Não Sou um Anjo, Tom Bower, tradução de Ivar Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2011, 494 páginas (+ fotos).
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Todos sabemos que o futebol é a grande paixão nacional, e não é segredo para ninguém que o automobilismo, em especial a Fórmula 1, também tem espaço reservado no coração dos amantes do esporte. E se hoje a Fórmula 1 é considerado o segundo esporte mais popular do mundo, o grande responsável é Bernie Ecclestone, o chefão da categoria.
No livro Não Sou um Anjo, biografia não-autorizada escrita por Tom Bower, conhecemos todos os bastidores da Fórmula 1 e entendemos o motivo do empresário britânico ter transformado a categoria em um negócio rentável, movimentando valores inimagináveis nas últimas décadas.
O que sabemos antes da leitura da obra é que Bernie Ecclestone, um senhor de 82 anos e cabelos grisalhos, consegue controlar essa poderosa categoria esportiva como ninguém. Mas, até mesmo em suas aparições durante uma temporada, Ecclestone é reservado e misterioso. Para alguns, inacessível e arrogante, o que não foge da realidade, no entanto, no fundo, apesar de aparentar ser um homem insensível, ele sofria ao ver o sofrimento dos demais, principalmente quando perdia seus amigos e pilotos em uma época em que a Fórmula 1 representava um sério risco para a vida desses pilotos.
Com essa obra percebemos que Ecclestone vai muito além do imaginado e tem uma personalidade que varia entre a ambição, articulação e, acredite se quiser, compaixão. Devido a isso e principalmente a sua inteligência, Ecclestone conseguiu mudar sua vida radicalmente e deixar de ser um simples vendedor de carros para se tornar um grande bilionário do esporte.
“Embora tivessem pouco em comum, Ecclestone era virgem, e gostava da ideia de se mudar para sua própria casa. Ele também esperava que o casamento com Ivy, após um noivado de três anos, faria com que eles parassem de discutir. Ela tinha todas as razões para agarrar com unhas e dentes as vantagens materiais que Ecclestone lhe oferecia, e ainda daria um fim no caso que ele tinha com uma cabelereira das redondezas” (pág. 30).
Não Sou um Anjo pode ser considerado um livro polêmico, assim como o próprio Ecclestone, que está longe de servir de exemplo. Desde o início de sua vida, usou de métodos nada convencionais, como trapaças e mentiras, para atingir o sucesso e principalmente ganhar dinheiro. Ele nunca gostou de perder, por isso não pensava duas vezes antes de agir – mesmo que isso o obrigasse a fazer o “errado” -, já que para ele as regras foram feitas para serem quebradas.
Mas o livro não mostra apenas Bernie Ecclestone como o chefão da Fórmula 1 e homem que ganhou muito dinheiro com tudo o que o esporte proporcionou. Na verdade, a intenção do autor não é transformar Ecclestone em um herói, ou anti-herói. Bower quer apenas contar sobre Ecclestone, mesmo que para isso não agrade a todos os envolvidos (como o próprio Ecclestone, já que até seus segredos mais íntimos são revelados). Nesse caso, os envolvidos são os amigos (ou em muitos casos inimigos) que Ecclestone conquistou ao longo de sua vida, seja pilotos e outros dirigentes do esporte, ou políticos e até mesmo pessoas que estavam acima na hierarquia do automobilismo. Entre os nomes citados de grande importância estão os empresários Enzo Ferrari e Frank Williams, e os pilotos Niki Lauda e Nelson Piquet.
Se, como foi citado, o autor não tem a intenção de transformar o protagonista de sua biografia em um herói, ele tem a liberdade de contar polêmicas e “podres” da personalidade em questão. Sendo assim, conhecemos também o Bernie Ecclestone marido e pai, que durante muito tempo foi submisso a sua esposa apenas para não correr o risco de ser afastado das filhas.
