Olá leitores!

Como disse na minha postagem de apresentação, meu papel aqui no Over Shock seria desenvolvido em crônicas e análises de músicas, assim como são feitas no meu blog, O Livro Dos Dias.
A diferença das postagens, é que no meu blog, faço análises seguindo um padrão de versos e interpretações, e aqui, apenas um simples texto que exemplifica a moral que quero passar diante de uma música, interpretando-a e escrevendo por sobre a letra, a moral contida.
Analisar músicas é uma coisa que fazemos toda a vez que colocamos nossos fones nos ouvidos, ou apertamos play em nossos rádios ou ligamos nossos aparelhos. Fazemos sem perceber, um trajeto, uma história, da música que ouvimos, e isso se torna muito claro quando ouvimos musicas brasileiras, que percebemos a moral histórica-cultural nas entrelinhas da letra e vamos fazendo uma conexão e um parâmetro de histórias que elas vão abrangendo.

Beth MacIntyre (Winona Ryder), a primeira bailarina de uma companhia, está prestes a se aposentar. O posto fica com Nina (Natalie Portman), mas ela possui sérios problemas pessoais, especialmente com sua mãe (Barbara Hershey). Pressionada por Thomas Leroy (Vincent Cassel), um exigente diretor artístico, ela passa a enxergar uma concorrência desleal vindo de suas colegas, em especial Lilly (Mila Kunis). Em meio a tudo isso, busca a perfeição nos ensaios para o maior desafio de sua carreira: interpretar a Rainha Cisne em uma adaptação de "O Lago dos Cisnes".

A primeira música que farei um texto-análise, é Ciranda da Bailarina, de Chico Buarque de Holanda. Publicada pela Som Livre, o disco foi lançado em 1983, anos depois do Ato Inconstitucional nº 5 (AI-5), ser abolido - A arma contra a democracia, o silêncio da mídia, o escudo protetor, em plena Ditadura Militar, e dois anos antes, da própria Ditadura ser acabada.

Quando faço análises, gosto geralmente de colocar o lado político ou crítico, mas Ciranda da Bailarina é uma das de Chico, que conseguimos sempre mostrar a dualidade da letra, e ver realmente a moral (ou as morais) que podemos levar num contexto social. A letra foi escolhida, para traçar um paralelo com o filme O Cisne Negro (Resenha de Filmes), onde além dos problemas psíquicos enfrentadas pela atriz principal, é mostrado o árduo trabalho de se atingir a perfeição para arrancar-se da platéia, os aplausos merecidos, e é neste ponto que entra Ciranda da Bailarina, mostrando problemas físicos, desde problemas simples, como dor de barriga, piolho, coceira e machucados até deficiências e problemas sociais, como casa sem mobília, goteira na vasilha e falta de maneiras. Todos têm problemas, apenas a bailarina não tem! Ela é perfeita no que faz, e faz tudo com perfeição. E procurando bem, todo mundo é perfeito e acha problemas onde não há, e pensando mais forte e mais brutalmente, Chico traçou um paralelo da perfeição de uma bailarina, da exclusividade dos bons modos e gestos, corpo, mente e saúde perfeitas que apenas elas possuem, com o que a TV na ditadura deveria mostrar.

A ditadura entra na história com uma mídia cegando brasileiros, fingindo ter uma sociedade de bailarinas e bailarinos. Onde não há problemas, onde não há imperfeições, onde todos são bons nos gestos e atos.

Quanto ao filme, O Cisne Negro faz alusão ao Lago Dos Cisnes, que é uma revolução do balé, a primeira apresentação que contou com vestimentas mais curtas, além de ser relembrada até hoje, por sua trama.

Quanto a música, a bailarina, no sentido literal (novamente), que Chico quis mostrar, foi o símbolo mundialmente conhecido por representar a perfeição feminina, desprovida de imperfeições, a bailarina de Chico torna-se na verdade uma estátua, sem os "defeitos humanos" que qualquer mulher, que dança, que encanta, poderia ter.

A música vem do disco O Grande Circo Místico, que foi produzido por Chico Buarque em companhia de Edu Lobos, para a apresentação sonora em teatros e outros espetáculos sob encomenda. Ele conta com a voz de Milton Nascimento, Jane Duboc, Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Zizi Possi e Simoni.



Eduardo Rezende - Tenho 17 invernos de vida, sou jornalista, idealizador de um "Grupo de Debates", membro da "Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro", gosto muito da música popular brasileira, do nosso rock nacional, e de livros e café que aconcheguem e combinem. Fiz trabalho voluntário em Sala de Leitura e Estudo/Biblioteca, apaixonado por estudo de religiões, sociedade e simbolismos.