No último sábado, 17, três palestras movimentaram o penúltimo dia da Semana Edgard Cavalheiro. Além disso, lançamentos de livros e apresentações culturais também fizeram parte da programação.

Cordel: Uma literatura próxima do povo
Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Ainda na infância, a literatura de cordel é apresentada para as crianças, no entanto poucas pessoas seguem com o hábito de apreciá-la. Segundo o cordelista Paulo Barja, primeira atração do dia e idealizador do projeto Cordéis Joseenses, o cordel é uma ponte entre a literatura e a música. “É uma literatura muito oral. Uma literatura pra gente ler em voz alta. É um jeito de falar que ao mesmo tempo que tem a poesia presente, é muito próximo do cotidiano e do popular. Assuntos do cotidiano, do dia-a-dia podem virar cordel. É uma poesia simples, uma poesia acessível que é inclusive a razão principal pela qual me encantei”, disse em entrevista realizada antes de sua palestra.

Sobre a procura da literatura de cordel, Paulo revelou que havia uma procura muito grande no século XX, em especial nas décadas de 40 e 50, e que ainda hoje esse tipo de literatura é muito vendida, apesar da existência de cordéis virtuais.

Já em relação ao projeto Cordéis Joseenses, o cordelista disse que por ser apaixonado por cordel e gostar de escrever, começou a brincar de fazer cordel e se encontrou com esse tipo de arte. “Comecei a fazer os Cordéis Joseenses nesse espírito, também motivado em como fazer uma literatura que pudesse ser acessível também para crianças”.

Paulo Barja, que recentemente participou da Semana do Livro Nacional, disse achar muito importante a iniciativa de Josy Stoque: “A gente quer que se multiplique. É algo que é muito simpático” e completou dizendo que “a união faz a força pra gente: escritores, pessoal jovem produzindo de forma independente. A união faz a força”.

Em sua palestra, Paulo se focou na história do cordel, citando que ele surgiu ainda na Idade Média, no formato de prosa, e que existem diferentes tipos de cordéis espalhados pelo mundo. Segundo ele, o varal em exposições de cordel surgiu em Portugal e atualmente já existem cordeltecas em escolas do país.

Paulo, que iniciou na literatura escrevendo haicais e sonetos, aproveitou sua palestra para também citar o nome de importantes cordelistas brasileiros, como Leandro de Barros, e ler seus próprios cordéis, que posteriormente estavam à venda no hall de entrada do Cine Theatro Avenida.

Um bate-papo sobre Pinhal: a cidade dos sonhos
Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Era pra ser apenas uma palestra, no entanto o escritor pinhalense Alexandre Staut, autor do livro Um Lugar para se Perder, contemplou o fim da tarde de sábado com um descontraído bate-papo.

O início da palestra, intitulada “A Cidade e os Sonhos”, se deu com a leitura de um texto escrito por Alexandre especialmente para a ocasião. Nesse texto, além de agradecer algumas pessoas envolvidas com a Semana Edgard Cavalheiro, Alexandre contou sobre sua vida e seus dois livros: Jazz Band na Sala da Gente e Um Lugar para se Perder.

O autor que usou Espírito Santo do Pinhal como cenário para seus dois primeiros livros, revelou ainda estar trabalhando em uma obra que se passará na Biblioteca Municipal de sua cidade natal, lugar já frequentado pelos principais nomes da literatura da cidade e também cenário de inúmeras lendas.

Ao ser questionado sobre o assunto por uma das pessoas presentes, Alexandre ainda confirmou a sua participação na luta pelo restauro da Biblioteca Municipal, que apesar de estar em funcionamento, não está com um bom estado de conservação.

Motivação para se aventurar em um romance
Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Cadão Volpato é uma figura conhecida por muitos, especialmente por ter sido membro da banda Fellini e apresentador, em duas oportunidades, do programa Metrópolis da TV Cultura. Apesar disso, também se aventurou na literatura e foi esse o assunto de sua palestra já na noite de sábado.

