno tem obrigação de aceitá-lo e oferecer condições de acessibilidade e estudo independente da sua condição especial. Funcionários que negam a matrícula podem pegar de 1 a 4 anos de reclusão.

Só que como todos sabem, leis no Brasil foram feitas para as grandes massas não terem conhecimento delas. E quais são as desculpas dadas pelas instituições de ensino para responsáveis não informados?

  • falta de recursos materiais/financeiros (neste lado a gente até entende o lado da escola, visto que a verba da educação é sempre escassa);
  • despreparo (os profissionais da educação lidam com falta de tempo e dinheiro para tirarem uma especialização em lidar com casos de deficiência. Além disto o professor como qualquer outro profissional, tem o direito de não se achar apto a exercer tal função e crer que há gente melhor para fazê-la ou não ter interesse em uma área tão delicada. Se alguém torcer o nariz para este comentário, por favor se formem em Medicina, Construção Civil  e Direito. Todos nós sabemos como precisamos de médicos, casas e leis sendo bem aplicadas);
  • alegar que o aluno “não se adapta” e derivados (isto pode ser dito em último caso. Embora tenha dito que as verbas escolares são escassas, as instituições de ensino com tais alunos recebem verbas para dar bom atendimento aos alunos de inclusão).

É claro que às vezes mesmo com a desqualificação e a falta de verba ou recursos, a escola aceita o aluno e o professor que se vire para educá-lo. São situações difíceis de lidar onde o profissional da educação enfrenta obstáculos como:

  • conhecimento (de como lidar com o problema);
  • estratégia (alunos com baixa visão, por exemplo, precisam se sentar nas cadeiras da frente);
  • compreensão (dos alunos inclusos, colegas de classe ou até dos pais/responsáveis);

Para começar quero compartilhar uma ideia com vocês: quando comecei a procurar o material para escrever este artigo, até pensei em caso não encontrar o que eu precisava produzir algo sobre “Por que os alunos desistem?”, focando justamente na criança, visto que este texto será publicado no Dia das Crianças. Ponderei ao mesmo tempo em que pesquisava e cheguei à seguinte conclusão: não preciso bajular crianças. Eles já têm os pais ou responsáveis, a mídia, a opinião pública, o poder político e órgãos como o ECA ao lado deles. O professor só tem como aliados os próprios colegas de trabalho. E no fim, uma das máximas que eu sempre digo em quase todos os artigos:

A educação começa com um professor motivado, preparado, testado, aprovado e com recursos para dar uma boa aula. A educação civil começa em casa.

Aí veio o X da questão: e quando não há motivação?E quando faltam recursos? E quando não é seguro?

Caso o leitor não seja estudante de curso superior de licenciatura e/ou não saiba da proporção da situação, façamos o seguinte: pensem em uma profissão que gostariam de seguir e respondam com “sim” ou “não” as próximas três questões:

  1. Você trabalharia por R$ 300,00 mensais, por exemplo, ciente de que o custo de vida atual ou de onde você mora exige bem mais que isso?
  2. Ganhando pouco ou não, ia aceitar um cargo que o fizesse ter que trabalhar doente ou desenvolvendo problemas crônicos?
  3. Faz questão de ser respeitado?

Se você respondeu “não”, “não” e “sim” para as questões, pode entender os motivos das desistências.

Até maio deste ano, as Secretarias de Educação dos Estados de Mato Grosso, Roraima, Santa Catarina e Sergipe registraram juntas 129 casos de exoneração de professores por desistência. Parece pouco? O Rio de Janeiro teve 580 casos. Só que as secretarias de estados mais populosos como as do RJ alegam que muitos destes casos são por aposentadoria. Na hora de contar qual é cada caso, não se pronunciam. Daí levanto uma hipótese: que muitos estados omitem ou distorcem informações para que mostrariam que o buraco e mais embaixo. Motivo: não dar ao Ministério da Educação a informação da má qualidade do serviço prestado. Ou para um grupo relativamente pior que o governo: a imprensa.

