Desde o dia 18 de setembro de 2014 que a minha vida literária não é mais a mesma. Mais de um ano se passou, mas ainda me lembro muito bem de como a leitura de Proibido mexeu com o meu psicológico de uma forma que nenhuma outra obra conseguiu ao longo de todos esses anos me dedicando religiosamente à mágica arte da leitura. Não por menos afirmo, em quase todas as conversas literárias, que o grande sucesso de Tabitha Suzuma é o melhor livro lido em toda a minha vida!

Essa obra se tornou tão especial que desde então tenho como missão presentear todas as pessoas por quem tenho um carinho com um exemplar do livro. Essa missão não é apenas pelo livro, isso é apenas um detalhe. O que quero é que todas as pessoas próximas tenham suas vidas mudadas com a delicadeza de uma história que ultrapassa os limites das páginas de um livro.

Não por menos é um prazer enorme divulgar abaixo uma entrevista com Tabitha Suzuma, realizada pela editora Valentina e os blogs Lendo e Esmaltando, Perdidas na Biblioteca e My Queen Side, para a Semana Proibido, que aconteceu de 26 a 30 de outubro. Está imperdível!

O primeiro passo talvez seja sempre o mais complicado, mas felizmente nem todos cometem erros que podem prejudicar o início de uma vida artística de futuro. Alguns podem até começar sem muita pretensão, em lugares mais baixos, o que não significa que seriam incapazes de transformar isso em experiência e principalmente em conquistas. Com um talento inquestionável, desde o seu primeiro passo Lívia Fiedler, autora de A Guardiã do Fogo, deixou claro que é questão de tempo até alcançar seu objetivo e, por isso, é preciso desde já estar De Olho Nela:
Lívia, primeiramente gostaria de agradecê-la pela confiança depositada no blog Over Shock. Minha admiração por seu trabalho iniciou ainda na leitura do primeiro conto e apenas cresceu ao conhecer outros textos de sua autoria, por isso é um prazer enorme entrevistá-la. Mas, antes disso, conte um pouco mais sobre quem é a escritora Lívia Fiedler.
Sou paulistana, criada no litoral, estudante de psicologia, tenho 22 anos, 1,73m e do signo de leão (risos).
Eu já tinha livros na minha mão bem antes de saber ler. O meu preferido era uma enciclopédia de animais que eu passava horas olhando. Li muito conforme fui crescendo e sempre fui uma pessoa muito criativa. Com 15 anos, descobri que escrever era tão divertido quanto ler, e muito do meu jeito de escrever “A Guardiã do Fogo” foi influenciado por como eu narrava os jogos de RPG com meus amigos. Escrever foi e ainda é a minha fuga da realidade, e meu jeito de contar todas as histórias que tenho guardadas só para mim.
Muitos dos personagens do livro foram baseados nos meus amigos, meu jeito de agradecer o apoio deles no início da minha jornada foi eternizá-los.
Sofri influências das coisas que mais adoro fazer como jogar, ler e assistir séries, filmes, animes e doramas, e consigo percebê-las na maior parte do tempo quando passo isso para os meus textos. Do mesmo jeito que passo experiências pessoais.
O importante para mim é contar histórias novas para quem quer viver novos mundos. Pretendo escrever livros até ficar velhinha, como também pretendo viver só da minha escrita no futuro. Esse é meu maior sonho, viver daquilo que amo fazer.

Antes de lançar o seu primeiro romance, você teve textos publicados em algumas antologias. Existe algum tipo de vantagem em iniciar uma carreira literária com esse tipo de publicação?
Sim, porque fiz amizades e contatos que provavelmente não faria se tivesse publicado direto “A Guardiã do Fogo”. Fora que foi uma dessas amizades que me ajudou a fazer a sinopse do meu romance e sou eternamente grata a essa pessoa. E a experiência é maravilhosa, os autores das antologias foram muito simpáticos. Ter um lançamento em um evento como o “Livros em Pauta”, com tantas pessoas te pedindo autógrafo, dá uma inflada na confiança. Se eu não tivesse publicado nessas antologias, provavelmente ainda não teria publicado meu romance.

O que você perguntaria ao seu personagem favorito caso tivesse essa oportunidade? Pensando no desejo da maioria dos fãs da trilogia Incarnate, a editora Valentina realizou uma entrevista especial com Jodi Meadows, autora da trilogia, e também com três importantes personagens que apareceram pela primeira vez com o livro Almanova. Com o apoio de blogs parceiros, que enviaram suas perguntas, a editora começa a aquecer os leitores brasileiros para o futuro lançamento da continuação, “Almanegra”.

Jodi Meadows
Oh My Dog Estol Com Bigods - Quando você começou a escrever a trilogia Incarnate, ela sempre foi uma trilogia? Você já sabia toda a história antes de começar ou ela foi surgindo à medida que você ia escrevendo? Você mudou alguma coisa depois que os fãs leram o primeiro livro?
Jodi Meadows - Eu sempre soube que seria uma trilogia. Antes de começar a escrever Almanova, eu escrevi a sinopse... que se transformou em três sinopses, logo três livros. E por causa dessas sinopses eu já tinha uma linha da história para seguir. Mas uma coisa bem significativa foi mudada depois que terminei de escrever o livro 1. (Só que eu não vou contar o que mudou, é segredo!). Mas não foi porque alguém comentou sobre isso, mas sim porque eu percebi que a forma original não era a melhor para a história.

Você acredita em reencarnação? E em alma gêmea? Já encontrou a sua nesta vida?
Jodi Meadows - Reencarnação não faz parte das minhas crenças, mas eu acho fascinante. Quando minha irmã e eu éramos mais novas costumávamos brincar de faz de conta, onde nesse mundo éramos princesas reencarnadas originárias de um mundo ficcional.
Quanto a almas gêmeas – talvez. Eu sou muito feliz casada!

Qual a sua relação com a música? Você toca algum instrumento?
Jodi Meadows - Eu sempre me senti muito conectada com a música, desde bem jovem. Com 11 anos eu aprendi a tocar flauta. Eu era boa nisso!

Existe alguma característica sua que você exportou para um personagem de Almanova? Se sim, qual personagem e característica?
Jodi Meadows - Eu não coloco minhas características específicas nos meus personagens, porém nós temos algumas similaridades. Eu e Ana frequentemente nos sentimos inseguras sobre as coisas que amamos, enquanto eu e Sam somos vistos como amigos de boa índole, sempre presentes para ajudar.

Que atire a primeira pedra o escritor que nunca começou a escrever uma história, imaginando que não passaria de um simples conto, e no fim se deparou com um romance pronto para ser publicado. Estamos De Olho em um escritor que passou por isso quando escreveu Terras Metálicas, seu primeiro livro, mas antes disso muitas coisas foram necessárias desde o momento em que conheceu o trabalho de André Vianco e disse: “Se ele pode, eu também posso”. Diferente do imaginado por Renato C. Nonato, o caminho foi longo, porém hoje ele pode afirmar que foi capaz de escrever uma história original.
Over Shock – Renato, muito obrigado pela confiança e por acreditar no trabalho realizado pelo blog Over Shock nessa parceria formada em 2013. Apesar de muitos leitores já conhecerem o seu trabalho, gostaria que você iniciasse esse bate-papo comentando sobre quem é o escritor Renato C. Nonato.
Renato C. Nonato – Sempre é a pergunta mais difícil para ser respondida, pois sou péssimo para falar de mim. Acho que eu sou um pouco de tudo, atualmente curso doutorado em engenharia química na Unicamp, tenho uma paixão por livros e por artes marciais.

Apesar de escrever como hobby desde os 16 anos, você se formou em Engenharia Química. Em algum momento, no entanto, você pensou em fazer apenas algo da área que mais tarde atuaria com a publicação de seu primeiro livro?
Eu sempre prezei a multi-disciplinaridade, acho que para alguém ser bom em uma determinada área não adianta simplesmente mergulhar na área em questão e esquecer do resto do mundo, afinal todas as coisas estão interligadas. Minha graduação ajudou muito enquanto escrevia Terras Metálicas, todas as minhas experiências anteriores também. Acho que se vivesse bitolado acabaria ficando louco!