Segundo Cadão, o principal objetivo de sua palestra é motivar as pessoas a também usarem a imaginação para a criação de uma obra literária. Autor do livro Pessoas que Passam Pelos Sonhos, Cadão revelou que sempre sonhou em escrever um romance e não apenas publicar um livro, no entanto muito tempo se passou (e outros livros foram publicados) antes que realizasse esse sonho. “Escrever um romance é criar um universo inteiro e eu não tinha tido essa experiência. O fato de ter conseguido fazer isso, de uma forma mais ou menos rápida, mudou um pouco os parâmetros da minha carreira, sabe? Hoje em dia estou dedicado a escrever como jornalista e romancista. A minha tendência é continuar escrevendo romances, é o que eu quero fazer nos próximos anos”, disse em entrevista.

A entrada de Cadão Volpato no mercado editorial aconteceu ainda na década de 90, no entanto o escritor revelou ter tido muita sorte na época. “Quando eu comecei a publicar, em 95, a cena literária do Brasil, principalmente em São Paulo, era muito fraca do ponto de vista do escritor nacional. Em meados dos anos 90, a Companhia das Letras ainda estava se formando, era um mercado um pouco insípido para o escritor brasileiro. Então eu comecei sem um parâmetro nacional, e isso foi muito legal”.

Ainda sobre o seu primeiro romance, Volpato revelou ter sido um pedido do escritor Luiz Ruffato e que foi escrito em questão de semanas. Ao ser questionado sobre o assunto de seu livro, Cadão Volpato disse que “é um livro que se passa entre 69 e 79 em vários países da América do Sul, tomando São Paulo como base. É a história de um arquiteto meio distraído, um sujeito meio avoado, que vai indo para os lugares, viaja pelos lugares, sempre com um pretexto: ele ouviu falar que La Paz é uma cidade bonita. Ele vai até La Paz. Ele faz um circuito que acaba dando num lugar chamado “Hotel no Fim do Mundo”, que é um hotel na Patagônia, e antes de chegar no hotel ele conhece um taxista em Buenos Aires de quem ele fica amigo instantaneamente. Então é a história dessa dupla”, revelou.

Durante a palestra houve não apenas um relato sobre sua história e sua obra, assim como aconteceu durante a entrevista, como também comentários sobre livros e autores que o inspiraram em seu trabalho literário. Devido a presença de Moacir Amância na plateia, em inúmeros momentos Volpato conversou com o escritor pinhalense, outro especialista da literatura.

Volpato disse ainda que “se você faz o que quer, isso é o resultado de si mesmo”, antes de revelar que a intuição é fundamental em qualquer tipo de arte, em especial a literatura.

Para encerrar sua apresentação, Volpato ainda fez a leitura de um trecho de seu romance.

Lançamentos de livros e apresentações de poesia e música
Enquanto escritores falavam sobre seus trabalhos no penúltimo dia da Semana Edgard Cavalheiro, houve ainda lançamentos de livros e apresentações de poesia e música.

Além das obras Amores Impossíveis e Sonhos (& Pesadelos), aconteceu o lançamento do livro Iniciação ao Sete, de Jorge Abdalla. Em entrevista, Jorge revelou que “os sete primeiros contos que abrem o primeiro capítulo do livro começaram sendo contados para os amigos” e que ele escreveu quatro séries de sete contos que foram publicados nessa obra.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
O escritor comentou ainda sobre como se deu a publicação de seu primeiro livro: “Na verdade eu esperei um tempo, porque eu não sabia como eu ia fazer, aí apareceu um edital da Secretaria de Cultura do Estado, através de um programa chamado ProAC (Programa de Ação Cultural), eu falei: “Bom, eu estou com o livro pronto, vou arriscar concorrer” e ele foi escolhido pela Secretaria para ser publicado em 2011. Aí até o processo todo de conseguir fazer como eu queria, achar editora e tudo, eu acabei conseguindo publicar no comecinho desse ano”.

