Chegamos hoje ao último dia do ano e inevitavelmente sou obrigado a olhar para trás e relembrar tudo que aconteceu ao longo dos últimos doze meses. Entre coisas boas e outras nem tanto, este ano me dediquei a leitura de 67 livros (um número muito inferior ao do ano anterior) e, como de costume, não poderia deixar de apresentar uma nova edição do Destaques Literários, que mais uma vez revela o que de melhor foi lido e resenhado da literatura nacional e internacional ao longo do ano que está chegando ao fim.

Como se apaixonar, Cecelia Ahern, tradução de Bárbara Menezes de Azevedo Belamoglie, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2015, 352 páginas.
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Depois de não conseguir evitar que um homem acabasse com a própria vida, Christine passa a refletir sobre o quanto é importante ser feliz. Por isso desiste de seu casamento sem amor e aplica as técnicas aprendidas em livros de autoajuda para viver melhor.

Adam, por sua vez, está enfrentando uma série de problemas e a única saída que encontra para solucioná-los é acabar com sua vida. Mas Christine aparece para transformar sua existência. Ela tem duas semanas para fazer com que Adam reveja seus conceitos de felicidade. Quem sabe assim ela consegue ajudá-lo a desistir de sua decisão o fazendo se apaixonar pela própria vida.

“Respirei fundo na tentativa de desacelerar meu coração. Os gritos dele estavam me deixando tão em pânico que eu não conseguia pensar direito. Enfim, houve silêncio. Ele estava parado ali, olhando para mim. Eu tinha que dizer alguma coisa. Alguma coisa compreensiva. Algo que não fosse disparar outra explosão de ira. Eu não aguentaria se ele se machucasse. Não ali, não comigo, nunca” (pág. 118).

Título Original: Love, Rosie
Diretor: Christian Ditter
Duração: 102 minutos
Baseado: Simplesmente Acontece, de Cecelia Ahern
Estreia: 05 de março de 2015
Os jovens britânicos Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin) são amigos inseparáveis desde a infância, experimentando juntos as dificuldades amorosas, familiares e escolares. Embora exista uma atração entre eles, os dois mantêm a amizade acima de tudo. Um dia, Alex decide aceitar um convite para estudar medicina em Harvard, nos Estados Unidos. A distância entre eles faz com que nasçam os primeiros segredos, enquanto cada um encontra outros namorados e namoradas. Mas o destino continua atraindo Rosie e Alex um ao outro.

Ao adaptar uma obra literária para o cinema, a certeza de que o estilo narrativo será perdido completamente é quase que inevitável. Em alguns casos isso é ainda mais evidente, como em Simplesmente Acontece. Na obra de Cecelia Ahern, a autora conta a história de Rosie através de um romance epistolar e um estilo muito particular, que seria impossível de ser utilizado em um filme, obrigando que acontecessem mudanças drásticas.

Simplesmente Acontece, do diretor Christian Ditter, não apenas mudou a característica da narrativa, como obviamente aconteceria, como também o próprio gênero, sem que isso alterasse a essência da história criada por Ahern. Embora no livro situações engraçadas aconteçam com rara frequência, em uma verdadeira comédia dramática, a sua intenção não é simplesmente causar risos, diferente de sua adaptação, uma comédia romântica bem ao estilo do cinema inglês.

Simplesmente Acontece, Cecelia Ahern, tradução de Amanda Moura e Ivar Panazzolo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2014, 448 páginas.
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Rosie e Alex sempre foram muito próximos, mas os acasos da vida acabaram os separando. Morando em continentes diferentes, a chance de a amizade persistir poderia ser mínima, mas sempre houve algo mágico entre eles e isso jamais se perderia.

Não apenas a distância acabou atrapalhando o relacionamento entre eles. As escolhas pensadas ou inesperadas contribuíram para ficarem distantes, mas uma hora Rosie e Alex percebem o verdadeiro sentimento que existe em seus corações. Eles só precisam descobrir se isso é suficiente para apostar todas as fichas e correr o risco de transformar a amizade em um amor para toda a vida.

“Fiquei com o coração despedaçado quando vi a mulher que amo se virando, se afastando de mim para subir ao altar com outro homem, aquele com quem ela escolheu passar a vida inteira. Foi como se eu tivesse recebido a sentença de prisão — os anos se passando diante de mim sem que eu fosse capaz de dizer a você como eu me sinto, nem abraçá-la da forma como eu queria” (pág. 143).

O Presente, Cecelia Ahern, tradução de Ivar Panazollo Júnior, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 320 páginas.
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Ainda que o Natal esteja chegando, Lou Suffern continua sendo um homem muito ocupado que precisa sempre estar em dois lugares ao mesmo tempo para resolver todos os seus compromissos, sobretudo profissionais. É na correria do dia a dia que Lou conhece Gabe, um misterioso morador de rua que está do lado de fora do edifício em que ele trabalha. Esse encontro marca apenas o início da nova vida de Lou.

Por todas as informações que Lou consegue em uma breve conversa com Gabe, ele resolve lhe oferecer um emprego, sem imaginar que a presença do morador de rua iria perturbá-lo. O executivo não demora a perceber que aparentemente Gabe está sempre em dois lugares ao mesmo tempo e isso contribui para que Lou passe a conhecer a si próprio. Mas isso é apenas o início.

“Não sabia que era impossível dizer à vida quando ele estaria pronto para aprender, e a vida estava lhe dizendo que estava preparada para ensinar. Ele não sabia que não era o caso de apertar alguns botões e, repentinamente, saber de tudo; não sabia que os botões a serem apertados estavam nele mesmo” (pág. 155).