Príncipe da Noite: Sete Mulheres e Meia, Germano Pereira, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito (Novas Páginas), 2013, 368 páginas.
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Os fenômenos psicológicos fazem parte dos mais intrigantes mistérios que cercam o homem, por isso naturalmente sentimos a curiosidade de conhecer mais sobre esse tipo de situação. No entanto existe um grupo de pessoas que sofre com distúrbios causadores das múltiplas personalidades. É o caso do psicanalista Gabriel.
Toda manhã, ao acordar, Gabriel se depara com uma mulher diferente dormindo ao seu lado e, apesar de não saber seu nome e como a conheceu, o psicanalista tem certeza de que ela foi mais uma vítima do Príncipe da Noite. Ele sabe que como um serial killer do sexo, Príncipe da Noite não poupa esforços para satisfazer seus desejos mais intensos, mas ainda assim ele mantém uma vida normal e ninguém sabe sobre seu segundo “eu”.
A vida de Gabriel sai dos trilhos conforme seu passado volta a atormentá-lo e situações estranhas passam a acontecer em seu dia a dia. Se não bastasse tentar descobrir se existe alguém o perseguindo e querendo prejudicá-lo, Gabriel precisa também se adaptar a tudo o que o Príncipe da Noite tem feito e isso exigirá muito de seu psicológico.
“Distante e do lado oposto ao terreno sepulcral encontra-se o Príncipe, soldado do afeto, serial killer do sexo que, apesar de ofuscado pelos acontecimentos tortuosos da vida, direciona-se guiado sempre pelo brilho da luz do amor” (pág. 9).
A primeira experiência no universo ficcional com uma história sobre um personagem de dupla personalidade foi com a série Do No Harm. Apesar das poucas semelhanças entre as histórias, é possível perceber as semelhanças entre os personagens principais, sendo que nesse caso o teor psicológico está muito mais presente e faz da obra de Germano Pereira um ótimo representante dos thrillers psicológicos.
Como dá para notar com título, sinopse e primeiras páginas, Príncipe da Noite: Sete Mulheres e Meia explora o sexo de forma intensa, apesar de não entrar em detalhes como qualquer livro erótico do atual mercado editorial. Mesmo com a presença de várias mulheres, vítimas do serial killer do sexo, o que empolga e leva o leitor a devorar a obra é a surpresa pelo que ainda irá acontecer na vida de Gabriel.
Esse detalhe, presente em todos os thrillers que trabalham com o jogo psicológico dos personagens, também pode causar certa confusão no início da leitura. Isso acontece pela quantidade de informações, algumas sobre cada uma das mais importantes mulheres, e também por ser narrado em primeira pessoa, o que deixa claro o sentimento do personagem. Um personagem que, como é sempre bom lembrar, possui seus distúrbios psicológicos e mostra isso através de suas palavras intensas.
Porém, apesar da personalidade de Gabriel ser o ponto mais interessante e ser caracterizada por esses distúrbios, o principal problema da obra está justamente no próprio personagem. O psicanalista se mostra um homem omisso, tanto nas situações estranhas que estão lhe acontecendo, como também na existência do Príncipe da Noite. Mesmo sabendo que ele pode causar problemas, Gabriel evita ao máximo tocar no assunto – a não ser com o leitor – e isso acaba intensificando o seu próprio sofrimento. É possível entender, mas difícil de aceitar.
Em contrapartida, Príncipe da Noite tem como grande qualidade a escrita de Germano Pereira, ator, dramaturgo e ganhador do Prêmio Jabuti com o livro Os Satyros. O escritor, também graduado em Filosofia pela USP, parece falar com o coração de seu personagem, e mesmo sem determinado tipo de divisão quando intercala entre Gabriel e seu outro “eu”, ele cria uma série de reflexões.
Como característica de um bom thriller psicológico, o livro mexe com o psicológico do próprio leitor, que acaba se surpreendendo com as situações que fecham o enredo, ainda que já em determinado momento seja possível prever o que irá acontecer. O leitor se coloca no lugar do personagem e sente a necessidade de mais algumas páginas, que dariam um sentido para tudo o que é revelado no último capítulo. A boa notícia é que Germano Pereira já está trabalhando na continuação e o leitor ainda terá que lidar com as atitudes do serial killer do sexo.
“O Príncipe da Noite é um Drácula que suga meu ser, meu sangue e o de todos que passam por ele, mesmo que eu não saiba. É assustador. Do que mais o Príncipe seria capaz? Tenho medo de mim mesmo” (pág. 338).
Para adquirir seu exemplar de Príncipe da Noite: Sete Mulheres e Meia, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.












Bem interessante esse livro. A história parece ser intrigante e o personagem um pouco dúbio. Não gostaria de estar no lugar do personagem, mas se por acaso isso me acontecesse, eu daria um jeito de controlar. Não sei se estou falando besteira, mas assim eu não conseguiria viver. Beijos. E um feliz ano novo.
ResponderExcluirOiii! Não conhecia o livro nem o autor, mas confesso que adorei a resenha.
ResponderExcluirBeijos
Meu Meio Devaneio
Oi, Ri! Primeiramente, tenho que te parabenizar pela resenha tão bem escrita. Juro! Como te disse ontem, você escreve bem e comenta de forma excelente também.
ResponderExcluirBom, quanto ao livro, achei a história interessante pelo que disse na resenha. Toda essa história de distúrbio psicológico é interessante. Todavia, não consegui ficar interessada em ler a obra. Acho que não gostaria muito da leitura.
Um beijo!
Doce Sabor dos Livros - Aguardo sua visita!
Você sempre diz do tamanho das minhas resenhas, por isso saber que você gostou da resenha, mesmo com "tamanho" me deixa feliz :D
ExcluirObrigado por seu comentário, Jeni! Em relação ao livro, a temática é realmente interessantíssima, mas é bem verdade que nem todos os leitores ficariam satisfeitos devido a essa carga psicológica/reflexiva. De qualquer forma, se tiver a oportunidade de ler, espero que você goste.
Beijos,
Eu gosto bastante de thriller psicológico. Achei esse super interessante, pois a personagem principal me parece super complexa com esses seus dois "eu". O Gabriel parece agir como muitas pessoas que acham que não estão doentes e não precisam de tratamento. Ou sabem que são doentes, mas se negam a se tratar. Enfim, se tiver oportunidade, lerei!
ResponderExcluir@_Dom_Dom
Essas palavras intensas seriam palavrões?
ResponderExcluirEu curto esse estilo literário, mas essa trama não despertou a minha curiosidade, talvez por ser muito intensa, pelo menos é o que me parece.
Abç!
Na verdade com "palavras intensas" me refiro à complexidade das palavras usadas pelo personagem, Gladys. O livro possui alguns palavrões, mas nada que atrapalhe.
ExcluirAh, de fato é um livro intenso, mas se tiver a oportunidade, espero que goste.
Abraços,