Durante a tarde, paralelamente ao lançamento que aconteceu no hall de entrada do Theatro Avenida, as alunas da Associação Social e Cultural Beija-Flor realizaram uma homenagem a Vinícius de Moraes declamando poesias infantis escritas pelo grande poeta.

Já durante a noite, encerrando o dia de atividades, o cantor André Mastro se apresentou após a palestra de Cadão Volpato, representando o Circuito Cultural Paulista, projeto do estado de São Paulo que tem como objetivo ampliar o acesso da população a produtos culturais.

11 Comentários

  1. Esse penúltimo dia foi bem cheio mesmo, hein?!?! Bem eclético também. A Literatura de Cordel aqui no Nordeste é bem forte, mas confesso que conheço pouquíssimo sobre ela. Muito legal ter uma palestra com esse tema na Semana Edgard Cavalheiro.

    @_Dom_Dom

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  2. Nossa, que foi um dia daqueles mesmo! Overdose de cultura, que delícia! Espero que essa overdose não tarde a chegar aqui na minha cidade também! Quem sabe um dia não serei eu lançando meu livro hein rs Já pensou nisso? u.u

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  3. Parabéns pelo evento, galera! É disso que nossa literatura precisa! Vamos nos inspirar na força e na união de um grupo que só cresce e tem muito a oferecer aos brasileiros. Um forte abraço!

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  4. Nunca li um cordel, gostaria de ler um dia. O penúltimo foi bem agitado , muita coisa boa. Ótimas palestras e nossa lançamento de livros.

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  5. Teve bastante coisa nesse dia não é?! Mas acho que de todos que eu vi até agora, esse foi o que eu mais gostei. Gostei do tema desse dia e de tudo que foi falado. Eu gostei da sinopse de Amores Impossíveis, parece ser um livro muito bom :)

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  6. Quanta coisa nesse ultimo dia, parece ter sido tão bom quanto os outros. Queria ter participado da Semana do Livro Nacional, que eu acho que também é um tema bem interessante. Também achei interessante a iniciava da Josy, e "A união faz a força" :)

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  7. Muito bom que se tenha abordado sobre os cordéis, é algo que não costumo ver com muita frequência, menos ainda nos meus anos na escola. Mas tê-los em um dos dias do evento só reforça minha opinião de que variedade foi uma estratégia para se começar bem nessa primeira edição.
    A volta do enfoque na literatura foi muito bacana, ainda mais pelas duas experiências que foram compartilhadas, muito diferentes e inspiradoras. Definitivamente adoraria saber mais sobre a literatura de cordel e deve ter sido uma oportunidade única e muito bem inserida. ;)
    Parabéns pela cobertura, tem sido ótima e, com certeza, fez com que eu me sentisse totalmente por dentro do que estava acontecendo, mesmo sem estar presente. rs


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  8. Claro que pensei, Bárbara *-* Pode ter certeza que estarei te apoiando e torcendo para que você consiga o lançamento o quanto antes (sempre com o pé no chão, claro).
    Beijos!

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  9. O dia foi bem variado, não é Rafaela? O melhor de tudo foi acompanhar palestras incríveis (e inesquecíveis). Só pessoas fantásticas!
    Como coautor de Amores Impossíveis, fico feliz que tenha gostado da sinopse. Espero que tenha a oportunidade de ler.
    Abraços!

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  10. Realmente foi uma oportunidade única, Vê. O Paulo Barja deu uma verdadeira aula sobre a história da literatura de cordel.
    Aliás, fico feliz que tenha se sentido em Pinhal. Conto com a sua participação na próxima edição, ein :P
    Beijos!

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  11. Ai eu acho cordel muito fofo, quando eu estava na escola uma professora nos ensinou a fazer, desde escrever o cordel até montar ;)

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