Agora vamos ver os fatores que geram tais desistências:

Fui estudante de uma geração sem internet, o que quer dizer que não tínhamos como interagir com alunos de outros lugares no Brasil e no mundo. Na minha época, o professor começava a perder o poder na sala de aula. Lembro até de uma manifestação que houve na Av. Paulista em que o José Serra foi atingido por um ovo. Que desperdício de comida...

Nesse hiato desde que me formei no Ensino Médio, o que mudou na ótica dos estudantes?

A internet é consumida pelo público jovem e essas massas buscam ter uma identidade reconhecida postando fotos com óculos espelhados e correntes douradas ou no caso das meninas, a mão por baixo do queixo ao estilo Bonde das Maravilhas. Tal povo alienado que acha que “camiseta preta é coisa de rosqueiro (como eles chamam os roqueiros)” entre uma foto do Coringa ou do Assassins Creed postada nas redes sociais, cultua e fomenta um mercado que considera a escola um palco de comédia stand up e o professor o alvo de piadas. E como eles fazem isto? Da seguinte forma:

  • Cultuando a ideia de que o Harlem Shake era uma forma de relaxar e se divertir, levando o “projeto” para as instituições de ensino na esperança que o rabo abane o cão e não o contrário;
  • Trotes nas salas de aula e em alunos novos. No professor é para quebrar a rotina ou dar uma lição naqueles que estão “sempre dispostos a complicar a vida dos estudantes” e nos novatos, é para “dar as boas vindas (um “seja bem vindo” é bem mais eficaz)”;
  • Gravação de vídeos e compartilhamentos nas redes sociais dos trotes como quem quer dizer “olhem que legal. Isto me representa”;
  • Listas de “brincadeiras” divulgadas na internet justamente com intuito de tirar sarro do professor e ridicularizar o ato de ensino e aprendizagem. Procurem no Google por “20 maneiras de irritar/trollar o seu professor” e verão “sugestões” como:

Tudo bem que não vivi os tempos “áureos” em que se ensinavam Estudos Sociais (ou Sociologia) nem Educação Moral e Cívica. Mas sei como eram as coisas e o que elas se tornaram hoje justamente porque estudei e continuo estudando. Creio que participar do “Fala, Davi!” une o útil ao agradável de eu precisar saber como são as coisas para escrever estes artigos ao mesmo tempo em que me conscientiza de como é o mundo da educação escolar.

Segundo um levantamento que fiz, as escolas hoje em dia oferecem:
  • Bolsa Família;
  • Leve Leite;
  • Serviço oftalmológico;
  • Serviço odontológico;
  • Uniforme escolar;
  • Material escolar;
  • TEG (Transporte Escolar Gratuito. Um programa para alunos que morem muito longe das escolas);
  • Livros (algumas recebem uma boa cota e fazem distribuições aos alunos, procurando incentivá-los a ler);
Além disto, as escolas contam com programas para familiarizar os jovens com o espaço como o Escola da Família além de terem equipes que (em hipótese) auxiliam os professores como diretoria, vice diretoria, coordenação e estagiários. E por via das dúvidas, fazem notificações ao Conselho Tutelar.

Quem vê, pensa que as escolas são boas por oferecerem tudo isto.

A meu ver, não é bem assim que as coisas funcionam.

Em meu primeiro artigo para o Overshock, defendi a tese que a leitura obrigatória nas escolas pode ser aprofundada, expandindo horizontes e fazendo os alunos reverem obras anteriores dentro do mesmo tema (lembro de um debate épico meu com leitoras porque indiquei Drácula aos leitores de Crepúsculo).

O que mudou de lá pra cá?

Nada. Eu também aprofundei os meus estudos.