Quase Acaso e Suicídios em Bom Jesus são dois livros bem diferentes em todos os sentidos, mas ambos levam o leitor a uma inevitável reflexão sobre a vida, o sistema e o homem de um modo geral. O autor dos dois livros inclusive possui uma característica natural da vida literária, que é o uso de seus próprios ideais, ainda que superficialmente, ao contar uma história. Coincidentemente sua carreira também teve início de forma semelhante à de muitos outros escritores: após o incentivo de uma pessoa próxima. Ainda que esteja apenas começando, André Tressoldi tem muito que falar sobre seus livros, seu estilo literário e sobre o futuro de sua carreira, por isso é que estamos De Olho Nele:
Over Shock – Olá, André! Desde o nosso primeiro contato comentei sobre uma futura entrevista que gostaria de realizar, por isso posso dizer que ter essa oportunidade é algo realmente muito bacana e espero, com a entrevista a seguir, apresentar um novo lado de André Tressoldi para os leitores.
Antes de iniciar esse bate-papo, conte um pouco sobre quem é André Tressoldi.
André Tressoldi – Primeiro quero parabenizá-lo com a seriedade e a qualidade de seu blog. Quanto a mim, considero-me uma pessoa simples, sempre disposto a aprender e dar o devido crédito a críticas construtivas.

Você começou a escrever apenas em 2010 e dois anos mais tarde já havia publicado os primeiros livros. O que te levou a se dedicar a literatura? Você já havia planejado algo anteriormente?
Na verdade, sempre senti atração pela literatura e pensava em escrever, no entanto, parecia algo distante da minha realidade, por isso não planejei nada com antecedência. Mas, em 2010, pelos corredores da faculdade de letras, vi um cartaz de um concurso literário. Fiquei animado e decidi tentar escrever um conto. Depois de escrito passei o original para uma grande amiga lê-lo. Esta disse que gostou muito, de modo que eu deveria continuar escrevendo. Foi o que fiz a partir daí.

A dramaturgia e a literatura são duas artes que possuem uma relação muito próxima e já nos apresentaram verdadeiros e inesquecíveis gênios. Ao conhecer um artista em uma dessas artes, fica impossível não desejar ver como ele se sai com outro tipo de trabalho. Isso aconteceu com Germano Pereira. O primeiro contato foi com a novela Passione (2010), porém mais tarde a grande surpresa surgiu ao descobrir que Germano era também um escritor reconhecido com o Prêmio Jabuti, mais importante premiação da literatura brasileira. Iniciar a leitura do thriller Príncipe da Noite – Sete Mulheres e Meia foi questão de tempo, assim como ficar De Olho Nele para que mostrasse a eterna relação das já citadas artes.
Over Shock – Olá, Germano. Assim como muitos outros leitores, conheci seu trabalho através da televisão, mas foi também o gênero de seu livro que chamou a atenção tão logo a Novo Conceito anunciou o seu nome durante a última Bienal do Rio. Sendo assim, é um prazer enorme ter a oportunidade de entrevistá-lo e gostaria que você falasse um pouco sobre o ator e escritor Germano Pereira.
Germano Pereira – Olá, Ricardo e leitores. É um prazer poder falar sobre o meu trabalho literário, embora não possa deixar de lado o da atuação. Na minha vida os dois segmentos andam juntos. Creio que o que me ajudou muito a escrever foi o teatro e a filosofia. Sempre retorno aos clássicos, como ponto de referência. Não se pode escrever se você não é um leitor voraz, e principalmente detalhista. Detalhista no sentido de entender os ritmos de cada discurso. Não posso ler um tratado fenomenológico de Sartre, como o Ser e o Nada, na mesma velocidade que uma obra “mamão com açúcar”, que também é importante, embora sua estrutura seja mais óbvia, direta e simples, o que não quer dizer que não seja profunda. A profundidade pode estar na simplicidade, assim como na complexidade. Quando escrevo não faço uma divisão daquele que é o escritor dentro de mim e daquele que é o ator. Embora enquanto representação esses dois mundos sejam muito diversos. Uso minhas técnicas de interpretação para checar a musicalidade da fala de um personagem, em uma determinada cena que escrevi, por exemplo. Dentre inúmeras outras facetas. E muitas vezes quando atuo escrevo uma partitura invisível para eu, enquanto ator, chegar a determinado fim. O verdadeiro ator, aquele mais teatral ou autoral, e essa palavra é muito importante, escreve através da alma, não é simplesmente uma réplica de falas; ele é autêntico. Assim como o escritor é aquele que tem a escuta mágica de seu mundo imaginário. Enfim, tento no fundo transitar entre esses dois mundos que tem vários pontos em comum, outros nem tanto.

Você acredita que a experiência de atuação te dá uma visão diferente de uma história enquanto a escreve para o teatro ou a literatura?
Acredito piamente que a atuação proporcione essa potencialidade na escrita. Novos escritores devem procurar o teatro em qualquer âmbito (direção, atuação, e dramaturgia) para exercitar novas formas de criação. Tem um personagem no meu livro Príncipe da Noite – Sete Mulheres e Meia, a Chloé, que é uma extensão de um texto teatral surrealista que escrevi a 15 anos, readaptado. Quem estudou interpretação no mínimo tem que entender as questões que Stanislavisky propunha em seu método de criação de um personagem, objetivo e super objetivo. E isso nada mais é que a Jornada de Um Herói de Campbell, e a Jornada de Um Escritor de Vogler. Então, entender o processo de atuação no sentido individual e macro da narrativa ajuda com certeza a dar essa visão diferente da história. Diria que tudo isso coloca você num ponto de vista privilegiado.

Muita coisa aconteceu desde o primeiro contato com seu trabalho. Ainda naquela época acompanhava suas divulgações, que pouco a pouco, de postagem em postagem, buscava apresentar seus textos, seus projetos e seus amigos de um modo geral. Inúmeras foram as notificações e conversas sobre literatura, que renderam um projeto em parceria e uma amizade literária, mostrando que a união pode fazer a diferença; tornando a literatura nacional cada vez mais bela e com opções para todos os leitores desse país continental. Antes o trabalho de Cláudio Quirino chamava a atenção por ser do gênero mais adorado, porém posteriormente isso pouco importou, já que a qualidade de sua escrita encantou mesmo em um gênero que evitava. Agora estamos De Olho Nele e vamos entender o que o levou a escrever um gênero diferente, publicando o chick-lit Um Novo Amor à Vista, e quais são seus projetos futuros:
Over Shock – Muito obrigado por conceder essa entrevista, Cláudio. Após acompanhar seu trabalho por tanto tempo, é um prazer enorme entrevistá-lo para falar um pouco sobre essa importante fase de sua carreira literária.
Para iniciar, gostaria que você comentasse sobre os livros “Como Amar em uma Semana” e o grande lançamento “Um Novo Amor à Vista”.
Cláudio Quirino – Esses dois livros, em especial, marcam uma transição literária bastante interessante na minha carreira como escritor, porque não envolvem nenhum dos elementos com que estou habitualmente acostumado. É complicado escrever romances ou um chick-lit moderno, quando a sua veia explode e o coração clama por crimes, assassinatos e personagens mais intensos (sou um autor policial, que associa a isso elementos paranormais e misteriosos) e você imediatamente compreende que é possível enfrentar esses desafios de mudar o gênero. Mas não é uma tarefa fácil, embora seja divertida, pois o hábito de lidar com certos gêneros requer uma habilidade e dedicação e, muitas vezes, estamos meio desconcentrados dessa realidade. Como amar em uma semana e Um novo amor à vista são livros que exemplificam isso, que revelam um desejo particular meu de agradecer o carinho e o empenho de muitos outros leitores que não curtem muito o gênero policial mais denso. E, sem que eu sequer imaginasse, acabaram se tornando grandes presentes e estão conquistando um número considerável e surpreendente de leitores e de críticas. Estou muito feliz e agora entendo que precisamos abrir mão de certas coisas para motivar e inspirar os nossos leitores.

Você é um escritor policial, como já declarou em mais de uma oportunidade, mas no início desse ano está publicando dois livros de gêneros diferentes. O que te levou a se arriscar em outros gêneros literários e por que o drama/chicklit?
Como eu acentuei, não foi um trabalho simples. Pelo contrário, pesquisei um pouco mais sobre essas realidades, li muito, entrevistei, observei criticamente falando, enfim, todo o processo de construção dos livros foi um pouco trabalhoso, mas compensou os meses de pura e completa entrega aos personagens e dramas, principalmente as noites mal dormidas. O fato de ter a ideia de se distanciar do gênero policial, por um instante, partiu do princípio de que, se você é um autor que ama o que faz e admira o entusiasmo que os seus leitores dedicam às suas histórias, o melhor a fazer é sempre enveredar por novos horizontes e aceitar isso como um grande desafio ou uma tarefa divertida. Sou desses autores estreantes que adora surpreender com uma novidade, escrever sobre assuntos diversos – o que melhora exponencialmente o currículo e amplia as minhas possibilidades no mercado literário – e ouvir muito a opinião dos leitores. Para mim, eles são sempre especiais, incríveis e minha maior fonte de inspiração.