Com isso tudo, é fácil perceber que Não Sou um Anjo tem um conteúdo muito rico e certamente exigiu uma grande pesquisa por parte do autor, já que existem relatos de inúmeras pessoas ligadas ao automobilismo de modo geral. Para os fãs, é uma ótima forma de entender como Bernie Ecclestone enfrentou os altos e baixos e principalmente as polêmicas (a mais recente envolvendo Nelson Piquet Jr., em 2009) ao longo de todos esses anos.
Mas existem dois grandes problemas, sendo o primeiro a escrita do autor, que não facilita em nada a leitura e acaba se tornando desagradável em várias partes. Biografias já costumam proporcionar um ritmo mais lento, porém nesse caso tudo se intensifica pelos capítulos longos e uma estrutura totalmente desnecessária. Aparentemente Bower não se preocupou em contar a história em uma ordem cronológica, mas apenas jogar as informações para o leitor – que é obrigado a compreender toda a confusão de fatos.
O outro problema é apenas da edição nacional, que conta com colaboração do jornalista brasileiro Reginaldo Leme, um dos principais especialistas em Fórmula 1 do mundo. A participação de Reginaldo é breve, com apenas o prefácio, aparentemente insignificante, mas a edição peca com a péssima revisão, que deixou passar erros grotescos para um livro tão rico em conteúdo. Certamente o volume brasileiro merece uma nova edição, com o cuidado que qualquer obra literária deveria possuir.
De qualquer forma, a biografia de Bernie Ecclestone é rica em conteúdo (não por menos possui quase 500 páginas, além das fotos). Para ele “não existe diversão se não houver lucro”, e ele, que sempre acreditou estar no controle de tudo, conseguiu superar todos os adversários e transformar a Fórmula 1 em um esporte diferente de tudo. Se o livro peca por sua qualidade técnica, a história é um grande incentivo para os fãs do esporte (que certamente passarão a admirar a genialidade do chefão da categoria) que sabem que Ecclestone tem a capacidade de “organizar uma Copa do Mundo por semana” e ganhar muito dinheiro em cima disso. Afinal, ele conseguiu movimentar a imprensa de dezenas de países e a indústria do tabaco, que apenas elevaram os lucros desse importante bilionário.
“Senna começou a corrida no dia 1º de maio, aparentemente preocupado. Na sétima volta, perdeu o controle da sua Williams e bateu a 210 quilômetros por hora. Seu capacete foi perfurado por pedaços de metal e ele morreu, a primeira morte durante um Grand Prix em doze anos, e a primeira a ser transmitida pela televisão.
Ecclestone não ficou enervado com as notícias. Mortes na pista haviam se tornado parte da sua vida” (pág. 197).
Ecclestone não ficou enervado com as notícias. Mortes na pista haviam se tornado parte da sua vida” (pág. 197).
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Oie!
ResponderExcluirAinda não tinha visto este livro, e o tema é interessante, mas não é muito o meu estilo.
Beijos*
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/
Não sou muito chegado em ler biografias, ainda mais quando o autor simplesmente joga informações ao ar, apesar de não dispensar o gênero. Pra quem gosta de Fórmula 1, ou quer se interessar sobre o tema, é uma ótima pedida, mas como a leitura é um tanto arrastada, não fiquei muito empolgado não, apesar de ficar bem curioso quanto a história de Bernie.
ResponderExcluirEu amo biografias, mas as de pessoas que me interessam de alguma forma. Eu não gosto muito de corrida, então não é o tipo de leitura que me agrada. É como você disse: "a história é um grande incentivo para fãs de esporte" , deve ser, pelo menos foi o que percebi lendo algumas resenhas desse livro.
ResponderExcluirParabéns pela resenha. xD
Muito obrigado pela visita e comentário, Filipe. Já estou seguindo seu blog e sempre que possível também estarei por lá.
ResponderExcluirAbraços!
Sinceramente, não lerei esse livro de jeito nenhum. Não gosto de biografias, não sou fã de Fórmula 1, edição muito mal revisada, desleixo do autor, enfim, não perderia meu tempo lendo algo assim.
ResponderExcluir@_Dom_Dom