Fora da jurisdição escolar, temos:
  • A estigma trazida com os portugueses da religião católica que defende que você ouça o padre enquanto a protestante (nos EUA, imposta pelos ingleses) defende que você leia a bíblia;
    NOTA: quem me disse esta foi ninguém menos que o escritor brasileiro Pedro Bandeira (foto), em uma palestra pelo aniversário de 50 anos do caderno infantil do jornal Folha de São Paulo, o Folhinha.
  • Pais das classes menos favorecidas preferem usar uma TV como babá do que ler uma história para o filho antes de dormir;
  • Livros são relativamente caros e os mesmos pais de família citados acima usam desta desculpa esfarrapada para não adquirirem livros aos seus filhos (mais vale vestir o filho com marcas que ele quer ou que “todo jovem usa” do que ensiná-lo a ler as obras adequadas);
  • Ainda existem gerações de crianças criadas pelos avós, que por sua vez são analfabetos (tendência: daqui a 70 anos as crianças sejam educadas por avós sem prática de leitura ou analfabetos funcionais).

Dentro da jurisdição escolar, temos:
  • Professor VS vida do aluno (descrita acima);
  • O conceito de leitura relacionado à literatura, que por sua vez virou “palavra difícil” e daí, associada a algo difícil;
  • A leitura por prazer, disseminada em nossa sociedade dando a ideia do aluno ler o que lhe interessa, seja atrativo e lhe dê prazer (só que sem o hábito, o sujeito não lê de jeito nenhum);
  • Caso clássico e comum: escolas com problemas de estrutura e orçamento. Exemplo:

"Isso [10% do PIB para educação]
coloca em risco as contas públicas.
Isso vai quebrar o Estado brasileiro" -
Guido Mantega, ministro brasileiro
Sempre dizemos que a grama do vizinho é mais verde. E no caso da educação escolar isto não é exceção.

Segundo pesquisa da empresa Pearson de materiais e serviços educacionais divulgada em 2012 com 40 países, o Brasil ocupa a 39º colocação, a frente somente da Indonésia. Finlândia lidera. Coréia do Sul vem em seguida sendo assim a maior da Ásia. A Nova Zelândia é a maior da Oceania no 8º lugar enquanto o Canadá é a maior da América com a 10ª posição. Da América do Sul, a Argentina é a melhor qualificada com a 35º colocação.

Nosso país investe 5,7% do nosso PIB (Produto Interno Bruto. A soma dos valores monetários de todos os bens produzidos aqui) em educação. Considerando a necessidade deste setor, há houve muitas negociações para um aumento desta contribuição. Até o ministro Guido Mantega já afirmou que aumentar para 10% quebra o Estado (detalhe: Mantega tem doutorado e especialização em Sociologia pela USP. Mais um destes cidadãos que só tem diploma e nem um pouco de ética).

Qual será a fórmula do sucesso dos outros e do fracasso do nosso? Simples:

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
É engraçado eu falar disto, pois quem acompanha este quadro sabe que eu falo o tempo todo “professor ensina e pais educam”. Não é verdade?

Quem me dera eu fosse ouvido pelas grandes massas e não por em média quinze ou vinte leitores que se dão ao trabalho de ler o que eu escrevo e pensar em um comentário! Assim não ocorreriam casos de pessoas julgarem o professor que vai a um estádio de futebol ou em show de rock em um fim de semana antes de um bar e dizer “é este o cara que educa os meus filhos? Eu vou é tirá-lo daquela escola” e quem sabe o mundo seria um lugar melhor e assim como diria Chico Buarque, cada um cuidaria da “parte que lhes cabe neste latifúndio”...

Infelizmente não é assim que a banda toca aqui, meus caros leitores. Como eu disse uma vez em uma sala de aula de uma escola estadual na época em que eu fiz estágio, o governo é nosso maior inimigo. É ele que não atende às necessidades de bairros superpopulosos como as zonas periféricas nos dando mais transportes a preços acessíveis, melhores condições de saúde, segurança e educação, mete a faca nos impostos para que nunca possamos ascender socialmente seja com um negócio, projeto ou construção e só nos oferece regalias que nos fazem crer que subir na vida significa ganhar um salário de m**** de R$ 800 e poder comprar uma camiseta da Hollister.

O que tem a ver o governo com a participação dos pais na educação escolar dos alunos, algo aparentemente sem vínculos?

Eu lhes digo: tudo.