O último ano foi muito especial para a escritora Josy Stoque, que presenteou seus leitores com várias histórias publicadas digitalmente. Mas a escritora também recebeu seu próprio presente quando teve a maior conquista de sua carreira literária até então: a publicação de sua principal saga em inglês, o que deve acontecer já nos próximos meses. Em entrevista realizada em dezembro para a publicação de uma matéria especial, a escritora contou o que sentiu ao ter essa conquista tão importante para a literatura brasileira e também revelou novidades sobre seu próximo lançamento, que acontecerá no dia 19 de fevereiro – quando a escritora completa mais um ano de vida.

Over Shock – Josy, primeiramente muito obrigado por mais uma vez conceder uma entrevista ao Over Shock e por toda a atenção dada ao longo dos últimos anos.
Antes da publicação de “Marcada a Fogo” você imaginava que sua carreira ganharia novos capítulos em um tempo relativamente curto?
Josy Stoque – Obrigada, Ricardo, pela oportunidade de falar um pouco sobre esta carreira tão almejada. Quando a gente entra no meio literário, tem muitos sonhos com ele. Depois que enfrentamos dificuldades, percebemos que estávamos iludidos e o quão complicado realmente é para alcançar. Mas a perseverança é uma virtude minha, ou defeito, porque sei ser teimosa. Passei por maus momentos, admito, mas estou muito feliz pela reviravolta que minha carreira teve três anos depois, devido a decisões instintivas que tomei. Não me arrependo de nada, nem da dor, nem dos desafios, porque as alegrias são, sem dúvidas, compensadoras. Estou muito feliz!

Para conseguir todas as suas conquistas você precisou batalhar muito e quem acompanha a sua carreira viu isso de perto. Mas além do trabalho, o que você acha que te levou a essas conquistas?
Nunca desistir, mas acima de tudo, acredito que talento, sem ele, não teria sido lida pela gigante Amazon e selecionada em uma triagem para ser traduzida para o inglês. Não sou uma escritora perfeita, tenho minhas falhas, mas sempre busquei apresentar um trabalho de qualidade, sendo minha primeira crítica (ferrenha, diga-se de passagem) e não publicando uma obra de qualquer jeito. Sou uma boa ouvindo de críticas construtivas, quero aprender mais e mais, e me desafiar, porque isso vai me tornar uma escritora cada vez melhor.

O ano de 2013 foi de muitas surpresas aos seus leitores, que tiveram a oportunidade de conhecer “Estrela – Em Busca do Amor Eterno”, “Levanta, princesa, a abóbora virou carruagem”, “Insensatez”, “Ilha de Ar” e “Universo de Água”. O que você pode falar sobre cada um desses livros?
Os dois últimos volumes da série era meu sonho publicar e a Amazon me proporcionou uma publicação rápida e um retorno maravilhoso dos leitores que chegaram ao final da saga. Como eu estava ansiosa! Seguindo a mesma linha dos dois primeiros, porém, com uma pegava mais decisiva, Ilha de Ar e Universo de Água são, sem dúvida, os melhores volumes da série Os Qu4tro Elementos e eu estou muito feliz pelos leitores também terem gostado da originalidade da obra quanto eu gostei de ter escrito. O box impresso sai completinho em 2014, com as capas novas e de forma independente como agora assumi minha carreira. Insensatez é um romance new adult, com uma pegada hot bem explosiva. É um romance do qual eu e a Gisele Galindo estamos falando há um ano e, depois da decepção de não ter nenhuma resposta de editoras, decidimos publicar na Amazon em eBook e o livro foi um tremendo sucesso, figurando entre os mais vendidos da categoria no site por vários meses, validando toda a emoção e loucura que foi para nós escrevê-lo em apenas três semanas insensatas. E Estrela – Em Busca do Amor Eterno é um romance épico, no qual reuni um amor proibido, mitologia grega e um cenário criado especialmente para a obra. É uma história que está na minha mente antes de concluir a escrita da série, que só tive oportunidade de escrever ano passado e conclui apenas neste ano, porque foi muito difícil para mim escrevê-lo, porque escolhi uma narrativa poética que exigiu de mim muito cuidado na escolha das frases, das falas e das descrições de cenário. Assim como a série, é cheia de analogias, porém tem mais profundidade, tudo embasado em significado e um amor tão profundo que toda vez que releio fico emocionada.

Além disso, você já anunciou que seu próximo trabalho, “Puro Êxtase”, será lançado oficialmente em fevereiro. Você pode adiantar alguma coisa em relação a esse novo livro?
Estou doida para falar dele. (risos) É um romance erótico com uma pegada libertadora e totalmente diferente dos livros que estão no mercado. O foco deste romance é o amor próprio, a autoaceitação e o autoconhecimento, que também implica em desvendar o próprio corpo, a própria sexualidade e fantasias. Sara Mello descobre, após trinta anos, que estava buscando a felicidade no lugar errado. Ela passa por um processo doloroso, com uma dose de revolta, para descobrir onde está sua felicidade. E também passa por uma fase de experiências sexuais intensas que a leva a conhecer pessoas e elas vão mostrar a Sara muito mais sobre si mesma. Coisas que ela não enxergava quando olhava no espelho.

Todo leitor possui suas particularidades e, se fosse preciso escolher algo comum entre todos, seria possível dizer a imaginação. Mesmo que nem todos se aventurem a escrever suas próprias histórias, todos concluem uma leitura imaginando quais caminhos os personagens poderiam percorrer após o último ponto final. Para Vera Lúcia Cervi Mattei, o costume de pensar “em novos caminhos” para os personagens contribuiu para se tornar mais crítica e consequentemente surgir a ideia da escrita de Arthannya. Exatamente para saber mais sobre esse romance, que relata a existência de vida em outros planetas com a mesma intensidade que transmite a emoção de uma verdadeira história de amor, que estamos De Olho Nela.
Over Shock – Olá, Vera! Como em outras entrevistas, primeiramente gostaria de agradecê-la pela oportunidade dada de realizar a leitura de seu livro e também por conceder essa entrevista. Para iniciar, conte aos leitores um pouco sobre a escritora e fonoaudióloga Vera Lúcia Cervi Mattei.
Vera Lúcia Cervi Mattei – Olá Ricardo! Sou eu que agradeço por esta oportunidade. É muito bom para nós, autores nacionais, poder contar com as parcerias dos blogs literários e com o apoio de todos vocês.
Resumirei um pouquinho de mim. Eu nasci e passei a minha infância e adolescência no interior do estado de São Paulo, em São Joaquim da Barra. Também já morei em outras cidades como Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo e há 14 anos resido em Santo André com meu marido e meus dois filhos. Profissionalmente, sempre atuei na área da saúde como fonoaudióloga.
Apesar de me considerar um pouco inquieta e um tanto ansiosa, procuro estar sempre atenta as oportunidades que aparecem e penso que estas não podem ser desperdiçadas. É sempre muito bom inovar e descobrir que podemos realizar coisas novas e diferentes. Foi pensando assim que Arthannya surgiu em minha vida.

Em sua biografia oficial você diz que a “sua paixão por livros foi o que desencadeou a vontade de escrever seu próprio romance”. Apesar de já existir essa vontade, qual foi o processo escolhido por você para a escrita, publicação e divulgação da obra?
Ao término de cada livro eu costumava pensar em novos caminhos que o autor poderia ter traçado, diferentes finais e acredito que isso contribuiu para me inspirar e me tornar um pouco mais crítica.
Assim que terminei de escrever Arthannya, não tinha muita ideia do que fazer. Então segui os conselhos de alguns familiares e enviei a obra para umas cinco editoras (vale ressaltar que muitas não aceitam originais de autores nacionais e/ou desconhecidos). Cada vez que vinha uma resposta evasiva eu desanimava e por pouco não desisti desse sonho.
Então, soube da Dracaena e resolvi arriscar. E quando Léo Kades entrou em contato comigo e explicou como funcionava todo o processo que ocorre na publicação de um livro, e do seu interesse em Arthannya, eu tive certeza que as coisas dariam certo dali por diante. Não acredito em acaso, mas sim que somos responsáveis pelas nossas conquistas. Estou muito feliz com a maneira como tudo se deu. O resultado está sendo maravilhoso.

A particularidade de Arthannya, apesar de aparentar ser um livro de ficção científica, é o bonito romance envolvendo as personagens Lúcia e Toran. Em algum momento você teve receio do que o leitor acharia da obra caso imaginasse outra temática?
O receio que tive ao fazer essa história nunca foi em relação ao amor envolvendo os personagens, mas sim em relação a resistência (ou medo, talvez) que muitos ainda tem ao se deparar com a mera possibilidade de haver vidas em outros planetas. Infelizmente a palavra alienígena está sempre associada a destruições, ataques aéreos, milhares de mortes e por aí adiante. Pelo menos é dessa forma que grande parte dos filmes e livros de ficção retratam os E.Ts.

