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| Foto: Euler Paixão |
Filho de camponeses, José de Sousa Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, em Portugal, no dia 16 de novembro de 1922 e foi registrado em 18 de novembro do mesmo ano. Antes mesmo de completar dois de idade, seus pais se mudam para Lisboa, capital portuguesa, onde o futuro escritor moraria em grande parte de sua vida.
Apesar das dificuldades econômicas que o impediram de frequentar uma Universidade, sempre demonstrou interesse pelos estudos e chegou a se formar em uma escola técnica. Sua paixão pelos livros era a responsável por incentivar a visita de José Saramago a bibliotecas, sem que ninguém imaginasse que ele se tornaria um dos maiores gênios da literatura de língua portuguesa.
Antes de mostrar seu talento com as palavras, e trabalhar exclusivamente com a literatura (o que aconteceria apenas em 1976), Saramago trabalhou como serralheiro mecânico, desenhista, funcionário da saúde e da providência social. Se casou pela primeira vez em 1944 e com sua primeira esposa, Ilda Reis, se tornou pai em 1947. Além de Ilda, o escritor também se casou com Isabel de Nóbrega e com María del Pilar del Río Sánchez, com quem viveu até a data de sua morte.
Mesmo que tenha demorado a exercer apenas funções como escritor, publicou seu primeiro livro, Terra do Pecado, com apenas 25 anos e declarou, em 1991, que não o incluía em sua bibliografia principalmente por não gostar do título, que segundo ele, originalmente seria “Viúva”.
Na mesma época, José Saramago apresentou o livro Clarabóia para seu editor, porém a obra foi rejeitada. Na década de 80, quando já era um escritor reconhecido, houve a oportunidade de enfim publicar o livro, no entanto foi a vez do próprio autor recusar a publicação, deixando essa decisão para seus familiares, que apenas em 2011, um ano após a morte de Saramago, resolveram enfim publicar Clarabóia, tornando essa a última obra do autor português.
Mas ainda nos primeiros anos de sua fase adulta, trabalhou durante mais de uma década em uma editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Mesmo trabalhando em uma editora, sua segunda publicação aconteceu apenas em 1966, com o livro de poesias Os Poemas Possíveis, que seria seguido por Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975).
Durante a década de 70, foi crítico literário da revista Seara Nova e membro da redação do jornal Diário de Lisboa, onde escrevia textos sobre política. Também foi diretor do Diário de Notícias, antes que esse sofresse repreensão pelos militares portugueses, o que resultou na demissão de inúmeros funcionários, incluindo Saramago, que decide então abandonar o jornalismo e se dedicar a literatura com a escrita de ficções.
Seu segundo romance, Manual de Pintura e Caligrafia, foi publicado em 1977, porém além dos livros de poesias, José Saramago também publicou quatro livros de crônicas na década de 70, incluindo A Bagagem do Viajante, que já foi publicada em cinco países.
Com tantas publicações, José Saramago já se destacava entre os escritores portugueses da época, contudo foi apenas em 1980 que, com a publicação do romance Levantado do Chão, começa a definir as características que seriam marcantes em suas futuras obras: as críticas sociais, políticas e religiosas. Tais características também estavam presentes em Memorial do Convento, obra em que os críticos passaram a dar uma atenção ainda maior para o escritor.
Conhecido também por suas polêmicas, sobretudo em relação a religião, José Saramago é o autor do livro O Evangelho segundo Jesus Cristo, publicado originalmente em 1991. Com a intenção de mostrar a vida de Jesus com algo mais real, Saramago retrata o possível caráter da personalidade de Jesus, citando inclusive a relação que ele teria tido com Maria Madalena.
A publicação de O Evangelho segundo Jesus Cristo motivou membros do catolicismo a classificá-lo como ofensivo e ainda impediram, após pressão sofrida pelo governo português, que Saramago concorresse a um importante prêmio literário.
A polêmica com o livro lançado em 1991 não ofuscou o lançamento do próximo trabalho de Saramago: Ensaio sobre a Cegueira, de 1995. Sobre a obra, considerada por alguns especialistas como a mais importante do escritor, Saramago declarou seu desejo de que o leitor sofra tanto quanto ele sofreu escrevendo. “Brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida”, revelou em determinada oportunidade.
No mesmo ano em que lança Ensaio sobre a Cegueira, que foi adaptado ao cinema pelo diretor Fernando Meirelles em 2008, José Saramago é premiado com o Prêmio Camões, premiação mais importante da literatura de língua portuguesa. Porém, foi com o já citado Nobel de Literatura que Saramago passa ser reconhecido não apenas entre os países de língua portuguesa, como também em países de várias partes do mundo. Na ocasião, a academia responsável pela entrega do prêmio fez o seguinte comentário sobre a obra de Saramago: “que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia”.
Além de todas as obras e estilos citados, Saramago também escreveu peças de teatro, contos, memórias e inclusive um livro infantil, publicado em 2001. Também foi membro do Partido Comunista Português e agraciado com um título da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Crítico fervoroso da política e religião, principalmente do catolicismo, José Saramago era ateu e deixou um grande número de livros que mostram seu fascínio pelas palavras e a qualidade de seus textos. Sua morte, ocorrida em 18 de junho de 2010 devido a uma leucemia crônica, pegou o mundo das letras de surpresa, mas já aos 87 anos encerrou sua vida e carreira, porém não a sua história, afinal, mais do que um ganhador do Nobel, José Saramago é um Imortal da Literatura.
“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais” – José Saramago.
José Saramago - ☆ 16/11/1922 - ✞ 18/06/2010











