Chernobyl (Chernobyl Diaries)

Resenha: Misturar ficção com a realidade tem seu lado positivo e às vezes até consegue convencer. Imaginar que algo realmente aconteceu antes do resultado final de um trabalho no cinema é motivador, porém algumas vezes essa motivação não passa de expectativas não atendidas.
No filme Chernobyl, os produtores aproveitam o cenário de Pripyat, uma cidade-fantasma no norte da Ucrânia devastada após o acidente nuclear de Chernobil, que aconteceu em 26 de abril de 1986. Considerado o pior acidente nuclear da história, atingiu pelo menos três países e aproximadamente 200 mil pessoas precisaram deixar suas casas, sendo que até hoje o local passa por uma rigorosa vigilância.
Devido a todo o conceito histórico e a isolação deste local, um grupo de turistas vê uma grande oportunidade de se divertir e contratam um guia turístico acostumado a levar pessoas interessadas em conhecer o local atingido pelo acidente. Nessas visitas, o guia nunca enfrentou qualquer tipo de problema, porém, com esse novo grupo, isso será diferente e juntos todos irão perceber que não estão sozinhos na cidade abandonada há mais de 20 anos.
O cenário, como já citado, renderia ótimas situações que colocariam os personagens em perigo e por consequência deixaria o espectador amedrontado. Felizmente em alguns momentos os produtores exploraram esse cenário, mas apenas na parte visual, porque todo o resto foi deixado de lado e cenas desnecessárias foram usadas, como a aparição repentina de um urso em um prédio abandonado, tentando sem êxito assustar.
Para não dizer que tudo foi desnecessário, não se pode esquecer o fato da história se passar em um lugar com altos níveis de radioatividade, sendo assim, uma hora ou outra as consequências iriam atingir nossos personagens. Se pensar que isso poderia ajudar na construção do enredo, infelizmente essas consequências aconteceram tarde demais, porém resultaram na aparição de pessoas que não estão mortas como deveriam estar, o que fez toda a diferença e que até deu um sentido a mais para o filme. Um sentido, não uma melhora na qualidade de sua produção.
Todos nós sabemos que esse tipo de filme segue a mesma estrutura e todos, sem exceção, possuem personagens bobos, que procuram a morte a todo o momento. Como diz o ditado, “quem procura acha” e nesse caso não poderia ser diferente. O grande problema é que não existiu nem mesmo uma preocupação de deixar a personalidade e as atitudes próximas da realidade, e se estamos acostumados a se irritar facilmente com os personagens de filmes de terror – se é que podemos classificá-lo dessa forma -, essa irritação será ainda maior em Chernobyl.
O estranho é imaginar que o filme contou com a participação de Oren Peli, roteirista e diretor dos primeiros filmes da famosa série Atividade Paranormal. Vendo seu nome entre os produtores é fácil criar a expectativa de que seja uma grande produção, mas Chernobyl não chega perto de outros trabalhos do israelense que até tentou, mas não aproveitou totalmente o que poderia ser usado, resultando assim em um filme tão bobo como seus personagens. Pode até dar certo, mas apenas aos que esperam não se assustar em um filme classificado como Terror.