Assim como em 2012, o último domingo do ano é um dia especial, pois depois de tantas e tantas leituras e resenhas, chegou a hora de comentar um pouco sobre os melhores livros lidos no ano que está chegando ao fim em mais um Destaques Literários. Novamente são algumas categorias, divididas em títulos nacionais e internacionais, além de categorias especiais para destacar os livros que serão lembrados por um bom tempo.
Rin Tin Tin - A Vida e a Lenda: Certa vez o biógrafo Edgard Cavalheiro disse que “poucas vezes uma biografia nos satisfaz” e foi justamente pesquisando e escrevendo sobre a vida de Cavalheiro que percebi o motivo de uma biografia ser tão especial. Não dá para negar que ao longo dos últimos anos li pouquíssimas biografias, mas apenas uma me satisfez por completo: Rin Tin Tin – A Vida e a Lenda. Seria possível listar os motivos, mas basta dizer que esse livro, mais do que a história de um personagem importantíssimo para a cultura norte-americana, nos apresenta lições de vida e causa inúmeros sentimentos ao longo da leitura – mesmo para quem nem ao menos conhecia o famoso cão-ator.

Corações Entrelaçados: Se tem algo encantador em antologias como Corações Entrelaçados é a maneira como conhecemos a visão de vários autores sobre um mesmo assunto. Nesse caso a antologia encanta simplesmente por falar sobre o amor e, a cada novo conto, percebemos que esse sentimento tão belo pode emocionar sem muito esforço e com drama, comédia ou qualquer outro tipo de história.

Esconda-se, Lisa Gardner, tradução de Cássia Zanon, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 400 páginas.
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Uma câmara com seis corpos de meninas é encontrada nas proximidades de um hospital psiquiátrico abandonado e um desses corpos pode ser de uma amiga de infância de Annabelle Granger. Essa suspeita existe porque, no passado, uma possível ameaça levou a família Granger a se mudar de cidade e trocar de identidade inúmeras vezes, por isso Annabelle acredita que o sequestrador levou a amiga em seu lugar.

A descoberta da câmara depois de vários anos, e a possível relação com outro antigo caso, pode ter colocado a vida de Annabelle novamente em risco. Por isso, tentando desvendar os mistérios que envolvem essa câmara e principalmente salvar a vida da misteriosa mulher, D. D. Warren entra em ação ao lado do também detetive Bobby Dodge. Ambos precisam agir para desvendar esse difícil caso e tentar entender os motivos que levaram o serial killer a cometer um crime de tamanha crueldade.

“Bobby virou o café frio e jogou o copo no lixo.
Estava esperando no assento do carona do carro de D. D. quando ela, finalmente, saiu do meio das árvores. E então, como os dois haviam se amado uma vez e até mesmo continuado amigos depois disso, ele aninhou a cabeça dela no ombro e a abraçou enquanto ela chorava” (pág. 32).

Sangue na Neve, Lisa Gardner, tradução de Sylvio Monteiro Deutsch, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 416 páginas.
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O amor de mãe é um sentimento que só as mães são capazes de explicar, mas todos podem compreender que elas estão sempre dispostas a agir em defesa de seus filhos, e sabemos que isso não se resume apenas aos humanos. Em Sangue na Neve, segundo livro de Lisa Gardner lançado pela editora Novo Conceito, a autora mostra justamente que uma mulher “é capaz de tudo para defender aquilo que ama”.

Responsável por mais um caso complexo, a experiente detetive D. D. Warren é chamada para a cena de um crime envolvendo a policial Tessa Leoni, que acaba de matar seu marido alegando legítima defesa. Todas as provas indicam que Tessa estava realmente se defendendo, o que explica o fato de em nenhum momento a policial tentar negar que acaba de assassinar um homem.

Tudo aparenta ser um caso simples, no entanto a detetive descobre que esse não é o primeiro crime cometido por Tessa e que a filha de seis anos da policial está desaparecida. Sem saber qual a verdade sobre o caso, e encontrando indícios que mostram que tudo é mais estranho do que aparenta ser, D. D. é obrigada a correr contra o tempo para salvar a vida de uma criança. Isso se a garota ainda estiver viva...

“Daí gritei. Gritei e gritei e gritei, os dias de raiva e desamparo e frustação finalmente escaparam em uma erupção pela minha garganta, porque Kim estava morrendo e minha filha provavelmente já estava morta e meu marido tinha morrido, bem diante dos meus olhos, levando Brian Bom com ele, e o homem de preto tinha levado minha filha e deixado para trás apenas o olho de botão azul da boneca favorita dela e eu ia pegar eles todos. Eu faria com que pagassem” (pág. 264).

