Ao ser anunciada a programação do último dia do III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, todos sabiam que o poeta pinhalense João Batista Rozon (De Olho Neles 24#) seria o grande homenageado da manhã de domingo (23). O que poucos sabiam era da grandeza dessa merecida homenagem.
Pouco depois das 9h30m, a apresentadora do evento Loriane Salvi agradeceu novamente a todos os organizadores do Pin Pin de Literatura e deu inicio a programação do dia, convidando Patrícia Correia Françoso e o Prof. Elias Carlos Rodrigues a subirem ao palco do Theatro Avenida.
Na primeira parte da homenagem, de uma forma bem descontraída, Patrícia e Elias declamaram, entre outras, a poesia Interrogações, do livro Cartas do Pensamento, lançado em 1983. Após uma pequena pausa para Loriane contar a história de vida de João Rozon como homem, pai de família, advogado, maçom, escritor e figura importante para cultura pinhalense, a dupla voltou a declamar poesias do grande homenageado da manhã.
Elias e Patrícia se destacaram principalmente pela dramatização – quando necessário – e o uso constante dos gestos, que fizeram a diferença para a emoção e a grandeza da homenagem. Em uma das poesias mais marcantes, Rozon disse ainda em 1983: “Que seja feita Vossa vontade, porque a nossa vontade não está dando certo. Amém!”.
Na segunda parte da homenagem, João Rozon e seus filhos, Thaís, Camila e Thiago, foram convidados para subirem ao palco. No momento mais emocionante do evento, os filhos disseram algumas palavras sobre a figura de Rozon, que surpreso pela homenagem estava visivelmente emocionado. A emoção continuou quando Thaís, filha e música, tocou uma música na flauta, outro momento marcante da manhã de domingo.
O empresário Laércio Casalecchi, que como membro da AATA (Associação Amigos do Theatro Avenida) ajudou na elaboração do evento, também foi chamado ao palco e contou um pouco sobre a amizade que já dura quarenta anos. Laércio foi o responsável por entregar uma placa comemorativa a João Rozon, que ainda recebeu flores da esposa, parceira de toda a vida.
Ainda emocionado por receber a homenagem, que como disse no último De Olho Neles “todos que merecem devem ser homenageados em vida”, Rozon agradeceu o público e disse mais algumas palavras, antes do evento seguir sua programação.
A próxima atração foi a mostra de dança com o Sarau Encontro das Artes, de Alessandra Filippi. Em uma apresentação bem empolgada, as crianças aparentavam estar se divertindo com a oportunidade de mostrar seus talentos aos convidados e principalmente aos pais, que prestigiaram o evento de perto. O diferencial foi a participação também de adultos, que após as crianças deixarem o palco também se apresentaram.
Na sequência houve a mesa de escritores mediada pelo pinhalense Moacir Amâncio e com a participação dos escritores Antônio Torres e Márcia Tiburi. O trio comentou sobre “a morte da narrativa nos dias de hoje”. Citando listas dos livros mais vendidos da semana, os escritores comentaram sobre os grandes sucessos literários da atualidade como Crepúsculo e mais recentemente Cinquenta Tons de Cinza. Em relação a esses sucessos, Márcia Tiburi disse que é o “lixo, do lixo, do lixo”, ou seja, sem a mínima importância no conceito literário. Outro gênero sem importância, na visão de Márcia, é a auto-ajuda. Sobre o gênero, Márcia contou sobre o encontro com uma professora em uma palestra que deu recentemente em São Paulo, onde disse para a professora queimar os livros.
Antônio Torres declarou que os livros são produtos de consumo e que o leitor não morreu, apenas mudou. Quando grandes nomes entraram no assunto, como Machado de Assis e Eça de Queiroz, Márcia Tiburi citou que “é preciso melhorar o nível de leitura”, sobretudo dos jovens, e que “a literatura é um trabalho sério para a construção de nós mesmos”.
Encerrando a terceira edição do Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, a Big Band Cardeal Leme se apresentou deixando no ar um clima de “até breve”, afinal a IV edição é apenas questão de tempo.

