Oi, pessoal. Tudo bem? Espero que sim.
Confesso que no fundo, eu queria que este artigo fosse o número 10, ou que fosse publicado no meu aniversário, ou ainda em alguma data comemorativa mais voltada a área da educação. Sei também que sou um estudante de Letras que não estuda na melhor universidade do Brasil, não tenho graduações e leituras tão embasadas que me possam dar respaldo para falar sobre o que consta no título. Só que olho para trás de todas as coisas que fiz até hoje e de como o meu espaço aqui no Overshock tem a sua média regular de leitores, sendo alguns mais assíduos. Daí me proponho a expor algumas coisas e dar a minha opinião acerca delas. Qualquer coisa, eu estou sempre disposto a debater na parte dos comentários.

Ok? Então vamos lá.

Educação vem do latim educere, que significa extrair, tirar, desenvolver. Consiste essencialmente, na formação do caráter. Prova cabal disto é que vemos muitos diplomados sem um pingo de ética ou pessoas realmente desprezíveis e em contraste, gente que mal aprendeu a ler só que lida com as palavras como um verdadeiro líder. Para mais informações, vamos não só na etimologia como também em como a sociedade (em especial, a nossa) trata da palavra.

A lei 9.394 de 20/12/1996, composta por 92 artigos e assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, é uma excelente referência do que é (ou de como deve ser tratada) a educação. Ela não só delega funções à família do educando ao contrário do que muitos pensam que “educar é dever da escola. Eu crio” segundo o Art. 2 como também dá ciência de que ela pode ser exigida por “qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público” conforme o Art. 5.

Um texto bonito no papel? Sim. Informativo, instrutivo e esclarecedor? Concordo. Aí vem o X da questão: por que esta e outras leis não são de conhecimento público tal qual o placar da rodada dos campeonatos de futebol?

Em síntese do que diz Brandão no primeiro capítulo de O que É Educação (Brasiliense, 21ª Ed. 1988) a educação vai de acordo com o que a sociedade precisa: gente letrada, caçadores, soldados, exploradores, etc.

Quem define o que a própria sociedade precisa? Seus líderes, obviamente. E como eles escolhem? Com seus consultores. Reis tinham conselheiros e nossos políticos atendem a demanda de empresas que oferecem serviços de má qualidade e não querem gente instruída para questionar. Ou então, procuram tornar escassas as condições sociais básicas e o mercado capitalista torna-se mais atraente. Assim a pessoa reclama que um hospital demore horas para dar um atendimento, só que se você cobrar mais de R$ 300 em uma camiseta da Lacoste, aí sim é motivo para uma briga.

Quem educa o educando?
- Pais/responsáveis (por mais que queiram delegar a função à escola);
- Escola (sendo que o meio político diz o quê é ensinado e às vezes o professor pode dizer como);
- Mídia (através dos valores que ela transmite e as prioridades. Futebol nas tardes de domingo e os melhores telejornais de noite ou pela madrugada);
- Sociedade como um todo (através dos outros serviços públicos como saúde, segurança, saneamento, etc.).

Muitos podem pensar que o aumento da população e a maior disponibilidade de recursos para uma pessoa aprender faz com que o sistema tenha começado a inibir as classes mais baixas. Mas sempre foi assim. Vejam a citação do legislador grego Sólon:

“As crianças, devem, antes de tudo, aprender a nadar e ler; em seguida, os pobres devem exercitar-se na agricultura ou em uma indústria qualquer, ao passo que os ricos devem se preocupar com a música e a equitação, e entregar-se à filosofia, à caça e à frequência em ginásios”.

É claro que muitos podem ter N argumentos sobre a melhoria da educação: o índice de jovens que frequenta a escola aumentou nas últimas décadas, o índice de evasão também diminuiu, o acesso às universidades pelos sistemas de cotas e bolsas também têm trazido benefícios, temos livros a preços populares...

Não tiro a razão de pessoas que querem me contradizer com tais fatos (pois contra fatos, não há argumentos). Só que não adianta delegar a função de educar somente a unidade escolar se os responsáveis não podem fazer um acompanhamento da vida escolar dos alunos porque “trabalho das 7h às 18h e chego em casa muito cansado” se para o responsável, seria mais fácil se ele arrumasse um trabalho mais próximo ou o transporte público fosse mais eficiente; não adianta editoras contribuírem para os acervos das bibliotecas se as mesmas ou são muito distantes das residências ou aqueles que precisam ser incentivados a leitura não são motivados por terceiros a procurarem estes lugares. E também não adianta oferecer educação de qualidade se os outros serviços ainda são precários. É o famoso “eu te dou 10. Mas quem é ruim te dá 100”.

Estas pérolas aos porcos não são de hoje. Segundo Plutarco sobre a educação romana sobre os espanhóis dominados:

“As armas não tinham conseguido submetê-los a não ser parcialmente; foi a educação que os domou”.

Portanto, a educação da qual eu sempre comento aqui no Overshock seja ela a educação civil ou educação escolar vai de acordo com interesses, sendo que todos somos culpados pelo sucesso ou fracasso da mesma. No papel e no mundo romântico da coisa, vemos frases em todos os lugares sobre o processo de aprendizagem. Como estas:

“O fim da educação é desenvolver em cada indivíduo toda a perfeição que ele seja capaz” (Kant)

“Aprender não é saber; há sabidos e sábios; é a memória que faz os primeiros; é a filosofia que faz os outros” (Alexandre Dumas).

Só que na prática... me digam vocês.
Obrigado a todos(as).

Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, lança um capítulo por semana do seu romance "Coração de Fogo" no site www.recantodasletras.com.br, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera e Sopa de Letras, todas da Andross Editora.
Contato: davi_paiv@hotmail.com

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2 Comentários

  1. Sim. É necessário que haja recursos dignos em todas as áreas para que a educação seja de qualidade. Mas estes serviços não são os únicos pontos que devem ser colocados em prática para que a educação do nosso país seja melhorada. É preciso que exista consciência por parte da sociedade, é crucial que a população corra atrás da aprendizagem, do saber o que é certo e errado. Não basta sentar na cadeira da sala de aula e fingir que sabe, daí é que vem o: " ...índice de jovens que frequenta a escola aumentou nas últimas décadas". Vale destacar que as novas gerações estão cada vez mais limitadas ao conhecimento monótono e centrado da sala de aula. São "ensinados", desde sempre, a terem o objetivo de crescer economicamente e se esquecem de que a educação não trata-se apenas de intelectualidade.

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  2. Mais uma vez, concordo com tudo o que você falou aqui, Davi!
    O que vejo hoje em dia é um jogo de empurra-empurra que nunca acaba. Cada um que queira jogar a culpa para o outro, e ninguém nunca pega a "bomba" e tenta resolver. Em meio a tudo isso, quem acaba mais se ferrando somos nós professores, que somos pressionados por governo, gestão da própria escola e pelos pais.


    @_Dom_Dom

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