O abuso sexual em crianças e adolescentes às vezes está mais próximo do que imaginamos. Números comprovam que 60% das vítimas são atacadas por pessoas conhecidas, muitas vezes da própria família, sendo que o abuso atinge mais de 30% da população jovem brasileira. O assunto é sério não apenas por ferir a liberdade das vítimas, mas principalmente porque as consequências para o futuro são imensas.
Apesar de a opinião sobre o tema ser unânime e a população ter consciência da crueldade de uma agressão, é de extrema importância debater sobre isso. Apenas assim é possível divulgar a necessidade de combater todos os casos de abusos, para que terceiros façam o que muitas vezes as vítimas não têm coragem: falar.
Entre outras maneiras utilizadas para o debate está o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração de Crianças e Adolescentes, que acontece em 18 de maio. A ideia para esse dia surgiu em 1998, como uma maneira de lembrar o caso de Araceli Cabrera Sanches, garota de oito anos sequestrada, estuprada e morta em Vitória-ES no ano de 1973. O caso de Araceli chocou o país, porém o silêncio permaneceu e os agressores ficaram impunes.
Evitar o silêncio é fundamental para que os agressores paguem por seus crimes, assim como é uma forma de as vítimas se livrarem da dor capaz de mudar suas vidas para sempre. A editora Valentina, que no último ano publicou o livro “Fale!”, importante obra escrita pela norte-americana Laurie Halse Anderson, também faz parte desse combate e por isso criou a Campanha Fale! Contra o Abuso, que mobilizou muitos blogs literários.
“A médica examina o fundo dos meus olhos com uma luz forte. Será que pode ler os pensamentos escondidos ali? E se pode, o que vai fazer? Chamar a polícia? Me mandar para um hospício? É o que eu quero que faça? Eu só queria dormir. O intuito de não conversar sobre aquilo, de silenciar a lembrança, é fazer com que ela vá embora. Mas não é o que acontece. Vou precisar é de uma neurocirurgia para tirá-la da cabeça” – Fale! (Ed. Valentina – 2013).








