A Invasão, Dias Gomes, 7ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Bertrand Brasil, 2015, 154 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Após uma enchente que destruiu seus barracos em uma favela, várias famílias são obrigadas a encontrar um novo lugar para morar e acabam invadindo o esqueleto de um prédio abandonado, onde querem recomeçar suas vidas, mesmo sabendo que a qualquer momento podem ser despejadas. Mas as promessas de políticos e a exploração de pessoas que visam seus próprios interesses pode colocar em xeque o recomeço ou mesmo moldar as atitudes de todos que estão em busca de melhores condições de vida.
“(...) Fizeram muito bem, invadindo esta construção, resolvendo por suas próprias mãos um problema que os homens públicos não querem resolver. Fizeram muito bem e aqui estou, não só para lhes dar o meu apoio, como também para assumir um compromisso solene. (Faz uma pausa de efeito). Se reeleito nas próximas eleições, comprometo-me a apresentar um projeto desapropriando este prédio e entregando-o aos seus heroicos conquistadores!” (pág. 83).

O Santo Inquérito, Dias Gomes, 34ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Bertrand Brasil, 2015, 126 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Paraíba, 1750. Em um ato de bondade, a jovem Branca Dias se atira no rio para salvar a vida de Padre Bernardo e impede que o sacerdote morra afogado. No entanto, o que poderia ser apenas um episódio insignificante de sua vida, na verdade é o ponto de partida para que tudo comece a desmoronar.

Após o salvamento, Branca revela ao padre a sua crença em Deus, apesar de não possuir um confessor e não ir à missa aos domingos. Para ela, o mais importante era sentir Deus em todas as coisas que lhe davam prazer, mas Padre Bernardo acha suas revelações suspeitas e teme que o demônio esteja corrompendo a jovem sonhadora, por isso a procura para tentar, em vão, convertê-la. Ingênua, Branca se abre ao seu novo confessor, enquanto este, para livrá-la da heresia, é capaz de acusá-la à santa inquisição.
“(…) Deus deve estar onde há mais claridade, penso eu. E deve gostar de ver as criaturas livres como Ele as fez, usando e gozando essa liberdade, porque foi assim que nasceram e assim devem viver. Tudo isso que estou lhes dizendo é na esperança de que vocês entendam… Porque eles, eles não entendem… Vão dizer que sou uma herege e que estou possuída pelo demônio. E isso não é verdade! Não acreditem! Se o Demônio estivesse em meu corpo, não teria deixado que eu me atirasse ao rio para salvar Padre Bernardo, quando a canoa virou com ele!…” (pág. 30).

O Berço do Herói, Dias Gomes, 6ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Bertrand Brasil, 2015, 154 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Cabo Jorge, morto na Itália durante a guerra, se tornou herói em sua cidade natal, que venera a sua bravura diante dos nazistas. Isso encheu de orgulho o coração da pátria e sua cidade, modesta e perdida no interior do país, adotou o nome de Cabo Jorge, passando a ser um centro turístico e a realizar diversas comemorações em homenagem ao filho ilustre.

Porém, anos depois, o militar reaparece na cidade, como se tudo não passasse de uma grande brincadeira. A verdade é que ele apenas foi ferido em combate e fugiu da luta, mas a volta do Cabo Jorge (o cabo) pode arruinar o comércio e a indústria de Cabo Jorge (a cidade), destruindo os interesses de muitas pessoas.

“(...) Cabo Jorge pertence a esta nossa geração que, muito antes de chegar à idade da razão, recebeu a notícia, jamais dada a outros antes de nós: o homem adquiriu o poder de destruir a humanidade. Num mundo assim, que poderá desaparecer de um momento para outro, ao simples premir de um botão, certos conceitos de heroísmo, de dignidade, lhe parecem absurdos, ridículos (...)” (pág. 52).

Texto: Eduardo Martins
Baseado: O Bem Amado, de Dias Gomes
Direção: Eduardo Martins
Duração: 95 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 28 de outubro de 2014
O Bem Amado conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu (Eduardo Martins), que tem como meta prioritária em sua administração, na cidade de Sucupira, a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras, Dorotéa, Judicéa e Dulcinéa (Gabriela Agostini, Paolla Tamaso e Daniela Agostini). Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Neco Pedreira (Edney Souza), dono do jornaleco da cidade. Sempre apoiado por seu secretário e fiel escudeiro Dirceu Borboleta (Daylon Martineli), Odorico arquiteta sua história e altera frequentemente o cotidiano da cidade, visando tomar providências cabíveis a sua administração e ao seu sucesso pessoal.

Mesmo um grupo de teatro amador conquista novos aprendizados com o passar do tempo, por isso novas apresentações significam novas surpresas ao público. Em alguns casos, o tempo resulta, por exemplo, em melhores cenas, em outros melhores interpretações, o que é exatamente o caso de O Bem Amado.

Essa não é a primeira comédia da Companhia Viva Arte, que nos anos anteriores apresentou também O Rico Avarento e O Auto da Compadecida, mas talvez seja a peça mais diferente – e isso não apenas por essa ser baseada no trabalho de outro autor. Baseada na obra do imortal Dias Gomes, a peça possui raros momentos de pura comédia, mas ainda assim não perde a essência do grupo – felizmente.