Paraísos Artificiais


Resenha: Por mais que exista a liberdade de expressão, alguns temas ainda sofrem certo tipo de preconceito, entre eles o sexo e as drogas. Em Paraísos Artificiais, o diretor Marcos Prado Tropa de Elite 2 (Resenha) – estreia produzindo uma ficção e aborda esses e outros temas presentes na vida dos jovens.
O filme é protagonizado pela Dj Erika (Nathalia Dill) e a escritora Lara (Lívia Bueno), grandes amigas e que além disso, nutrem um desejo verdadeiro uma pela outra. Durante um festival aonde Erika iria se apresentar, as jovens conhecem Nando (Luca Bianchi) e a relação entre eles se torna intensa, até que acontece a separação. Anos mais tarde, Erika se encontra com Nando em Amsterdã e eles se apaixonam, mas as lembranças alertam que as escolhas do passado podem e vão influenciar o presente.
Quando as drogas estão presentes na vida, de jovens ou não, elas acabam influenciando e causando males que são irreparáveis. Muitas vezes, isso é percebido tarde demais e nem por isso as drogas são evitadas. Para as personagens de Paraísos Artificiais, o que realmente importa é aproveitar o momento de amor, diversão e liberdade, evitando assim fazer as escolhas certas.
Com o envolvimento da música eletrônica, o filme mostra, além do consumo, a facilidade em conseguir dinheiro através das drogas. Mesmo que tarde, todos nós somos capazes de perceber nossos erros e fazer com que a experiência liberte uma pessoa que está seguindo o mesmo caminho. Essa é a missão de Nando, personagem que sofreu a maior mudança com o passar do tempo.
Em idas e vindas ao passado, Paraísos Artificiais possui uma história complexa, apesar de se focar nas escolhas das personagens. Usando e abusando dos ótimos cenários e do sexo – tão comentado pela mídia -, o diretor Marcos Prado também explorou a qualidade de seu elenco em cenas impactantes, sejam elas quentes ou colocando Nathalia Dill frente a frente com búfalos, em uma das melhores cenas de todo o longa-metragem.
Os sentimentos entre as personagens são reais, principalmente quando se trata do desejo, mas o show por parte dos atores também está com o uso das drogas. Ainda que esteja presente na vida da maioria das personagens, é Lívia de Bueno quem se destaca, representando como ninguém um usuário e fazendo com que tais cenas se aproximem da realidade e da falta de lucidez.
A ficção em Paraísos Artificiais não está longe da veracidade. Sabemos que por mais fictício que seja tudo o que está presente – amor, sexo, drogas, diversão etc – é comum no dia-a-dia de jovens que optam por seguir esse estilo de vida. Mas, os diálogos propostos em 96 minutos de filme, têm como objetivo mostrar que por mais divertido que possa ser, as raves devem ser aproveitadas de forma que isso não prejudique o nosso próprio ser. Aproveitar a diversão por trás da música eletrônica e se entregar ao amor, mas não se deixar levar pelas drogas e pelas escolhas erradas que elas podem causar.