A Sombra do Inimigo (Alex Cross)


Resenha: O detetive e psicólogo Alex Cross é um dos mais bem elaborados personagens da atual literatura policial, e isso graças a genialidade de James PattersonAmeaça Mortal (Resenha). Mas, ao ser levado novamente as telas do cinema, o personagem sofreu por não ter a já conhecida personalidade marcante de Cross.
Em A Sombra do Inimigo, Alex Cross (Tyler Perry) passa a investigar as mortes que foram causadas por Michael Sullivan (Matthew Fox), um misterioso matador de aluguel que está silenciando importantes nomes da cidade de Detroit. A princípio Sullivan tem determinados objetivos, porém, quando o detetive passa a persegui-lo, a rixa se torna pessoal e a família de Cross, que ele tanto ama, pode estar correndo sério perigo, o que pode levá-lo a fazer justiça com as próprias mãos.

Baseado em dois livros de James Patterson totalmente distintos (Eu, Alex Cross e Um Desafio para Cross), A Sombra do Inimigo contou com uma diversidade incomum em seu elenco/produção, e talvez por isso não conquiste tanto quanto as obras do autor de suspense mais lido do mundo. Os primeiros pontos a serem ressaltados são sobre a investigação e as atitudes de Alex Cross, que em grande parte não convencem e até mesmo se diferem do que o personagem dos livros realmente faria, e isso pode agradar apenas os que ainda não conhecem o personagem.
Mas ao mesmo tempo em que a figura de Alex Cross como detetive não se parece com os livros, o pai de família é totalmente idêntico, possuindo a preocupação e uma relação muito forte com todos, sendo que ele usa disso para prosseguir com seu trabalho. Isso bastaria caso Tyler Perry representasse bem o que até então conhecemos das páginas dos livros, e talvez o peso da responsabilidade de substituir Morgan Freeman, que interpretou o personagem em Beijos que Matam (1997) e Na Teia da Aranha (2001), tenha prejudicado o ator que é conhecido por seus trabalhos como comediante – mesmo sendo um bom ator, a escolha de Perry não foi nada agradável.
Se quem mais deveria se destacar não se sai tão bem, sobra para o antagonista conduzir o filme para que esse não se perca, e Matthew Fox, protagonista na série Lost (2004-2010), atinge seu objetivo com perfeição. Praticamente irreconhecível em sua primeira cena, Fox foi muito criticado por alguns especialistas do cinema, porém, apesar de certos exageros, conseguiu passar a imagem de um personagem alterado, já que aparentemente essa era a intenção.
A história em si acaba se tornando fraca, sem algumas explicações necessárias, mas não deixa de ter suas cenas marcantes, surpreendentes e até mesmo clichês. Também muito criticado, o diretor Rob Cohen, conhecido por Velozes e Furiosos (2001), acertou em determinados jogos de câmera e em efeitos simples/previsíveis, o que deu um up a mais a essa produção, principalmente no final. Não é um filme de suspense perfeito, e tem grande chance de ser odiado por muitos, principalmente os mais exigentes. Mas é um filme para se assistir sem qualquer expectativa. Uma coisa é certa: alguém tão versátil como James Patterson poderia tranquilamente escrever sozinho o roteiro de A Sombra do Inimigo. Isso provavelmente faria uma enorme diferença.