Laços de Sangue, Richelle Mead, tradução de Ana Ban, 1ª edição, São Paulo-SP: Seguinte, 2013, 430 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Uma série literária pode não chamar atenção de um leitor, no entanto uma primeira experiência não impede que o interesse seja despertado. Um grande exemplo disso é a série Bloodlines, que a princípio era pouco interessante, mas que se tornou uma série para ser lida, assim como Academia de Vampiros, que deu origem a esse novo trabalho de Richelle Mead.

Spin-off da série citada, Bloodlines tem início com Laços de Sangue, narrado pela alquimista Sydney Sage. Por serem os únicos que sabem da existência dos vampiros, os alquimistas têm uma missão difícil: manter a ordem e, além de impedir que os humanos saibam desse segredo, evitar que os vampiros sejam uma ameaça real aos mortais.

Devido a essa missão, os alquimistas precisam proteger a princesa vampira Jill Dragomir e evitar que uma guerra pelo trono movimente o mundo dos vampiros e traga consequências também para os humanos. Por isso, Sydney é escolhida para ser a responsável pela proteção de Jill e precisa conviver diariamente com a vampira, deixando o antigo desprezo de lado por um bem maior.

“Dei um sorriso contido e não disse mais nada. Não conseguia superar o fato de que estava começando a simpatizar tanto com uma vampira. Primeiro Rose, e agora Jill? Não importava o quão adorável ela fosse. Eu precisava manter a nossa relação estritamente profissional para que nenhum alquimista pudesse me acusar de me apegar a ela. As palavras de Keith ecoaram na minha cabeça: adoradora de vampiros...” (pág. 92).

Como dá para perceber, Laços de Sangue foi uma grata surpresa e isso mesmo sem conhecer o universo e os personagens de Academia de Vampiros. Mas o pequeno problema é que, mesmo não sendo totalmente necessária a leitura da série anterior, o ambiente é explorado de tal forma que, ao menos no início, tudo se torna confuso para quem não conhece as características de vampiros, dampiros e alquimistas.

No entanto, se o início é confuso, isso aos poucos vai mudando com as explicações que deixam o leitor familiarizado com tudo o que está acompanhando. O ponto forte dessa questão é o fato de tudo acontecer em uma velocidade que aparentemente é pouco agradável (provavelmente por ser o primeiro livro), mas que contribui para que tudo seja explicado de maneira clara.

Após a explicação, é possível perceber a originalidade da autora, sobretudo com o uso de dampiros, seres pouco usados na literatura. Mas isso só é percebido com a união de todos os seres e o que envolve as características de cada um deles, tornando singular um universo com seres que já são explorados em demasia.

Mas claro que não basta apenas a imaginação de uma autora para que um livro seja original e agrade o leitor. É preciso uma narrativa que conquiste. Isso felizmente acontece com a escrita de Mead, que mesmo usando de uma estrutura que na maioria das vezes torna a leitura mais lenta, ou seja, sem divisórias de cenas ou dias e por isso com capítulos longos, prende o leitor em sua história do início ao fim.

Para isso encontramos personagens simpáticos (por sinal já usados em Academia de Vampiros), ainda que a maioria tenha atitudes questionáveis, por exemplo, quando tratam Jill como se essa fosse uma criança incapaz de se cuidar sozinha. Nesse caso não apenas aos cuidados para evitar uma guerra, já que isso é fundamental, mas para evitar que ela sofra por situações incontroláveis, como problemas sentimentais.

Apesar da confusão e das atitudes irritantes de determinadas personagens, Laços de Sangue superou as expectativas, principalmente com os últimos quatro capítulos. Portanto, temos em mãos um livro que trata os alquimistas como esses merecem e que ainda possui uma dose certa de mistérios e surpresas, que devem apenas aumentar em Lírio Dourado, segundo livro da série. E pensar que já havia cansado de vampiros...

“Se ela não podia me ouvir por causa da música ou simplesmente porque preferia me ignorar, eu não sabia dizer. A única coisa que eu sabia era que mais uma vez me peguei comparando-a a Zoe. Assim como aconteceu com Zoe, eu tinha tentado fazer uma coisa boa para Jill e o tiro saiu pela culatra. Assim como acontecera com Zoe, eu acabei magoando e humilhando a pessoa que tentava proteger” (pág. 153).