O segundo dia do III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro teve inicio com uma apresentação de saxofone do músico Luiz Gustavo de Souza. Em seguida, por volta das 9h, a apresentadora do evento, Loriane Salvi, convidou os organizadores para se juntarem a mesa e só então a diretora de Cultura e Turismo, Cecília Martini Del Guerra Borges, deu início definitivamente ao evento. Loriane ainda citou o Over Shock por fazer a cobertura especial do evento, motivo de alegria para todos os moderadores do blog.
Após breves palavras de alguns dos organizadores, o espaço foi passado para Cristiane A. Sato, presidente da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações e autora do livro JAPOP: O Poder da Cultura Pop Japonesa. Cristiane iniciou sua palestra explicando para o público, formado por crianças e adultos, o significado da palavra mangá e destacando os diferentes tipos de linguagens usadas pelos japoneses. Ao explicar sobre a origem do mangá, ressaltou o conceito histórico e social dessa cultura, fazendo inclusive referência ao grande mestre Osamu Tezuka. Sobre Tezuka, Cristiane contou que devido as dificuldades encontradas em fazer animação, ele partiu para os quadrinhos em 1946 e teve inicio uma revolução que resultou no que conhecemos hoje dessa forma de arte.
Como poucos brasileiros sabem da forma de publicação do mangá no Japão, feito primeiramente através de revistas, Cristiane citou alguns tipos e os diferentes gêneros, explicando que o poder do mangá é devido a ausência da censura, característica marcante em um projeto da TV, por exemplo. Ao comentar sobre Cavaleiros do Zodíaco, o público presente, que era formado por alguns cosplayers, se envolveu, o que animou a autora. Pouco antes do final de sua palestra, Cristiane citou: “Otaku demais, nem otaku aguenta”.
Em entrevista exclusiva ao blog, Cristiane comentou sobre a frase e disse que “qualquer coisa que é muito exagerada ninguém vê com bons olhos. O fato é que o cara que perde essa capacidade social vai ter dificuldade com tudo na vida. Veja todo mundo precisa trabalhar, ter emprego, ter família, e sem essa capacidade social como é que você vai ter isso?”. Já em relação a cultura pop japonesa no Brasil, Cristiane concluiu: “Se você enfia uma agulha de tricô no Japão em um globo terrestre, ela vai sair direto no Brasil. É o ponto mais oposto no globo do Japão e a ponto da cultura pop se tornar um movimento cultural jovem, atingindo praticamente todas as atividades, a literária, a de costumes, estética, moda... Gente do céu, isso aqui é um milagre”.
A programação continuou com as bandas Garage Machine e Estaca Zero, que representaram o projeto Escola da Família, do Prof. Elias Carlos Rodrigues. Houve então um intervalo, antes da palestra dos republicanos Ricardo Ragazzo, Thiago Ururahy e Carlos Matos.
O primeiro a falar foi Thiago Ururahy, que explicou ao público presente o motivo de autores abandonarem suas obras. Segundo Thiago, um dos principais motivos é o fato de alguns autores não planejarem suas obras, ou seja, deixam de lado um projeto de continuidade que facilitaria a elaboração completa de um projeto.
Como qualquer outro projeto, a escrita também possui cinco grandes problemas. Thiago não deixou os interessados na mão e explicou também as cinco grandes soluções, fazendo citação a Stephen King, Neil Gaiman e inclusive Agatha Christie, a rainha do crime e da narrativa bem elaborada.
Dando continuidade, porém não fugindo do assunto anterior, o parceiro Ricardo Ragazzo comentou sobre o Storytelling e como escrever textos semelhantes aos roteiros hollywoodianos. Aos poucos Ragazzo disse que um texto deve ser dividido em três atos, além de outros cinco estágios e seis níveis. O autor do livro 72 Horas para Morrer também citou filmes, como Titanic e Harry Potter, além de A Firma, lançado em 1993. Passando no telão pequenos trechos do filme, Ragazzo disse que uma obra vai prender o leitor nos chamados “pontos de virada” e encerrou dizendo que as coincidências são bem-vindas em caso negativo, ou seja, quando isso não ajuda o protagonista de uma história a se dar bem.
Ao ser entrevistado, Ragazzo comentou sobre a importância de uma estrutura mais densa, já que “nós como humanos nos conectados através de emoção e o conflito gera emoção, vários tipos de emoções. Se o leitor não se emocionar, ele não segue com a história. Seja no filme ou seja no livro, principalmente no livro, que demanda mais tempo”.
  Para encerrar a participação da República dos Escritores, Carlos Matos, um dos mais novos membros da associação, falou sobre contar histórias na Web 2.0 e a Transmedia, que apesar da palavra, não é algo totalmente novo. Dando dicas de como usar as redes sociais de modo favorável ao seu trabalho literário, Carlos Matos focou especialmente no envolvimento do autor com o seu público e destacou as principais redes sociais e aquelas que não ajudam o escritor da forma como este precisa.
O projeto Beija-flor se apresentou no palco do Theatro Avenida e logo em seguida aconteceu uma mesa de escritores sobre Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, o Cardeal Leme, grande homenageado do evento. Mediada por Valéria Torres, que tem uma coluna intitulada Pontos Cardeaisem homenagem a Dom Leme -, a mesa contou toda a trajetória do filho mais ilustre da cidade, citando seus feitos na cultura, religião e principalmente política, já que Dom Leme foi de extrema importância para a história política do Brasil no início da década de 30.
A mesa contou também com a participação do jornalista Silvio Tamaso, da escritora Marly Bartolomei, autora do livro O Romance de Pinhal, e do mineiro Jorge Scélova de Semenovitch, autor do livro Corcovado – A Conquista da Montanha de Deus. Ao falar sobre o Corcovado, Jorge fez questão de lembrar que o Cristo Redentor é uma das sete novas maravilhas do mundo e que existe graças ao trabalho de um pinhalense fervoroso como Dom Sebastião. Contou também que o Cristo Redentor era uma ideia antiga, sustentada por Dom Joaquim Arcoverde e que esse, antes de falecer, deu carta branca ao seu sucessor para a construção e inauguração do monumento. Por isso Jorge, que visitou a cidade e viu o busto em homenagem ao filho ilustre de Pinhal, disse que todos os pinhalenses devem se orgulhar por ser conterrâneos desse grande homem de fé e com um amor por sua cidade incomparável.
Silvio Tamaso, por sua vez, citou de uma das duas visitas oficiais de Dom Sebastião Leme a sua terra querida, lendo discursos e outras palavras desse homem que ainda é motivo de orgulho para todos.
Enquanto que no hall de entrada do teatro aconteciam os lançamentos dos livros Um Lugar para se Perder, de Alexandre Staut; Meus Bichos, de José Geraldo Motta Florence; e do DVD Pinhal – A História de Nossa Cidade, de Luiz Cláudio Campos, na parte principal do Theatro Avenida aconteceu o lançamento da quinta edição da Antologia Literária Pinhalense, que surgiu em 2004. Sobre lançar seu livro em sua cidade natal, já que mora em São Paulo, Alexandre comentou em entrevista ao blog: “É super confuso, porque é uma salada mista de emoções. Vem mãe, irmãos, sobrinhos, tios e tias, primos, amigos de infância, professores que eu não via há trinta anos, desconhecidos. É uma loucura. É a emoção à flor da pele, e é dificil ao mesmo tempo“.
Com capa de Marcos Alberto Salvi, a Antologia Literária Pinhalense 2012 contou com a participação de 34 autores, que escreveram poemas, crônicas e contos. Entre os autores, os poetas João Batista Rozon e Fernando Vieira de Carvalho Salles, os também autores José Geraldo Motta Florence e Marly Bartolomei, além de Paulo Romão, co-autor, entre outros, do livro Dias Contados – vol. 2, da Andross Editora. O livro contou ainda com trabalhos de outros importantes nomes para a cidade.
Um novo intervalo antecedeu o momento mais aguardado do evento. Passava das 20h quando o poeta Ferreira Gullar foi chamado ao palco e recebido com uma salva de palmas pelo público que novamente lotou o Theatro Avenida. Mais do que uma palestra, Ferreira Gullar bateu um papo com os pinhalenses, contando um pouco sobre sua vida; a emoção por se lembrar, durante um passeio, de seu filho morto; além de comentar sobre os vários tipos de poesia.
Com um tom bem humorado e fazendo o público rir de diversas situações, Gullar também comentou sobre os best-sellers, que ele tem convicção de que não serão lembrados como os grandes clássicos de nossa literatura. Citando poemas de sua autoria e explicando também de onde surgiu a ideia de escrever os mesmos, afirmou que “a arte existe porque a vida é curta”, “que o homem inventou tudo por necessidade” e que “nem o poeta manda na poesia”. Gullar encerrou o segundo dia do evento em grande estilo e mostrando ao pinhalense o motivo de ser um dos maiores poetas de nossa atual literatura - ser uma das visistas mais especiais para Pinhal no ano de 2012.

