Texto: David Ives (tradução de Daniele Ávila Small)
Baseado: A Vênus das Peles, de Leopold Von Sacher-Masoch
Direção: Hector Babenco
Duração: 90 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 23 de agosto de 2014
O espetáculo conta a história de uma jovem e talentosa atriz determinada a protagonizar uma nova peça baseada num clássico, “Vênus em Visom”. Seu teste para o diretor e adaptador do espetáculo se torna um eletrizante jogo que ultrapassa o limite entre fantasia e realidade, sedução e poder.
A imagem de Vênus, deusa do amor e da beleza na mitologia romana, sempre é lembrada por sua sensualidade quase incomum, até porque o erotismo tem a sua devida importância para a vida e a arte em todos os seus segmentos. A relação de Vênus com o erotismo artístico começou muitos séculos atrás, mas se destaca também em “A Vênus das Peles”, livro erótico publicado por Leopold von Sacher-Masoch em 1870 e que deu origem ao termo sadomasoquismo.
Inspirado na obra de Sacher-Masoch, David Ives roteirizou a peça Vênus em Visom, grande sucesso da Broadway e que no Brasil já rendeu a indicação de Bárbara Paz ao Prêmio Shell de melhor atriz. O sucesso, que se repete nos palcos brasileiros, é apenas o resultado de um texto de humor muito inteligente e de uma dupla que dá gosto de ver em cena.
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| Foto/Reprodução: Glauber Carrião (Departamento de Cultura E. S. do Pinhal) |
A personagem de André Garolli é a peça fundamental para dar esse brilho a Vanda. Thomas é um roteirista e diretor de teatro, cansado por um longo dia de trabalho sem conseguir a atriz ideal para sua peça, e que não resiste aos encantos de uma personagem literalmente louca. Thomas até tenta se livrar, porém seu esforço é em vão e rapidamente ele está da mesma forma que o espectador: perdidamente apaixonado e hipnotizado.
O diretor Thomas está buscando uma atriz que interprete Wanda, a protagonista do romance de Sacher-Masoch, exatamente da maneira como seu criador imaginou ainda no século XIX. A relação entre atriz-diretor tem início já quando uma mulher de mesmo nome surge para realizar o teste. A partir desse momento, o espectador se depara com um casamento perfeito dos atores, seja na realidade do palco ou na ficção da literatura.
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| Foto/Reprodução: Glauber Carrião (Departamento de Cultura E. S. do Pinhal) |
A montagem de Vênus em Visom possui certa complexidade e tudo se encaixa perfeitamente bem, tanto cenário, como também figurino e luzes, por exemplo. O grande brilhantismo está em mostrar antigos tabus de uma sociedade que poderia não estar preparada aos novos conceitos de Sacher-Masoch. O enredo, portanto, trabalha tais tabus no passado e no presente, e tem atores trocando de personagens e apenas evoluindo. Uma peça que transita entre os séculos, possui um toque exato de humor e fetiches, e é capaz de transformar a sensualidade de uma atriz em seu grande e espetacular diferencial.














Já demonstrei minha admiração pela Bárbara, mas acho válido deixar aqui registrada: belíssima e talentosíssima. *-* Ainda não assisti a essa peça (espero, pelo amor de Júpiter, ter a oportunidade de fazê-la um dia), mas só sabendo que a Bárbara está no elenco me deixa animadíssima para conferir. Não sabia que era baseada em uma obra oO A trama me chamou atenção e seus comentários (humor? sério? amo <3) só me fizeram arrancar os cabelos de desespero para assisti-la.
ResponderExcluirBrunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br
Brunna, realmente espero que você tenha a oportunidade de assistir a peça, porque tenho certeza que não vai se arrepender. É o tipo de trabalho que, quando você menos espera, já chegou ao fim. Por mim poderia continuar por muitas e muitas horas, talvez por isso o meu desejo de conhecer o trabalho literário de Sacher-Masoch.
ExcluirSobre a Bárbara... Ela é simplesmente incrível. A personagem dela tem algo tão intenso que basta entrar em cena para criar um novo clima. Ela é totalmente linda, dentro e fora dos palcos, e tem a tal da química com o André, algo totalmente necessário.
Resumindo: a peça é perfeita!
Beijos,
OLá Ricardo,
ResponderExcluirA peça parece muito boa mesmo e seu post nos deixa bem curioso...parabéns...abraço.
devoradordeletras.blogspot.com.br
A Bárbara Paz dispensa comentários. Ela é fantástica!
ResponderExcluirAcho incríveis quando rolam essas metalinguagens nas peças, e elas são muito bem desempenhadas, é claro. Outras coisas legais são esses "jogos" entre passado e presente e as trocas de personagens. É aí que percebemos o quão brilhantes são os atores e a direção também. Vocês foram uns sortudos de assistirem um espetáculo como esse.
@_Dom_Dom
Mais uma vez estava aguardando ansiosamente por seu comentário, Dom Dom. Ter a oportunidade de conhecer a Bárbara Paz foi simplesmente fantástico, mas vê-la em cena é algo verdadeiramente incomparável. Como você disse, tivemos sorte de receber esse espetáculo no interior e ter sido totalmente gratuito. Ninguém pode reclamar que não assiste boas peças longe dos grandes centros.
ExcluirAbraços,
Rick, como eu já havia comentado com você antes, não sei se assistiria à peça. Não sou muito fã da Bárbara Paz no geral e acho que isso prejudicaria meu aproveitamento em relação à peça já que ela é um dos pontos principais. Mesmo assim, gostei muito do seu post, você soube colocar muito bem o que foi que te agradou na peça e contou um pouco mais sobre a história, já que eu mesma não sabia do que se tratava. rsrs Parece ser uma temática interessante, mas que eu não conferiria.
ResponderExcluirAinda assim, parabéns! Seus posts sobre peças teatrais sempre trazem um quê de singularidade ao blog e eu sempre estarei conferindo suas opiniões sobre as apresentações que raramente conseguirei assistir também. rs É bom você trazer esse pedacinho do teatro para que nós também possamos nos sentir como espectadores! ;D
Beijos,
Vê
Only The Strong Survive