A adolescência é uma fase inspiradora. São novas descobertas, novos amores e novas conquistas que acabam contribuindo para o surgimento de novas ideias. Essa também é uma fase em que a pessoa busca formas de se expressar, muitas vezes através das artes, independente de qual seja a escolhida. No caso de Naiane Aline R. C. a literatura foi a escolhida e disso surgiu o livro O Poder Visor, publicado de forma parcialmente independente e lançado oficialmente durante a última edição da Bienal do Livro da Bahia. Mesmo tão jovem, a escritora baiana tem muito que falar e por isso estamos De Olho Nela:
Foto: Reprodução/Facebook
Over Shock - Naiane, como já é costume, gostaria de agradecê-la por se disponibilizar a participar dessa entrevista, realizada com o intuito de mostrar um pouco sobre quem é a escritora Naiane Aline R. C. Sendo assim, para começar, gostaria que você contasse um pouco sobre você, como pessoa e principalmente como escritora.
Naiane Aline R. C. - Olá, Ricardo! Eu que agradeço primeiramente por todo apoio que vem me dando. Bem, não tenho muito para falar sobre mim, rs. Enfim, nasci e moro na capital baiana e tenho 18 anos. Entrei para o curso de jornalismo ainda esse ano e acho que a profissão combina muito com minha própria personalidade: sempre querendo saber de tudo e contar o que sei para os outros, rs. Sou meio calada e ando sempre (sempre mesmo!) com um livro na mão e fones de ouvido tocando Legião Urbana/Cazuza. Entre uma subida de tom na voz do Renato Russo e um solo de guitarra especialmente legal das músicas do Cazuza é que sempre tenho alguma idéia para escrever... Por mais estranho que pareça!

Over Shock - O livro “O Poder Visor” é a sua primeiramente publicação e aconteceu, até certo ponto, de forma precoce. Em que momento você decidiu que publicaria esse livro? Durante a escrita você já imaginava isso acontecendo?
Naiane - Para falar bem a verdade, eu nunca pensei em publicá-lo. Sempre escrevi por hobbie, e comecei muito cedo... Com certeza não imaginava que um dia veria O Poder Visor todo bonitinho impresso, e nas mãos da pessoa que primeiro leu a história, enquanto ainda estava no processo de ser escrita.

Ao iniciar uma carreira literária um escritor precisa ter algo em mente: não será fácil ganhar espaço no competitivo mercado editorial e, mais do que isso, é preciso de muito trabalho de divulgação para não ser apenas mais um. Esse era o pensamento desse escritor, que subiu degrau por degrau rumo a uma publicação por uma editora de qualidade. Isso aconteceu por ele manter os pés no chão e ter o desejo de proporcionar um material de qualidade aos leitores. Talvez o fato de Manoel Flor dos Santos ser uma pessoa simples do interior tenha lhe dado esse tipo de pensamento, que o levou a publicação do livro As Freiras que Só Ouvem Rock, e é devido ao lançamento desse livro que agora estamos De Olho Nele:
Foto: Reprodução/Facebook
Over Shock - Manoel, mais uma vez muito obrigado por firmar essa parceria e proporcionar a leitura de sua obra e essa entrevista, que tem como principal objetivo apresentá-lo, juntamente com o livro, aos leitores do blog Over Shock.
Antes de falar sobre vários assuntos relacionados à sua carreira literária, gostaria que você comentasse um pouco sobre o escritor Manoel Flor dos Santos.
Manoel Flor dos Santos - Eu, Manoel, sou uma pessoa simples, do interior, que acredita na literatura nacional. Sou cheio de ideias e a todo momento tenho a necessidade de colocá-las no papel.  Sou muito apegado à família e apaixonado por plantas.

Over Shock - Você costuma dizer que “para sermos grandes escritores devemos ser grandes leitores”, e sabemos que você tem o hábito da leitura desde a infância. Mas em que momento da sua vida você decidiu que queria publicar um livro? Sabendo das dificuldades que seriam encontradas, em algum momento você pensou em desistir ou adiar essa publicação?
Manoel - Sempre tive a vontade de publicar um livro em alguma oportunidade, mas nunca corri atrás afoito e desesperado. Mesmo se não conseguisse, talvez não me sentiria tão frustrado. Em primeiro plano, eu considero de suma importância o autor conseguir pôr sua obra no papel e ver seu trabalho finalizado, por isso não pensei em desistir ou adiar a publicação. Sei que o mercado editorial do país não se promove à literatura nacional e para quem está iniciando é ainda mais difícil. No entanto, a minha principal meta, era ver o trabalho realizado, feito por uma boa editora, com um trabalho editorial de qualidade. Ver o seu livro com uma bela capa e com uma boa diagramação é indescritível. Eu penso mais no conteúdo final da obra, ao invés de números de vendas.

Foto: Tatiana Holtz/Facebook
Quando a editora Novo Século anunciou os primeiros lançamentos do ano de 2012 o livro O Pássaro chamava a atenção por sua belíssima capa. Escrito pela paulista Samanta Holtz, que estava realizando o sonho de publicar sua primeira obra, O Pássaro não precisou de muito tempo para conquistar os leitores, que até então pouco conheciam do trabalho de Samanta no meio literário. Os primeiros leitores, posteriormente as primeiras avaliações positivas e por fim vários eventos literários davam cada vez mais destaque para a autora, que já no início foi considerada uma grande revelação. O indiscutível sucesso garantiu não apenas a renovação do contrato de Samanta com a editora, como também a publicação de sua segunda obra: o aguardado Quero ser Beth Levitt.

Em entrevista realizada para divulgação de seu novo trabalho, Samanta Holtz comentou sobre as mudanças ocorridas em sua carreira ao longo dos últimos meses e sobre sua inspiração para a escrita de Quero ser Beth Levitt, lançado oficialmente durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Over Shock - Samanta, muito obrigado por conceder essa entrevista para a realização da matéria especial sobre o lançamento de “Quero Ser Beth Levitt”.
Gostaria que você comentasse sobre as mudanças ocorridas nos últimos meses em sua vida profissional. Sabemos que “O Pássaro”, seu primeiro livro, foi publicado no início de 2012 e não foi preciso muito tempo para você conquistar os leitores com a emocionante história publicada na ocasião. Em algum momento você imaginou que seu livro seria tão bem recebido?
Samanta Holtz - Olá, Ricardo! Eu que agradeço a você por ter me convidado para esta entrevista! O carinho e apoio de vocês, meus parceiros e leitores, é tocante!
Eu desejava muito que “O Pássaro” tivesse boa aceitação, porém tinha consciência do quanto o mercado literário é competitivo, bem como da dificuldade de conseguir fazer meu nome se sobressair meio a tantos autores já consagrados e outros talentos que também estavam surgindo e emergindo. Ao mesmo tempo, temia a reação do público com a minha “ousadia” em criar uma história com, digamos, um final não tão clichê (rs). Estava pronta para tudo, desde uma grande aceitação até uma forte resistência dos leitores... e fiquei aliviada quando percebi que, por fim, os elementos “ousados” e arriscados para se usar em um romance de estreia vieram somar como um diferencial positivo para meu livro! Fiquei surpresa com a velocidade com que tantos leitores me conheceram e gostaram do meu trabalho, com a quantidade cada dia maior de pessoas me procurando e lendo ou querendo meu livro. Claro que é apenas o começo, ainda tenho muito a conquistar, porém fiquei feliz em ter vivido primeiros passos tão bem sucedidos com o público! Fiz a minha parte, claro, trabalhando muito na divulgação, indo a eventos, acompanhando o que era publicado a respeito de mim e do meu trabalho e tratando aos meus leitores com todo o carinho e respeito que merecem.

