Sangue na Neve, Lisa Gardner, tradução de Sylvio Monteiro Deutsch, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 416 páginas.
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O amor de mãe é um sentimento que só as mães são capazes de explicar, mas todos podem compreender que elas estão sempre dispostas a agir em defesa de seus filhos, e sabemos que isso não se resume apenas aos humanos. Em Sangue na Neve, segundo livro de Lisa Gardner lançado pela editora Novo Conceito, a autora mostra justamente que uma mulher “é capaz de tudo para defender aquilo que ama”.

Responsável por mais um caso complexo, a experiente detetive D. D. Warren é chamada para a cena de um crime envolvendo a policial Tessa Leoni, que acaba de matar seu marido alegando legítima defesa. Todas as provas indicam que Tessa estava realmente se defendendo, o que explica o fato de em nenhum momento a policial tentar negar que acaba de assassinar um homem.

Tudo aparenta ser um caso simples, no entanto a detetive descobre que esse não é o primeiro crime cometido por Tessa e que a filha de seis anos da policial está desaparecida. Sem saber qual a verdade sobre o caso, e encontrando indícios que mostram que tudo é mais estranho do que aparenta ser, D. D. é obrigada a correr contra o tempo para salvar a vida de uma criança. Isso se a garota ainda estiver viva...

“Daí gritei. Gritei e gritei e gritei, os dias de raiva e desamparo e frustação finalmente escaparam em uma erupção pela minha garganta, porque Kim estava morrendo e minha filha provavelmente já estava morta e meu marido tinha morrido, bem diante dos meus olhos, levando Brian Bom com ele, e o homem de preto tinha levado minha filha e deixado para trás apenas o olho de botão azul da boneca favorita dela e eu ia pegar eles todos. Eu faria com que pagassem” (pág. 264).

Em 2012 a editora paulista lançou sua primeira obra de Gardner e Viva para Contar, apesar de possuir uma história excepcional, se tornou uma leitura um tanto forte ao mostrar crianças com distúrbios mentais e com atitudes capazes de deixar qualquer leitor angustiado. Já em Sangue na Neve, a autora volta a criar um caso envolvendo uma criança, porém dessa vez a leitura é mais desesperadora do que angustiante, afinal tudo o que queremos é um final feliz para Sophie Leoni.

Para descobrir o desfecho dessa história, que é envolvente desde a primeira página, acompanhamos uma narrativa dividida em 1ª pessoa, sob a visão de Tessa Leoni, e em 3ª pessoa, narrando os fatos do cotidiano de uma detetive como D. D. Warren. Dessa forma, o livro se torna mais ágil (já que não é tão dividido como Viva para Contar) e possibilita que o leitor se identifique com D. D. e se solidarize por Tessa, a possível culpada por tudo.

Isso faz de Tessa uma personagem que ao mesmo tempo em que é amada, consegue ser odiada com a mesma intensidade. Sabemos, pelas palavras usadas por ela nos capítulos narrados em 1ª pessoa, que ela tem o mesmo objetivo da detetive, porém muito do que foi feito é questionável, mesmo entendendo que ela está disposta a tudo. Tais características podem classificá-la como a anti-herói da trama, o que não seria nenhum exagero.

O que motiva essa mistura de sentimentos pela personagem é a maneira como seu passado, como mulher (mãe e esposa) e policial, é aos poucos revelado com lembranças da própria policial, que não se cansa de mostrar o seu desejo de encontrar a filha. Essas lembranças se casam perfeitamente com as atitudes já citadas, que inclui planos elaborados de forma brilhante – até mesmo suas consequências.

E como uma boa obra policial, Sangue na Neve possui suspense, ação e surpresas, que envolvem principalmente os segredos de Tessa Leoni. Algumas dessas surpresas são inesperadas, enquanto outras não, no entanto todas foram usadas para deixar uma história sem pontos soltos – que pode ser considerada uma característica da autora.

Ainda como forma de caracterizá-lo como um ótimo livro policial, encontramos uma investigação que envolve tudo o que realmente é necessário para descobrir as verdades sobre um caso. A detetive D. D. e toda sua equipe investiga, busca por provas e indícios, faz pesquisas, entrevistas, exames e conta com tudo o que a polícia tem a seu favor. Arriscaria dizer que poucos livros policiais são tão completos no quesito investigação, ainda que a verdade nunca esteja próxima de ser revelada ou encontrada pelo leitor.

A detetive D. D. Warren, protagonista de seis livros da autora (sendo Sangue na Neve o quinto), já mostrou ser uma personagem diferenciada no livro anterior. Com uma personalidade autoritária, ela conquista por seu modo de agir e nesse caso principalmente por sua bondade. D. D., que desde o início suspeita estar grávida, se sente ainda mais disposta a investigar e já começar a ter o sentimento de uma mãe. Sentimento essencial em Sangue na Neve.

Matar um homem seria pouco para salvar sua filha. Para Tessa Leoni, como já foi citado, não existe limites, por isso ela elabora planos e faz de tudo para encontrar Sophie. Com isso, percebemos ainda que também não há limites quando amamos uma pessoa. O amor, em sua verdadeira essência, transforma o ser humano em um ser protetor e proteger quem amamos é apenas uma prova desse amor. Como tudo na vida, podem existir erros, mas o erro maior seria não fazer esse sentimento valer a pena.

“Ela estava chorando? Pode ser, mas não bastava. Ela comprimiu o rosto molhado pelas lágrimas contra o ombro dele. Sentiu o calor trêmulo dele. Seus lábios encontraram o pescoço dele, sentindo o gosto de sal. Depois pareceu a coisa mais natural do mundo erguer o rosto e encontrar os lábios dele com os seus. Ele não recuou. Em vez disso, sentiu as mãos dele seguraram seus ombros. Então ela o beijou novamente, o homem que uma vez fora seu amante e que era uma das poucas pessoas que ela considerava um pilar de força” (pág. 307).

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