Tudo o Que Ela Sempre Quis, Barbara Freethy, tradução de Maysa Monção, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2012, 320 páginas.
Autora de mais de 30 romances de sucesso, Barbara Freethy já teve nove de seus livros na lista de best-sellers do USA Today e muitos outros na lista do The New York Times. Barbara costuma escrever romances contemporâneos e suspenses, como é o caso de Tudo o Que Ela Sempre Quis, seu primeiro livro a ser lançado no Brasil.
Nessa obra, conhecemos a médica Natalie Bishop, que no passado fazia parte de um grupo de amigas com Laura, Madison e Emily. Dez anos antes, Emily morreu de uma forma repentina e isso acabou separando as demais amigas, que voltam a se encontrar apenas quando um escritor atinge relativo sucesso ao lançar um livro com história semelhante à morte de Emily.
Com o lançamento desse livro, que acusava uma das amigas de ser a assassina, elas começam a investigar para saber a verdadeira identidade do escritor e como ele sabia tanto sobre a vida de cada uma delas, a ponto de revelar segredos até então obscuros para elas próprias.
“Ele lembrou-se dos velhos tempos em que fazer as refeições com Natalie era o ponto alto do dia. Ela costumava desafiá-lo de modo inteligente, comentários astutos, raciocínio rápido que ele aprovava. No início, ele a achava incrivelmente atraente. No fim, ele ficou assustado que ela houvesse mexido tanto com ele, coração e mente” (pág. 95).
Apesar da sinopse, que dá uma ideia do que podemos esperar em Tudo o Que Ela Sempre Quis, o livro pode ser considerado uma grata surpresa, por ter uma história bem estruturada, conseguir prender a atenção e ainda unir diversos elementos agradáveis ao longo de seus capítulos. A verdade é que nos envolvemos com as personagens, e ficamos na expectativa de relacionar todos os segredos e descobrir até que ponto algo é verdade ou apenas parte da ficção criada pelo misterioso escritor.
Ainda que tenha uma ótima história, o livro peca em alguns pontos e até mesmo a escrita de Barbara Freethy, que não deixa de ser entusiasmante, em determinados momentos desagrada, sobretudo ao ser utilizadas palavras sem real necessidade. Inclusive em certas cenas apenas as aspas separam o presente das lembranças do passado, e ao menos no início isso pode não ser visto com bons olhos. Ao contrário da forma usada para contar as histórias paralelas de cada uma das amigas.
Os demais pontos estão relacionados à história, e para alguns tudo pode acabar sendo compreensível, afinal, classificar Tudo o Que Ela Sempre Quis como um ótimo suspense não quer dizer que tenha uma perfeita investigação. Nesse caso, a investigação é feita de forma amadora e as personagens agem dessa mesma forma, sobrando espaço para o surgimento de um romance até então proibido – romance esse que também é envolvente, por inúmeros motivos.
O problema é que para o leitor, fica claro que certas atitudes não ajudarão em nada na tentativa de desvendar o mistério, e com isso passamos a prestar mais atenção na personalidade e mentiras/segredos das personagens do que o próprio mistério, ainda que ele continue ali, apenas esperando o momento certo para ser revelado. E quando ele é finalmente revelado... nos surpreendemos, mesmo com a maneira repentina que acontece parte dessa revelação, sem a tensão que esperávamos.
“Agora ele acariciava os cabelos dela. Ajeitou-os e afastou-a um pouco para admirá-la. Os olhos dele estavam mais escuros de desejo; os lábios carnudos, borrados de batom. Ela adorava aquela marca de posse. Talvez este homem nunca fosse completamente seu, mas, por uns poucos segundos, ela o teve bem como queria” (pág. 151).
Como já deve ter ficado claro, ao mesmo tempo em que Tudo o Que Ela Sempre Quis envolve o leitor pelo mistério em relação ao escritor, ficamos presos na história querendo apenas descobrir os segredos do passado de cada uma das personagens. Conforme esses segredos são revelados, a lista de suspeitos passa a aumentar e supomos que o objetivo do escritor está prestes a ser atingido – não sem antes Freethy nos surpreender.
No fim, mais do que um suspense, o livro de Barbara Freethy tem o objetivo de mostrar que todos nós, independente do tipo de personalidade ou do que aconteceu em nosso passado, possuímos segredos, que às vezes podem decepcionar e até mesmo causar intrigas ao serem revelados. Ainda percebemos que as aparências enganam e que as pessoas podem mudar com o passar do tempo, mas que uma amizade verdadeira continuará intacta, seja como for.
“Queria confortar Cole, mas no meio do beijo ela se sentiu confortada também. Ela pôde falar todas as palavras que não conseguia e todos os sentimentos que não devia sentir. Era simultaneamente doloroso e libertador” (pág. 290).
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