Texto: Eduardo Martins
Baseado: O Bem Amado, de Dias Gomes
Direção: Eduardo Martins
Duração: 95 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 28 de outubro de 2014
O Bem Amado conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu (Eduardo Martins), que tem como meta prioritária em sua administração, na cidade de Sucupira, a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras, Dorotéa, Judicéa e Dulcinéa (Gabriela Agostini, Paolla Tamaso e Daniela Agostini). Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Neco Pedreira (Edney Souza), dono do jornaleco da cidade. Sempre apoiado por seu secretário e fiel escudeiro Dirceu Borboleta (Daylon Martineli), Odorico arquiteta sua história e altera frequentemente o cotidiano da cidade, visando tomar providências cabíveis a sua administração e ao seu sucesso pessoal.
Mesmo um grupo de teatro amador conquista novos aprendizados com o passar do tempo, por isso novas apresentações significam novas surpresas ao público. Em alguns casos, o tempo resulta, por exemplo, em melhores cenas, em outros melhores interpretações, o que é exatamente o caso de O Bem Amado.
Essa não é a primeira comédia da Companhia Viva Arte, que nos anos anteriores apresentou também O Rico Avarento e O Auto da Compadecida, mas talvez seja a peça mais diferente – e isso não apenas por essa ser baseada no trabalho de outro autor. Baseada na obra do imortal Dias Gomes, a peça possui raros momentos de pura comédia, mas ainda assim não perde a essência do grupo – felizmente.
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| Foto: Reprodução/Facebook |
Outra diferença significativa está nas interpretações, que evoluíram muito em pouco tempo. Alguns nomes já se destacam por seus trabalhos anteriores, como Gabriela Agostini e Eduardo Martins – diretor e reconhecido com o prêmio de Melhor Ator em um festival de teatro amador. Outros, no entanto, revelam um talento que aparentemente permaneceu adormecido apenas devido às personagens anteriores. É o caso de Daniela Agostini, que já interpretou importantes personagens, que poderiam ser de qualquer atriz, mas Dulcinéa Cajazeira aparenta ter sido criada exatamente para ela. Por esse motivo, Daniela e Dulcinéa se tornaram as gratas surpresas de O Bem Amado.
O único problema acontece quando poucas personagens, e em raros momentos, não saem naturalmente. Vale lembrar que no teatro cada nova apresentação se difere das anteriores, por isso pode ser um caso isolado, mas é evidente que a primeira impressão é a que fica. Quando a voz ou as caras e bocas saem mais forçadas que o necessário, certamente não passam despercebidas pelo grande público.
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| Foto: Reprodução/Facebook |
Mesmo que a torcida fosse para Dulcinéa, qualquer uma poderia dividir o posto de maior destaque de O Bem Amado com Odorico Paraguaçu, um protagonista que dispensa apresentações e que qualquer escritor iniciante gostaria de ter criado. Não por menos, Odorico é a personagem que, por bem ou por mal, fica na boca do público e certamente ganharia qualquer eleição. Suas atitudes nem sempre são dignas, mas, na atual situação, o meu voto ele certamente teria.














Deve ser muito bom :)
ResponderExcluirAdorei o seu blog e já estou a seguir!!
beijos,
Daniela
http://ddocesonhadora.blogspot.pt/
Obrigado por comentar e seguir o blog, Daniela. Também estou seguindo o seu.
ExcluirMuito sucesso para você. Beijos!