Novo mês, nova entrevista aqui no OverShock na seção De Olho Neles. Esse mês, tive a oportunidade de entrevistar Diogo de Souza, escritor da nossa parceira, Editora Dracaena que está lançando o livro Abascanto - A sombra dos Caídos. Autor também de A Fuga de Rigel, Diogo gentilmente respondeu nossas perguntas de uma forma muito interessante. Sabe quando você faz uma entrevista e ao ver ela completa, se sente orgulhoso por ter feito parte disso? Foi o que aconteceu. Antes de tudo, queria agradecer a forma como ele nos atendeu, sendo muito gentil e como eu disse, respondendo de forma completa às nossas perguntas. Sério: me sinto orgulhoso de ter feito essa entrevista. Mais vamos ao que interessa...
OverShock - Bom, Diogo, é um prazer poder estar te entrevistando e acredito que nossos leitores também irão gostar, então comece se apresentando para os Overshoquenses?
Diogo de Souza - Autor, escritor, ator, diretor, jogador e narrador. Nas horas vagas eu trabalho. Caí nesse planeta há 36 anos, e ainda não entendi direito como isso tudo funciona (as coisas eram mais simples em Urano). Sou jogador inveterado de RPG desde que conheci a coisa, curto um bom jogo de computador, e mais todas aquelas coisas associadas: anime, séries de ficção científica, convenções nerd, etc...

OverShock - Jogo Rápido
Nome completo: Diogo de Souza Feijó.
Cidade e Estado: São Paulo, SP.
Data de nascimento: Prefiro não dizer.
Estado Civil: Solteiro.
Torce para qual time? São Paulo.
Profissão: Engenheiro de Software.
Estilo de Música: Rock clássico.
Prato preferido: Camarão à paulista.
Filme: Inception (traduzido como: A Origem).
Autor: George R. R. Martin.
Frase: “Vivemos em um mundo tão singular, que o viver, é só sonhar” (Calderón de La Barca)

OverShock - Como e quando surgiu a vontade de contar histórias? No começo você já estava decidido a publicar um livro?
Diogo - Quando começou? Desde que eu me entendo por gente. Sempre, de um jeito ou de outro, eu estava querendo contar histórias para alguém. Acho que foi isso o que mais me atraiu no RPG, e também o que me levou ao teatro e à direção de peças um tempo depois.

A idéia de escrever um livro mesmo não é tão antiga. Eu mesmo não pensava em escrever até que um dia um amigo meu me disse: “Ei, porque você não escreve um livro?”, e foi isso. A partir daí, essas histórias não deixaram mais de me atormentar, e o único jeito que eu tenho de fazer com que elas parem de povoar a minha mente 24 horas por dia é colocá-las no papel (ou na tela do micro... vocês entenderam).

OverShock - Você já publicou dois livros, certo? Como foi o trabalho para chegar a publicação de ambos?
Diogo - Escrever um livro é a parte mais divertida. A publicação – nem tanto. Depois que você termina de escrever, e sente o prazer mudo que silencia a mente quando coloca o ponto final no seu texto, aí começa o processo de revisões, que leva às leituras críticas, que depois levam aos leitores beta... e depois de você rever todo o seu texto ponto a ponto, e virar do avesso tudo o que você achava que era sacrossanto na sua história... depois disso você ainda tem que enviar o original para os editores, e na sua imensa maioria eles não
vão se dignar nem a te responder.

Mas, com tudo isso, eu sentia que cada etapa do processo fazia a minha história um pouquinho melhor. Um bom livro, para nascer, precisa ser dissecado, e quando você junta as partes de novo, o que aparece é uma obra mais sólida, mais divertida, mais madura.

Escrever um livro é um prazer triplo. É um prazer quando você começa, é um prazer quando você termina, e é um prazer quando você publica. E vou dizer que ver a sua história terminada, na sua frente, diagramada e com capa, pronta para ser entregue ao mundo... isso realmente não tem preço.

OverShock - Abascanto, A sombra dos Caídos é seu segundo livro. Conte um pouco sobre o livro, e o que ele promete aos leitores.
Diogo - Abascanto conta a história de seres de uma outra dimensão, chamados de “grigori”, e a luta que travam em nosso planeta – uns para impor a sua visão de mundo, e outros para preservar a liberdade dos humanos de escolherem seu próprio caminho. Em meio a esse conflito, está Érico, um jovem recém formado que por acidente acaba entrando em contato com a existência dos grigori, e daí para frente toda a sua vida desaba.
É uma história recheada de ação e aventura, e em seu âmago, é um conto de fadas moderno. É a história da opção entre a vingança e o perdão, entre liberdade de escolha e a segurança, entre a família e o dever.

OverShock - Já existe um terceiro livro que você pretende lançar? Divulgue as novidades para nossos leitores. Rs
Diogo - Sim, meu terceiro livro: “Nêmesis, o Retorno de Astarot” já está pronto e também será lançado pela editora Dracaena. Nêmesis conta a história de uma família de magos, os Masters, que em 1875, aprisionaram um grande demônio chamado “Astarot”. Agora, uma profecia recém feita revela que Astarot está para ser libertado, e o veículo de sua libertação será Isabela Zuckermann, uma jovem ginasta que nem suspeita da existência da magia.
O leitor acompanha Isabela em uma fuga desesperada dos Masters enquanto eles tentam, uns matá-la, e outros preservá-la para que ela cumpra a profecia. Entremeando tudo isso, o livro apresenta o questionamento sobre o que é o livre arbítrio, qual o alcance da liberdade, e até onde podemos, realmente, mudar o mundo.