As entrevistas completas você acompanha nos próximos dias.

Abrindo o III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, a Companhia Viva Arte recebeu o público que lotou o Theatro Avenida na noite dessa sexta-feira (21) para assistir a peça O Rico Avarento, escrita por Ariano Suassuna e publicada originalmente em 1954.
A peça começou por volta das 20h20min, quando o local se transformou no sertão nordestino e personagens marcantes subiram ao palco para divertir a todos os presentes com uma peça simples, porém de alta qualidade.
O Rico Avarento conta a história de um personagem (Celso Xinini) que tem como principal marca a avareza, um dos sete pecados capitais. Ainda no início da peça, Tirateima (José Eduardo Martins) aceita o emprego de mestre sala desse homem, sem imaginar tudo o que enfrentará devido aos ideais gananciosos do personagem que dá nome a peça.
Protagonizado pelos atores Celso Xinini e José Eduardo Martinstambém diretor da peça -, O Rico Avarento conquistou o público ainda em seu primeiro minuto, quando Tirateima chega para buscar emprego e por alguns instantes existe a troca de falas: “Oh de casa!” “Oh de fora!” “Oh de casa!” “Oh de foda!”.
Dando sequência ao espetáculo, aos poucos Tirateima vai conhecendo seu novo patrão e percebendo que ele não pretende gastar um único tostão com ninguém, justamente por isso “evita visitar a mãe para que ela não o visite”. A primeira demonstração de sua avareza é quando uma velha com o olho furado bate a porta do protagonista e esse recusa ajudá-la, por isso ela o amaldiçoa. Daí por diante novos personagens pedem ajuda que não virá, e novas maldições são lançadas sob o protagonista. Isso continua, intercalando com ótimos diálogos, até que o avarento recebe a visita do chefe do inferno (Caique Torres) para que pague por seus pecados e aos poucos a peça chegue a seu final.
Por se tratar de uma companhia teatral criada pela Associação Amigos do Theatro Avenida (AATA), a peça é mantida com poucos recursos e possui uma simplicidade que faz toda a diferença. Deixando de lado a grandiosidade da produção, é a qualidade dos atores que fica em evidência, sendo que em nenhum momento sentimos ser feito por atores que ainda não se dedicam totalmente para a arte cênica.
Apesar de se passar no sertão nordestino, os atores se interagiram a todo o momento com o público como se Pinhal fosse cenário para a história. Com um texto adaptado para a atualidade, houve diversas citações que tiraram gargalhadas. Em determinado momento da peça, Eduardo Martins faz uma citação a uma antiga professora, o que foi considerado por muitos o ponto alto da apresentação que durou cerca quarenta minutos.
Ao final da peça, uma pequena apresentação de dança fazendo referências ao nordeste fechou a primeira noite do evento. Só então os membros da Viva Arte homenagearam Ana Tereza Leite, que faz parte da AATA. Ao subir ao palco, visivelmente emocionada, Ana Tereza convidou a todos para participar das atrações de sábado e domingo no Pin Pin de Literatura e concluiu sua fala dizendo que os atores da Viva Arte trabalham em “amor a cidade e amor a arte”. A Cia. Viva Arte volta a se apresentar no Theatro Avenida no próximo dia 13 de outubro, com o musical A Bela e a Fera.
Em entrevista exclusiva ao Over Shock, o diretor José Eduardo Martins disse que a ideia para a peça surgiu durante uma aula com a professora Ivani Trevisan, e comentou sobre uma possível presença de Ariano Suassuna na próxima edição do Pin Pin. Eduardo se declarou grande fã de Suassuna e concluiu: “Eu soube que há um ano dois anos, não me lembro, ele esteve em Poços de Caldas. Eu falei: puxa, se ele esteve em Poços de Caldas, a gente trás ele no Pin Pin ano que vem. Vamos trabalhar pra isso. Olha, eu confirmo: se o Ariano Suassuna vier no próximo Pin Pin, a gente reapresenta essa peça especialmente pra ele”.
Ana Tereza também concedeu uma entrevista exclusiva ao blog, falando do Pin Pin de Literatura e dando destaque para a importância que a arte tem na vida das pessoas, sobretudo os jovens. Sobre a Viva Arte, Ana Tereza comentou: “A Viva Arte é uma companhia de artistas amadores, todos aqui da cidade. Eles fazem esse trabalho de uma forma muito dedicada, com muito companheirismo, muita solidariedade, num trabalho voluntário pra fazer essa companhia trabalhar um pouco o lado artístico dos jovens da cidade que se interessam, tanto pelo teatro, como pela música, pela dança, e também pela literatura”.

As entrevistas completas você acompanha nos próximos dias.

Durante o III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, quatro livros serão lançados por autores Pinhalenses. Dedicando seus últimos trabalhos para o público infantil, o autor José Geraldo Motta Florence lança o livro Meus Bichos (Skoob), que narra, entre outras coisas, momentos marcantes do autor com seus “bichinhos”.
O jornalista Alexandre Staut, autor do livro Jazz Band na Sala da Gente, lança seu segundo romance, Um Lugar para se Perder (Skoob), livro que promete envolver o leitor do início ao fim.
Após algumas edições, a Antologia Literária Pinhalense chega em seu quinto volume e mostra o talento dos autores “da casa” em contos, crônicas e poesias exclusivas.
A grande inovação fica por conta de Pinhal – A História de Nossa Cidade, um DVD produzido por Luiz Cláudio Campos. Nessa obra simples, porém rica em conteúdo, o autor mostra de uma forma diferente toda a história da cidade fundada por Romualdo de Souza Brito em 1849, explorando inclusive os índios que aqui viviam e os primeiros anos da cidade.

