Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Em meu primeiro artigo no meu quadro "Fala, Davi!", meu amigo Ricardo Biazotto me sugeriu que eu falasse do Enem. Aceitei não só por ser uma coisa dentro da temática do quadro que é falar da educação escolar do nosso país como também por eu ser um veterano de guerra nesta prova. Já a prestei várias vezes na sua primeira versão e na atual. E o que tenho a dizer é baseado em experiências de vida, observações, pesquisas e conclusões. Se alguém tiver algo a acrescentar, discordar ou perguntar, fiquem a vontade.
O que eu posso dizer sobre o Enem como experiência de vida?
Primeiro vamos esclarecer o que é o Enem: nem no site do Ministério da Educação há esta resposta! Para encontrá-la você tem que usar a Wikipédia ou ligar pro MEC pra ouvir a gravação eletrônica dar a resposta (aí vocês já veem as condições que colocam os nossos estudantes interessados...). E o que encontramos na internet é " O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova realizada pelo Ministério da Educação do Brasil. Ela é utilizada para avaliar a qualidade do ensino médio no país e seu resultado serve para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU)". Projeto bonito, mas na prática soa paradoxal. Primeiro porque eu ainda não faço estágio no ensino médio, contudo vejo casos de alunos na 6ª série/7º ano que não sabem ler e vão aturar aquela prova épica e segundo porque programas como Pro Uni (que não é mencionado no parágrafo, mas todo mundo sabe que o Enem serve pra ele também) coloca o pobre na faculdade do rico enquanto os playboys frequentam a USP.
Antigamente o Enem era uma prova até um tanto quanto legal de se fazer: 63 questões e uma redação. Só que em 2009 com o uso da prova para se entrar nas universidades federais, ela passou a ter estúpidas 180 questões (90 em 2 dias) e uma redação. Por quê? Porque é isto que o governo faz de melhor: o sistema do "damos, mas não facilitamos" que mais tarde vira pérolas aos porcos em uma propaganda política não esclarecida como muitas por aí.
O Enem hoje é o que dizem que era o Vestibular antes: de uma prova que servia pra testar seus conhecimentos, passou a ser um produto que reprova candidatos testando sua resistência, atenção com pegadinhas e textos absurdamente longos.
Não sou ingênuo visto que também faço faculdade e sei que aqueles que chiam demais com estas características descritas acima precisam lembrar que quando ingressarem em uma universidade, terão que lidar com pressão similar das semanas de provas, entregas de trabalhos, relatórios de Atividades Complementares, Estágios, etc. Entretanto pela lista que exponho aqui, qualquer leitor pode ver que um aluno com um desempenho regular em uma prova ainda tem meios de recuperar a nota com outras atividades ou o famoso exame. E no Enem, se você passa o ano todo se preparando e vai mal naqueles DOIS DIAS vai fazer o quê? Prova substitutiva?
O que posso dizer do Enem é que dado os índices de ensino e aprendizagem das escolas, ele já não era muito bom pra avaliar o ensino médio e está cada dia mais longe disto. E infelizmente por ser um produto grandioso ele tende a ter falhas graves. Em 2009: vazamento da prova; 2010: vazamento de informações sigilosas dos candidatos; 2011: colégio Christus de Fortaleza teve acesso a 14 questões e 2012, que com um gasto de R$ 266 milhões ao governo federal foi montado um sistema de segurança para impedir fraudes e com tantas coisas pra se discutir o tema da redação foi... hino do Palmeiras? Receita de miojo? Não meu caro leitor. Foi o movimento imigratório para o Brasil no século XXI. Em minha modesta opinião, em um ano de eleições a gente pode pensar em coisas melhores, não é mesmo?
Enfim resumindo, esta história está longe de acabar. E infelizmente ela martela o fundo do poço pra poder ir mais longe.

Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, lança um capítulo por semana do seu romance "Coração de Fogo" no site www.recantodasletras.com.br, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera e Sopa de Letras, todas da Andross Editora. Contato: davi_paiv@hotmail.com