A quarta edição da Semana Edgard Cavalheiro, principal evento literário de Espírito Santo do Pinhal, chegou ao fim na noite do último domingo, 18, com a participação especial da escritora mineira Guiomar de Grammont. O evento, divulgado a nível nacional pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a nível regional pela EPTV Campinas, é uma parceria entre a Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro” e a Prefeitura Municipal de Espírito Santo do Pinhal.

Nascida em Ouro Preto, Guiomar de Grammont é autora do recém-lançado “Palavras Cruzadas”, obra cujo o enredo aborda os desaparecidos políticos durante a Guerrilha do Araguaia, episódio marcante do período ditatorial brasileiro. Em sua participação no evento, a escritora mineira ministrou uma oficina em que apresentou dicas para a construção de um romance e participou também de um bate-papo especial, mediado pelo escritor Moacir Amâncio, em que o seu último livro foi o tema principal.

O último dia do evento marcou ainda a divulgação dos premiados do II Concurso UniPinhal de Poemas. O concurso foi idealizado com o objetivo de lançar novos talentos e promover a literatura brasileira, e em sua segunda edição contou com o apoio da Casa do Escritor. A premiação aconteceu no início das atividades noturnas do último dia do evento e premiou os poetas Eduardo Lairon Rosa Pereira, Eduardo Felício Ribeiro e Renata Ribeiro.

O encerramento do evento aconteceu com a última apresentação aberta da temporada de “A Máquina” espetáculo teatral do Teatro Flácus. Com direção de Gabriel Gonçalves, a peça foi premiada no I Prêmio AATA de Teatro Amador, realizado no último mês de julho.

Felipe Colbert, Guiomar de Grammont e Samanta Holtz são as principais atrações do evento

A Semana Edgard Cavalheiro, principal evento realizado pela Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro”, chega em 2016 à sua quarta edição e contará com a presença de diversos representes de diferentes gerações da literatura brasileira. O evento será realizado entre os dias 14 e 18 de setembro.

A atual edição tem a divulgação a nível nacional realizada pela Câmara Brasileira do Livro, instituição fundada por diversos escritores, incluindo o pinhalense Edgard Cavalheiro. A programação inclui palestras, bate-papos, declamação e concursos de poemas, troca de livros, fórum de pesquisas, lançamentos de livros, apresentações musicais, teatrais e de dança. Todas as atividades serão gratuitas e acontecerão no Theatro Avenida, na Associação Cultural “Antônio Benedicto Machado Florence” (o antigo Casarão) e nas escolas estaduais “Profº Benedito Nascimento Rosa” e “Cardeal Leme”.

Entre os escritores que participam do evento, destacam-se Felipe Colbert, autor dos livros “Belleville” e “Para Continuar”, Guiomar de Grammont, autora do livro “Palavras Cruzadas”, e Samanta Holtz, ganhadora do I Prêmio Anita Garibaldi em Defesa dos Direitos da Mulher e autora dos livros “O Pássaro”, “Quero ser Beth Levitt”, “Renascer de um outono” e “Quando o amor bater à sua porta”, lançamento da editora Arqueiro.

Durante o evento acontecerá o lançamento da “Antologia Literária Pinhalense – Vol. 6”, que tem a organização de Ricardo Biazotto e reúne contos, crônicas e poemas. O livro contará com a participação de mais de quarenta autores, representando as cidades de Campinas, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Guarujá, Ibaiti, Ipaussu, Itanhaém, Jacutinga, Machado, Recife, Ribeirão Bonito, Rio de Janeiro, Santa Rita de Caldas e Santo Antônio do Jardim.

A Semana Edgard Cavalheiro terá ainda a participação dos escritores Lívia Fiedler, Leandro Schulai, Hugo Sales, Silvio Tamaso D’Onofrio, Jenny Rugeroni e Moacir Amâncio.

Para mais informações, baixe o aplicativo oficial da Semana Edgard Cavalheiro acessando www.migre.me/uOmSc.