Antologia Literária Pinhalense
Lançamento Original: 2012
ISBN: -
Autor (a): Vários Autores
Tradução: -
Páginas: -
Preço: -
Onde Comprar? -
Leia um Trecho: -
Sinopse:
Teve sua primeira edição em Julho de 2004. A ideia surgiu após uma conversa informal entre o escritor Lázaro Cabral e o amigo, e também escritor, Marcos Alberto Salvi. Visando suprir a falta de espaços para publicações dos trabalhos amadores do escritores Pinhalenses e também a falta de um evento específico voltado para a literatura é que surgiu esse importante e fantástico projeto.
Cabral deu seguimento a ideia e convidou 53 escritores para compor o primeiro volume, intitulado Antologia Literária Pinhalense Vol. I “Palavras sobre a vida e suas sentimentalidades”. Nos anos seguintes a ALP consolidou-se como importante evento, sendo esperada pelos escritores participantes da edição anterior e por novos que também acreditaram no potencial do projeto.
A ALP ficou adotada como evento principal da literatura Pinhalenese quando em 2007 passou a ser parte do calendário cultural do munícipio.

Meus Bichos
Lançamento Original: 2011
ISBN: 9788571133679
Autor (a): José  Geraldo Motta Florence
Tradução:
Páginas: 74
Preço: R$20,00
Onde Comprar? Cia. dos Livros
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Sinopse:
Somente o amor pode derrubar muros, transpor fronteiras e guardar como tesouro um longo passado que contado torna-se presente na vida de quem conta e de quem lê. Este livro é o resultado de muitas experiências vividas na esfera do amor à natureza, particularmente aos animais. A obra traz alegres momentos: nascimentos, peripécias e situações inusitadas entre os bichinhos e o autor, como também doenças e mortes, inexoravelmente, inevitáveis a todo ser vivo. Os capítulos mostram a realidade da vida de forma natural e sem traumas intransponíveis, onde a saudade é benéfica ao coração humano. A linguagem trabalhada com inversões sintáticas do autor nonagenário é uma grande oportunidade à nova geração no desenvolvimento do raciocínio e interpretação textual de diferentes épocas. Meus Bichos é uma ótima oportunidade para iniciar em leitores mirins o conhecimento que proporciona valorizar os malabarismos gramaticais que a Língua Portuguesa oferece. As décadas de experiências do autor em seu mundo 'animal' encontram receptividade no coração meigo e carinhoso da ilustradora que com uma década de vida já descobriu o valor profundo do amor à natureza, provando que o respeito aos animais perdura de geração em geração...

Quem é José Geraldo Motta Florence? José Geraldo Motta Florence nasceu em 28 de abril de 1921 em Espírito Santo do Pinhal-SP. Sonhou em ser diplomata, mas, por razões diversas, não chegou a fazer nenhum concurso para a carreira.
Seu primeiro conto, O Equívoco, foi publicado na Revista da Semana (carioca, extinta), de 3 de janeiro de 1948. Já escrevera Terra, romance, com que participara, em 1947, de concurso promovido pela Academia Paulista de Letras. Tem, publicado, “Casa Velhas” (contos). Seu primeiro trabalho infantil publicado foi “Metrô Brasil-Japão” que alavancou o autor a se dedicar ao público infantil.
Muitos de seus contos foram premiados, tendo tido parte deles publicados em coletâneas. Possui dois romances e obra memorialística, tudo esperando oportunidade para publicação. Continua escrevendo e morrerá, sem dúvida, deixando obra inacabada.

Pinhal – A História de Nossa Cidade (DVD)
Lançamento Original: 2012
ISBN: -
Autor (a): Luiz Cláudio Campos
Tradução: -
Páginas: -
Preço: -
Onde Comprar? -
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Sinopse:
Em seu mais recente trabalho, o autor propõe uma nova forma de contar a trajetória de sua cidade, desde os primeiros habitantes até os fatos que culminaram em sua fundação. “A História de Espírito Santo do Pinhal” é uma inovação. O DVD, que substitui o livro impresso bem como uma opção de acompanhar a nova forma de conhecimento das novas gerações e uma maneira prática de preservar o seu conteúdo e a memória.

Quem é Luiz Cláudio Campos? Nasceu em Espírito Santo do Pinhal, formado como profissional de marketing, é ilustrador, designer gráfico e autor de livros destinados ao público infanto-juvenil. Em 1996 lançou sua primeira obra “A Grande Descoberta!” que foi reeditada e lançada em 2006, com sua nova obra “A Cor dos Olhos”. Seguindo uma nova linha de trabalho, em 2009 publicou o manual de bolso “Como Air na Hora H” em que, de uma forma bem humorada, ilustra e dá dicas aos jovens em busca de seu primeiro emprego.

Um Lugar para se Perder
Lançamento Original: 2012
ISBN: -
Autor (a): Alexandre Staut
Tradução: -
Páginas: -
Preço: -
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Resenha: Clique Aqui
Sinopse:
"O protagonista deste segundo romance do escritor e jornalista Alexandre Staut é um homem conformado à rotina do trabalho anódino, em repartição pública, e à vida numa cidade provinciana, mesquinha. Enredado no cotidiano sem perspectivas, resta-lhe a companhia dos livros que retira na biblioteca municipal e contemplar o movimento das ruas, as conversas que se perdem no cotidiano, fofocas que se multiplicam como poeira, sempre a partir de um banco de praça.
Desenhar mapas e planejar viagens imaginárias não o conforta, mas só amplia a angústia sem remédio, que aos poucos vai corroendo seu espírito, minando os gestos mecânicos e o convívio apagado com colegas de trabalho, espremidos “em relações cordiais, quase matemáticas”, tão estranhos como os passantes que cruzam aleatoriamente seu caminho.
A situação desse personagem arredio, ensimesmado, muda inesperadamente com um encontro, na mesma praça onde costuma se refugiar. O homem acabara de deixar o asilo da cidade e queria uma informação de passagem, algo sem a menor importância. A curiosidade, no entanto, os aproxima e o narrador se vê capturado pela história do outro, por seus descaminhos, o corpo macerado por experiências dolorosas, a voz entrecortada pelas tragadas no cigarro de palha.
Superado o primeiro momento de rejeição, aquela figura misteriosa, esquisita, revelará segredos da pequena cidade, ocultos sob o manto tranquilizador da hipocrisia. O que parecia um encontro fortuito, torna-se um momento intenso de descobertas e transformações para o narrador. O contato e o confronto com o outro trará uma nova maneira de ver a si próprio e à existência enraizada naquela cidade.
Muitas são as provocações do escritor Alexandre Staut com esta narrativa envolvente e inquietante. A começar pela crítica ao comportamento acomodado e passivo de um cidadão comum, incapaz de virar o jogo da mesmice e assumir seu papel de sujeito. Por outro lado, está o desnudamento de uma sociedade conservadora, típica do interior brasileiro.
Como nas cidades fictícias de grandes autores latino-americanos – Juan Rulfo, Gabriel García Márquez, Juan Carlos Onetti – também ocorre neste universo aparentemente tranquilo idealizado por Staut a representação de nossas mazelas e belezas". - Reynaldo Damazio

Quem é Alexandre Staut? Nasceu em Espírito Santo do Pinhal (SP), em 1973, e mora em São Paulo. Jornalista, já trabalhou como cozinheiro na Inglaterra e na França. É também autor do romance “Jazz Band na Sala da Gente” (Toada Edições, 2010).

