Para a nova geração de leitores, que tiveram o hábito da leitura despertado graças a grandes sucessos editoriais, relacionar literatura e política pode ser uma missão complicada. No entanto, quando paramos para analisar os grandes clássicos de nossa literatura, fica clara a intenção dos antigos intelectuais em mudar a história através de seus livros.
| Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock |
O historiador ainda comentou que com o passar do tempo houve um afastamento das relações entre escritores, intelectuais e a vida política. “Pode ser também, não sei por que, a literatura brasileira foi perdendo grandes nomes. É difícil você encontrar grandes nomes da literatura brasileira com menos de cinquenta anos. Você vai procurar, procurar e vai ter uma dificuldade”, explicou.
Antes da entrevista, em uma palestra de tom irônico e muitas vezes engraçado, Marco Villa mostrou o motivo de ser considerado um grande crítico do sistema político de nosso país. Ainda no início, diz achar engraçado que um político condenado em mais de 100 países, como é o caso de Paulo Maluf, continue sendo recebido por prefeitos, governadores e outros políticos brasileiros. “Algo que só acontece na terra descoberta por Cabral”, brincou em outro momento.
Segundo o historiador, o grande problema da política brasileira é o fato do país ser refundado a cada década. Villa cita como exemplo as mudanças que o país sofreu após o fim da ditadura militar e a primeira eleição democrática, em 1985, que elegeu Tancredo Neves. Após o falecimento de Tancredo, que não chegou a tomar posse, o vice-presidente José Sarney assumiu a presidência no momento mais importante da história política recente do país. Na mesma época iniciou uma série de fracassos nos planos de estabilização econômica, enquanto que na eleição seguinte, o presidente eleito, Fernando Collor de Mello, acabou sofrendo o processo de Impeachment. “Collor foi primeiro candidato à presidência a lutar contra a corrupção e a sofrer o processo de Impeachment devido à corrupção”, declarou Villa.
Continuando seu relato sobre a história da política brasileira, Marco Villa disse que Itamar Franco, vice-presidente e substituto de Collor após o Impeachment, assumiu a presidência em um momento catastrófico. Mas foi a partir daí, com a elaboração do chamado Plano Real pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que a economia brasileira se estabilizou.
No entanto, Villa ainda declara que o Brasil cresceu apenas devido ao boom da economia chinesa na última década do século XX, o que movimentou, entre outras coisas, a exportação dos produtos brasileiros. Já sobre o momento da economia, que o atual governo diz estar avançado desde 2003, quando o ex-presidente tomou posse, Villa cita como exemplo a estimativa do crescimento do país ao fim de 2013: “O Brasil vai crescer 1/3 ou metade em relação a outros países emergentes. Isso devido a nossa péssima política econômica”.
No fim de sua palestra, o historiador ironizou os discursos da presidente Dilma Rousseff durante as manifestações que ocorreram nas últimas semanas e disse que não temos alternativas para a próxima eleição, explicando com exemplos em relação a todos os prováveis candidatos: Aécio Neves, Eduardo Ribeiro, Marina Silva e a própria Dilma Rousseff, que tentará a reeleição.
Por fim, ao ser questionado durante entrevista sobre o processo de produção de seus livros, Marco Villa, autor de Mensalão - O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira, disse que “o trabalho do historiador é um pouco diferente do que o trabalho do escritor romancista, por exemplo, porque ele trabalha com fontes, primárias, secundárias e tal, portanto todo trabalho depende dessas fontes”. “É um trabalho tão solitário, porém ele parte de um objeto, ele faz o seu estudo, levanta hipótese sobre esse objeto, estuda e tal, sempre de acordo com as fontes que ele tem acesso. É sempre um trabalho, na maior parte das vezes, solitário”, completou.
Também em entrevista, o vice-prefeito Municipal e um dos organizadores da Semana Edgard Cavalheiro, João Detore, comentou sobre a importância da presença de um historiador com trabalhos ligados a política em uma semana literária: “É uma maneira de você conscientizar a população. Política é uma coisa bela, é uma filosofia de vida. Problema são os políticos”, e completou, “então a gente teve uma oportunidade de saber que existe jeitos, existe envolvimento da sociedade”.
Essa postagem faz parte da Promoção - Especial Semana Edgard Cavalheiro.











Realmente, os problemas são os políticos, e nós, jovens de hoje precisamos acordar e mudar essa situação.
ResponderExcluirRealmente, os problemas são os políticos, e nós, jovens de hoje precisamos acordar e mudar essa situação.
ResponderExcluirSe tem um assunto que não me interessa tanto é justamente esse: A Política. Mas concordo com o que o Marco Antônio Villa e o João Detore falaram. E pegando essa "seleção de presidenciáveis", podemos perceber que estamos lascados para as próximas eleições. Rsrsrs
ResponderExcluir@_Dom_Dom
Também não consigo entender o que tem de errado com o povo daqui, sinceramente não devia ter que existir Ficha Limpa o povo é que deveria ter consciência quando fosse votar.
ResponderExcluirEu realmente gosto de polotica, não sei se leria um livro como Mensalão, mas acho que até tentaria. Eu concordo, que até chega a ser engraçado um político condenado em vários países continuar sendo recebido por prefeitos, governadores e outros políticos brasileiros. É uma pena que o Brasil seja assim :/
ResponderExcluirÉ a politica continua sendo um grande problema aqui no Brasil, não exatamente a politica e sim os políticos, e o maior problema é que somos nós que colocamos essas pessoas no poder...
ResponderExcluirNão sou muito fã de política e menos ainda do histórico político brasileiro. É de um desânimo enorme testemunhar tudo o que acontece nesse país e passa desapercebido pela população que deveria aprender a escolher melhor seus governantes. Ficamos reféns desses inescrupulosos quando, na verdade, temos todo o poder de mudar nossa realidade se soubermos como escolher e como cobrar.
ResponderExcluirMesmo assim, é muito importante abordar esse assunto, ainda mais em um evento cultural; não existe mais desculpa para que não se discuta sobre política e acredito que, quanto mais frequente for essa abordagem, maiores as possibilidades de podermos mudar a situação do nosso país. Não só pelas manifestações, mas também na hora de avaliar e votar nas próximas eleições. :D
Beijos,
Vê
Only The Strong Survive
Essa noite deve ter sido uma das maiores aulas da história política do Brasil. Confesso que fiquei impressionada com algumas palavras de Marcos Villa e também a forma como elas foram ditas. Realmente é difícil você encontrar grandes nomes da literatura brasileira com menos de cinquenta anos e mais difícil ainda encontrar pessoas que realmente curtam ler livros com base na politica brasileira e os problemas sociais e econômicos que a mesma acarreta ao longo do tempo.
ResponderExcluirAdorei as palavras de João Detore, logo no fim desse post, quando o mesmo disse "...Política é uma coisa bela, é uma filosofia de vida. Problema são os políticos.', acho que isso resume uma fase que tive há um tempo atrás quando estava estremamente frustada e decepcionada com os políticos brasileiros que acabei por odiar a política, só mais tarde é que fui mudar de ideia...
Tenho certeza que foi uma noite fantástica. Eu adoooooooooro a história política Brasileira. Antes de optar por fazer direito, sempre tive minhas dúvidas em relação a cursar história, sempre foi minha matéria preferida. Com certeza que teria adorado essa parte do evento.
ResponderExcluirPS. Adoro 'O Cortiço' em minha opinião é uma das melhores obras nacionais.
Beijos