Enders, Lissa Price, tradução de Ivar Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2014, 285 páginas.
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Muita coisa aconteceu na vida de Callie Woodland desde que a Guerra dos Esporos mudou radicalmente o mundo que conhecia, mas depois dos acontecimentos que momentaneamente devolveram a paz para sua vida, ela descobre que estava enganada e que a situação continua complicada. Sua condição é muito especial para determinadas pessoas e o temido Velho continua se comunicando com ela através do chip que tem implantado em sua cabeça.

Quando percebe que sua vida continuará a mesma enquanto estiver sendo comandada pelos Enders, Callie busca uma forma de remover o chip sem correr risco de vida. Ela está disposta a tudo para voltar a ter uma vida normal ao lado de seu irmão Tyler e do amigo Michael. Callie não sossegará enquanto não alcançar seus objetivos, que incluem a busca pela real identidade do Velho e a verdade sobre o que aconteceu com sua família.

“Estava com saudade de Tyler. Hyden me convenceu de que o risco de fazer outro contato pela aerotela era grande demais. E eu não sabia se aquilo dificultaria a situação para nós dois no final. Era mais fácil não ouvir a voz de meu irmão, porque eu conseguia me concentrar no que tinha de fazer.
Resgatar os Metais” (pág. 83).

Starters, Lissa Price, tradução de Ivan Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 368 páginas.

Autora do conto Retrato de Uma Starter – Uma Descoberta (Resenha), Lissa Price vive no sul da Califórnia com seu marido e tem conquistado diversos fãs com o livro Starters, o primeiro de uma série que ainda terá o livro Enders com previsão de lançamento para 2013.
Assim como grande parte das distopias, Starters é narrado em primeira pessoa por Callie, uma jovem que perdeu os pais durante a Guerra dos Esporos, que matou todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Callie vive nas ruas com seu irmão mais novo, Tyler, que está doente, e o amigo Michael – narrador do conto citado anteriormente. Juntos, o trio enfrenta todas as dificuldades impostas quando se está sozinho no mundo.
Para Callie, a única chance de mudar a vida de sua “família” é aceitando trabalhar para a Prime Destinations, que sob a responsabilidade de um homem conhecido como Velho, contrata adolescentes para alugar seus corpos aos mais velhos, os Enders. Mas a intenção da Prime Destinations não é tão boa quanto aparenta e para sobreviver, Callie precisará enfrentar perigos que até então desconhecia, em um verdadeiro jogo de vida ou morte no corpo de outra pessoa.

“Ninguém nunca reclamava sobre ter um cérebro gordo. Ninguém acusava seu cérebro de ser alto ou baixo demais, largo ou estreito demais. Ou feio. Ou a coisa funcionava ou não funcionava. E o meu funcionava muito bem.” (pág. 53).

As grandes editoras têm apostado em distopias nos últimos meses e essa é uma aposta que tem dado certo. Isso porque, independente do rumo tomado pela história, a escrita e o mundo criado pelos autores estão conseguindo superar o de outros gêneros. É o caso de Starters, um livro com uma escrita viciante e que a quantidade de reviravoltas leva o leitor para dentro da história, literalmente.
Desde a primeira página, o leitor se vê interessado em descobrir a verdade sobre a Guerra dos Esporos e principalmente sobre a misteriosa figura do Velho. De início, ainda que viciante, a escrita possui um ritmo lento e sem que nossas perguntas sejam respondidas. Isso, porém, muda com o passar das páginas e não demora muito para que o ritmo acelere e aos poucos os mistérios sejam esclarecidos. O que, pensando sobre o assunto, pode não ter sido favorável a história, já que em certo momento precisávamos de mais e tudo passou muito rápido. Um exagero desnecessário.
Outro exagero foi na construção de um romance que não acrescentou nada para a história. A relação entre alguns personagens podem ser essenciais para o desenvolvimento de uma história, mas isso não significa que seja necessário um romance ou algo semelhante. Pior que isso, é insistir em um romance e deixar outro que faria todo sentido de lado. Isso é de longe a grande decepção em Starters, que tem ainda muitos outros pontos positivos em relação a história.
O principal e o último ponto que merece destaque é o final que superou todas as expectativas, já que quando esperamos que nada mais irá nos surpreender, Lissa Price consegue ir além. Até no último momento a autora continuou criando reviravoltas e expondo mistérios que prenderam a atenção do leitor, se unindo aos ótimos personagens e sequências de ação.
A capa, ainda que muito criticada, tem um desenho que faz todo o sentido, principalmente para quem leu o conto Retrato de Uma Starter. Ela ainda tem detalhes perceptíveis apenas ao toque e é espelhada, o que dá um charme a mais e mostra o carinho da editora Novo Conceito, que mais uma vez surpreendeu. Mas, o fato é que a capa será amada por alguns e odiada por grande parte dos leitores.
Com tudo o que encontramos, mesmo que existam diversas referências a outros sucessos das distopias – como a Jogos Vorazes, usado inclusive para a divulgação do livro -, Starters tem suas particularidades e deixa o enredo aberto para a continuação, que muito possivelmente irá responder a outras perguntas, assim como acontece na grande maioria das séries. Seja criticado por tantas referências, ou elogiado pela ótima estrutura de seu enredo, Starters é um livro que não pode ser deixado de lado. Uma leitura mais do que recomendável.