Ao longo dos três dias do III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro, diversas serão as atrações. Para expandir a qualidade do evento, artistas de várias partes do país estarão presentes no Theatro Avenida de Espírito Santo do Pinhal, onde apresentarão palestras e farão parte de mesas de escritores. Abaixo você pode conhecer um pouco mais dos principais nomes que estarão no evento que se inicia no próximo dia 21:

Ferreira Gullar
Nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. Em 1954 publicou “A luta corporal”, livro que abriu caminho para o movimento da poesia concreta. Levando suas experiências poéticas às últimas consequências, considerou esgotado esse caminho em 1961, e voltou-se para o movimento de cultura popular, integrando-se à UNE, de que era presidente quando sobreveio o golpe militar em 1964. Forçado a exilar-se do Brasil em 1971, escreve em 1975, em Buenos Aires, o seu livro de maior repercussão, “Poema Sujo”, publicado em 1976 e considerado por Vinicius de Moraes “o mais importante poema escrito em qualquer língua nas últimas décadas”. Em 2011, Ferreira Gullar recebeu os Prêmios Jabuti de Melhor Livro do Ano e de Melhor Livro de Poesia pelo livro “Em alguma parte alguma”.

Cristiane A. Sato
Formada em Direito pela Universidade de São Paulo, pesquisadora de mangá e animê, presidente da ABRADEMI – Associação Brasileira de Desenhistas de Maná e Ilustrações, colaboradora de publicações sobre cultura popular japonesa, mangá e animê desde 1996. Traduziu mangás e animês para TV. Palestrante convidada em eventos diversos no Centro Cultural Itaú, SESI, SESC, FAU-USP, Fundação Japão, Embaixada do Japão em Brasília, Consulado Geral do Japão, etc. Autora do livro Japop – O Poder da Cultura Pop Japonesa.

Ricardo Ragazzo
Nasceu e cresceu na maior metrópole da América Latina. Em 1995, aos 20 anos de idade, mudou-se para São Francisco. Lá teve contato pela primeira vez com o jogo de RPG (Role-Playing Games). Ao voltar ao Brasil, aprofundou-se no assunto criando histórias para serem jogadas sempre pelo mesmo grupo de amigos. Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, trocou de ramo antes mesmo de se formar, vivendo hoje como administrador de empresas.
Em 2008 decidiu criar um blog onde pudesse despejar todas as histórias que habitavam sua cabeça e, menos de um ano depois, já auto publicava um livro de contos a.C/d.C (antes destes Contos – depois desses Contos) pela Editora Baraúna. Graças ao árduo trabalho com o consultor literário internacional James McSill, escreveu seu primeiro thriller de suspense intitulado “72 Horas para Morrer” publicado pela Editora Novo Século.


Carlos Matos
É fundador e diretor do site de notícias Startupeando e também da agência digital Onlineando. Possui formações em jornalismo e comunicação, pela Anhembi Morumbi, em economia, pelo Mackenzie, e em web design e programação, pela Belas Artes. Entre 2006 e 2011 liderou a sucursal latino-americana da agência britânica Steel Business Briefing. Trabalhou como editor no portal da revista HSM Management e como repórter no jornal DCI, por três anos. Em comunicação corporativa assessorou a Associação Brasileira do Alumínio, a Yoki e outros. Heavy-user na internet produz também conteúdo para mídias sociais, blogs, revistas digitais, além de efetuar traduções para empresas argentinas, uruguaias e francesas no Brasil. Na República dos Escritores, foi responsável pela reformulação da identidade visual e comunicação da entidade.

Thiago Ururahy
Nasceu em São Paulo, capital. Hoje reside na cidade litorânea de Santos. Formado em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade pela USP, Thiago trabalho no mercado financeiro por longos oito anos, até resolver levar adiante sua real vocação: contar histórias.
A formação acadêmica e a fascinação por esportes – principalmente baseball e futebol americano – talvez sejam as experiências mais marcantes em seus textos, cujo principal objetivo, nas próprias palavras do autor é “além de entreter e dar ao leitor uma opção à velha programação televisiva, eu procuro basear a minha escrita em pilares da sociedade e do comportamento humano, seja analisando nossas paixões ou expondo as veias abertas dos nossos grandes erros do passado”.

Valéria Aparecida Rocha Torres
Nasceu em Espírito santo do Pinhal em 25 de fevereiro de 1964, cursou o primário e o ginásio na Escola Estadual Cardeal Leme. Graduou-se e tornou-se mestre em História Social pela Unicamp. Organizou duas revistas que tratam da História de Espírito Santo do Pinhal respectivamente em 1999 e 2008. Pelo fato de ser professora universitária possui alguns artigos científicos publicados – obrigação de ofício. Por prazer escreve sobre memória, história, patrimônio, preservação, ética, cidadania e muito mais numa coluna no Semanário A Cidade com dois parceiros fantásticos, a coluna se chama Pontos Cardeais que é um trocadilho bem humorado em honra ao Cardeal Leme.

Marly de Alencar Xavier Bartolomei
Nasceu em Machado (MG) na fazenda de seu pai. Foi, porém criada em São Paulo desde os três anos de idade. Teve grandes influência de seu pai, advogado e professor de história, cujos livros leu desde pequena, em sua grande biblioteca. Entrou na Faculdade de Filosofia da PUC-SP, mas logo se casou não se formando formalmente, sendo, portanto autodidata. Vindo para Espírito Santo do Pinhal, interessou-se pela história da fazenda onde morava que era do fundador da cidade, e, por extensão, por todos os moradores que marcaram época na localidade. Ficando viúva, tomou conta da fazenda e montou uma pousada para acabar de criar os filhos. É, portanto fazendeira e empresária, além de escritora.

