A Agenda, João Varella, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 240 páginas.
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Sandra Macedo trabalha na área de marketing de uma empresa e se destaca por ser competente e uma ótima líder, servindo de referência para todos os demais funcionários. Como qualquer mulher independente, Sandra segue sua vida se focando nas obrigações de seu emprego, até porque a filha, que está em outro país, não lhe dá a mínima atenção.

Justamente por ser o que podemos chamar de workaholic, Sandra não consegue se envolver emocionalmente com outra pessoa, mas tudo começa a mudar quando ela perde a agenda onde anotava tudo de sua vida profissional. Isso não apenas muda a rotina da mulher, como também a aproxima de outras pessoas, que podem mostrar que “o acaso tem suas próprias regras” e que sua vida está prestes a mudar.

“Seu decote não deixa nada para a imaginação, a não ser a promessa de onde não se deve aventurar”, ou uma cafajestice poética do gênero, foi o golpe de misericórdia à resistência de Sandra ao charme do gran líder da noite. Se beijaram. Sandra sentiu que estava sob o domínio de um conhecedor de mulheres como poucos. (...) O arrependimento se iniciara quando ela se deitou na cama de sua casa e viu o teto girar e só cessaria no final do ressacoso dia seguinte” (pág. 83).

Se fosse preciso dizer algo sobre A Agenda não seria necessário pensar antes de dizer que o livro de João Varella foi uma grande surpresa. Vale ressaltar que isso acontece mesmo que, após a leitura, tenha ficado pensativo em relação ao enredo criado pelo escritor e também da mensagem passada por sua personagem principal.

Classificado como um escritor que cria personagens reais e que podem ser facilmente encontrados na atual sociedade, o jornalista surpreende por sua narrativa ágil, que possibilita a leitura em questão de horas, e também pela reflexão sobre nós mesmos. Mas nem de longe esses foram os detalhes responsáveis pela surpresa causada por esse romance contemporâneo.

Mesmo se passando dentro de uma empresa específica, são as pessoas com qualidades e defeitos normalmente encontrados nos tempos de hoje que começam a deixar a obra com sua própria característica. O uso de personagens que aparentam não ter importância, mas que aos poucos ganham destaque, também não pode ser ignorado, já que é o responsável pela existência de não apenas um protagonista, mas de várias personagens que unidas dão consistência ao desfecho.

No entanto, a existência de personagens tão distintos e reais causa a falta da exploração em alguns momentos. Personagens que têm muito a dizer são explorados superficialmente, como é o caso de Carrano, fundamental para a totalidade de A Agenda. Carrano é o tipo de personagem que sim, aparece em vários momentos, mas que mesmo assim poderia ganhar um livro próprio, tamanha a sua complexidade.

Voltando ao desfecho, dá para dizer que antes de o leitor chegar a ele, ainda se depara com uma história sem qualquer tipo de mistério, mas que o instiga a prosseguir com a leitura, já que existe a curiosidade de saber como as personagens, em especial Sandra, se adequarão as mudanças sofridas com o passar dos dias. Para os leitores menos atentos, essas mudanças podem ser surpreendentes; enquanto que para os demais, são esperadas e por isso não causam nenhum tipo de espanto.

Representando bem a sociedade do século XXI, A Agenda apresenta personagens que ignoram o que está explicito na sua frente e mostra, além das regras do acaso, que esse pode surpreender e ao mesmo tempo desmoronar a vida de uma pessoa. Isso tudo com uma diagramação e tipografia impecáveis e com detalhes que deixam o exemplar muito bonito. Pena que é o tipo de livro que agradará a poucos, até porque nem todos estão prontos para essa história – e acredito que seja o caso, já que ainda hoje é difícil dizer com certeza o que representa o livro A Agenda.

“Estava desfrutando o momento, o aperto de mãos no maior parque da região central da cidade com uma executiva que se declarava fã de seu trabalho. Nem Carrano se lembrava da poesia citada por ela, que se mostrava uma verdadeira fã. Nunca antes visto nem sentido por Carrano. A chama do orgulho de sua escrita voltava. Alguém finalmente parecia ter entendido sua mensagem” (pág. 181).

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