Algumas vezes, sonhar não basta. É necessário também persistir no sonho, enfrentar de cabeça erguida todas as adversidades, e quando alcançar os objetivos, bater no peito e dizer que conseguiu. Certas lembranças, sejam elas ruins ou não, permanecem vivas com o passar dos anos, e isso serve de inspiração para continuar. Olhando para trás, percebemos tudo o que passamos e isso é motivo de orgulho próprio, que pode servir de exemplo para os futuros descendentes. Em fevereiro, conhecemos um escritor que enfrentou muitas coisas até encontrar o seu lugar ao sol, mas persistiu e essa persistência hoje lhe garantiu a publicação de seu segundo livro, O Diário de Litat (Resenha), além de muita sabedoria, amadurecimento e a capacidade de mostrar em sua obra, uma importante mensagem sobre o amor; o verdadeiro amor. Ele possui boas histórias a contar, por isso estamos De Olho em Claudemir de Oliveira.
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| Lançamento de O Diário de Litat em 05/10/2012 - Foto Facebook |
Claudemir de Oliveira - Obrigado a você Ricardo por abrir esse espaço para escritores brasileiros. Falar sobre mim é como relatar um filme de muita persistência e realização de sonhos, pois me orgulho de todas as fases de minha vida, da mais humilde até a conquistas materiais. Perdi meu pai muito cedo, eu tinha 5 anos de idade e era noite de natal, lembro-me perfeitamente que enquanto estavam velando seu corpo eu brincava com um carrinho que ele havia comprado e como morávamos numa cidade pequena, passamos por dificuldades e até fome, porém, com 8 anos e digamos que por necessidade, eu vi num lote abandonado ao lado da minha casa um pé de abacateiro e no chão diversos abacates estragando, porém danificados com a queda, assim, tive a ideia de subir no pé, retirar com cuidado, esperar amadurecer e daí comecei a vender nas casas, perto de onde morava, a partir desse dia, nunca mais passei por necessidades, pois vendia também chuchus, jornais e até engraxava... Passou 3 anos de vendedor ambulante e decidi a procurar emprego com 11 anos e após ganhar diversos “nãos” consegui emprego numa empresa grande, onde tive que retornar quatro vezes até que eu conseguisse uma entrevista direto com o dono. A partir desse dia, minha vida mudou, aprendi muito nessa empresa e foi lá que comecei a aprender a escrever numa máquina de datilografia e percebi que o que eu escrevia eram pequenos poemas que logo após era publicado num jornal da cidade. Nessa época, ganhei uma máquina de escrever e em casa também escrevia. Participei de alguns concursos, ganhei algumas menções honrosas, porém perdi tudo, poesias, contos e até um romance quando minha casa pegou fogo, nessa época eu tinha 21 anos de idade. Esse trauma me fez parar de escrever, retornando aos 27 anos quando escrevi O Anjo plantador de Árvores. Ricardo acho que minha vida não daria um filme, talvez uma minissérie, então vamos resumir... O que posso te dizer é que tenho muito orgulho de mim mesmo nessa época que perdi sim minha infância, mas ganhei muito em sabedoria de vida e consegui me formar primeiro em Ciências Econômicas, fiz pós-graduação em Comunicação Empresarial e marketing e por último, realizei um dos sonhos de ser Advogado e no ano de 2012 realizei o sonho de infância em lançar um livro por uma Editora de grande porte, pois nunca desisti desse ideal.
Over Shock - Você entrou no mundo literário ainda aos quatorze anos, quando publicou pequenos textos no jornal de sua cidade. Para você, essa publicação “precoce” o ajudou a conquistar objetivos maiores, como a publicação de futuros livros?
Claudemir - Na verdade eu comecei um pouco mais cedo a escrever pequenos textos para conquistar as meninas da quinta série onde estudava e como dava certo, percebi que tinha talento e aos 13 ou 14 comecei a levar para um jornal que publicava. Agora quanto a sua pergunta, acho que se eu estivesse num centro maior, essa precocidade poderia sim ter me ajudado, mas como na época não existia internet e o jornal ficava apenas na pequena cidade que eu morava, infelizmente não consegui a notoriedade necessária e tive que optar primeiro em me profissionalizar, garantir meu futuro e minha segurança financeira, mas nunca esquecendo do meu sonho de infância de um dia poder ser chamado de escritor em todo o Brasil.
Over Shock - Seu primeiro livro foi O Anjo Plantador de Árvores, lançado por uma editora independente. Do que se trata esse livro?