Sílvio Tamaso D’Onófrio
Pinhalense, desde 2007 pesquisa a vida e obra do escritor Edgard Cavalheiro. Bacharel e licenciado em Letras pela Universidade de São Paulo, mestre em Filosofia da Cultura pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP, membro do Núcleo de Estudos de Epistolografia e bolsista CAPES.

Jorge Scélova de Semenovitch
Mineiro de Belo Horizonte, é arquiteto e auditor fiscal da Receita Federal, aposentado. Trabalhou na Fundação Getúlio Vargas na Assembleia Legislativa e na Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara; faz parte da diretoria do Instituto de Arquitetos no Brasil/RJ, trabalhou na diretoria da Estrada de Ferro do Corcovado; foi conselheiro do CREA/RJ. Autor do livro “Corcovado – A Conquista da Montanha de Deus”.

Moacir Amâncio
Poeta, jornalista, professor de língua e literatura hebraica, na FFLCH da Universidade de São Paulo. É autor de “Ata” (Rio de Janeiro, editora Record, 2007), entre outros livros de poemas, ensaios, reportagens e crônicas. “Yoná e o Andrógino” (Nankin: Edusp, 2010), é o seu livro mais recente.




Márcia Tiburi
Graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia. Publicou, entre outros, as antologias “As Mulheres e a Filosofia”, “O Corpo Torturado” e “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero”. Em 2011 publicou “Olho de Vidro – a televisão e o estado e exceção da imagem”. É professora do programa de pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da Revista Cult. Márcia participou durante cinco anos do programa de TV – Saia Justa, exibido semanalmente pelo canal GNT, ao lado de Maitê Proença, Bety Lago e Mônica Waldvogel.

Antônio Torres
Nascido num povoado chamado Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias, no sertão baiano), em 1940, Antônio Torres foi jornalista em Salvador e São Paulo. Viveu também em Portugal, em Lisboa e no Porto. Hoje, mora em Itaipava, Petrópolis, na Região Serrana do Ri ode Janeiro. É autor de 17 livros, alguns deles com várias edições no Brasil e traduções em muitos países. Descrevendo temáticas rurais com a mesma desenvoltura com que passeia por cenários urbanos e da História – como em “Meu querido canibal” e “O nobre sequestrador” – já conquistou prêmios importantes, entre eles o Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra, e o Zaffari & Bourbon, da 9ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, RS, além de ter sido condecorado pelo governo francês como Chevalier des Arts et des Lettres, por seus livros traduzidos na França. Entre os seus romances, se destacam os da trilogia formada por “Essa terra”, “O cachorro e o lobo” e “Pelo fundo da agulha”.

Atitude: uma palavra essencial para aqueles que querem fazer da cultura algo presente na atual sociedade brasileira. Não adianta apenas ter planos ou sonhos. É preciso agir e procurar fazer o máximo para que as ideias sejam colocadas em prática, e a cultura ganhe o espaço que todos querem e precisam. Em cada cidade, alguns grupos se destacam pela maneira como trabalham; em Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo, o poeta João Batista Rozon faz parte desse grupo de pessoas. Presidente da Casa do Escritor Edgard Cavalheiro, Rozon possui essa atitude e é um dos organizadores do III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro. O evento está chegando e já estamos De Olho Nele:
João Rozon durante homenagem no III Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro
Over Shock - João, é um prazer realizar essa entrevista e mostrar um pouco de seu trabalho e sobre o Pin Pin de Literatura aos leitores do blog Over Shock. Para começar, conte um pouco sobre quem é o poeta João Batista Rozon.
João Rozon - Agradeço a oportunidade, o carinho e o respeito que você sempre coloca em seu trabalho. Muito obrigado. Nasci em E. S. Pinhal, aqui estudei, me formei em Administração de Empresas e Direito, exerço a profissão de administrador, advogado e  perito judicial. Sou casado, tenho três filhos. Na sociedade faço parte da diretoria de quase todas entidades filantrópicas.  Pertenço a várias Academias de Letras e escrevo para jornais e revistas. Sou presidente da Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro” e faço suas reuniões toda quarta-feira, estamos na reunião 492, e este ano a Casa do Escritor completou-se 12 anos.

Over Shock - João, você é o presidente da Casa do Escritor Edgar Cavalheiro, que leva esse nome em homenagem a uma figura importante para a literatura, sobretudo pinhalense. O objetivo do Pin Pin é mostrar um pouco mais sobre o trabalho de Edgard, mas você ainda pretende fazer algo mais pela memória do escritor?
Rozon - O Edgard Cavalheiro, além de ter sido um grande escritor, biógrafo e amigo íntimo de Monteiro Lobato, juntamente com Lobato, foi um dos maiores divulgadores da literatura no Brasil, onde, naquele tempo, não tinha Editoras (eles foram editores), era raro encontrar uma Livraria (eles vendiam por consignação). Edgard ainda, promovia em S. Paulo as feiras de livros nas praças (o troca-troca de livros), incentivando a todos lerem. Foi presidente da Câmara Brasileira do Livro, idealizador do Prêmio Jabuti (maior prêmio de reconhecimento intelectual do Brasil), pediu o tombamento do Sítio que futuramente recebeu o nome de Sítio do Pica Pau Amarelo, e foi o pioneiro a fazer o programa No Sítio do Pica Pau Amarelo, com um detalhe – no rádio.

Over Shock - O Pin Pin de Literatura Edgar Cavalheiro é o principal evento literário de Pinhal e a cada ano vem se renovando, com o intuito de levar o melhor da literatura para a população da região. Quando surgiu a ideia de realizar esse evento?
Rozon - A ideia nasceu há uns 30 anos atrás, onde sempre sonhei em fazer o encontro de escritores em nossa cidade, como fazia Edgard na década de 50. Na verdade seria a Semana “Edgard Cavalheiro”, mas depois em 2010, surgiu a ideia de E. S. Pinhal e Pindamonhangaba, fazer um evento onde seria denominado Pin Pin de Literatura, utilizando-se Pin de Pinhal e Pin de Pindamonhangaba, porque aquela cidade também iria homenagear Monteiro Lobato, no final, o evento ficou somente para Pinhal, porque eles desistiram de participar.