Protagonista de uma bonita história de vida, ele possui experiência em diferentes áreas, nem sempre ligadas à arte. Ao comentar sobre o assunto, ele diz acreditar que isso lhe dá uma “vantagem muito grande” quando escreve suas histórias, já que vivenciou grande parte das experiências descritas em seus textos. Isso também é perceptível quando acompanhamos seu primeiro livro e percebemos uma característica quase rara em seu gênero literário: a complexidade com que aborda algo tão amplo como a literatura policial. Mas isso não basta para resumir o homem e escritor Ivair Antonio Gomes, autor de Morte em Dezembro. Ele tem muito que falar, seja sobre sua paixão pelos livros ou experiências de vida, e é por isso que estamos De Olho Nele:
Foto: Marcelo Bittencourt
Over Shock - Ivair, primeiramente gostaria de agradecê-lo por conceder essa entrevista comentando sobre a sua carreira literária, em especial sobre o livro Morte em Dezembro. Para iniciar esse papo, gostaria que você fizesse um breve comentário contando aos nossos leitores quem é o escritor Ivair Antonio Gomes.
Ivair Antonio Gomes - Sou um cara comum. Prefiro andar a pé que de carro. Sou um desses que andam por aí, com uma mochila nas costas. Na mochila sempre um livro e um caderno para anotações. Gosto de escrever. Não tenho um ídolo, propriamente dito. Talvez meu pai, por sua honestidade e integridade. Comecei a escrever primeiramente poesias, depois parti para os contos e acabei caindo em novelas policiais. Já cheguei a ler mais de 05 livros por mês, mas no momento quando consigo ler um livro por mês me dou por satisfeito. Não tenho gosto nem estilo literário pré-definido. Já li desde grandes clássicos da literatura até os livrinhos de catecismo do Zéfiro. Tive minha fase de ler livros gnósticos, espíritas, esotéricos,  livros de artes marciais, livros de filosofia,  romances e claro livros de espionagem e aventura. Comecei a ler cedo. Aos 05 anos, em 1974, eu já lia. Isso lá nos rincões do Mato Grosso do Sul. Comecei a ler pelos Gibis. Escrevi minhas primeiras letras em papel de pão. Tentando copiar aqueles desenhos que formam palavras que os personagens do gibi “superpoderosas” da antiga EBAL. De um lado as aventuras a “Mulher Maravilha” e do outro “Poderosa Isis”. Sempre adorei Gibis. Sempre chamei de Gibi. O termo HQ eu conheci depois de velho.

Over Shock - Ao se descrever quando firmamos a parceria, você revelou que já trabalhou em várias profissões como boia-fria nas plantações de algodão e amendoim, funileiro, estofador, em um supermercado e como livreiro. Trabalhar em áreas tão distintas ajuda uma pessoa a despertar sua criatividade e se tornar um bom escritor?
Ivair - Sem dúvida nenhuma. Creio que isso me dá uma vantagem muito grande quando escrevo meus contos urbanos. Pois muitas das coisas ali descritas eu vivenciei. Estou colocando isso em um livro que está engavetado. Chamado Contos de Morte.

A diferença entre as pessoas é sentida através da troca de olhares ou de uma conversa, mas principalmente pelo visual. Encontrar uma pessoa com visual diferente do que estamos acostumados já causa um espanto natural, mesmo que não seja um preconceito da nossa parte. Isso pode simplesmente nos adiantar o que é possível encontrar com uma aproximação, seja através de uma conversa ou não. Ao conhecer o estilo peculiar de Gail Carriger, e descobrir que se trata de uma escritora de steampunk, sabemos que suas histórias podem ser divertidas e com um estilo singular. Isso se confirma com a leitura de Alma? e principalmente quando a blogosfera literária fica De Olho Nela:
Memoirs and Books - Você já conhecia ou já trabalhou com o Steampunk antes da série Protetorado da Sombrinha? Utilizou alguma fonte inspiradora para isso?
Gail Carriger - Comecei a ter contato com o steampunk como movimento estético. Há muito tempo sou fã de roupas de época e do estilo gótico, e o steampunk me atraiu por mesclar ambos de um jeito divertido. Também adoro ver tecnologias antigas serem recicladas e transformadas em jóias, e adoro observar os incontáveis exemplos da incrível criatividade das pessoas nos últimos anos.

Saleta de Leitura - No império Britânico os sobrenaturais conviviam em harmonia com os humanos em virtude de regras impostas evitando com isso o ataque e de se alimentarem de humanos. Já para o americano queimava vivo qualquer um que fosse acusado de sobrenatural. O que a levou a colocar os americanos como inimigos em potencial dos britânicos em relação aos sobrenaturais?
Gail Carriger - Quis deixar um possível conflito no ar para os livros seguintes.

Ao longo do último mês de junho, foram realizadas três entrevistas para a elaboração de matérias especiais sobre algumas novidades do mundo literário. Confira abaixo as entrevistas na íntegra:

Autora do livro Pacto Secreto, que ganhou destaque na grande rede nos últimos dois anos, Eliane Quintella lançou nos últimos meses, através do Wattpad, o seu mais novo trabalho literário: Café Forte, uma obra de suspense que conquista o leitor a cada nova página. Em entrevista realizada com exclusividade pelo blog Over Shock, Eliane comenta sobre Café Forte e as diferenças entre os seus dois primeiros trabalhos no meio literário.

Over Shock - Eliane, como surgiu a ideia para a escrita de Café Forte? No início você pensava em escrever algo que envolvesse um tema polêmico, como muitos podem classificar seu primeiro livro, ou apenas um mistério que prendesse o leitor pelos segredos e a personalidade de seus personagens?
Eliane Quintella - Primeiro quero agradecer a você, Ricardo, um amigo muito especial que encontrei nesse mundo virtual e um parceiro querido e dedicado. Pessoas como você me motivam a seguir em frente nessa minha jornada. Obrigada de verdade por todo carinho e dedicação, você é muito especial para mim. Quero também dizer que é uma delícia poder falar pela primeira vez com alguém sobre Café Forte e mais feliz ainda que esse alguém é você!
Agora vamos à entrevista!
A ideia de Café Forte foi muito difícil. Já explico! Bom, eu comecei escrevendo Café Forte com a ideia de escrever um suspense com um quê de sobrenatural apresentando Dora e seu namorado Miguel, e no final o leitor descobriria que a Dora sofria de um transtorno mental. Isso seria a grande descoberta do livro! Depois enfrentei um grande problema... Eu não gosto de enganar ou esconder os fatos do leitor. Eu quero que os fatos estejam ali, mas quero conduzir a história de um jeito que para o leitor a resposta não seja tão óbvia, que eu possa conduzir a história de um jeito que ele possa ter dúvidas. E percebi que se fosse mostrar esses traços da personalidade dela, ficaria muito óbvio que ela era doente e não teria suspense nenhum.... Fiquei em um beco sem saída! O livro que eu tinha imaginado não tinha como ser escrito ou ao menos não poderia ser escrito por mim! Fiquei sem escrever meses...pensando e pensando....Como eu conto a minha história!? Bom, daí eu joguei tudo fora. Não fiz isso uma ou duas vezes, acho que umas quatro vezes, e recomecei do zero. Eu tenho a mania de escrever entrando no cérebro dos meus personagens, principalmente no cérebro dos meu personagem principal, não tem jeito, faço isso... Mas eu não podia entrar no cérebro de Dora, do contrário, entregaria todo suspense. Então, fui escrevendo, entrando no cérebro de Miguel e de outros personagens e expressando alguns sentimentos e pensamentos desses personagens sobre Dora e alguns poucos da própria Dora, mas não todos, é claro. Uau! Isso para mim foi muito difícil, foi a escalada do Everest!  Bem, finalmente consegui, mas achei a história que tinha imaginado chata, achei o suspense sem graça, isso foi lá para o meio do livro, achei que simplesmente descobrir que a Dora tinha um transtorno mental era bobo. Por isso, como escritora jardineira que sou, voltei na história e podei os galhos, arrumei a casa para ficar do jeito que está hoje. No livro final o leitor não sabe se Dora é vítima de um demônio, louca, assassina ou se existe alguém bem real que a persegue!  Bom, e isso só vai descobrir quem ler o livro!
Quanto à polêmica, sabe, Ri, quando eu escrevi Pacto Secreto eu não imaginava que estava escrevendo algo polêmico, eu queria falar sobre o dilema de uma mulher em assinar ou não o Pacto com Satan para salvar quem ela mais amava no mundo, e se alguém vive esse dilema é inevitável que reflita sobre os valores religiosos e se aventure a querer saber o que está do outro lado. Acho que ter essas dúvidas é absolutamente natural para alguém que vive esse tipo de dilema. Curiosamente as pessoas podem criticar e ter opinião sobre tudo, porém vejo que com religião isso é um tabu, não podemos questionar coisas que logo apontam o dedo e fazem cara feia. Bem, eu acho que o escritor é um artista, por isso não pode ficar limitado a esse tipo de coisa, ele deve ser livre para escrever. Se o artista quer agradar o mundo, ele verá que não agradará ninguém, escreverá uma obra insossa e igual a milhares de outras e desagradará quem tanto quis agradar e especialmente desagradará a si mesmo.
Bom, respondendo à sua pergunta eu não tentei criar polêmica com Pacto Secreto, tampouco com Café Forte, só quero contar minha história aos leitores sem filtros. E acho mesmo que Café Forte é um puro livro de suspense, tudo o que eu quis foi realmente fisgar o leitor desde o início.