Claudemir - Como eu comecei a lutar muito cedo e a atingir meus objetivos pessoais sem ter um respaldo familiar, eu quis, na época, agradecer esse meu sucesso de alguma forma e ao mesmo tempo compartilhar com mais pessoas, assim, O Anjo Plantador de árvores não era minha biografia e nem um livro de autoajuda, mas eu tentei passar uma mensagem de que devemos ter objetivos na vida e lutarmos com toda a nossa força para atingi-los, por mais difíceis que sejam de se alcançar sucesso e assim, criei um personagem que aprendeu muito com a vida de um senhor idoso que narrou toda a sua vida e mesmo estando velho ainda tinha forças para plantar árvores as margens das estradas para que no futuro outras pessoas pudessem saciar sua fome, já que ele, por sua idade avançada, não mais estaria presente em corpo físico aqui na terra. Na época, mandei para algumas editoras, mas não consegui e como eu sou teimoso ou persistente, lancei em minha cidade mesmo de forma independente. Posso dizer que certo dia, um rapaz de outra cidade, apareceu no meu escritório somente para me agradecer e dizer que o livro mudou a sua vida. Ricardo, somente esse depoimento pagou todo o meu investimento na época.
Over Shock - Você tem em mente relançar essa obra, dessa vez por uma editora como a Novo Século?
Claudemir - Dizem os escritores que cada livro é um filho e um dia, se uma Editora achar viabilidade para publicá-lo, claro que ficarei orgulhoso, O anjo Plantador de árvores é um livro de 100 paginas, com uma certa inocência, pois quando o escrevi eu era jovem sonhador e lutador e a vida, com o tempo nos tira boa parte de nossa inocência.
“Não encontramos todos os dias amor eterno e verdadeiro e quando achamos que encontramos, surge o sentimento da frustação por saber que no próximo amanhecer ele pode não mais estar presente, transformando-se em sonhos não realizados ou em pesadelos” – O Diário de Litat (pág. 22).
Over Shock - Seu mais recente trabalho literário, O Diário de Litat, foi concluído em 2002, mas foi publicado apenas em 2012. Essa espera foi por vontade própria, ou você encontrou dificuldade para a publicação?
Claudemir - Primeiro encontrei dificuldades, recebi outros “nãos” e logo após terminá-lo eu comecei a faculdade de Direito, que também era um sonho a ser realizado. Quando terminei a faculdade e eliminando centenas de cópias e trabalhos acadêmicos eu reencontrei um cópia do Diário de Litat encadernada, que na época eu mandaria para uma editora. Lembro-me que sentei no chão mesmo e comecei a reler, agora com 10 anos mais velho e com uma mentalidade jurídica, assim, mudei as ultimas cem páginas e encaminhei para duas editoras, uma a Novo Século que aceitou a publicá-lo.
Over Shock - E como se deu o processo de escrita dessa obra?
Claudemir - Eu queria escrever algo que pudesse deixar uma mensagem ao leitor, seja emocionalmente e também um aprendizado histórico para que ao término da leitura ele não esquecesse o que leu em poucos minutos e graças a Deus acho que consegui, pois estou recebendo depoimentos de pessoas que eu não conheço, jovens de 15 anos afirmando que foi o primeiro livro de ficção que iniciou e terminou uma leitura e ainda achou o livro mais impressionante que já tinha lido, também já veio uma jovem senhora com toda a família me dar um presente, pois disse que meu livro ajudou a ela ver o mundo de forma diferente, de uma forma melhor. Ricardo, eu achava que meu livro seria mais para adolescente, mas pessoas de todas as idades estão dando seus depoimentos que sinceramente... Valeu a pena cada passo, cada barreira enfrentada e hoje eu posso dizer que sou uma pessoa realizada.
Over Shock - O Diário de Litat se passa em um universo fantástico, mas você buscou mostrar uma mensagem muito interessante do amor, em suas mais variadas formas. Você não teve receio disso não ser visto com bons olhos pelos leitores?