Foto: Beatriz Biazotto (Over Shock)
Através de uma parceria com o Grêmio Estudantil da E. E. “Profº Benedito Nascimento Rosas”, a Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro” realizou no último sábado, 31, durante a programação da III Semana Edgard Cavalheiro, um bate-papo com a comunidade da Vila Centenário. A ideia dos organizadores era descentralizar a semana literária, realizada desde 2013, e incentivar o hábito da leitura em comunidades que carecem de eventos culturais.

A principal atração do evento foi o escritor Hugo Sales, ganhador do Prêmio Strix e coautor de diversas antologias publicadas pela Andross Editora. Além de Hugo, participaram também os escritores Diego Carleti, que em novembro entra no mercado editorial pela mesma editora, e Sílvio Tamaso D’Onófrio, autor do livro “Crônicas Pesquisas: Edgard Cavalheiro escreveu” e mediador do debate. Os três escritores conversaram sobre “Literatura, Juventude e Internet”.

Durante todo o bate-papo, os escritores comentaram suas experiências na literatura, especialmente no meio digital, e também sobre a importância de incentivar a leitura dos mais jovens através de obras que despertem seus interesses. Os autores usaram suas próprias experiências de vida para demonstrar a importância de apresentar aos estudantes a literatura de fácil assimilação.

Em entrevista ao Over Shock, o escritor Hugo Sales explicou que o contato com a literatura deve ser incentivado nas escolas desde cedo e que “existem obras ótimas para apresentarem os pequenos ao universo literário; maiores, outras obras excelentes podem fazer a transição do infantil para o infanto-juvenil e assim por diante”. “É bem capaz que com apoio, divulgação, incentivo, estudos, ao longo da vida escolar, os alunos, antes mesmo de precisarem ler obras clássicas para vestibulares, já as tenham lido”, disse.

Ainda segundo Hugo, que exemplificou o caso contando sobre o seu sobrinho de nove anos que não é incentivado pela escola a ler obras que não sejam os livros didáticos, as pessoas são “iniciadas na matemática, ciências, geografia e demais matérias desde cedo, isso também poderia ocorrer com a literatura. De repente ser mesclada as aulas de artes, algo assim”.

Cristovão Tezza e Ignácio de Loyola Brandão são as principais atrações do evento

Completando quinze anos em 2015, a Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro” realiza em outubro a terceira edição da Semana Edgard Cavalheiro, evento criado em 2013 para difundir a vida e obra do maior representante da literatura em Espírito Santo do Pinhal, cidade do interior de São Paulo. A atual edição do evento acontecerá entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro.

Todas as atividades do evento serão gratuitas e acontecerão no Theatro Avenida e na Escola Estadual “Profº Benedito Nascimento Rosas”. A programação inclui palestras, bate-papos, apresentações musicais e teatrais, lançamentos de livros e intervenções culturais pelas ruas da cidade. As principais atrações serão os escritores Cristovão Tezza e Ignácio de Loyola Brandão, ganhadores do Prêmio Jabuti, principal premiação da literatura brasileira.

O evento marcará também o lançamento da edição física do livro “Antologia Comemorativa – 15 anos da Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro”, idealizado e organizado pelo escritor Ricardo Biazotto. Com contos, crônicas e poemas de tema livre, o livro conta com a participação de diversos escritores de Espírito Santo do Pinhal, além de representantes das cidades de Aguaí, Corinto, Guarujá, Jacutinga, Machado, Pedreira, Santo Antônio do Jardim e Santos. Segundo o organizador, a antologia “reforça o compromisso de incentivar o hábito da escrita e de levar o nome de Edgard Cavalheiro a lugares cada vez mais distantes”.

Já a principal novidade da Semana Edgard Cavalheiro será um bate-papo na comunidade, realizando um antigo desejo de estreitar os laços entre os escritores e a população. O bate-papo surgiu após uma parceria com o Grêmio Estudantil da Escola Estadual “Profº Benedito Nascimento Rosas” e tem a participação dos escritores Diego Carleti e Hugo Sales, ganhador do Prêmio Strix. A mediação será por conta de Sílvio Tamaso D’Onófrio, pesquisador da vida e obra de Edgard Cavalheiro.

A Semana Edgard Cavalheiro terá ainda a participação dos escritores João Batista Rozon, João Worms, Madu G. R., Maurício Chaim, Moacir Amâncio e Paulo Stefani Tobias.

