O Destino do Tigre, Colleen Houck, tradução de Raquel Zampil, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2013, 400 páginas.
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Para um leitor que passa a gostar de uma série, independente do que tenha mais agradado, o medo de um desfecho insatisfatório é o que mais incomoda. Quando apenas um detalhe impede uma série de se tornar favorita, esse medo é ainda maior, mas a última coisa que o leitor quer é que outros detalhes estraguem uma história que tinha tudo para ser perfeita – ou quase isso.
Ao iniciar a leitura de O Destino do Tigre, quarto livro da saga A Maldição do Tigre, o leitor já espera que grande parte das coisas se resolva, principalmente em relação ao romance, que é previsível e justamente por isso necessitava de um fim o quanto antes. Ainda assim, a protagonista Kelsey continua com seu dilema e suas dúvidas sobre qual dos dois príncipes é o seu verdadeiro amor, mesmo declarando amar tanto Kishan como Ren.
Mas dando sequência ao seu grande objetivo, que é liberar os príncipes indianos de uma antiga maldição, Kelsey precisa enfrentar o grande vilão, Lokesh, em uma aventura envolvendo o fogo, um dos quatro elementos. Apesar de estar em busca do último presente para a deusa Durga, essa aventura não será nada fácil, e o triângulo precisa estar unido para que todas as peças se encaixem e a história seja contada conforme traçou o destino.

“Ele rasgou o ombro do meu vestido, então gemeu e traçou uma trilha de beijos dolorosos do meu ombro nu aos meus lábios congelados. Correu as mãos rudemente pelas minhas costas, subindo e descendo, e puxou meu cabelo. Eu queria vomitar, mas não conseguia. Seu hálito quente e pungente era tudo que eu respirava” (pág. 27).

Para muitos leitores, o romance um tanto quanto exagerado presente na saga escrita por Colleen Houck é o grande problema, muitas vezes ofuscando toda a mitologia indiana explorada impecavelmente pela autora americana. E pela indecisão da protagonista, iniciada principalmente em O Resgate do Tigre, que em alguns momentos somos obrigados a afastar o livro, mesmo que por poucos instantes. Foi assim durante a leitura de todos os livros anteriores, mas felizmente as coisas começam a mudar ainda no início do quarto volume.
Por inicialmente ser o último livro da série, Kelsey tinha a obrigação de tomar suas decisões em O Destino do Tigre, o que consequentemente a obrigava a deixar suas dúvidas de lado ainda nas primeiras páginas. Não que isso aconteça claramente, mas a personagem aparenta estar mais segura e decidida, e fica confusa apenas conforme outros personagens levantam questões que para um coração apaixonado são difíceis de ser respondidas.
Deixando isso de lado, o que poderia acontecer em todos os livros, encontramos mais uma profecia que revela muito da mitologia indiana, bem como a história de um país tão rico culturalmente falando. Os seres relacionados ao fogo são de extrema importância, mas tudo se intensifica quando tais seres mostram que Kelsey, Ren e Kishan tinham um destino e que tudo deveria acontecer conforme foi escrito, para que juntos derrotassem o inimigo, ao mesmo tempo em que descobrem seus próprios destinos.
Com a obrigação de realizar sacrifícios, o trio necessita fazer as escolhas corretas, já que apenas assim a história seguirá como foi destinado. E dessa forma, continuamos conhecendo a personalidade dos protagonistas, sendo que nesse caso, mais do que nunca, Kelsey se mostra uma garota ambiciosa, com o desejo de ter tudo e todos para si mesma, inclusive quem deu motivos para ser completamente ignorado. E nesse caso somos obrigados a ter uma relação de amor e ódio (mais ódio que amor) com a jovem, que parece atrair atenção de todos (mesmo não tendo nada de especial) e insistir no que não deveria.
Pela primeira vez esclarecendo a verdadeira história de Lokesh, O Destino do Tigre peca no desfecho de várias situações. Certos personagens não mereciam o final escolhido pela autora; outros mereciam uma atenção maior; alguns ainda tiveram escolhas questionáveis. De qualquer forma, pode ser considerado o livro onde a ação está mais presente, mais até do que em A Viagem do Tigre, mesmo também sendo o livro em que o sentimento do leitor fica mais evidente.
A sinopse do livro pergunta: “Poderia o fim de tudo levar a um novo começo?”. Aparentemente a resposta é não, no entanto com um pouco de reflexão sobre tudo o que aconteceu até então, percebemos que isso pode sim ser necessário. O sonho de um dos tigres pode ser explorado para que uma nova história seja contada, o que vai acontecer no próximo livro da série, Tiger’s Dream. Já o sonho do leitor é que isso não acabe sendo ruim e estrague todo o belo trabalho feito até então.

“Meu polegar deslizou e encontrei o pedaço da terra. Meu corpo se tornou subitamente pesado, indestrutível. O poder me estabilizou, me deu um centro. Percebi que a terra não se desespera nem sente a perda, pois todas as coisas vivas vêm dela e todas as coisas vivas retornam a ela. Voltando a me concentrar, achei os objetos de pedra presentes na área à minha volta e pedi que a vida fosse devolvida àqueles seres. A pedra obedeceu e se dissolveu, sendo reabsorvida pela paisagem. Os homens respiraram e viveram” (pág. 349).

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