OverShock - Para você qual o melhor horário para escrever e por quê? Você segue algum ritual na hora da escrita?
Diogo - Eu gosto de escrever à noite, e procuro fazê-lo pelo menos três vezes por semana. Quando eu escrevo, gosto de silêncio *absoluto*. Há muitos autores que escrevem ao som de música, por exemplo, mas eu procuro me isolar de todas as distrações possíveis. Para mim, é no silêncio que a história se revela, desfila na minha frente, e flui para o papel.

OverShock - Voltando para seu passado: na escola você era o do tipo quietinho ou estava sempre no meio da bagunça?
Diogo - Eu era muito, mas muito quieto. Também nunca fui de tirar altas notas, eu estudava o mínimo necessário para passar de ano, e sempre passava raspando – todo o fim de ano era um sufoco. Sempre havia algo mais interessante que ocupava minha mente nas aulas – um filme, ou um desenho animado, ou algum jogo de videogame (eu tive o primeiro “Nintendo”, em 8 bits) – e eu ficava vendo as horas passar pensando nessas coisas, e depois tinha que correr para entender o que foi dito na aula...

OverShock - Qual a dica que você deixaria para as pessoas que estão começando agora e que tem o sonho de se tornarem escritores?
Diogo - Perseverem. A palavra da vez é: perseverança. Não desistam nunca. Especialmente: não parem no meio. E qual é o principal elemento para ser um escritor bem sucedido? No meu conceito: elã. Elã é o prazer, a paixão, o desejo incontrolável de materializar uma história. É o elã que vai gerar o prazer de escrever, o prazer de terminar o livro, e o prazer de publicar. E sem prazer, você pode vender quantos livros quiser: não será bem sucedido. O sucesso acontece, antes de qualquer coisa, dentro. Sucesso é saber que você conseguiu, que aquele sentimento primeiro que te moveu a abrir uma página em branco do Word e ficar olhando para ela até escrever alguma coisa, esse sentimento está ali, pronto, na sua frente, com começo, meio e fim. 

Se houver o elã e houver perseverança, o terceiro fator, em minha opinião, é humildade. E esses três fecham a trinca que fará de você (em tempo) um autor completo. Por humildade, aqui, eu quero dizer: aceite tudo. Ouça as críticas, ouça os comentários, não discuta, não tente defender seu livro: ouça e aceite. Tente digerir as impressões de todos os leitores, tente extrair o ponto de utilidade em cada feedback. Nem todas as críticas são feitas com boas intenções, mas mesmo com as críticas destrutivas, nós podemos aprender.
Aceite tudo, mas não sem uma análise sua. Use o bom senso, e não deixe passar nenhuma oportunidade para melhorar. Tenha sempre em mente que ninguém é o escritor perfeito, e, uma vez que somos todos diferentes,
sempre há o que aprender – com todos. É isso: Perseverança, elã e humildade, que diferencia um escritor que se sente realizado, de um que não se sente.

É comum ouvir que, para escrever bem, é preciso ler muito. Isso é bem verdade, mas eu adiciono aqui mais uma coisa: É preciso saber como ler muito. É preciso ler e analisar o que foi lido. Ler muito fará de você um bom leitor. Mas ler e analisar, isso sim, fará de você um autor mais capaz. Analisar o que? Analisar o que é nessa obra que a faz boa. O que é que poderia melhorar. Em que momentos eu me diverti mais? Em que momentos eu pulei as páginas? Como é que esse personagem foi construído para ser tão legal? E porque é que aquele personagem, que poderia ser tão legal, ficou fraco?

Então: leia, sim, e leia muito, mas não deixe de analisar o que é lido.

OverShock - Para encerrar, deixe uma mensagem aos nossos leitores. E obrigado pela entrevista.
Diogo - Sou eu quem agradeço. É um grande prazer para mim poder oferecer esses delírios meus para as pessoas, e é muito legal quando alguém que lê um dos meus livros responde com suas impressões, seus sentimentos. Um livro é um trabalho a três. O autor e a obra são apenas dois elementos, mas o livro
mesmo só se completa quando é lido, quando o leitor sintoniza sua mente com a criação do autor, e vive aquela experiência ali transmitida – através da sua ótica particular de leitor. Então, eu tenho é que agradecer muito aos leitores, porque sem eles meus livros seriam incompletos. Espero que vocês se divirtam muito com “Abascanto”, com “Nêmesis”, e com quantos livros mais eu puder escrever. Abraços a todos.

Email para contato: contato@diogodesouza.com.br
Twitter: @DiogoDeSouza

5 Comentários

  1. Ah Rick ficou muito bo a entrevista!!! Adorei as respostas do Diogo, me fizeram refletir!!!

    Parabéns ao Rick pela entrevista e ao Diogo pelos livros!

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  2. |\|¡!

    Uma entrevista realmente gostosa de ler, mas também pelas perguntas que buscaram o lado pessoal junto aos livros, bem escolhidas :)

    Sobre os livros do Diogo, eu já li Abascanto e agora estou muito animado para ler Nêmesis!

    .:.

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  3. Que bom que gostaram, só de saber que foi bem vista esta entrevista, a vontade de continuar fazendo isso com outros autores aumenta ainda mais..

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  4. O Diogo é um grande Amigo.
    Acompanho seu trabalho desde 2003, no teatro e nos livros, e é impressionante sua mudança com o passar das experiências.
    Sou testemunha de que ele é Exemplo do que diz na entrevista sobre Elã, Perseverança e Humildade - e de que ele trabalha incessantemente para manter esse 3 elementos em tudo que vejo que faz.
    Parabéns pela ótima entrevista, Overshock.
    E parabéns ao Diogo, por bem aproveitar as oportunidades que se apresentam para realizar esses trabalhos.
    Abraços
    Ricardo Spínola

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  5. Muito bons seus livros, Vida moderna e Fantasy.

    Não vejo a hora do Próximo

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