Ainda que com bagagem literária extensa, alguns importantes nomes da literatura mundial faleceram cedo, deixando um legado de escritos valiosos não apenas para o seu tempo. A vida curta também pode causar discussões sobre o envolvimento com determinados movimentos, o que aconteceu com Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, considerado por alguns um poeta parnasiano e por outros um pré-modernista.
Os primeiros versos de Augusto dos Anjos foram escritos aos sete anos, quando já revelou um talento único com as letras. Paraibano de Engenho Pau d’Arco, atual Sapé, o poeta nasceu em 20 de abril de 1884 e foi alfabetizado pelo pai. Cursou Direito em Recife, onde concluiu os estudos em 1907, três anos antes de se casar com Ester Fialho.
O poeta herdou grande parte de suas características de nomes da filosofia europeia, por isso que em seus poemas é possível perceber o quanto ele valorizava a própria realidade. Por se importar com o próprio “eu” que alguns o consideram um poeta do simbolismo, apesar de ter apenas algumas das características do movimento que surgiu no final do século XIX na França.
Augusto dos Anjos ainda possui características do parnasianismo, como a riqueza das rimas e o uso constante dos sonetos, mas o que mais chama a atenção é a profundidade, que leva o leitor a uma reflexão sobre a vida e a sociedade em geral sem qualquer tipo de enrolação. Justamente por essa forma de escrever que é um dos principais poetas do pré-modernismo brasileiro.
Sua primeira publicação foi o poema Saudade, em 1900. Nesse soneto, Augusto dos Anjos diz: “Da saudade na campa enegrecida / Guardo a lembrança que me sangra o peito / Mas que no entanto me alimenta a vida”. Esse é apenas um dos exemplos que mostram o sentimento marcante na obra desse Imortal da Literatura.
O único livro publicado foi Eu (Skoob), em 1912, que ganhou uma nova versão intitulada Eu e Outras Poesias (Skoob) após a morte do poeta. Muitos confundem a verdadeira causa da morte de Augusto dos Anjos, que faleceu em Leopoldina-MG no dia 12 de novembro de 1914, com apenas 30 anos. Apesar de muitos acreditarem que o poeta tenha morrido devido à tuberculose, a verdadeira causa foi a pneumonia, que colocou fim a vida de um imortal conhecido pela melancolia de seus versos.
“Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.”
Augusto dos Anjos em Psicologia de um vencido
Augusto dos Anjos em Psicologia de um vencido
Augusto dos Anjos - ☆ 20/04/1884 - ✞ 12/11/1914