Após ser muito elogiada pelo crítico Moacir Amâncio, que classificou sua estreia como fervilhante, a escritora Paula Fábrio foi uma das atrações da II Semana Edgard Cavalheiro, evento que aconteceu em Espírito Santo do Pinhal-SP.

Paula Fábrio estreou no mercado editorial com o livro “Desnorteio” (Ed. Patuá), com o qual conquistou o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Autor Estreante Mais de 40 anos, e em 2015 deve publicar seu segundo romance, intitulado “Ponto de Fuga”. Em sua participação no evento, ao lado de Amâncio, a escritora comentou sobre seu primeiro livro, o atual mercado editorial e também sobre a Educação no Brasil.

Ao conceder uma entrevista ao Over Shock, a escritora revelou que, contando a história de três irmãos que se tornam mendigos, sua primeira obra “trata um pouco da história do Brasil”, mostrando as diversas formas de entender esse fenômeno que considera complexo e que conheceu de perto graças a três de seus tios.

O enredo de “Desnorteio” tem início ainda no século XIX e Paula Fábrio conta que isso se deve a uma figura ilustre de Sorocaba-SP. Explorar o passado, segundo ela, era uma forma de “ver quais eram os ascendentes desses três irmãos que se tornaram mendigos”. Além disso, a obra tem como objetivo mostrar como a mescla cultural “que compõem o quadro brasileiro” “vai se refletindo na Educação, na Economia e na Política”. “São apenas tentativas de compreender esse fenômeno”, explica.

Quando questionada sobre mudanças no mercado, a autora disse também que muitas coisas “interessantes poderiam imputar mais qualidade no mercado”, que se expandiu e passou por uma profissionalização, mas “não pode perder a ternura”. “Talvez um pouco da ternura tenha sido perdida com esse excesso de profissionalização”, ressaltou Paula.

Em contrapartida, Paula Fábrio garante que “tudo funciona em conjunto” e por isso é necessário pensar em um projeto completo, em que a Cultura e a Educação, por exemplo, também passariam por uma mudança profunda. A escritora acha também que a mudança deveria acontecer na sociedade, não exatamente no mercado de livros, e que o escritor tem papel fundamental em tal mudança: “acho que é até um papel do escritor tentar se engajar mais nisso”.

Após vários dias dedicados aos mais variados segmentos artísticos, como a música, o teatro e a dança, a Semana Edgard Cavalheiro chegou ao fim, no último sábado, 01, com a ilustre presença do escritor infanto-juvenil Pedro Bandeira.

A primeira atividade do autor do recém-lançado “A Droga da Amizade” aconteceu em estabelecimentos comerciais do Centro de Espírito Santo do Pinhal-SP, onde autografou livros e atendeu os seus leitores. Logo na sequência, o escritor se encontrou com o público presente no Theatro Avenida, local em que, durante a noite, ministrou uma palestra sobre a importância da leitura na construção de um país.

Por estar participando de um evento em homenagem ao escritor pinhalense Edgard Cavalheiro, criador do Prêmio Jabuti e maior biógrafo de Monteiro Lobato, o escritor declarou a sua admiração pelo criador de, entre outros, “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Segundo disse em entrevista exclusiva, Lobato foi quem “fez as minhas ideias políticas, quem fez o meu patriotismo, o meu nacionalismo, minha sede pela leitura, pela cultura e pela justiça”.

Pedro Bandeira ainda contou que seu pai faleceu antes do seu nascimento, por isso Monteiro Lobato foi o único homem adulto a falar por ele. “Ele serviu para me formar”, afirmou. “É como se eu realmente pudesse falar de um pai, um pai que eu também não conheci pessoalmente, mas até hoje eu o conheço”.

O escritor ressaltou também o trabalho de Edgard Cavalheiro ao escrever sobre a vida e obra de Monteiro Lobato. Para ele, Cavalheiro compreendia o lado pioneiro de Lobato e não o retratava apenas como um polemista, algo que acontece muitas vezes ao falar sobre a vida do escritor. “Ele foi um pioneiro em um monte de coisas. Não um pioneiro efetivo - as coisas que ele tentou fazer muitas vezes não deram certo -, mas deixaram portas abertas”.