Para adquirir seu exemplar de Laços de Sangue acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

7 Comentários

  1. Oi Ricardo!
    Percebi que você não estava nem um pouco animado ao iniciar a leitura de "Laços de Sangue" e se surpreendeu positivamente ao concluí-la.
    Eu ainda pretendo ler este livro. Li apenas "O Beijo das Sombras" da série Vampire Academy e curti.
    O que não me convence muito nesta história é a protagonista. Pode até ser um preconceito meu, mas a acho um pouco sem graça. rs
    Enfim, como sempre, deixaste-me animado para ler e espero não me decepcionar.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

    ResponderExcluir
  2. Acho que já é o 4 blog que vejo resenhando esse livro! rsrs


    Eu gostei bastante, e só de saber que os vampiros são os vilões para os humanos novamente já fico feliz. E gostei que envolveram alquimistas nessa história.


    Com certeza é um livro que pegarei para ler um dia! o/


    Beijos,
    www.livrosqueinspiram.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Olá, Leandro.
    Como sempre deixo claro, já cansei de vampiros e seres semelhantes (olha que não li tantas coisas assim), por isso sempre fico com certo receio. Felizmente dessa vez me surpreendi - talvez mais do que aconteceria se tivesse lido Academia de Vampiros.
    A boa notícia, ao menos para você, é que a protagonista de "Laços de Sangue" não é a mesma da série original. Acho que você pode gostar dessa nova personagem - apesar de não saber como é a outra protagonista rsrs


    Abraços!

    ResponderExcluir
  4. E depois ainda vem me dizer que os vampiros são chatos, né? Até você se deixou seduzir pela mágica escrita de Richelle Mead e eu só fico ansiosa pela sua perspectiva sobre os outros livros. Sério, você precisa ler.
    Sei que, como fã adoidada de Vampire Academy, Bloodlines era uma leitura mais que esperada e poder adentrar novamente esse universo fez eu me sentir muito bem, praticamente em casa. No entanto, observar que um completo estranho a esse universo também foi guiado pela história sem maiores contratempos é fantástico! Nunca havia visto alguém de fora do universo de VA se aventurar, ainda mais no primeiro livro de um spin-off, quando já se deveria esperar certo conhecimento da série que deu origem a essa nova série. Mas você se saiu bem, Rick, fico muito feliz que tenha gostado.
    Você sabe do meu desgosto com as garotas Dragomir, por isso não concordo com você sobre o tratamento destinado a Jill. Eles até que foram bonzinhos demais com a Chave de Cadeia. rsrsrs
    Fiquei extremamente anestesiada ao terminar o livro e muito grata por ter participado dessa publicação de resenhas em massa, foi uma oportunidade para eu extravasar meu amor por VA mais uma vez e acompanhar um grande amigo ser inserido nesse universo que é tão importante para mim.
    Parabéns pela resenha, espero realmente que você se arrisque nos outros livros e perceba o quanto o mundo dos vampiros ainda não se esgotou e que pode, sim, ser descrito com maestria e genialidade! :D


    Beijos,

    Only The Strong Survive

    ResponderExcluir
  5. Gabriela Costa e Silva17 de novembro de 2013 às 00:57

    Eu estava sem vontade de ler, por dois motivos: não ter lido Academia de Vampiros, e por SEREM VAMPIROS DE NOVO!
    Esses caras já tão enchendo, aparecem em tudo que é livro! hahaha
    Mas tô quase mudando de ideia com essa série, quem sabe?! =P

    ResponderExcluir
  6. Confesso que, desde "Crepúsculo", peguei um certo receio de vampiros. Gosto de ler algo com esses seres, quando eles são mais próximos do Drácula, tipo, sanguinários, notívagos e nada bonzinhos. Quando partem pra uma raça que não é tal má assim, acho que perde todo o encanto. Pelo menos, esse livro tem uns que são bem "capetas", e isso acaba sendo uma luz no fim do túnel. Não é uma coisa que vou querer ler pra agora, mas quem sabe em um futuro bem distante, né?!?!

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dom Dom, justamente pela maneira como os vampiros foram abordados em Crepúsculo, e livros que vieram após esse, que tenho tanto receio em relação a livros com eles. Mas posso dizer que pela segunda vez no ano me surpreendi (a primeira foi com Alma?/Metamorfose?). Claro que nesse caso nenhum é tão malvado, mas se comparado aos mais recentes já faz certa diferença.
      Se tiver a oportunidade de ler, espero que você goste :D
      Abraços!

      Excluir