Over Shock - Quais foram as mudanças que aconteceram da primeira edição, realizada em 2010, para a edição que acontecerá nos próximos dias 21, 22 e 23 de setembro?
Rozon - Este ano, a Casa do Escritor, juntamente com novos parceiros, após reuniões, chegaram à conclusão que o evento deveria ter outras atrações para atrair mais jovens, mas que levaria em conta também a presença de grandes nomes da literatura brasileira, foi quando conseguimos vários contatos e a presença do renomado poeta Ferreira Gullar, então, reunindo várias gerações para o engrandecimento do evento.

Over Shock - E o que o público que for ao Theatro Avenida encontrará no III Pin Pin de Literatura?
Rozon - Certamente encontrará tudo de bom, e creio que vai equivaler a um verdadeiro curso de literatura em três dias, pelo nível de informações propostas.

Over Shock - Em 2012, o Pin Pin contará com a presença de grandes ícones, como Ferreira Gullar, Moacir Amâncio e Márcia Tiburi.  Qual é a expectativa por receber esses nomes e como você vê a importância disso para a cidade?
Rozon - A importância para a cidade é muito grande, dado a sua vocação para a Literatura, desde os tempos de Edgard, agora, com o propósito de levar e elevar o nome da cidade, seus escritores e acima de tudo a educação e cultura, tão necessários nos dias de hoje.

Over Shock - O filho ilustre da cidade, Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra (Cardeal Leme), é o grande homenageado da 3ª edição do evento. O que encontraremos dessa importante figura no Pin Pin?
Rozon - O Cardeal Leme, homem muito importante para o Brasil, nascido em E. S. Pinhal, foi responsável por muitos acontecimentos no meio político, social e literário, relacionou-se com grandes figuras, inclusive Getúlio Vargas, também foi responsável pela construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Então, encontraremos nesta justa homenagem revelações importantes e a exposição inclusive de objetos pessoais, onde o público terá a oportunidade de conhecer o que ele representou para a cultura, a igreja e no cenário político.

Over Shock - O ano de 2012 marca o 28º aniversário do lançamento de seu livro, Cartas do Pensamento, por isso acontecerá uma merecida homenagem ao seu trabalho no último dia do evento. Como foi saber sobre essa homenagem que será feita por Patrícia Correa Françoso e pelo Prof. Elias Carlos Rodrigues? E o que você espera da homenagem?
Rozon - Confesso que fiquei muito emocionado, honrado e feliz por ver meu trabalho reconhecido após 28 anos, e é muito bom receber uma homenagem em vida, aliás acho que todas as  pessoas que merecem devem ser homenageados em vida. Em se tratando de Patrícia C. Françoso e Prof. Elias, tudo de bom deve acontecer, pois como já pude em várias reuniões da Casa do Escritor escutar os dois declamarem, são perfeitos e dão vida às letras, e emocionam o público pela perfeição e dedicação a literatura, de fato, com o dom da palavra. Espero então que meu coração aguente neste dia, porque o que escrevo são palavras vinda do coração de uma vida vivida com a consciência do que ela representa perante o Universo.

Over Shock - O pinhalense pode aguardar por uma quarta edição ou eventos semelhantes ao Pin Pin realizados em Pinhal?
Rozon - Sim. O que depender de mim farei tudo que for preciso para que o evento cresça e torna-se um grande evento a exemplo de outras cidades. Também tenho o sonho de realizar noites de poesia e boa música no Theatro Avenida, onde as pessoas possam conhecer o que é Poesia e viver momentos de prazer, escutando palavras que vem do coração, pura e construtiva.

Over Shock - Obrigado por ceder essa entrevista, João. Espero que goste e que todos possam conhecer um pouco mais sobre esse importante evento que terá uma cobertura especial no blog Over Shock. Aproveito para desejar sucesso em sua carreira literária e também ao evento. Para encerrar, deixe um recado final aos leitores do blog.
Rozon - Meu recado é: Viva e seja Feliz. Use os dons que Deus lhe deu, escreva, desenhe, pinte, toque um instrumento, faça uma canção, ame as pessoas, a natureza, seja dentro do Grande Universo uma linha de sua história, deixa registrado o seu Verso. Conto com a presença de todos meus amigos, pessoas que estão ou não ligadas em literatura e artes em geral para participar deste evento para que ele ganhe força e se repita todos os anos, afinal, todos precisam e muito de educação e cultura, somente assim podemos mudar, transformar, libertar e crescer como irmãos e viver em Paz.

Em uma cidade pequena, dificilmente um evento literário chega aos pés dos eventos realizados nos grandes centros. A diferença dos eventos nessas cidades são as características próprias de um lugarzinho calmo; de belezas naturais e arquitetônicas; e por vezes simpático. É por sua particularidade que o Pin Pin de Literatura Edgard Cavalheiro tem ganhado espaço na cidade de Espírito Santo do Pinhal, interior paulista, e também em suas cidades vizinhas.
Realizado desde sua primeira edição no bonito prédio do Theatro Avenida, o Pin Pin de Literatura tenta resgatar a memória de um dos pinhalenses mais importantes no meio literário: Edgard Cavalheiro. Grande amigo de Monteiro Lobato, Edgard foi o responsável por escrever sua biografia; por pedir o tombamento do sítio do autor que mais tarde ficaria conhecido como o Sítio do Pica-Pau Amarelo; além de ser o idealizador do Prêmio Jabuti, a mais importante premiação da literatura brasileira, e presidente da Câmara Brasileira do Livro (1955-1957). O Pin Pin tenta também relembrar as reuniões organizadas por Edgard em sua própria casa.
Apesar de ser criado pelas cidades de Espírito Santo do Pinhal e Pindamonhangabadaí o nome Pin Pin -, apenas a cidade na divisa com o estado de Minas Gerais prosseguiu com a ideia. No início, a ideia era homenagear Edgard e também Monteiro Lobato. Isso não aconteceu, mas os pinhalenses não desistiram e prosseguiram com a ideia de criar um evento literário que movimentasse a cidade - e que aos poucos ganhe espaço entre os principais eventos do país. O Pin Pin chega, em 2012, em sua terceira edição.
A primeira edição, realizada em 2010, comemorava duas datas importantes: o centenário de Edgard Cavalheiro e os 10 anos da Casa do Escritor, que leva seu nome e é presidida por João Batista Rozon. Realizado entre os dias 13 e 15 de agosto daquele ano, além de homenagear o escritor, o evento contou, entre outros nomes, com a participação de Moacir Amâncio; e do ator pinhalense João Acaibe, conhecido principalmente por interpretar o Tio Barnabé do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Ainda aconteceram os lançamentos dos livros Nossa Senhora do Café (Skoob), Jazz Band na Sala da Gente (Skoob), Quero Mesmo Ser Mãe?, e Corpos em Chamas.
Já na segunda edição, em 2011, o evento foi realizado entre os dias 19 e 21 de agosto e homenageou o Comendador Montenegro. Na ocasião, por mais de um mês ficou exposto na Praça da Independência, centro da cidade, uma homenagem ao Comendador que nasceu em 1824, na Vila de Lousã, Distrito de Coimbra (Portugal), e que faleceu em Pinhal no ano de 1915. O evento contou também com palestras sobre o Comendador Montenegro, Edgard Cavalheiro, o Cenário Cultural do Estado de São Paulo e Política Culturais, entre outros. Entre os lançamentos, os livros Yona e o Andrógino – Notas sobre Poesia e Cabala, O Sol das Feridas e O Suspiro da Maria Mole.

