A Grande Rainha, Sérgio Roberto de Paulo, 1ª edição, Barueri-SP: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira), 2012, 368 páginas.
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Atualmente o autor Sérgio Roberto de Paulo, que possui graduação e doutorado em Física pela Unicamp, é professor associado da UFMT e divide seu tempo entre as aulas e a escrita de seus livros, a começar por A Grande Rainha, primeiro livro da série A Saga de Mitrax.
Na primeira obra do autor, conhecemos a jovem Aara, uma garota humilde que após buscar ajuda para sua vila é aclamada como a Grande Rainha de Brenor, o que lhe garante regalias e uma considerável importância. Mas para assumir tal cargo, Aara precisa passar por um intenso treinamento e por isso conta com a ajuda do mago Aldebaran, e do gnomo Gdu.
Ao mesmo tempo em que é treinada, a Terceira Grande Rainha, como é conhecida, precisa enfrentar Mitrax, líder dos anjos, que enviou dois de seus exércitos em busca de cristais de diferentes poderes e que estão espalhados pelo reino. A missão de Aara não é nada fácil, e a sua bondade e simplicidade podem ser fundamentais para ela atingir o seu objetivo e salvar todas as pessoas ao seu redor, mesmo que para isso precisa enfrentar os exércitos e inúmeros seres fantásticos.
“No instante em que o peso de seu corpo foi projetado sobre os pregos, uma torrente abundante de sangue jorrou das mãos da rainha e a espada de Alionor, à medida que a terra se encharcava, afundava ainda mais no chão. A dor da dilaceração de suas mãos era tamanha que ela ficou completamente sem ar” (pág. 220).
Em sua sinopse, A Grande Rainha promete ser “uma trama rica, de grande diferencial da literatura fantástica”, e para isso o autor uniu elementos de inúmeras séries do gênero, além de importantes nomes da literatura mundial. Mas apesar de clara influência, como nomes de personagens ou simplesmente situações, o livro possui sim um grande diferencial, sobretudo quando tratamos do enredo criado por Sérgio Roberto.
Aparentemente essa é apenas mais uma história fantástica, que a princípio pode até mesmo ser considerada clichê, afinal, é comum encontrar histórias em que pessoas normais assumem o trono de um importante reino. O que faz essa obra se tornar tão diferente é o fato de tudo ser o mais complexo possível, com uma mitologia singular e explicações necessárias, sem que exista enrolação nas tais explicações. O livro é bem descrito, porém também possui alguns momentos confusos e que precisam de maior atenção dos leitores, o que pode ser considerado normal para uma obra que narra sobre outro mundo, onde tudo é muito novo para o leitor.
Ao mesmo tempo em que tudo é novo para o leitor, também é novo para a protagonista, que como citado passa por um ensinamento detalhado sobre sua função, o passado do reino e até mesmo o que todos esperam sobre ela a partir do momento em que se torna a Grande Rainha. Parte desse ensinamento é totalmente necessário, enquanto outra parte segue caminhos inesperados e por vezes cansativos, principalmente quando ganha um tom espiritual.
Ainda assim, os personagens envolvidos contribuem para o desenrolar da história, e acaba sendo impossível não se encantar com a estruturação de cada uma das personagens, sejam eles principais ou secundários. O autor fez um grande trabalho ao criar uma rainha bondosa, simples e de personalidade única; um mago de inteligência excepcional; vilões amedrontadores; e um gnomo que é completamente hilário e que facilmente pode ser confundido com um pescador, já que de “histórias de pescador” ele entende muito bem.
Com capítulos longos, cenas curtas e diálogos formais, A Grande Rainha pode ser considerado uma grata surpresa na literatura fantástica, e isso se deve mais ao fato da série se iniciar tão diferente, tão única. Mesmo se passando em outro planeta (Micropella), a história possui muitas semelhanças com a nossa realidade, como o lado político, religioso e cotidiano. E a infinidade de seres que a protagonista é obrigada a enfrentar, gerando inúmeras cenas de ação, só mostra que por mais difícil que seja nossa missão, quando envolve a vida de terceiros nossa coragem aumenta, assim como o desejo de um final feliz para todos.
“Aara aproximou a mão do rosto e o pássaro não parecia teme-la. Ela olhou bem para o pássaro e notou que os seus olhos a miravam. Ele não emitiu nenhum som, mas a sua beleza lhe falou. Falou, não por meio de palavras, mas da beleza em si, dizendo mais ou menos o seguinte: “Apesar de todas as dores, a vida é bela e vale a pena ser vivida. Não desistas dela, ame cada segundo da tua vida e não deixes que nenhuma outra alma sequer, abaixo desse céu, desista dela”.” (pág. 353).
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