Por fim, Pedro garantiu que a amizade entre Cavalheiro e Lobato foi essencial para a construção do mais importante livro do escritor homenageado na semana cultural. “A informação que ele nos dá de Lobato é muito mais sólida”, por isso que “hoje quem vai falar de Lobato primeiro lê Edgard Cavalheiro, depois vai falar de Lobato. A primeira fonte: Edgard Cavalheiro, não tem outra”.

Ricardo Ragazzo assina contrato com a editora Planeta
Após publicar seus dois primeiros romances pela editora Novo Século, o escritor paulista Ricardo Ragazzo assinou contrato com a editora Planeta. Através de suas redes sociais, o autor dos livros “72 Horas para Morrer” e “A Garota das Cicatrizes de Fogo” prometeu muitas surpresas para o próximo ano. Ragazzo ainda agradeceu seus leitores: “obrigado a todos vocês que torcem por mim e por meus livros”, disse.

Livros de Gisele Souza serão publicados pela editora Charme
Na mesma semana em que anunciou o seu desligamento da editora MODO, responsável pela publicação de seu primeiro livro impresso, a autora Gisele Souza confirmou que agora faz parte do grupo de escritoras da editora Charme. A primeira publicação de Gisele por sua nova editora será o livro “Pecaminoso”, previsto para 2015. A editora Charme publicará ainda os livros “Inspiração” e “Impulso”, dois grandes sucessos da Amazon e que fazem parte da série Inspiração.

Evaldo Cabral de Mello é o sucessor de João Ubaldo Ribeiro na ABL
A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu na tarde dessa quinta-feira, 23, o sucessor do escritor João Ubaldo Ribeiro, que faleceu no último dia 18 de julho. Em uma eleição com apenas um candidato, Evaldo Cabral de Mello conquistou 36 votos e se tornou o novo membro da cadeira 34. Fundada por João Manuel Pereira da Silva, a cadeira já foi ocupada também por, entre outros, o Barão do Rio Branco e Carlos Castelo Branco.
Evaldo Cabral de Mello nasceu no Recife em 1936 e é considerado por muitos o maior historiador do país. Irmão do poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), Evaldo é especialista em história regional e escreveu vários estudos sobre o domínio holandês em Pernambuco durante o século XVII. Entre seus principais livros estão “Olinda Restaurada” (1975), “O Negócio do Brasil” (1998) e “Nassau: Governador do Brasil Holandês” (2006).
Além do historiador pernambucano, a ABL elegeu no último dia 10 o poeta Ferreira Gullar para substituir Ivan Junqueira. Na próxima quinta-feira, 30, a instituição com sede no Rio de Janeiro deve realizar a votação para escolher o substituto de Ariano Suassuna.

Autor de “Quase Acaso” lança novo livro pela editora Novo Século
O escritor André Tressoldi, autor dos livros “Quase Acaso” e “Suicídios em Bom Jesus”, lançou recentemente, pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século, o livro “Lua, Lobos e Cerrado”.
Segundo o autor, seu novo livro tem como grande diferencial a narrativa em primeira pessoa, “as novas perspectivas à lenda do lobisomem e que a história se passa num importante bioma brasileiro, o cerrado”. “Acredito também haver diversos ingredientes que contribuíram para uma história de muita aventura, suspense e romance”, explicou.
“Lua, Lobos e Cerrado”, para André Tressoldi, é um livro para entretenimento, diferente dos seus romances anteriores, em que “retratava questionamentos críticos e denunciadores de uma realidade da sociedade”. O autor vai mais além e define o novo livro como “uma leitura descompromissada com a realidade”.
Já em sua terceira publicação, André não encontra mudanças no mercado editorial e conta que, em visita à Bienal do Livro de São Paulo, percebeu que “as grandes editoras e muitos leitores voltam sua atenção a escritores estrangeiros” e que essa concorrência é desleal. Entre alternativas para se mudar essa realidade, o autor acredita ser “preciso se criar uma lei de incentivo à produção, venda e divulgação da literatura nacional, para que muitos escritores com bom potencial possam crescer e aparecer”.
O novo livro de André Tressoldi está disponível nas principais livrarias do país.
DO MESMO AUTOR DO ROMANCE QUASE ACASO
Josber é encarregado de auxiliar um grupo de estudiosos pelos diversificados caminhos do ambiente mato-grossense. No entanto, algo que parecia ser uma lenda regional começa a interferir nos dias, ou melhor, nas noites dos pesquisadores, tornando a previsível pesquisa em uma inesperada aventura.
Confrontados com essa nova realidade, terão de enfrentar várias criaturas, e a mais presente delas: os lobisomens.
Mesmo em meio ao desespero, surge a paixão entre Josber e Tiacha, uma fabulosa guardiã, que se revelará como uma questão a mais no conflito entre o humano e o sobrenatural, selando o destino de todos.