III Pin Pin de Literatura - 2012
O prazer da leitura pode e deve atravessar gerações, mas para isso ser possível, é preciso que o incentivo comece ainda na tenra infância. Essa é a intenção da terceira edição do Pin Pin de Literatura, que será realizado entre os dias 21 e 23 de setembro, no Theatro Avenida de Espírito Santo do Pinhal, e que reunirá talentos de diversas gerações.
Organizado em parceria com a Prefeitura Municipal, Departamento de Cultura e Turismo, Casa do Escritor Edgard Cavalheiro, UniPinhal, Programa Escola da Família e Associação Amigos do Theatro Avenida (AATA), o Pin Pin reunirá grandes nomes da literatura pinhalense e contará também com a participação de importantes figuras da atual literatura brasileira.
A abertura do evento ficará a cargo da Cia. de Espetáculos Viva Arte, que apresentará na sexta-feira (21), às 20h, a peça teatral O Rico Avarento, de Ariano Suassuna e dirigida por José Eduardo Martins.
Pela primeira vez, a cidade terá um evento que dedica um espaço para a cultura japonesa e contará inclusive com a presença de Cristiane A. Sato, presidente da Associação Brasileira de Desenhista de Mangá e Ilustrações (ABRADEMI), que fará uma palestra abrindo a programação no sábado (22). No anexo do Theatro Avenida, estará acontecendo exposições e painéis interativos com personagens de mangás, além de oficinas sobre o assunto
Como também aconteceu nas edições anteriores, o Pin Pin terá apresentações musicais e logo após a palestra de Cristiane, as bandas Garage Machine e SoundTrack sobem ao palco do Theatro Avenida para uma apresentação de quarenta minutos.
Durante a tarde, o autor parceiro Ricardo Ragazzo - 72 Horas para Morrer (Resenha) -, bem como Thiago Ururahy e Carlos Matos, membros da República dos Escritores, participam de uma palestra sobre os temas: Storytelling - estruturando sua trama como os filmes de Hollywood; Web 2.0; e Por que autores abandonam seus projetos?.
Antes da próxima palestra, haverá uma apresentação da Associação Social e Cultural Beija-Flor. Só então começa a Mesa de Escritores sobre Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra - História Sincera de Dom Sebastião Leme (Resenha), de Ubirajara Rocha e Francisco da Silva Costa -, o Cardeal Leme, filho ilustre da cidade. Mediado por Valéria Aparecida Rocha Torres, a mesa terá ainda a presença do escritor mineiro Jorge Scélova de Semenovitch, de Sílvio Tamaso D’Onófrio e de Marly Bartolomei.
Cardeal Leme foi uma figura de extrema importância para o Brasil, tanto na religião, como também na política. Apesar dessa importância, poucos pinhalenses conhecem a história desse grande homem que se tornou figura pública e foi o idealizador do Cristo Redentor no alto do Corcovado, uma das 7 Novas Maravilhas do Mundo. Por isso os palestrantes abordarão o tema “Fé, Razão, Política e Poesia”, reunindo os principais temas que estiveram presentes na vida do homenageado, Dom Sebastião, o segundo cardeal brasileiro e Arcebispo de Olinda e Recife (1916-1921) e do Rio de Janeiro (1930-1942).
Logo após a merecida homenagem a Cardeal Leme, haverá o lançamento oficial da mais nova edição da Antologia Literária Pinhalense, que surgiu em 2004 após uma conversa entre os escritores Lázaro Cabral e Marcos Alberto Salvi. No evento também serão lançados os livros Um Lugar para Se Perder (Skoob), de Alexandre Staut; Meus Bichos, de José Geraldo Motta Florence e o DVD Pinhal – A História de Nossa Cidade, onde Luiz Cláudio Campos conta a história da cidade de uma forma bem diferente e interativa.
O ponto alto do evento acontecerá ainda no sábado, a partir das 20h, quando o grande poeta Ferreira Gullar fará uma participação especial no Pin Pin de Literatura. Com 82 anos, Ferreira Gullar publicou mais de 30 livros e seu mais novo trabalho, Em Alguma Parte Alguma (Skoob), conquistou o Prêmio Jabuti em 2011.
No domingo (23), o poeta pinhalense João Batista Rozon será homenageado a partir das 9h30, quando Patrícia Correia Françoso e Prof. Elias Carlos Rodrigues declamarão poesias de autoria de João Rozon. Na sequência, haverá uma mostra de dança pelo Sarau Encontro das Artes, de Alessandra Filippi.
O momento mais importante do último dia do evento será a Mesa de Escritores mediada por Moacir Amâncio e com a participação de Antônio Torres e Márcia Tiburi. Os três discutirão a partir das 10h30, “A Morte da Narrativa nos Dias de Hoje”.
Encerrando o evento, a Big Band Cardeal Leme se apresenta para colocar um ponto final na edição 2012 do principal evento literário de Espírito Santo do Pinhal. A cobertura completa você acompanha até a próxima segunda-feira. Fique por dentro!