Branca de Neve e o Caçador, Lily Blake, 1ª Edição, tradução de Ronaldo Luis da Silva, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 208 páginas
Baseado no filme roteirizado por John Lee Hancock, Hossein Amini e Evan Daugherty, o livro Branca de Neve e o Caçador, escrito por Lily Blake, é uma das novas recontagens de um dos contos de fadas mais conhecidos do mundo. Um livro que até certo ponto consegue atingir as expectativas. Até certo ponto.
Dez anos atrás, o rei, que sofria com a perda da esposa, se encontrou com a jovem Ravenna e acreditou que seria novamente feliz no amor. Mas, na mesma noite do casamento, Ravenna se aproveita de seus poderes para assassinar o rei e dominar o reino. Durante todo o tempo que se passou, Rainha Ravenna manteve a princesa Branca de Neve trancada e quando precisa devorar seu coração para continuar com seus poderes, Branca de Neve foge de seus domínios.
Para recuperar Branca de Neve, Ravenna chama o caçador Eric, único a sair com vida da Floresta Selvagem. Eric tem a missão de resgatar a princesa, mas o seu próprio passado pode lhe atrapalhar e essa missão tomar caminhos diferentes dos propostos por Ravenna.
“Não havia nada que pudesse detê-la. Era mais esperta do que os homens mais inteligentes do reino, mais forte do que os mais ferozes guerreiros e mais bela do que todas as donzelas que vieram antes dela.” (pág. 43).
Uma recontagem, independente de como é feita, tem a missão de surpreender e mudar tudo aquilo que conhecemos. Essas recontagens estão na moda, mas é Branca de Neve e o Caçador que faz a maior mudança de todos os contos de fadas, principalmente se tratando do clima, no caso sombrio. Mas o livro peca pelo mau desenvolvimento da trama e das relações entre as personagens.
O livro lançado pela editora Novo Conceito é muito bem escrito e com ótimas descrições de pessoas e lugares - o que é um ponto totalmente favorável -, porém faltam alguns detalhes que poderiam fazer a diferença em relação ao filme. Acostumados com a rapidez que a história se desenvolve na adaptação cinematográfica, esperamos que isso não aconteça quando o filme é adaptado, mas devido ao estilo de escrita – “cada capítulo uma cena” – isso não é possível.
Com exceção de algumas partes, tudo é contado de maneira rápida e sem entrar em maiores detalhes. Isso é ruim até o ponto em que o leitor deseja conhecer um pouco mais sobre determinada passagem ou espera por um treinamento de Branca de Neve, por exemplo; e bom quando passagens desnecessárias não ganham destaque e com isso o leitor não perde o interesse pela obra.
Apesar disso, o grande problema em Branca de Neve e o Caçador é o desenvolvimento da relação entre as personagens, já citado anteriormente. Por tudo ser muito rápido, pouco é explorado neste ponto, o que novamente atrapalha para o resultado final. A falta de naturalidade das personagens, sobretudo de Branca de Neve, contribui para a falha desse desenvolvimento. E Ravenna, que tinha tudo para ser odiada, se torna a personagem mais agradável e criada especialmente para conquistar seu espaço – e porque não para garantir o sucesso.
A diagramação é o que tem de melhor no livro de Lily Blake. Não é de hoje que o cuidado da equipe editorial da Novo Conceito é de conquistar até os mais exigentes, e nesse caso não foi diferente. Logo no início do livro, um desenho com uma maçã e uma mulher em seu interior; páginas que lembram uma floresta; fontes medievais e ao mesmo tempo sombrias; divisória de capítulo com referências a Rainha e também a Branca de Neve; e letras capitulares com fontes estilizadas no início de cada capítulo garantem uma originalidade maior a um dos livros mais aguardados de 2012.
Longe de ser inocente, o livro Branca de Neve e o Caçador é repleto de altos e baixos. Apesar de uma escrita instigante, tudo acontece de forma rápida, sem um motivo aparente. Tudo é um caos, até que de repente uma princesa, que esteve presa durante anos, pode ser a única capaz de defender um povo; e com toda a sua ingenuidade, a princesa consegue fazer aquilo que ninguém mais conseguiu. Nem mesmo em contos de fadas isso parece possível.
Não dá para negar que o livro tem uma ótima história e que isso pode agradar a muitos, no entanto nem o possível romance é desenvolvido da melhor forma. O uso de seres e o estilo da fantasia fazem deste um livro mediando; o leitor se prenderá a ele esperando que suas expectativas sejam atendidas, e até certo ponto elas serão, deixando-o com um gostinho de “poderia ser melhor”. E se bem trabalhado, a possível continuação pode ser muito melhor.
“Quando ela desmanchava os nós do cabelo ou quando estreitava os olhos escuros para ele, olhando como se ele fosse o mais terrível homem vivo, não era um jogo de sedução. Seus modos não eram vulgares.” (pág. 111).











