Foto: Ah Cravo
Pela segunda vez na história, um escritor moçambicano vence o Prêmio Camões, considerado a principal premiação literária em países de língua portuguesa. Após José Craveirinha (1922-2003), vencedor em 1991, Mia Couto, 57, é o responsável por representar a qualidade da literatura no país africano.

A escolha do vencedor aconteceu na última segunda-feira, 27, no Palácio Capanema, Rio de Janeiro, onde seis escritores de quatro países diferentes formaram o júri que premiou Mia Couto, autor de inúmeros livros, incluindo A Confissão da Leoa, O Fio das Missangas, Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra e Terra Sonâmbula, considerado um dos melhores livros africanos do século XX, todos lançados no Brasil pela editora Companhia das Letras.

Em entrevista à agência Lusa, Mia Couto revelou estar “surpreendido e muito feliz” por ser o vencedor da 25ª edição do Camões. Também em entrevista à Lusa, o jornalista e jurado José Carlos Vasconcelos disse que Mia Couto possui uma “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”.

Já em uma conferência de imprensa realizada na terça-feira, 28, Mia Couto revelou seu desejo de criar um projeto que dê oportunidade aos escritores moçambicanos, já que, segundo ele, “não existe instituição em Moçambique que possa receber esta gente, que possa organizar um momento que é essencial, que é alguém escutar, olhar aquele texto preparado pelo jovem e poder ver se ali há uma potencialidade de alguém que pode ser amanhã um escritor”.

Criado pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988, o Prêmio Camões já premiou grandes escritores, como João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, José Saramago, Arménio Vieira e Ferreira Gullar.

Cia. das Letras - 2012
Nascido em julho de 1955, Antônio Emílio Leite Couto teve seus primeiros poemas publicados ainda aos quatorze anos e poucos anos mais tarde iniciou os estudos em medicina, o que viria a abandonar para exercer a profissões de jornalista. Trabalhou também como diretor de uma revista antes de lançar seu primeiro livro, Raiz de Orvalho. Ao deixar o cargo de diretor, voltou os estudos na área da biologia e após isso fundou uma empresa de estudos ambientais. Como escritor, além de Raiz de Orvalho, um livro de poesias, escreveu contos, romances e crônicas e foi publicado em mais de 22 países. Em suas três décadas de carreira, Mia Couto recebeu inúmeros prêmios por sua obra e desde 1998 é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 5, que tem como patrono Dom Francisco de Sousa.

Com a premiação, o biólogo e escritor receberá 100 mil euros.

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