A dramaturgia e a literatura são duas artes que possuem uma relação muito próxima e já nos apresentaram verdadeiros e inesquecíveis gênios. Ao conhecer um artista em uma dessas artes, fica impossível não desejar ver como ele se sai com outro tipo de trabalho. Isso aconteceu com Germano Pereira. O primeiro contato foi com a novela Passione (2010), porém mais tarde a grande surpresa surgiu ao descobrir que Germano era também um escritor reconhecido com o Prêmio Jabuti, mais importante premiação da literatura brasileira. Iniciar a leitura do thriller Príncipe da Noite – Sete Mulheres e Meia foi questão de tempo, assim como ficar De Olho Nele para que mostrasse a eterna relação das já citadas artes.
Over Shock – Olá, Germano. Assim como muitos outros leitores, conheci seu trabalho através da televisão, mas foi também o gênero de seu livro que chamou a atenção tão logo a Novo Conceito anunciou o seu nome durante a última Bienal do Rio. Sendo assim, é um prazer enorme ter a oportunidade de entrevistá-lo e gostaria que você falasse um pouco sobre o ator e escritor Germano Pereira.
Germano Pereira – Olá, Ricardo e leitores. É um prazer poder falar sobre o meu trabalho literário, embora não possa deixar de lado o da atuação. Na minha vida os dois segmentos andam juntos. Creio que o que me ajudou muito a escrever foi o teatro e a filosofia. Sempre retorno aos clássicos, como ponto de referência. Não se pode escrever se você não é um leitor voraz, e principalmente detalhista. Detalhista no sentido de entender os ritmos de cada discurso. Não posso ler um tratado fenomenológico de Sartre, como o Ser e o Nada, na mesma velocidade que uma obra “mamão com açúcar”, que também é importante, embora sua estrutura seja mais óbvia, direta e simples, o que não quer dizer que não seja profunda. A profundidade pode estar na simplicidade, assim como na complexidade. Quando escrevo não faço uma divisão daquele que é o escritor dentro de mim e daquele que é o ator. Embora enquanto representação esses dois mundos sejam muito diversos. Uso minhas técnicas de interpretação para checar a musicalidade da fala de um personagem, em uma determinada cena que escrevi, por exemplo. Dentre inúmeras outras facetas. E muitas vezes quando atuo escrevo uma partitura invisível para eu, enquanto ator, chegar a determinado fim. O verdadeiro ator, aquele mais teatral ou autoral, e essa palavra é muito importante, escreve através da alma, não é simplesmente uma réplica de falas; ele é autêntico. Assim como o escritor é aquele que tem a escuta mágica de seu mundo imaginário. Enfim, tento no fundo transitar entre esses dois mundos que tem vários pontos em comum, outros nem tanto.

Você acredita que a experiência de atuação te dá uma visão diferente de uma história enquanto a escreve para o teatro ou a literatura?
Acredito piamente que a atuação proporcione essa potencialidade na escrita. Novos escritores devem procurar o teatro em qualquer âmbito (direção, atuação, e dramaturgia) para exercitar novas formas de criação. Tem um personagem no meu livro Príncipe da Noite – Sete Mulheres e Meia, a Chloé, que é uma extensão de um texto teatral surrealista que escrevi a 15 anos, readaptado. Quem estudou interpretação no mínimo tem que entender as questões que Stanislavisky propunha em seu método de criação de um personagem, objetivo e super objetivo. E isso nada mais é que a Jornada de Um Herói de Campbell, e a Jornada de Um Escritor de Vogler. Então, entender o processo de atuação no sentido individual e macro da narrativa ajuda com certeza a dar essa visão diferente da história. Diria que tudo isso coloca você num ponto de vista privilegiado.

Príncipe da Noite: Sete Mulheres e Meia, Germano Pereira, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito (Novas Páginas), 2013, 368 páginas.
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Os fenômenos psicológicos fazem parte dos mais intrigantes mistérios que cercam o homem, por isso naturalmente sentimos a curiosidade de conhecer mais sobre esse tipo de situação. No entanto existe um grupo de pessoas que sofre com distúrbios causadores das múltiplas personalidades. É o caso do psicanalista Gabriel.

Toda manhã, ao acordar, Gabriel se depara com uma mulher diferente dormindo ao seu lado e, apesar de não saber seu nome e como a conheceu, o psicanalista tem certeza de que ela foi mais uma vítima do Príncipe da Noite. Ele sabe que como um serial killer do sexo, Príncipe da Noite não poupa esforços para satisfazer seus desejos mais intensos, mas ainda assim ele mantém uma vida normal e ninguém sabe sobre seu segundo “eu”.

A vida de Gabriel sai dos trilhos conforme seu passado volta a atormentá-lo e situações estranhas passam a acontecer em seu dia a dia. Se não bastasse tentar descobrir se existe alguém o perseguindo e querendo prejudicá-lo, Gabriel precisa também se adaptar a tudo o que o Príncipe da Noite tem feito e isso exigirá muito de seu psicológico.

“Distante e do lado oposto ao terreno sepulcral encontra-se o Príncipe, soldado do afeto, serial killer do sexo que, apesar de ofuscado pelos acontecimentos tortuosos da vida, direciona-se guiado sempre pelo brilho da luz do amor” (pág. 9).