Claudemir - Eu sei que não vou agradar a todos, sei que terá pessoas que hoje vão ler e não conseguiram entender o que esta nas entrelinhas, mas que no futuro, quem sabe, poderão reler e encontrar essa mensagem de amor, e o que todas as pessoas buscam nessa vida? Não é o amor? Pois de nada vai adiantar as pessoas conquistarem uma fortuna se não tiverem famílias, amigos para juntos compartilhar e essa união que buscamos nada mais é uma forma de amar ao próximo. Ricardo, infelizmente as pessoas estão cada vez mais falando menos de sentimentos, digitar kkkkkk não significa que realmente a pessoa está feliz; drogas traz apenas uma felicidade passageira, pais e mães trabalham dia e noite para garantir sua própria segurança e a de seus filhos, não tendo muito tempo de falar de amor além que seus próprios casamentos estão se acabando antes de completar 10 anos, pois até mesmo em seu leito eles praticam sexo e não mais fazem amor, pessoas se matam nas ruas por valores morais e financeiros insignificantes, assim, escrevi um livro para que as pessoas pensem, independente de ter 14 anos ou 60 anos que de nada adianta a gente viver se não temos amor em nosso coração e em nossas atitudes.
Over Shock - Qual seria sua atitude caso fosse escolhido para representar o Bem ou o Mal e isso lhe afastasse de um grande amor?
Claudemir - Acho que o mal não iria me aceitar... Quanto deixar um grande amor para representar o bem como aconteceu com Qeb, personagem do livro, ela provou o grande amor que ela tinha aceitando esse encargo e protegendo a pessoa amada e com certeza eu também aceitaria partir, sabendo que com essa atitude eu estaria protegendo a pessoa amada a minha família.
“Assim, como um quase ser vivo,
Ficarei transbordando de felicidade e aguardando o próximo que sentirei as mãos em minha capa e os olhos sobre mim...
Afinal... Eu nasci com o propósito de estar em suas mãos,
Na gaveta ou na estante serei apenas uma peça decorativa...
Não terei vida,
Não poderei compartilhar meus sentimentos...
E como mágica,
Quando eu estiver em suas mãos...
Serei sim... Quase um ser vivo, totalmente dependente de Você!” – Claudemir de Oliveira (Litat Dmefinos).
Ficarei transbordando de felicidade e aguardando o próximo que sentirei as mãos em minha capa e os olhos sobre mim...
Afinal... Eu nasci com o propósito de estar em suas mãos,
Na gaveta ou na estante serei apenas uma peça decorativa...
Não terei vida,
Não poderei compartilhar meus sentimentos...
E como mágica,
Quando eu estiver em suas mãos...
Serei sim... Quase um ser vivo, totalmente dependente de Você!” – Claudemir de Oliveira (Litat Dmefinos).
Over Shock - Ao ver dois trabalhos prontos, geralmente sentimos diferenças, na maioria vezes melhorias ao longo do tempo. Quais foram as diferenças encontradas por você (e pelos leitores) entre O Anjo Plantador de Árvores e O Diário de Litat?
Claudemir - Como já te relatei, O Anjo Plantador de árvores carrega certa inocência, não que diminua seu valor, mas é uma obra com menor carga emocional, vamos dizer mais leve, menos detalhes, menos personagens, mas em sua essência ambas carregam o mesmo objetivo que é passar uma mensagem ao leitor.
Over Shock - Você tem novos projetos ligados a literatura?
Claudemir - Quando assinei o contrato com a Novo Século, de imediato iniciei a continuação, hoje já está com 220 páginas, o texto será narrado no ano de 1665 e 1666 em Londres e nessa obra eu posso sim dizer que tem uma certa diferença das anteriores, talvez por minha maturidade. Essa nova obra está focada numa continuidade onde eu não preciso dar ênfase para o passado de Litat, assim, consegui direcionar mais para suas aventuras em nome do amor com um maior comprometimento de sua amada nas aventuras em nome do Amor... Está ficando uma aventura incrível.
Over Shock - O autor brasileiro claramente está ganhando mais espaço no mercado editorial, ainda que isso aconteça lentamente. Você acha que aos poucos o Brasil terá um mercado semelhante ao norte-americano, em que os próprios talentos são mais valorizados do que os estrangeiros?
Claudemir - Acredito que sim Ricardo, isso por que a renda da população brasileira melhorou e como que uma família iria comprar livros se em suas casas faltavam alimentos, mas essa pobreza absoluta está diminuindo, o que falta agora é uma maior habitualidade para que esses leitores aumentem. O governo, o ministério da cultura deveria elaborar campanhas incentivando a leitura, dando aos empresários descontos nos impostos caso esses implantasse uma biblioteca em cada empresa. Colocando nos terminais e nos ônibus micro bibliotecas onde as pessoas poderiam ler durante o percurso de seus trabalhos. Ou seja, muita coisa poderia ser feita para melhorar a habitualidade de leitura para o povo brasileiro.
Over Shock - É possível viver de literatura no Brasil? O que falta para isso acontecer?
