Ao longo dos séculos, alguns dos maiores gênios da história demonstraram determinadas características e posteriormente, após várias pesquisas, foram considerados portadores de alguns dos inúmeros tipos de autismos. A literatura e todas as formas de expressão artística, em especial o cinema, também apresentaram personagens e situações entre pessoas autistas, por isso são sempre vistas como fundamentais para conscientizar a todos que convivem ou não com essa realidade.

A sequência da Semana Passarinha de Conscientização do Autismo acontece justamente com a apresentação de personagens históricos e literários que, de alguma forma, são vistos como portadores de algum tipo de autismo.

Mas é bom ressaltar ainda que existem algumas diferenças entre o autismo e a Síndrome de Asperger, presente em grande parte dos casos citados abaixo. Os autistas, por exemplo, geralmente possuem o coeficiente intelectual abaixo do normal, ao contrário de quem possui Asperger. Enquanto os portadores de Asperger possuem interesse social, mas não conseguem se relacionar, os autistas não desejam ou precisam de amigos. Outra diferença é que o desenvolvimento da linguagem geralmente acontece com certo atraso em autistas, enquanto os demais apenas possuem dificuldade.
Bill Tyree (Nicholas Sparks) – Pai do protagonista de Querido John, Bill Tyree apresenta inúmeras características comuns aos autistas, porém a história se destaca principalmente por mostrar as diferenças entre ao menos dois tipos de autismos. Além disso, fica clara a importância de se conscientizar sobre essa condição comportamental.

Caitlin (Kathryn Erskine) – A protagonista do livro “Passarinha” é o tipo de personagem que causa no leitor o desejo de abraçá-la para criar uma verdadeira amizade. É encantador e emocionante vê-la buscando formas de ajudar ao pai, mesmo não entendendo muito bem o que está acontecendo em sua vida. Como é portadora da Síndrome de Asperger, Caitlin se mostra ser uma garotinha inteligente e principalmente persistente, afinal, mesmo com todas as dificuldades que encontra ao longo de sua busca pelo Desfecho, não desiste em momento algum. Ela possui uma personalidade que a torna especial não por sua síndrome, mas simplesmente por existir, ainda que nas páginas de um livro inesquecível.

Christopher John Francis Boone (Mark Haddon) – Assim como Caitlin, o personagem Christopher, do livro “O Estranho Caso do Cachorro Morto”, também conquista os leitores pela maneira como a história é contada através de sua própria visão. Dessa forma, é possível compreender o mundo da maneira como ele visto pelo jovem protagonista, além de desmitificar o que é dito sobre o autismo de um modo geral.

Talvez seja estranho pensar que o autismo, por mais comum que seja, ainda é uma síndrome pouco comentada e até certo ponto desconhecida. Não é fácil acreditar que isso de fato acontece, afinal a síndrome é mais comum em crianças do que câncer, diabetes e AIDS, juntos.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa recente apontou que apenas no Brasil existem cerca de 2 milhões de pessoas com autismo, enquanto estima-se que são mais de 70 milhões de pessoas no mundo. As pesquisas apontam ainda que a síndrome, descrita pela primeira vez em 1947 pelos austríacos Leo Kanner e Hans Asperger, é mais comum em meninos – quatro meninos para cada menina -, por isso o azul foi escolhido como a cor que representa o autismo.

Diferente do que se pensa, o autismo não é uma doença e sim uma condição comportamental que causa, entre outras coisas, dificuldades de comunicação. Os autistas possuem apenas uma personalidade específica, por isso que em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que 02 de abril passaria a ser o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

Sabendo da importância dessa data tão especial, a editora Valentina organizou, em parceria com blogs literários, a Semana Passarinha de Conscientização do Autismo, uma referência ao premiado e emocionante livro Passarinha, escrito por Kathryn Erskine. A intenção é levar a maior quantidade de informações sobre o assunto e alertar que a síndrome afeta cada vez mais pessoas.

“O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. As pessoas dizem que não se pode julgar um livro pela capa mas isso não é verdade porque a capa diz exatamente o que tem dentro. E não importa quantas vezes você leia aquele livro as palavras e imagens não mudam. Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. Têm a mesma aparência. Dizem as mesmas palavras. Os gráficos e ilustrações são das mesmas cores.
Livros não são como pessoas. Livros são seguros” – Passarinha (Ed. Valentina – 2013).