Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Já em seu quarto dia de atividades, nessa quinta-feira, 15, a Semana Edgard Cavalheiro voltou a receber alunos e professores da rede municipal de Educação para novas apresentações teatrais (com duas apresentações ao longo do dia) e uma palestra divertida que busca incentivar os educadores a mudarem suas posturas dentro e fora das salas de aula.

Durante a noite, antes da atração principal do dia, o ator e palestrante Alexandre Camilo, houve ainda uma apresentação com o saxofonista Luiz Gustavo de Souza. Só então Alexandre subiu ao palco, já demonstrando que usaria as artes cênicas no decorrer da palestra “Mudando de Postura: Comunicação e diversidade cultural no ambiente educativo”.

Ator, educador, contador de história e palestrante, Alexandre Camilo se formou em Artes Cênicas, mas foi após ser convidado para lecionar teatro em uma escola que percebeu a dificuldade de alguns educadores em usar a criatividade, o que deixava as crianças desmotivadas. Foi aí que começou a pesquisar a melhor forma da pessoa se comunicar e passou a trabalhar como palestrante para incentivar a comunicação entre trabalhadores de uma mesma equipe. Em entrevista exclusiva revelou que atualmente trabalha “muito mais nesse mundo coorporativo, nesse mundo com educadores”.

Em sua palestra, Alexandre Camilo mostra que como em qualquer área, o profissional que trabalha com a Educação precisa estar atento para as mudanças que ocorrem ao seu redor, em especial aos seus alunos. É necessário, portanto, evitar determinadas atitudes visando não apenas ensinar, mas principalmente educar.

O palestrante iniciou a sua palestra dizendo que a pessoa mais importante do nosso mundo somos nós mesmos. Ele citou ainda em determinado momento que o educador precisa trabalhar por amor e não pensando em sua situação financeira, já que todos sabem da dificuldade encontrada pelos professores, sobretudo do ensino público, em nosso país.

Segundo Alexandre, é essencial “a observação de si mesmo” para que exista uma mudança de postura dos profissionais. “O professor é muito exigente quando está na plateia, mas é pouco exigente consigo mesmo quando está no palco”, revelou. Ao ser questionado sobre o que espera que os educadores presentes em sua palestra levem para suas vidas, Alexandre disse esperar “que eles saiam daqui cheios de perguntas, a pergunta é mais importante que a resposta.” Completou falando que espera que “eles (os educadores) saiam pensando no papel de cada um deles”.

O palestrante disse ainda que é preciso prestar atenção para o que temos ao nosso redor, em especial os gestos, já que isso facilita a comunicação. “O corpo fala”, revelou antes de explicar que esse é o motivo de ser necessário um cuidado maior com a forma que nos comunicamos. “Não adianta dizer uma coisa se o corpo diz outra”, explicou.

Alexandre, que acredita que o professor do Ensino Básico deva ganhar mais do que o professor do Ensino Universitário, já que os primeiros professores de uma criança são fundamentais para a sua formação, disse ainda que ninguém quer ficar perto de quem só reclama, ironizando os diversos professores que chegam às escolas reclamando pelo trabalho e principalmente de seus alunos.

Para encerrar a palestra, marcada pelo bom-humor, as atuações teatrais e principalmente por palavras motivacionais, Alexandre fez uma última dinâmica com os educadores presentes, pedindo que esses fechassem os olhos e imaginassem a presença de alguém que desejassem agradecer e perdoar.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Ainda durante entrevista, Alexandre disse que é “fundamental” que o professor tenha o gosto pelas artes, para que ele possa passar esse gosto aos seus alunos. “Se o professor tem amor pela palavra, pela arte, ele vai ser um agente motivador do seu aluno pra isso. Se ele gosta de algumas histórias, ele trabalha essas histórias”. “E se ele souber canalizar isso em sua classe, a classe não esquece”, completou.

Já no fim de sua entrevista, Alexandre disse estar feliz em participar da Semana Edgard Cavalheiro. Disse ainda: “estou muito feliz de estar em Espírito Santo do Pinhal, uma cidade que tem um teatro maravilhoso, pessoas muito acolhedoras. Quero voltar pra esse teatro novamente, e se tiver a oportunidade de estar conversando novamente com os ouvintes (no caso leitores) pra mim seria realmente um verdadeiro prazer, ou um presente como eu costumo dizer”.

8 Comentários

  1. Adorei! É, também acredito que pra ser professor tem que amar o que faz, na verdade toda profissão precisa disso. E claro, no caso dos professores, o modo como eles nos ensinam marca muito como as coisas serão pros alunos dali em diante, são pessoas fundamentais! *-*

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  2. Realmente o que o Alexandre Camilo falou é verdade. O professor precisa ser muito criativo. Nem todas as escolas tem um suporte minimamente necessário para motivar nem professores, e muito menos os alunos. E essa motivação e desejo tem que partir do próprio professor.

    @_Dom_Dom

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  3. Verdade se você não tem amor ao que faz em algum momento vai acabar fazendo algo errado ou não tão bem feito como deveria, e quando se tem amor se faz com mais vontade e é mais fácil passar o que se quer ensinar.

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  4. Eu concordo com ele, educador precisa trabalhar por amor, ele precisa realmente gostar do que faz, e não reclamar do que faz. Eu também acho o professor do Ensino Básico muito importante, pois são os primeiros na formação da criança.

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  5. Adorei e concordo com tudo que o Alexandre Camilo falou. Eu acho que o educador é muito importante na formação da criança, principalmente os do ensino básico. E adorei essa frase dele "O professor é muito exigente quando está na plateia, mas é pouco exigente consigo mesmo quando está no palco"

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  6. Educadores são um grande exemplo, em especial, aos próprios alunos. E, para que seu trabalho seja bem feito, é necessário, como o próprio Alexandre disse, gostar do que faz. Quando fazemos algo por prazer, porque gostamos, a mensagem a ser passada é muito mais fácil de ser assimilada, sem contar que essa paixão pode ser contagiante e despertar nos jovens os mesmos interesses.
    A atual situação dessa categoria não é das melhores, percebemos cada vez com mais frequência que o trabalho é menos valorizado do que deveria, mas acredito que, apesar disso tudo, ainda é possível modificar a postura e melhorar as impressões para produzir resultados incentivadores. Vai depender do desejo desses professores de fazer a diferença e transmitir a mensagem apesar das dificuldades.
    Nada melhor do que uma palestra descontraída para tratar de uma realidade que precisa ser alterada o quanto antes. :D


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  7. Concordo plenamente com Alexandre, os educadores tem que amar aquilo que fazem, acho que esse é um ponto fundamental para ser um bom professor. Também é realmente preciso que os professores fiquem ligados nas mudanças dos alunos, da nova geração de estudantes que muda a cada ano.
    Acho que o principal ponto dito por Camilo foi quando o mesmo ressaltou que o papel de um professor não é só ensinar, mas também educar. Para mim, isso resume tudo.

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  8. Gostei bastante das observações feitas pelo Alexandre, concordo muito com a visão dele. Pela foto pude perceber que ele estava em a vontade para falar do assunto, deve ter sido uma boa palestra.

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