Claudemir - Acredito que poucos conseguem, seria um sonho para mim se isso acontecesse, mas como já disse, muita coisa ainda precisa ser melhorada para que o brasileiro tenha habito de leitura.
Over Shock - Sabemos que a média de livros lidos anualmente pelos brasileiros é muito baixa. Para Claudemir de Oliveira, existe um culpado ou isso se desenvolveu com o passar dos anos e com a maneira com que lidamos com a arte em geral?
Claudemir - Eu vejo uma boa mudança através dos jovens brasileiros que hoje estão lendo bem mais que seus pais, isso é um fator positivo, pois seus filhos terão bons exemplos em seu lares e como já te disse, o poder aquisitivo do brasileiro está melhorando e gradativamente a possibilidade de aquisição de livros está ampliando no orçamento familiar, assim, vejo com bons olhos nosso futuro literário, mas o governo precisa assumir parte dessa responsabilidade assim como os próprios pais e mães que podem deixar de comprar meia dúzia de cerveja e comprar um livro para seu filho, pois no futuro, seu filho não precisará comprar drogas para “viajar”, pois o livro é o caminho lúcido e lícito para deixar momentaneamente a dura realidade para momentos de ilusão.
Over Shock - Jogo Rápido:
O Anjo Plantador de Árvores: linguagem inocente e verdadeira
O Diário de Litat: Mensagem de amor e fantasia para todas as idades
Bnus: Um homem que perdeu seu grande amor e foi salvo em nome desse amor.
Qeb: Conseguiu carregar em si o mais puro amor diante de todas as dificuldades
Litat: Filho de um grande amor, responsável agora em compartilhar esse sentimento.
Bem: Sentimento que glorifica o ser humano
Mal: Sentimento que tira a luz, a vida do ser humano.
Novo Século e selo Novos Talentos da Literatura Brasileira: Oportunidade para a realização de grandes sonhos.
Blogueiros Literários: Propagadores de sonhos, incentivadores de talentos,
Em 2023 eu quero estar... lançando o Diário de Litat II Londres 1665 1666 na Inglaterra, em Londres.
Over Shock - Novamente obrigado pela entrevista, Claudemir. Parabéns por seu trabalho e muito sucesso. Para encerrar, deixe suas mensagens aos nossos leitores.
Claudemir - Quero deixar uma fábula onde havia milhares de estrelas do mar morrendo na praia e uma criança insistentemente jogava ao mar algumas delas e a maré teimava em trazê-las de volta para a praia e vendo a insistência desse menino ele foi interrogado:
- Menino, tem milhares de estrelas deixadas pelo mar e vejo você devolvendo uma quantidade muito pequena ao mar durante horas, porém a maioria delas, a maré está devolvendo para a areia...
O menino continuava a jogar as estrelas, apenas escutando o homem que o interrogava e esse, incomodado com a tarefa “inútil” do menino o questiona:
- Você não percebe que quase todas as estrelas estão voltando e você não conseguirá mudar o mundo, mudar a natureza?
O menino para por alguns minutos a sua tarefa e responde:
- Sim, eu sei que não tenho forças para mudar a natureza e quanto menos mudar o mundo, mas ficarei feliz em saber que para aquelas estrelas que conseguir devolver ao mar sem que a maré as devolvessem para a areia eu consegui sim mudar o mundo delas, pois nesse momento elas estão vivas!
Quando recebo depoimentos de jovens adolescentes e jovens senhoras que eu nem conheço ou que moram distante de mim, dizendo que meu livro os fizeram refletir sobre a vida ou mesmo falando que foi o melhor livro de ficção que já leram... Nesse momento, sinceramente me sinto como o menino que jogava as estrelas ao mar, pois, mesmo eu estando no interior do Paraná, numa cidade pequena, não conseguindo mostrar meu livro para um número maior de leitores, mas, para aqueles que têm a oportunidade de lê-lo e algo de bom permanecer e seus corações, em sua forma de ver o mundo, nesse momento percebo que toda a minha luta não foi em vão e se não consigo passar minha mensagem para milhares de pessoas, fico feliz de saber que muitas estão compreendendo a essência do diário de Litat, onde existe sim fantasia, mas acima de tudo existe a realidade do amor!
Contato com o Autor
“Mantiveram assim toda a humanidade livre da intervenção dos deuses, pois enquanto existir um amor puro e verdadeiro entre os mortais, todos terão o livre arbítrio de estar entre o Bem e o Mal” - O Diário de Litat (pág. 154).











