Estreia: 05 de outubro de 2012
Resenha: Desde sua estreia, o filme Até que a Sorte nos Separe, baseado no livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Skoob), atingiu dois extremos. O filme foi a melhor bilheteria nacional em 2012, mas não foi bem recebido pelos críticos. E como dificilmente acontece, nesse caso entendemos todas as críticas feitas ao filme do diretor Roberto Santucci, conhecido por De Pernas pro Ar 1 e 2.
No longa-metragem produzido pela Globo Filmes, Tino (Leandro Hassum) é um pai de família que tem sua vida mudada após sua esposa Jane (Danielle Winits) ganhar na loteria. Após a fortuna entrar na conta bancária do casal, eles passam a viver no luxo e gastar compulsivamente. Apenas quinze anos são necessários para que o saldo positivo se transforme em negativo no momento menos apropriado para isso.
Após uma antiga rixa com seu vizinho, Amaury (Kiko Mascarenhas), um consultor financeiro, Tito se vê obrigado a aceitar ajuda para tentar esconder de Jane a situação financeira da família, afinal, ela está grávida do terceiro filho e não pode passar por fortes emoções. E para guardar esse segredo, Tito será obrigado a enfrentar diversas confusões.
Apenas por ter Leandro Hassum no elenco de alguma produção sabemos que iremos encontrar muita confusão e o humor típico dos trabalhos do comediante. Aquele humor antigo, por vezes besta, mas que acaba sendo divertido à sua maneira, principalmente por não abusar de palavras de baixo calão ou até mesmo do humor negro. E quem acompanha o trabalho de Hassum na televisão sabe que ele é um ótimo ator, o que não impede de ser um ator limitado. E isso faz total diferença.
Quando está na televisão, principalmente no dominical Os Caras de Pau, Leandro Hassum brilha com a presença de seu grande companheiro, Marcius Melhem, outro comediante. Já em Até que a Sorte nos Separe, Hassum precisa assumir o humor praticamente sozinho, afinal, é o único comediante do elenco, e mais uma vez notamos que ele é engraçado e ao mesmo tempo limitado. Ele é o Leandro Hassum, não o Tito, o Jorginho ou qualquer outro personagem, e por isso sentimos falta de algo a mais nessa produção.
Nesse caso, Hassum vive um milionário e que precisa a todo custo, literalmente, encontrar uma forma de não levar sua esposa e seus dois filhos (sem contar o bebê que está para nascer) para a miséria. Mas o dinheiro foi mau gasto nos últimos quinze anos, e sua forma física acaba prejudicando as poucas tentativas válidas de reerguer a família. Nos momentos mais desnecessários o milionário se transforma em um besta que sabe apenas fazer caras e bocas, e sua esposa, interpretada por Daniele Winits, não ajuda em nada, é apenas uma personagem sem sal e que pode facilmente ser classificada como uma perua, que gasta muito e ainda por cima exagera nos cuidados com a beleza. Um casal inteligente? De forma alguma!
Com um comediante que parece vazio sem um companheiro a altura, e uma atriz que já interpretou personagens melhores, aparentemente Até que a Sorte nos Separe não possui nenhum nome capaz de salvar a produção, mas eis que surge a figura de Aílton Graça, que não é um humorista, mas que rouba a cena ao viver Adelson, amigo de Tino e que para ajudar a milionário falido se transformar perfeitamente em um decorador homossexual, rendendo assim as melhores cenas. Ele chega a confundir tamanha perfeição em sua atuação.
Em Até que a Sorte nos Separe, encontramos personagens e situações clichês, e um humor ainda mais clichê, apesar de realmente tirar risos em alguns momentos. Talvez por isso sentimos inúmeras semelhanças com programas televisivos e outras produções do cinema, em que os produtores insistem em dar um tratamento especial ao humor, mas esquecem que certas coisas podem e devem ser evitadas, enquanto que o drama de alguns personagens, grande causador das confusões, também podem ser mais explorados. Para a grande massa, e talvez os menos exigentes, possa ser uma ótima diversão, e provavelmente isso que garantiu duas novas sequências, previstas para 2014.
