“Durante todo aquele tempo, pensei que eu fosse a fraude, a camponesa fingindo ser uma princesa. Mas, na verdade, quem estava disfarçado era o príncipe. Durante todo aquele tempo, havia um ogro disfarçado de príncipe” (pág. 353).

Retrato de Uma Starter – Uma Descoberta, Lissa Price, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, e-book, 2012, 27 páginas.

Lissa Price estudou fotografia e redação antes de embarcar no mundo literário, onde publicou o livro Starters, já publicado no Brasil, e Enders, que encerra mais uma distopia. Como introdução para essa série, Lissa escreveu o conto Retrato de Uma Starter – Uma Descoberta, lançado em e-book pela Novo Conceito.
O conto é narrado por Michael, um starter que vive com a jovem Callieprotagonista do livro – e seu irmão Tyler, que está muito doente. A relação de Michael e Callie é muito intensa, por isso ele aceita cuidar do irmão mais novo da jovem quando essa diz ter algo importante a fazer. Preocupado por Callie não ter revelado o que tinha a fazer, Michael decide segui-la para tentar entender o que está acontecendo e a vê conversando com um starter rico, o que aumenta sua curiosidade e também a do leitor que ainda tem poucas informações.
Apesar de ser uma introdução ao que encontraremos nos dois livros, Retrato de Uma Starter é um conto simples e que não explica muito o motivo de tudo o que está acontecendo com o mundo criado por Lissa Price. O mais interessante é o fato de ser narrado por Michael, sendo assim, encontramos um ponto de vista diferente do que iremos encontrar no livro.
Além disso, Michael é um apaixonado por desenhos e ele é responsável pela capa do livro Starters. Já no final desse conto, quando o motivo da atitude de Callie é parcialmente revelado, o narrador faz um desenho seguindo os traços que encontramos na capa que mais dividiu opiniões nos últimos tempos - também por isso o conto recebe esse título. A cor dos olhos também foi ideia de Michael e deu um charme a mais para a capa do livro físico.
Em apenas 27 páginas, é possível perceber que a autora tem uma escrita semelhante a de outras pessoas que se aventuraram em histórias do gênero, porém não fica presa ao uso de palavras que podem deixar a leitura cansativa ou ao menos confusa, como em Estilhaça-me (Resenha), por exemplo. A leitura é totalmente viciante, tanto que as 27 páginas passam em um piscar de olhos, literalmente.
Não é necessária a leitura de Retrato de Uma Starter para o entendimento de toda a série, porém é uma grande oportunidade de conhecer e certamente despertar um interesse que pode até então não ser grande. A verdade é que essa leitura aumentará a expectativa em relação ao livro, que seguindo o mesmo ritmo desse conto, tem tudo para ser um dos melhores do gênero, apesar de o conto Retrato de Uma Starter não ter nada de extraordinário se comparado com as distopias tão comuns nos últimos tempos. E se a primeira impressão é a que fica, com essa leitura Lissa Price conquistou um novo leitor.

“Pego meu lápis marrom e preencho uma das íris. Começo a colorir a outra, mas paro. Apago o tom castanho do segundo olho. Busco outro lápis, com a mão passando pelas cores até encontrar um tom de azul. Uso esse lápis para colorir o segundo olho com uma cor que nunca vejo quando olho para Callie. Por que fiz isso? Não tenho a menor ideia.” (pág. 24).

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