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Confesso que no fundo, eu queria que este artigo fosse o número 10, ou que fosse publicado no meu aniversário, ou ainda em alguma data comemorativa mais voltada a área da educação. Sei também que sou um estudante de Letras que não estuda na melhor universidade do Brasil, não tenho graduações e leituras tão embasadas que me possam dar respaldo para falar sobre o que consta no título. Só que olho para trás de todas as coisas que fiz até hoje e de como o meu espaço aqui no Overshock tem a sua média regular de leitores, sendo alguns mais assíduos. Daí me proponho a expor algumas coisas e dar a minha opinião acerca delas. Qualquer coisa, eu estou sempre disposto a debater na parte dos comentários.

Ok? Então vamos lá.

Educação vem do latim educere, que significa extrair, tirar, desenvolver. Consiste essencialmente, na formação do caráter. Prova cabal disto é que vemos muitos diplomados sem um pingo de ética ou pessoas realmente desprezíveis e em contraste, gente que mal aprendeu a ler só que lida com as palavras como um verdadeiro líder. Para mais informações, vamos não só na etimologia como também em como a sociedade (em especial, a nossa) trata da palavra.

A lei 9.394 de 20/12/1996, composta por 92 artigos e assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, é uma excelente referência do que é (ou de como deve ser tratada) a educação. Ela não só delega funções à família do educando ao contrário do que muitos pensam que “educar é dever da escola. Eu crio” segundo o Art. 2 como também dá ciência de que ela pode ser exigida por “qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público” conforme o Art. 5.

Um texto bonito no papel? Sim. Informativo, instrutivo e esclarecedor? Concordo. Aí vem o X da questão: por que esta e outras leis não são de conhecimento público tal qual o placar da rodada dos campeonatos de futebol?

Em síntese do que diz Brandão no primeiro capítulo de O que É Educação (Brasiliense, 21ª Ed. 1988) a educação vai de acordo com o que a sociedade precisa: gente letrada, caçadores, soldados, exploradores, etc.

Quem define o que a própria sociedade precisa? Seus líderes, obviamente. E como eles escolhem? Com seus consultores. Reis tinham conselheiros e nossos políticos atendem a demanda de empresas que oferecem serviços de má qualidade e não querem gente instruída para questionar. Ou então, procuram tornar escassas as condições sociais básicas e o mercado capitalista torna-se mais atraente. Assim a pessoa reclama que um hospital demore horas para dar um atendimento, só que se você cobrar mais de R$ 300 em uma camiseta da Lacoste, aí sim é motivo para uma briga.

Será que é tão fácil assim?
Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Creio que este será um dos artigos mais difíceis que já escrevi para o Over Shock. Tanto que ele será dividido em duas partes. Esta será a primeira. E mais para frente, eu digo onde começa a segunda.

Segundo pesquisas, as políticas de cotas foram adotadas no primeiro mandato do governo Lula, originadas das políticas de inclusão dos EUA nos polêmicos anos 60. Ela garante vagas em universidades públicas e particulares pela etnia, sendo mais abrangente para negros e indígenas. E destes, cai sobre os negros o maior peso de protestos, polêmicas e debates sobre ser contra ou a favor.

Há muitos argumentos originados do “povão”. Os mais comuns são:
- Cotas estimulam o ódio racial: ele já existe muito antes das cotas. Estamos falando de uma etnia que só no Brasil foi escravizada por 389 anos e que nos últimos 124, viu anúncios de emprego pedindo “boa aparência”, negros tendo que se passar por brancos, poucos atores na TV e o último exemplo de político honesto foi Joaquim Barbosa que muitos apontam como exemplo já que não precisou de cotas (por outro lado o próprio se diz a favor delas). Infelizmente o ódio racial sempre vai existir enquanto nos importarmos com as diferenças.
Ele não precisou. Mas quantos outros negros vocês conhecem que foram bem sucedidos
sem uma bola no pé ou um pandeiro na mão?
- Os cotistas largam a universidade no meio do curso: em parte, os índices de defasagem se devem ao fato que muitos contemplados vêm das escolas públicas, que não têm estrutura para preparar o estudante para a carga do ensino superior. Embora pesquisas apontem que na UERJ, por exemplo, dos 94 estudantes do curso de Medicina na turma de 2004 só houve 8 desistências, sendo 4 cotistas (Fonte: Revista Istoé).