Se existe um gênero literário capaz de ajudar na formação de uma pessoa certamente é a literatura fantástica, que independente do livro e da história, consegue passar uma bonita mensagem ao tratar, de maneira singular, as fantasias guardadas em um canto fechado da mente de um leitor ou do próprio escritor. E o que pode ser mais importante do que o amor e a amizade? Em uma aventura simples e destinada principalmente aos jovens, a autora de Línguas de Fogo quis mostrar ao leitor que, para salvar um amigo, se deve ultrapassar as barreiras, porque no final, o sentimento de vitória pode provar o valor de uma verdadeira amizade. E para entender melhor sua grande preocupação em criar aventuras capazes de entreter e ensinar, a partir de agora estamos De Olho na escritora, publicitária, ilustradora e empresária (recém-casada) Karen Soarele:
Over Shock - Karen, após acompanhar seu trabalho por quase um ano, é um prazer finalmente ter tido a oportunidade de ler sua obra e agora realizar essa entrevista, que espero agradar você e a todos os leitores do blog Over Shock. Para iniciar nosso papo, fale um pouco sobre a escritora e publicitária paranaense, Karen Soarele.
Karen Soarele - Oi, Ricardo! Puxa, esse foi um ano em que muita coisa aconteceu! Foi muito bom ter o seu apoio em todas as etapas da minha “jornada de escritora”.
Bom, o que falar sobre a Karen Soarele? Como você já disse, eu sou paranaense, mas hoje moro em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Sou uma pessoa que gosta de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Sou publicitária, escritora, ilustradora e empresária. Os dois últimos é porque, no dia a dia, eu trabalho como ilustradora de revistas infantis. O horário em que escrevo é à noite, ou nos fins de semana. Além disso, sou aluna especial no mestrado em Letras. Sou uma pessoa muito empolgada, trabalhadora (pra não dizer workaholic), um pouco calada, perfeccionista e, acima de tudo, apaixonada pelo que faz.

Over Shock - Além de escritora você possui uma empresa (Panda Vermelho) que realiza, entre outras coisas, desenhos para revistas infantis e campanhas publicitárias. Como você divide o tempo entre a escrita e as ilustrações? Uma arte acaba influenciando a outra?
Karen - Apesar de fazer muitas coisas, tudo o que eu faço é entrelaçado. A ilustração influencia no texto, que influencia no meu estudo, que influencia na vida pessoal, e por aí vai. Mas pra que tudo isso funcione, eu precisei organizar o meu tempo. Eu trabalho como ilustradora de manhã e à tarde, menos na terça-feira, que é quando frequento a aula de mestrado. Escrevo sempre que não estou trabalhando, como à noite, no fim de semana e feriados. De vez em quando, escrevo até na hora do almoço! Exceto quando meu marido me dá uma bronca e manda eu dar atenção a ele! Hahaha...

É possível um escritor que explora a cultura pop, mas que na verdade sabe muito pouco sobre o assunto? Na teoria não, porém na praticamente isso é mais do que possível, principalmente quando se é um professor que convive diariamente com os jovens e usa dessa experiência para criar um mundo paralelo; um mundo de fantasia capaz de proporcionar entretenimento, com uma pitada de humor em personagens sexys e descontraídos. Nicole Peeler, autora da série O Estranho Mundo de Jane True, soube fazer isso em Garota Tempestade, livro lançado no Brasil pela editora Valentina no início do ano, e agora mata a curiosidade dos leitores brasileiros, que estão De Olho Nela:
Fernanda Cagno (Brilho das Estrelas) - O que te fez querer ser uma escritora?
Nicole Peeler - Eu fui inspirada pela Sookie Stackhouse, escrita pela Charlaine Harris. Li no avião e pensei “Posso fazer isso.” Quando voltei para casa, criei a Jane. Foi bem louco. Seis meses depois eu já tinha um agente, e logo após tínhamos vendido nosso primeiro livro.

Rosana Gutierrez (Livrólogos) - Como é o seu processo criativo? Você tem alguma metodologia? Prefere escrever ouvindo música, por exemplo? Ou você deve parar tudo e só escrever?
Peeler - Minha única metodologia real é que tenho um deadline, um prazo de entrega. Faço um plano detalhado antes de escrever, mas tudo acaba sendo feito na adrenalina do último minuto, já que meu dia é bem ocupado, sendo professora e autora.

Criaturas fantásticas dominam o mundo de A Saga de Mitrax e buscam por magia e poder se enfrentando em uma guerra criada pela mente, vejam só vocês, de um físico. Um físico que deu um sentido maior para a frase “de gênio e louco todo mundo tem um pouco”, já que usou de sua genialidade e inteligência para criar uma história que envolveu filosofia, mitologia, magia, física, ação, humor, e claro, loucura; muita loucura em uma mistura de Harry Potter, O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Gelo e Fogo. E se você pensa que Sérgio Roberto de Paulo, que estreou no mercado editorial com A Grande Rainha (Resenha), está satisfeito com apenas o primeiro livro, você está muito enganado e por isso não só pode como deve ficar De Olho Nele:
Over Shock - Sérgio, gostaria de agradecer pela confiança no trabalho realizado pelo blog Over Shock e por conceder essa entrevista com exclusividade. Para iniciar o nosso papo, conte para os leitores quem é o escritor Sérgio Roberto de Paulo.
Sérgio Roberto de Paulo - Bem, sou um professor universitário. Trabalho no Instituto de Fisica da Universidade Federal de Mato Grosso. Dou aulas de Física e adoro fazer isso. Atualmente pesquiso sobre o Ensino de Física e sobre Física Ambiental. Tenho uma esposa, que é minha colega profissional, e duas filhas.

Over Shock - Em que momento de sua vida você descobriu o prazer da leitura e da escrita?
Sérgio - Bastante cedo, pelo que me lembro. Talvez lá pelos 12 ou 13. Li muito dos clássicos até os vinte anos, como A Ilíada e o Fausto de Goethe. Comecei a escrever aos 15. Escrevi muito até vinte e poucos anos, depois parei para me dedicar à vida profissional. Assim, fiquei mais que vinte anos sem escrever ficção até que retomei, há uns três anos, quando a Saga de Mitrax praticamente explodiu de meu interior e me fez passear os dedos pelo teclado.

Ao iniciar uma vida profissional, poucas vezes imaginamos ser possível ouvir um chamado especial para seguir por um novo caminho, em uma área completamente diferente da qual escolhemos para seguir. Mas esse chamado existe e também pode ser motivo de felicidade quando acontece, principalmente quando, de alguma forma, as duas áreas se casam perfeitamente e rendem trabalhos apreciados por terceiros. Dependendo da situação, somos obrigados a dividir o tempo, e as pessoas em nossa volta precisam compreender que o tempo livre é usado para trabalhos que podem gerar bons frutos no futuro. Nesse mês conhecemos um escritor potiguar que divide seu tempo entre a literatura e a medicina, mas que diz se sentir feliz por ter aceitado o chamado e escrito seus livros, incluindo Presságio: O Assassinato da Freira Nua (Resenha) e O Maníaco do Circo e o Menino que Tinha Medo de Palhaços (Resenha), por isso agora estamos De Olho em Leonardo Barros:
Lançamento de Presságio: O Assassinato da Freira Nua - Foto Facebook
Over Shock - Leonardo Barros, obrigado pela parceria e por conceder essa entrevista ao blog Over Shock. Antes de iniciar nosso papo, conte aos leitores quem é o escritor e médico Leonardo de Souza Barros.
Leonardo Barros - Um médico que ouviu o chamado da literatura, mergulhou de cabeça, sem medo, e hoje se sente muito feliz em ter feito isso.
Agradeço a você, Ricardo, por mais uma oportunidade de divulgação no site Over Shock.

Over Shock - Antes de publicar seu mais recente trabalho, Presságio – O Assassinato da Freira Nua, você lançou um romance erótico, um policial e duas comédias. Quais foram as principais diferenças encontradas na hora de elaborar histórias de gêneros tão distintos?
Leonardo - Creio que todo escritor se sente mais à vontade em trabalhar com o gênero que mais aprecia. Talvez a diversidade de gêneros dos meus livros seja produto da variedade dos gêneros de ficção que consumo. Mas existem diferenças imensas entre os métodos necessários à produção de gêneros distintos.
Quando trabalho com suspense, gosto de antever as viradas e os desfechos desde o começo da história. O resumo de uma obra de suspense é, para mim, sua peça fundamental. Passei mais de um mês escrevendo e reescrevendo o resumo do Presságio.
Já as comédias têm um ritmo diferente. Fiz resumos mais simples e não me sentia apto a escrever todos os dias. Os maiores empecilhos à produção de uma boa comédia são, em meu ver, o ritmo (que seria a intercalação entre textos informativos e textos cômicos) e o humor do autor. Pois é... É impossível escrever algo engraçado quando se está de mau-humor.