Para encerrar a semana recheada de muitas atividades visando o resgate da memória de Edgard Cavalheiro, o último dia da Semana Edgard Cavalheiro aconteceu em uma manhã fria de domingo marcada principalmente por homenagens.

A primeira atividade da manhã foi a exibição do documentário Edgard Cavalheiro – Vida e Obra. Produzido devido a uma parceria entre o UniPinhal e a Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro, o documentário, distribuído gratuitamente em 500 cópias ainda no início da semana, tem a intenção de mostrar a brilhante trajetória de Cavalheiro desde o seu nascimento, em Pinhal, até o falecimento em São Paulo. O documentário possui ainda depoimentos e imagens históricas que engrandecem a bonita história desse ilustre pinhalense.

Reflexões e metáforas marcam a leitura da peça “O Rei, o Rato e o Bufão do Rei”
Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Escrita pelo escritor romeno Matei Visniec, a peça O Rei, o Rato e o Bufão do Rei narra uma história recheada de reflexões sobre política, formas de governo e principalmente a busca pelo poder. Com apenas dois personagens, a peça possui algumas características marcantes, no entanto também pode ser considerada uma peça confusa.

Com uma leitura dramática realizada pela Cia. de Espetáculos Viva Arte, e comentários do escritor pinhalense Moacir Amâncio, a peça foi apresentada ao público presente que não precisou se esforçar para perceber as metáforas incluídas por Visniec em seu texto.

Devido a sua complexidade, a peça pode ser interpretada de diversas formas, mas para Valéria Torres, pró-reitora do UniPinhal e uma das organizadoras da Semana Edgard Cavalheiro, “o texto mostra que as coisas não têm sentido e que as coisas se repetem”, disse durante breve bate-papo realizado após a peça

Já em entrevista, o escritor e tradutor Moacir Amâncio, que sugeriu que a leitura dessa peça fosse realizada durante o evento, disse que a peça “permite uma reflexão sobre o poder, sobre a história e também sobre nosso comportamento particular”. “Então é um texto muito rico e eu fiquei muito contente com a aceitação da sugestão e com a realização do pessoal”, completou.

Moacir ainda comentou sobre o que motivou a sua sugestão: “Minha ideia é trabalhar uma forma de divulgação do teatro, de um modo rápido, dinâmico e de baixíssimo custo, ou seja, custo quase nenhum. E é um intermediário entre a leitura particular, privada do texto, e o espetáculo que pode ser montado ou não”.

No último sábado, 17, três palestras movimentaram o penúltimo dia da Semana Edgard Cavalheiro. Além disso, lançamentos de livros e apresentações culturais também fizeram parte da programação.

Cordel: Uma literatura próxima do povo
Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Ainda na infância, a literatura de cordel é apresentada para as crianças, no entanto poucas pessoas seguem com o hábito de apreciá-la. Segundo o cordelista Paulo Barja, primeira atração do dia e idealizador do projeto Cordéis Joseenses, o cordel é uma ponte entre a literatura e a música. “É uma literatura muito oral. Uma literatura pra gente ler em voz alta. É um jeito de falar que ao mesmo tempo que tem a poesia presente, é muito próximo do cotidiano e do popular. Assuntos do cotidiano, do dia-a-dia podem virar cordel. É uma poesia simples, uma poesia acessível que é inclusive a razão principal pela qual me encantei”, disse em entrevista realizada antes de sua palestra.