Viva para Contar, Lisa Gardner, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 480 páginas

Autora Best-Seller do The New York Times, Lisa Gardner vive na região da Nova Inglaterra e já escreveu doze romances. Em uma de suas séries mais famosas, a autora dá vida a uma detetive linha dura, muito competente e cativante.
Viva para Contar, quarto livro da série, mostra a aventura mais eletrizante da detetive D. D. Warren, e ainda envolve um tema poucas vezes usado na literatura: o distúrbio mental em crianças. Contado sob o ponto de vista de três personagens, encontramos uma escrita envolvente e em ritmo acelerado do início ao fim.
D. D. Warren é uma detetive experiente que atua na cidade de Boston e é chamada para desvendar a misteriosa morte de quatro membros de uma família de classe média. Danielle Burton passou por uma experiência semelhante quando era jovem e viu toda sua família ser brutalmente assassinada; agora, 25 anos mais tarde, ao mesmo tempo em que trabalha na ala psiquiátrica de um hospital, percebe que tudo está acontecendo novamente. Victoria Oliver é uma mulher que se dedica inteiramente a cuidar do filho, que sofre problemas mentais, mas ela também tem seus sentimentos e receios, o que a torna uma personagem extremamente real. A história das três mulheres irão se cruzar e aos poucos, todo o mistério se desenvolverá, por mais surpreendente que possa ser.

“Prometemos desistir de tudo. Até mesmo das nossas vidas. Desistiríamos de cada parte de nós. Faríamos tudo que fosse preciso, perderíamos qualquer coisa que tivéssemos que perder. Tudo para que nosso filho sobrevivesse. (pág. 68)”.

O livro é narrado pelas três personagens principais, que aos poucos contam sobre suas próprias histórias no presente e também revelam o passado. O livro, que já começa em grande estilo, apenas melhora com o passar das páginas. Os assassinatos acontecem e isso aumenta o mistério por trás de tudo o que envolve Viva para Contar.
A investigação inicia ainda nos primeiros capítulos, e aos poucos a autora e suas personagens mostram ao leitor pontos que podem ser fundamentais para o desenvolvimento da história - vale ressaltar que desconfiei do que de fato acontece bem antes disso ser revelado, mas, por algum motivo, pensei estar enganado. Graças a participação da detetive D. D., as partes em que sua história é narrada se tornam mais cativantes, principalmente para aqueles que gostam de se envolver com a investigação na literatura. D. D. é ainda uma personagem que conquista por suas atitudes, por sua personalidade bem definida e pela forma como conduz uma investigação tão intrigante, não deixando de lado o humor característicos de investigadores.
Sob o ponto de vista de Danielle e Victoria, o livro é narrado em 1ª pessoa e nem por isso deixa de ser uma leitura agradável. Não só continua em ritmo acelerado como também possuem as partes mais tensas, o que pode não ser visto com bons olhos pelas pessoas fracas – ainda que esteja longe de ser um lado negativo para o livro. Isso porque são narradas cenas pesadas com crianças que sofrem determinados problemas mentais, logo, percebemos o que certos distúrbios podem causar com seres muitas vezes frágeis como as crianças.

“Nada de abraços, nada de carinhos pela manhã, nada de beijos no rosto. Ela não tinha um cachorro que pudesse levar para passear ou um gato para acariciar. Ela não tinha nem mesmo uma planta com a qual pudesse relaxar, admirando as folhas verdes. (pág. 284)”.

Todas as pessoas que sofrem algum tipo de distúrbio possuem traços de personalidade que devem ser bem explorados quando são retratados em histórias como em Viva para Contar. Felizmente a autora pesquisou com maestria e assim colocou nas páginas de seu livro personagens reais. Tudo isso se deve a um trabalho realizado pela própria autora, que contou com a ajuda de outras pessoas e de uma família que enfrentou os problemas comuns com pessoas que sofrem, como é dito no Posfácio e Agradecimentos.
É necessário estar passando por um bom momento para ler este livro, ainda que não passe de uma ficção. Não deixa de ser um livro forte, angustiante na maioria de suas páginas, e que mostra um lado infantil diferente do que estamos acostumados a ver na literatura e, sobretudo na realidade. Ainda encontramos um casamento da realidade com assuntos místicos, que apenas complementa uma história perfeita.
Viva para Contar é o tipo de livro que prende o leitor até mesmo quando este não está lendo; a história conquista desde os primeiros capítulos; perturba - no bom sentido - quando já deveria estar sendo esquecida; nos deixa angustiado em momentos pós-leitura; ficamos presos aos personagens durante dias e mais dias; sentimos a necessidade de entrar na história, para assim ter alguma atitude que possa ajudar, mesmo sabendo que isso pode ser impossível.
Leia ao livro e viva para contar a emoção única de acompanhar uma história de D. D. Warren. Uma personagem fantástica em todos os momentos em que aparece. Os demais livros da autora, e da série Detective D. D. Warren devem ser no mesmo estilo, e quando vierem a ser lançados, provavelmente pela editora Novo Conceito, não há dúvida de que será outra história inesquecível. Lisa Gardner entra para os favoritos.

“Não quero viver assim. Não quero ser esta pessoa. Não quero este tipo de vida. Preciso de uma nova maneira de viver, uma nova atitude. Preciso agir, mesmo que isso me mate. Deus sabe que já estou morrendo por dentro. (pág. 370)”.