Algumas vezes, sonhar não basta. É necessário também persistir no sonho, enfrentar de cabeça erguida todas as adversidades, e quando alcançar os objetivos, bater no peito e dizer que conseguiu. Certas lembranças, sejam elas ruins ou não, permanecem vivas com o passar dos anos, e isso serve de inspiração para continuar. Olhando para trás, percebemos tudo o que passamos e isso é motivo de orgulho próprio, que pode servir de exemplo para os futuros descendentes. Em fevereiro, conhecemos um escritor que enfrentou muitas coisas até encontrar o seu lugar ao sol, mas persistiu e essa persistência hoje lhe garantiu a publicação de seu segundo livro, O Diário de Litat (Resenha), além de muita sabedoria, amadurecimento e a capacidade de mostrar em sua obra, uma importante mensagem sobre o amor; o verdadeiro amor. Ele possui boas histórias a contar, por isso estamos De Olho em Claudemir de Oliveira.
Lançamento de O Diário de Litat em 05/10/2012 - Foto Facebook
Over Shock - Claudemir, desde já aproveito para agradecê-lo por conceder essa entrevista e firmar essa parceria com o blog Over Shock, que terá sempre a intenção de divulgar a literatura nacional, e claro, seu trabalho. Para iniciar esse papo, fale um pouco sobre quem é o escritor Claudemir de Oliveira.
Claudemir de Oliveira - Obrigado a você Ricardo por abrir esse espaço para escritores brasileiros. Falar sobre mim é como relatar um filme de muita persistência e realização de sonhos, pois me orgulho de todas as fases de minha vida, da mais humilde até a conquistas materiais. Perdi meu pai muito cedo, eu tinha 5 anos de idade e era noite de natal, lembro-me perfeitamente que enquanto estavam velando seu corpo eu brincava com um carrinho que ele havia comprado e como morávamos numa cidade pequena, passamos por dificuldades e até fome, porém, com 8 anos e digamos que por necessidade, eu vi num lote abandonado ao lado da minha casa um pé de abacateiro e no chão diversos abacates estragando, porém danificados com a queda, assim, tive a ideia de subir no pé, retirar com cuidado, esperar amadurecer e daí comecei a vender nas casas, perto de onde morava, a partir desse dia, nunca mais passei por necessidades, pois vendia também chuchus, jornais e até engraxava... Passou 3 anos de vendedor ambulante e decidi a procurar emprego com 11 anos e após ganhar diversos “nãos” consegui emprego numa empresa grande, onde tive que retornar quatro vezes até que eu conseguisse uma entrevista direto com o dono. A partir desse dia, minha vida mudou, aprendi muito nessa empresa e foi lá que comecei a aprender a escrever numa máquina de datilografia e percebi que o que eu escrevia eram pequenos poemas que logo após era publicado num jornal da cidade. Nessa época, ganhei uma máquina de escrever e em casa também escrevia. Participei de alguns concursos, ganhei algumas menções honrosas, porém perdi tudo, poesias, contos e até um romance quando minha casa pegou fogo, nessa época eu tinha 21 anos de idade. Esse trauma me fez parar de escrever, retornando aos 27 anos quando escrevi O Anjo plantador de Árvores. Ricardo acho que minha vida não daria um filme, talvez uma minissérie, então vamos resumir... O que posso te dizer é que tenho muito orgulho de mim mesmo nessa época que perdi sim minha infância, mas ganhei muito em sabedoria de vida e consegui me formar primeiro em Ciências Econômicas, fiz pós-graduação em Comunicação Empresarial e marketing e por último, realizei um dos sonhos de ser Advogado e no ano de 2012 realizei o sonho de infância em lançar um livro por uma Editora de grande porte, pois nunca desisti desse ideal.  

Over Shock - Você entrou no mundo literário ainda aos quatorze anos, quando publicou pequenos textos no jornal de sua cidade. Para você, essa publicação “precoce” o ajudou a conquistar objetivos maiores, como a publicação de futuros livros?
Claudemir - Na verdade eu comecei um pouco mais cedo a escrever pequenos textos para conquistar as meninas da quinta série onde estudava e como dava certo, percebi que tinha talento e aos 13 ou 14 comecei a levar para um jornal que publicava. Agora quanto a sua pergunta, acho que se eu estivesse num centro maior, essa precocidade poderia sim ter me ajudado, mas como na época não existia internet e o jornal ficava apenas na pequena cidade que eu morava, infelizmente não consegui a notoriedade necessária e tive que optar primeiro em me profissionalizar, garantir meu futuro e minha segurança financeira, mas nunca esquecendo do meu sonho de infância de um dia poder ser chamado de escritor em todo o Brasil.

Over Shock - Seu primeiro livro foi O Anjo Plantador de Árvores, lançado por uma editora independente. Do que se trata esse livro?
Claudemir - Como eu comecei a lutar muito cedo e a atingir meus objetivos pessoais sem ter um respaldo familiar, eu quis, na época, agradecer esse meu sucesso de alguma forma e ao mesmo tempo compartilhar com mais pessoas, assim, O Anjo Plantador de árvores não era minha biografia e nem um livro de autoajuda, mas eu tentei passar uma mensagem de que devemos ter objetivos na vida e lutarmos com toda a nossa força para atingi-los, por mais difíceis que sejam de se alcançar sucesso e assim, criei um personagem que aprendeu muito com a vida de um senhor idoso que narrou toda a sua vida e mesmo estando velho ainda tinha forças para plantar árvores as margens das estradas para que no futuro outras pessoas pudessem saciar sua fome, já que ele, por sua idade avançada, não mais estaria presente em corpo físico aqui na terra. Na época, mandei para algumas editoras, mas não consegui e como eu sou teimoso ou persistente, lancei em minha cidade mesmo de forma independente. Posso dizer que certo dia, um rapaz de outra cidade, apareceu no meu escritório somente para me agradecer e dizer que o livro mudou a sua vida. Ricardo, somente esse depoimento pagou todo o meu investimento na época.

Over Shock - Você tem em mente relançar essa obra, dessa vez por uma editora como a Novo Século?
Claudemir - Dizem os escritores que cada livro é um filho e um dia, se uma Editora achar viabilidade para publicá-lo, claro que ficarei orgulhoso, O anjo Plantador de árvores é um livro de 100 paginas, com uma certa inocência, pois quando o escrevi eu era jovem sonhador e lutador e a vida, com o tempo nos tira boa parte de nossa inocência.

“Não encontramos todos os dias amor eterno e verdadeiro e quando achamos que encontramos, surge o sentimento da frustação por saber que no próximo amanhecer ele pode não mais estar presente, transformando-se em sonhos não realizados ou em pesadelos” – O Diário de Litat (pág. 22).

Over Shock - Seu mais recente trabalho literário, O Diário de Litat, foi concluído em 2002, mas foi publicado apenas em 2012. Essa espera foi por vontade própria, ou você encontrou dificuldade para a publicação?
Claudemir - Primeiro encontrei dificuldades, recebi outros “nãos” e logo após terminá-lo eu comecei a faculdade de Direito, que também era um sonho a ser realizado. Quando terminei a faculdade e eliminando centenas de cópias e trabalhos acadêmicos eu reencontrei um cópia do Diário de Litat encadernada, que na época eu mandaria para uma editora. Lembro-me que sentei no chão mesmo e comecei a reler, agora com 10 anos mais velho e com uma mentalidade jurídica, assim, mudei as ultimas cem páginas e encaminhei para duas editoras, uma a Novo Século que aceitou a publicá-lo.  

Over Shock - E como se deu o processo de escrita dessa obra?
Claudemir - Eu queria escrever algo que pudesse deixar uma mensagem ao leitor, seja emocionalmente e também um aprendizado histórico para que ao término da leitura ele não esquecesse o que leu em poucos minutos e graças a Deus acho que consegui, pois estou recebendo depoimentos de pessoas que eu não conheço, jovens de 15 anos afirmando que foi o primeiro livro de ficção que iniciou e terminou uma leitura e ainda achou o livro mais impressionante que já tinha lido, também já veio uma jovem senhora com toda a família me dar um presente, pois disse que meu livro ajudou a ela ver o mundo de forma diferente, de uma forma melhor. Ricardo, eu achava que meu livro seria mais para adolescente, mas pessoas de todas as idades estão dando seus depoimentos que sinceramente... Valeu a pena cada passo, cada barreira enfrentada e hoje eu posso dizer que sou uma pessoa realizada.