Sobre a procura da literatura de cordel, Paulo revelou que havia uma procura muito grande no século XX, em especial nas décadas de 40 e 50, e que ainda hoje esse tipo de literatura é muito vendida, apesar da existência de cordéis virtuais.

Já em relação ao projeto Cordéis Joseenses, o cordelista disse que por ser apaixonado por cordel e gostar de escrever, começou a brincar de fazer cordel e se encontrou com esse tipo de arte. “Comecei a fazer os Cordéis Joseenses nesse espírito, também motivado em como fazer uma literatura que pudesse ser acessível também para crianças”.

Paulo Barja, que recentemente participou da Semana do Livro Nacional, disse achar muito importante a iniciativa de Josy Stoque: “A gente quer que se multiplique. É algo que é muito simpático” e completou dizendo que “a união faz a força pra gente: escritores, pessoal jovem produzindo de forma independente. A união faz a força”.

Em sua palestra, Paulo se focou na história do cordel, citando que ele surgiu ainda na Idade Média, no formato de prosa, e que existem diferentes tipos de cordéis espalhados pelo mundo. Segundo ele, o varal em exposições de cordel surgiu em Portugal e atualmente já existem cordeltecas em escolas do país.

Paulo, que iniciou na literatura escrevendo haicais e sonetos, aproveitou sua palestra para também citar o nome de importantes cordelistas brasileiros, como Leandro de Barros, e ler seus próprios cordéis, que posteriormente estavam à venda no hall de entrada do Cine Theatro Avenida.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Se apresentando para um grande público presente no Cine Theatro Avenida, a Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo foi a única atração do quinto dia da Semana Edgard Cavalheiro e fez um concerto passeando por sua própria história.

Criada pela Secretaria de Estado da Cultura em 1989, a Jazz Sinfônica sempre teve a intenção de resgatar as tradições das orquestras de rádio e televisão famosas entre as décadas 30 e 70. Sua principal característica é a união de elementos da música erudita e de uma big band de jazz, o que a transforma em uma orquestra inovadora e moderna. O principal nome dessa história foi Cyro Pereira, falecido em 2011, antigo maestro dos Festivais da Record dos anos 60. Com mais de 80 integrantes, a Jazz Sinfônica já se apresentou ao lado de importantes nomes da nossa música, como Tom Jobim, Milton Nascimento e Toquinho.

Como citado, em seu concerto apresentado na noite de sexta-feira, 16, a Jazz Sinfônica preparou um passeio por sua própria história, tocando canções que fizeram parte do repertório ao longo das últimas décadas. Ainda no início os músicos presentes tocaram uma peça composta por Scott Joplin e outra de Ernesto Nazareth, considerados pelo maestro dois nomes que, assim como a Jazz Sinfônica, caminharam pela fronteira da música erudita e popular.

Ao longo do concerto, foram apresentadas ainda peças de compositores e maestros italianos, argentinos e, claro, brasileiros. O tema de um dos filmes do cineasta italiano Federico Fellini, grande parceiro do compositor Nino Rota, também foi tocado com a intenção de levar o público presente a um passeio pela Roma dos anos 50.

Já no final do concerto, a Jazz Sinfônica tocou a canção Bye, Bye Brasil, no entanto não aparentava estar dizendo “adeus” para a população pinhalense e sim dizendo um “até logo”.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Já em seu quarto dia de atividades, nessa quinta-feira, 15, a Semana Edgard Cavalheiro voltou a receber alunos e professores da rede municipal de Educação para novas apresentações teatrais (com duas apresentações ao longo do dia) e uma palestra divertida que busca incentivar os educadores a mudarem suas posturas dentro e fora das salas de aula.

Durante a noite, antes da atração principal do dia, o ator e palestrante Alexandre Camilo, houve ainda uma apresentação com o saxofonista Luiz Gustavo de Souza. Só então Alexandre subiu ao palco, já demonstrando que usaria as artes cênicas no decorrer da palestra “Mudando de Postura: Comunicação e diversidade cultural no ambiente educativo”.