- A cota faz o contemplado ser privilegiado, tornando-o incapaz de competir com os outros igual a todo mundo: para falar a verdade, nunca houve igualdade. A etnia negra sempre foi sinônimo de pobreza e subconsequentemente, desvalorizada. Hoje em dia há quem critique o sistema de cotas considerando que existem dois tipos de profissionais: o que entrou na universidade pelo meio comum e o cotista. Mas cá entre nós, qual a probabilidade do Mackenzie formar um estudante que não sabe a sua disciplina? Sempre digo a meus amigos que os movimentos de inclusão colocam dão oportunidades a várias pessoas. Contudo aproveitá-las parte do próprio indivíduo (em outras palavras, entrar na faculdade é para qualquer um. Já sobreviver lá dentro é outro assunto).

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Antes de começar com o texto, vamos a um “faz de conta” para nos ambientarmos. Ok?

Faz de conta que um vizinho quer abrir um mercadinho perto da sua casa e te pede dinheiro emprestado. E suponhamos que você é uma pessoa com tal quantia e pensa “este mercadinho será bom. Não preciso nem pedir o dinheiro de volta porque terei outros lucros: um serviço de qualidade perto de casa vai ajudar a comunidade e posso até empregar o meu filho nele”.
Você entrega o dinheiro e depois viaja. Um ano depois volta para ver como estão as coisas e o sujeito lhe diz:
— Então... as coisas não deram muito certo... alguns produtos venceram a validade... outros não foram tão atrativos. Esta concorrência com outros mercadinhos foi horrível. Eles têm métodos melhores que os meus e não atraí os clientes certos. O que fez com que a comunidade não se interessasse em comprar aqui.
Você lamenta, é claro. E ele complementa:
— Eu também sinto muito. Mas o motivo de eu vir aqui não foi só pra contar. Foi pra falar outra coisa.
E quando você pergunta, ele diz:
— Pode me emprestar dinheiro de novo?

***

Se você não emprestaria dinheiro ao sujeito, então você não pode ser um controlador de gastos na educação. Porque é mais ou menos que a progressão continuada é.

A progressão continuada existe desde 1996 e é aplicada em 25% das escolas do país. Conhecida pelo nome depreciativo de “aprovação automática”, ela deixa de lado a reprovação e sugere para que o aluno necessitado tenha aulas de reforço que nem sempre são aplicados pela falta de espaço, professor ou às vezes, é o próprio professor que tem que trabalhar conteúdo “B” com a turma e com determinados alunos, o conteúdo “A”. Em outras palavras: ela pode aprovar o aluno sem ele ter aprendido nada. Na escola ideal, o aluno tem as tais aulas de reforço dentro ou fora do horário escolar. Só que tais métodos possuem as seguintes falhas:

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Em meu último artigo sobre as greves, apontei a violência nas escolas como um dos fatores dos professores se queixarem. Ironicamente na mesma época em que escrevi o texto, um caso de agressão ocorreu no colégio Santos e um professor agrediu um garoto no Rio de Janeiro. Infelizmente, não é de hoje que isto acontece, como podemos ver. Aí tive que parar pra pensar e procurar onde isto começou, quem são os culpados e o que podemos fazer. Algumas notícias me ajudaram a ver como estão as condições atuais e sei que a minha opinião pode soar um pouco agressiva, então peço que leiam com o mesmo olhar crítico que tive que usar pra escrever este texto.
Primeiro gostaria de esclarecer dois pontos: vou dividir este artigo no que considero o contexto histórico e depois vou pro atual. Vou ser obrigado a sair da jurisdição escolar e mostrar a quem lê que não é a escola que fomenta esta barbárie e sim todas as partes envolvidas, além de falar sobre suas diversas categorias: a social onde o aluno não assume o compromisso com o estudo, a verbal onde o aluno procura ofender o professor pessoalmente ou virtualmente e por último a física, que dispensa explicações. Estamos entendidos? Então vamos começar.
Onde começou: segundo um levantamento histórico, nos anos 70 a escola era reservada a elite que podia pagar ou que o filho estudava pra entrar na escola. Só que nesta época com a industrialização do país, começaram os movimentos de inclusão (opinião minha: pra ter onde deixar os filhos dos operários. No bairro da Mooca, em São Paulo, há uma fábrica de rótulos de cerveja de frente a um colégio). Lembro até uma vez que li um texto quando era criança sobre um garoto que queria estudar e ver “as letras saindo redondinhas da ponta do lápis”. Esta ideia assim como a de estudar para entrar na escola e de se manter lá como diria o corvo do Edgar Allan Poe... NUNCA MAIS.
Calma, pessoal. Não estou querendo dizer que a população pobre é responsável pela violência escolar. Há muito colégio até hoje onde a diferença de desrespeito está entre uma caixa de som com funk ou rap e um tablet com Angry Birds. O que quero dizer é o seguinte: a população pobre deixou de precisar lutar por algo que queria e que sabia que só podia obter com esforço. E todos nós sabemos que coisas fáceis não são valorizadas. Na ditadura, podíamos ser presos dependendo dos livros que tivéssemos em casa. Hoje temos um grande número de livrarias, sebos e bibliotecas. O que falta são freqüentadores que não procurem as pérolas aos porcos dos best sellers, gibis ou mangás.
Espero ter esclarecido o que vi em pesquisas sobre o meio histórico. Agora vou entrar no meio atual onde coloco a minha opinião com base em pesquisa e observação. Vamos aos culpados:

10/05 - Folha de S. Paulo-Adriano Vizoni/Folhapress
Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Desde os anos 90 eu vejo greves de professores da rede pública. De lá pra cá, nada mudou. Passeatas na Avenida Paulista (pelo menos aqui em São Paulo. Não sei como nem onde elas são realizadas em outros estados. Nem se são realizadas com eficiência!), confrontos com policiais e acima de tudo, a opinião pública alienada que diz que “essa cambada de funcionários públicos quer encher os bolsos”.
Só que não é bem assim. Recomendo a quem estiver lendo este artigo que pare de concordar com a frase entre aspas no parágrafo acima e veja o resultado da minha pesquisa pra vermos que a desvalorização do ensino não é de hoje. Vamos aos dados:

Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Em meu primeiro artigo no meu quadro "Fala, Davi!", meu amigo Ricardo Biazotto me sugeriu que eu falasse do Enem. Aceitei não só por ser uma coisa dentro da temática do quadro que é falar da educação escolar do nosso país como também por eu ser um veterano de guerra nesta prova. Já a prestei várias vezes na sua primeira versão e na atual. E o que tenho a dizer é baseado em experiências de vida, observações, pesquisas e conclusões. Se alguém tiver algo a acrescentar, discordar ou perguntar, fiquem a vontade.
O que eu posso dizer sobre o Enem como experiência de vida?
Primeiro vamos esclarecer o que é o Enem: nem no site do Ministério da Educação há esta resposta! Para encontrá-la você tem que usar a Wikipédia ou ligar pro MEC pra ouvir a gravação eletrônica dar a resposta (aí vocês já veem as condições que colocam os nossos estudantes interessados...). E o que encontramos na internet é " O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova realizada pelo Ministério da Educação do Brasil. Ela é utilizada para avaliar a qualidade do ensino médio no país e seu resultado serve para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU)". Projeto bonito, mas na prática soa paradoxal. Primeiro porque eu ainda não faço estágio no ensino médio, contudo vejo casos de alunos na 6ª série/7º ano que não sabem ler e vão aturar aquela prova épica e segundo porque programas como Pro Uni (que não é mencionado no parágrafo, mas todo mundo sabe que o Enem serve pra ele também) coloca o pobre na faculdade do rico enquanto os playboys frequentam a USP.