Over Shock - O Diário de Litat se passa em um universo fantástico, mas você buscou mostrar uma mensagem muito interessante do amor, em suas mais variadas formas. Você não teve receio disso não ser visto com bons olhos pelos leitores?
Claudemir - Eu sei que não vou agradar a todos, sei que terá pessoas que hoje vão ler e não conseguiram entender o que esta nas entrelinhas, mas que no futuro, quem sabe, poderão reler e encontrar essa mensagem de amor, e o que todas as pessoas buscam nessa vida? Não é o amor? Pois de nada vai adiantar as pessoas conquistarem uma fortuna se não tiverem famílias, amigos para juntos compartilhar e essa união que buscamos nada mais é uma forma de amar ao próximo. Ricardo, infelizmente as pessoas estão cada vez mais falando menos de sentimentos, digitar kkkkkk não significa que realmente a pessoa está feliz; drogas traz apenas uma felicidade passageira, pais e mães trabalham dia e noite para garantir sua própria segurança e a de seus filhos, não tendo muito tempo de falar de amor além que seus próprios casamentos estão se acabando antes de completar 10 anos, pois até mesmo em seu leito eles praticam sexo e não mais fazem amor, pessoas se matam nas ruas por valores morais e financeiros insignificantes, assim, escrevi um livro para que as pessoas pensem, independente de ter 14 anos ou 60 anos que de nada adianta a gente viver se não temos amor em nosso coração e em nossas atitudes. 

Over Shock - Qual seria sua atitude caso fosse escolhido para representar o Bem ou o Mal e isso lhe afastasse de um grande amor?
Claudemir - Acho que o mal não iria me aceitar... Quanto deixar um grande amor para representar o bem como aconteceu com Qeb, personagem do livro, ela provou o grande amor que ela tinha aceitando esse encargo e protegendo a pessoa amada e com certeza eu também aceitaria partir, sabendo que com essa atitude eu estaria protegendo a pessoa amada a minha família.

“Assim, como um quase ser vivo,
Ficarei transbordando de felicidade e aguardando o próximo que sentirei as mãos em minha capa e os olhos sobre mim...
Afinal... Eu nasci com o propósito de estar em suas mãos,
Na gaveta ou na estante serei apenas uma peça decorativa...
Não terei vida,
Não poderei compartilhar meus sentimentos...
E como mágica,
Quando eu estiver em suas mãos...
Serei sim... Quase um ser vivo, totalmente dependente de Você!” – Claudemir de Oliveira (Litat Dmefinos).

Over Shock - Ao ver dois trabalhos prontos, geralmente sentimos diferenças, na maioria vezes melhorias ao longo do tempo. Quais foram as diferenças encontradas por você (e pelos leitores) entre O Anjo Plantador de Árvores e O Diário de Litat?
Claudemir - Como já te relatei, O Anjo Plantador de árvores carrega certa inocência, não que diminua seu valor, mas é uma obra com menor carga emocional, vamos dizer mais leve, menos detalhes, menos personagens, mas em sua essência ambas carregam o mesmo objetivo que é passar uma mensagem ao leitor.

Over Shock - Você tem novos projetos ligados a literatura?
Claudemir - Quando assinei o contrato com a Novo Século, de imediato iniciei a continuação, hoje já está com 220 páginas, o texto será narrado no ano de 1665 e 1666 em Londres e nessa obra eu posso sim dizer que tem uma certa diferença das anteriores, talvez por minha maturidade. Essa nova obra está focada numa continuidade onde eu não preciso dar ênfase para o passado de Litat, assim, consegui direcionar mais para suas aventuras em nome do amor com um maior comprometimento de sua amada nas aventuras em nome do Amor... Está ficando uma aventura incrível.

Over Shock - O autor brasileiro claramente está ganhando mais espaço no mercado editorial, ainda que isso aconteça lentamente. Você acha que aos poucos o Brasil terá um mercado semelhante ao norte-americano, em que os próprios talentos são mais valorizados do que os estrangeiros?
Claudemir - Acredito que sim Ricardo, isso por que a renda da população brasileira melhorou e como que uma família iria comprar livros se em suas casas faltavam alimentos, mas essa pobreza absoluta está diminuindo, o que falta agora é uma maior habitualidade para que esses leitores aumentem. O governo, o ministério da cultura deveria elaborar campanhas incentivando a leitura, dando aos empresários descontos nos impostos caso esses implantasse uma biblioteca em cada empresa. Colocando nos terminais e nos ônibus micro bibliotecas onde as pessoas poderiam ler durante o percurso de seus trabalhos. Ou seja, muita coisa poderia ser feita para melhorar a habitualidade de leitura para o povo brasileiro.

Over Shock - É possível viver de literatura no Brasil? O que falta para isso acontecer?
Claudemir - Acredito que poucos conseguem, seria um sonho para mim se isso acontecesse, mas como já disse, muita coisa ainda precisa ser melhorada para que o brasileiro tenha habito de leitura.

Over Shock - Sabemos que a média de livros lidos anualmente pelos brasileiros é muito baixa. Para Claudemir de Oliveira, existe um culpado ou isso se desenvolveu com o passar dos anos e com a maneira com que lidamos com a arte em geral?
Claudemir - Eu vejo uma boa mudança através dos jovens brasileiros que hoje estão lendo bem mais que seus pais, isso é um fator positivo, pois seus filhos terão bons exemplos em seu lares e como já te disse, o poder aquisitivo do brasileiro está melhorando e gradativamente a possibilidade de aquisição de livros está ampliando no orçamento familiar, assim, vejo com bons olhos nosso futuro literário, mas o governo precisa assumir parte dessa responsabilidade assim como os próprios pais e mães que podem deixar de comprar meia dúzia de cerveja e comprar um livro para seu filho, pois no futuro, seu filho não precisará comprar drogas para “viajar”, pois o livro é o caminho lúcido e lícito para deixar momentaneamente a dura realidade para momentos de ilusão.

Over Shock - Jogo Rápido:
O Anjo Plantador de Árvores: linguagem inocente e verdadeira
O Diário de Litat: Mensagem de amor e fantasia para todas as idades
Bnus: Um homem que perdeu seu grande amor e foi salvo em nome desse amor.
Qeb: Conseguiu carregar em si o mais puro amor diante de todas as dificuldades
Litat: Filho de um grande amor, responsável agora em compartilhar esse sentimento.
Bem: Sentimento que glorifica o ser humano
Mal: Sentimento que tira a luz, a vida do ser humano.
Novo Século e selo Novos Talentos da Literatura Brasileira: Oportunidade para a realização de grandes sonhos.
Blogueiros Literários: Propagadores de sonhos, incentivadores de talentos,
Em 2023 eu quero estar... lançando o Diário de Litat II Londres 1665 1666 na Inglaterra, em Londres.

Over Shock - Novamente obrigado pela entrevista, Claudemir. Parabéns por seu trabalho e muito sucesso. Para encerrar, deixe suas mensagens aos nossos leitores.
Claudemir - Quero deixar uma fábula onde havia milhares de estrelas do mar morrendo na praia e uma criança insistentemente jogava ao mar algumas delas e a maré teimava em trazê-las de volta para a praia e vendo a insistência desse menino ele foi interrogado:
- Menino, tem milhares de estrelas deixadas pelo mar e vejo você devolvendo uma quantidade muito pequena ao mar durante horas, porém a maioria delas, a maré está devolvendo para a areia...
O menino continuava a jogar as estrelas, apenas escutando o homem que o interrogava e esse, incomodado com a tarefa “inútil” do menino o questiona:
- Você não percebe que quase todas as estrelas estão voltando e você não conseguirá mudar o mundo, mudar a natureza?
O menino para por alguns minutos a sua tarefa e responde:
- Sim, eu sei que não tenho forças para mudar a natureza e quanto menos mudar o mundo, mas ficarei feliz em saber que para aquelas estrelas que conseguir devolver ao mar sem que a maré as devolvessem para a areia eu consegui sim mudar o mundo delas, pois nesse momento elas estão vivas!
Quando recebo depoimentos de jovens adolescentes e jovens senhoras que eu nem conheço ou que moram distante de mim, dizendo que meu livro os fizeram refletir sobre a vida ou mesmo falando que foi o melhor livro de ficção que já leram... Nesse momento, sinceramente me sinto como o menino que jogava as estrelas ao mar, pois, mesmo eu estando no interior do Paraná, numa cidade pequena, não conseguindo mostrar meu livro para um número maior de leitores, mas, para aqueles que têm a oportunidade de lê-lo e algo de bom permanecer e seus corações, em sua forma de ver o mundo, nesse momento percebo que toda a minha luta não foi em vão e se não consigo passar minha mensagem para milhares de pessoas, fico feliz de saber que muitas estão compreendendo a essência do diário de Litat, onde existe sim fantasia, mas acima de tudo existe a realidade do amor!

Contato com o Autor

“Mantiveram assim toda a humanidade livre da intervenção dos deuses, pois enquanto existir um amor puro e verdadeiro entre os mortais, todos terão o livre arbítrio de estar entre o Bem e o Mal” - O Diário de Litat (pág. 154).