A Delicadeza do Amor (La Délicatesse)
Estreia: 25 de maio de 2012
Resenha: Baseado na obra do premiado autor francês David Foenkinos, A Delicadeza do Amor tem em seu próprio título a palavra ideal para descrever o longa-metragem gravado inteiramente na cidade de Paris.
A vida de Nathalie (Audrey Tautou) pode ser considerada perfeita: é feliz no emprego, tem um relacionamento saudável com o marido François (Pio Marmai) e a família está sempre ao seu lado. Mas a vida de Nathalie ganha um novo rumo quando seu marido é atropelado e morre depois de algum tempo na UTI.
A forma encontrada pela protagonista para superar a dor dessa perda é se focar no trabalho, lugar onde ela conhece, depois de alguns anos, Markus (François Damiens). Sem mais nem menos, Nathalie beija Markus, que passa a pensar nisso o tempo inteiro. Por isso ele se aproxima da mulher, sem imaginar que o relacionamento e as questões envolvidas por trás dele farão parte de uma série de dúvidas em relação a um possível novo amor.
O principal motivo de A Delicadeza do Amor não ser apenas mais um filme de história bonita e com uma mensagem interessante sobre o amor, é ele ter tido a participação do autor da obra de mesmo nome e que deu origem ao fim: David Foenkinos. Ao lado do irmão Stéphane Foenkinos, David não deixou que o filme perdesse o foco e a delicadeza que encontramos ao longo de toda a história, que obviamente ainda possui altos e baixos.
Quando se trata da morte de uma pessoa importante para a protagonista, é essencial que a história ganhe um tom mais dramático, ou até mesmo depressivo. Nesse caso, o filme não tem totalmente o toque da emoção, capaz de tirar lágrimas do espectador; e sim a continuidade que mostra que no fundo a protagonista não passa de uma simples mortal, que não sabe se, quando, ou aonde irá se apaixonar novamente.
Não fugindo da realidade, os produtores exploram também as dúvidas que surgem após Nathalie perder o marido. Os anos passam e o sofrimento continua o mesmo, mas ainda assim ela tem o direito de se apaixonar, mesmo que isso vá contra tudo e todos. Resta procurar entender como o amor pode entrar novamente em sua vida, e não deixar que essas dúvidas afastem a felicidade, já que ela merece ser feliz.
A mudança radical era tão esperada que a verdadeira dúvida do espectador era em relação a interpretação de Audrey Tautou. Apesar de ainda achar que muitos atores europeus pecam na interpretação, acredito que Audrey conseguiu fazer o esperado, rindo e chorando quando preciso, e dando um tom dramático as cenas em que isso foi necessário. Se fosse para escolher o grande destaque deste elenco, certamente ela seria a escolha. Isso também porque François Damiens é o típico ator europeu que não se entrega aos seus papéis em uma produção; e Pio Marmai tem pouco tempo para mostrar sua qualidade.
Algo que fez falta ao longo das quase duas horas de filme foi o pouco destaque de tudo de belo que encontramos na cidade mais romântica do mundo. Ter sido filmado inteiramente em Paris e ter apenas uma cena com a Torre Eiffel, por exemplo, não é o que se esperava deste filme, principalmente se tratando de uma produção da França, um país rico em belezas arquitetônicas.
Pode se tornar repetitivo, mas é bom lembrar que os filmes europeus prezam pela simplicidade de sua produção. Tanto que não encontramos nada que se destaque – graficamente falando. Sendo assim, se os atores não se entregam e a produção não é rica, o que faz com que A Delicadeza do Amor ganhe os elogios é em relação a história, que se foca na mais triste passagem da vida de um pessoa, mostrando como é dar a volta por cima, principalmente quando o amor, com sua delicadeza, entra novamente em nossa vida, mostrando do que o amor é capaz.

