Ator, educador, contador de história e palestrante, Alexandre Camilo se formou em Artes Cênicas, mas foi após ser convidado para lecionar teatro em uma escola que percebeu a dificuldade de alguns educadores em usar a criatividade, o que deixava as crianças desmotivadas. Foi aí que começou a pesquisar a melhor forma da pessoa se comunicar e passou a trabalhar como palestrante para incentivar a comunicação entre trabalhadores de uma mesma equipe. Em entrevista exclusiva revelou que atualmente trabalha “muito mais nesse mundo coorporativo, nesse mundo com educadores”.

Em sua palestra, Alexandre Camilo mostra que como em qualquer área, o profissional que trabalha com a Educação precisa estar atento para as mudanças que ocorrem ao seu redor, em especial aos seus alunos. É necessário, portanto, evitar determinadas atitudes visando não apenas ensinar, mas principalmente educar.

O palestrante iniciou a sua palestra dizendo que a pessoa mais importante do nosso mundo somos nós mesmos. Ele citou ainda em determinado momento que o educador precisa trabalhar por amor e não pensando em sua situação financeira, já que todos sabem da dificuldade encontrada pelos professores, sobretudo do ensino público, em nosso país.

O primeiro dia da Semana Edgard Cavalheiro dedicado ao Departamento de Educação de Espírito Santo do Pinhal foi bastante movimentado no Cine Theatro Avenida. Durante a manhã e tarde de quarta-feira, 14, alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental foram ao teatro para acompanhar a peça “O Castelo de Mulumí” (em breve na coluna Boca de Cena) no projeto chamado “A Escola Vai ao Teatro”.

A intenção do projeto é dar a oportunidade das crianças conhecerem a beleza arquitetônica do prédio do Theatro Avenida e principalmente despertar o interesse dessas crianças pela cultura.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Apresentada pelo Teatro Flácus, do Grupo da Fraternidade Irmão Flácus, a peça infantil escrita por Jurandir Pereira possui pouco mais de uma hora e narra a história de Reizinho, que vive no castelo de Mulumí com seus dois súditos: Assombração e Piretsim. Nesse castelo existe uma placa dizendo que quando o rei completar mil anos chegará um novo rei, mas como Reizinho, que está prestes a comemorar o milésimo aniversário, se vê como um péssimo rei, decide que não pode deixar que essa profecia se concretize e para isso precisa da ajuda de seus dois súditos.

Dirce Cleia Malheiro, diretora do Departamento de Educação da cidade, afirmou em entrevista que é preciso formar o conceito cultural da criança que ainda está na escola, por isso a importância da participação da Educação em uma semana cultural. Já sobre a apresentação da peça teatral, Dirce disse que “essas oportunidades acabam criando hábitos nas crianças e a gente sabe que aquilo que a gente cultua na infância, carregamos para a vida adulta”. “Nós queremos, na verdade, formar neles a vontade de estar participando de eventos culturais”, completou.

A diretora do Departamento de Educação revelou ainda o encantamento de algumas crianças que assistiram ao espetáculo e tiveram o desejo de subir ao palco para conhecer “o castelo mal-assombrado” ou de cumprimentar os atores, que após a peça foram ao hall de entrada do Theatro Avenida para se aproximar das crianças presentes.

Apresentada em duas sessões, a peça “O Castelo de Mulumí” volta a ser apresentada para alunos do Ensino Fundamental nessa quinta-feira, 15, também em duas sessões.

Para a nova geração de leitores, que tiveram o hábito da leitura despertado graças a grandes sucessos editoriais, relacionar literatura e política pode ser uma missão complicada. No entanto, quando paramos para analisar os grandes clássicos de nossa literatura, fica clara a intenção dos antigos intelectuais em mudar a história através de seus livros.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
O historiador e comentarista do Jornal da Cultura Marco Antonio Villa, palestrante da noite de terça-feira, 13, na Semana Edgard Cavalheiro, iniciou sua palestra “Política, História e Literatura” comentando sobre casos em que escritores foram os protagonistas da história política do país. “Você vê que no século XIX, muitos dos livros tratam da questão da escravidão, vou lembrar o caso de “O Cortiço”, por exemplo. No século XX, nos anos 30 e 40, o romance regionalista tem sempre uma temática social. Então em vários momentos da literatura brasileira ela dialogou com as questões da sociedade brasileira, ou durante o Império ou durante a República”, disse durante entrevista após sua palestra.

O historiador ainda comentou que com o passar do tempo houve um afastamento das relações entre escritores, intelectuais e a vida política. “Pode ser também, não sei por que, a literatura brasileira foi perdendo grandes nomes. É difícil você encontrar grandes nomes da literatura brasileira com menos de cinquenta anos. Você vai procurar, procurar e vai ter uma dificuldade”, explicou.

Antes da entrevista, em uma palestra de tom irônico e muitas vezes engraçado, Marco Villa mostrou o motivo de ser considerado um grande crítico do sistema político de nosso país. Ainda no início, diz achar engraçado que um político condenado em mais de 100 países, como é o caso de Paulo Maluf, continue sendo recebido por prefeitos, governadores e outros políticos brasileiros. “Algo que só acontece na terra descoberta por Cabral”, brincou em outro momento.

Segundo o historiador, o grande problema da política brasileira é o fato do país ser refundado a cada década. Villa cita como exemplo as mudanças que o país sofreu após o fim da ditadura militar e a primeira eleição democrática, em 1985, que elegeu Tancredo Neves. Após o falecimento de Tancredo, que não chegou a tomar posse, o vice-presidente José Sarney assumiu a presidência no momento mais importante da história política recente do país. Na mesma época iniciou uma série de fracassos nos planos de estabilização econômica, enquanto que na eleição seguinte, o presidente eleito, Fernando Collor de Mello, acabou sofrendo o processo de Impeachment. “Collor foi primeiro candidato à presidência a lutar contra a corrupção e a sofrer o processo de Impeachment devido à corrupção”, declarou Villa.

Segunda-feira não é um dia comum para a realização de eventos, independente de qual seja área, mas não deixou de ser agradável a noite que abriu as atividades da Semana Edgard Cavalheiro, que ocorre até domingo no Cine Theatro Avenida de Espírito Santo do Pinhal.

A primeira atividade da noite foi a solenidade de abertura da semana literária que aconteceu com a presença de José Benedito de Oliveira (Zeca Bene), prefeito municipal, João Detore, vice-prefeito municipal, João Batista Rozon, presidente da Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro”, Ana Tereza Castro Leite, presidente da Associação dos Amigos do Theatro Avenida, e Dirce Cleia Malheiro, diretora do Departamento de Educação da cidade. Na sequência foi executado o hino do Brasil e também da cidade.

Já com a palavra, o prefeito municipal, Zeca Bene, parabenizou os organizadores do evento e agradeceu ao público presente antes de dizer que Pinhal está mudando e se tornando referência em toda a região. Na sequência declarou aberta a Semana Edgard Cavalheiro.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Os demais membros presentes na mesa também fizeram uso da palavra. Ana Tereza declarou esperar que a Semana Edgard Cavalheiro seja aproveitada por todos e que entre definitivamente para o calendário das atividades culturais do estado e munícipio. Já João Batista Rozon disse que é preciso realizar várias reuniões em torno do desenvolvido para que seja possível resgatar a memória da cidade. Grande idealizador do projeto, João Rozon aproveitou a oportunidade para pedir que os professores levem seus alunos para prestigiar eventos culturais, em especial a Semana que se iniciou na noite de segunda-feira, 12.

A diretora do Departamento de Educação revelou ter sentido a existência de um vácuo cultural gerado pela falta de interesse da população em participar de eventos culturais, no entanto, Dirce ressaltou a importância de que eventos semelhantes sejam sempre realizados. “Daqui 14 anos, a 14ª edição da Semana Edgard Cavalheiro terá muitos participantes e estará surgindo ali um “Edgardzinho””, brincou.

João Detore, vice-prefeito e um dos organizadores do evento, também declarou esperar colher frutos dessa primeira edição da Semana Edgard Cavalheiro, encerrando assim a parte solene da primeira noite do evento.

Foto: Divulgação
Há muito tempo, nas longínquas décadas de 40 e 50, um escritor chamado Edgard Cavalheiro vivia na capital paulista e, no auge de sua carreira como jornalista e biógrafo, aproveitava de sua paixão pelos livros e influência no meio literário para reunir escritores, muitas vezes também em sua cidade natal, Espírito Santo do Pinhal.

O tempo passou e um novo escritor, já na década de 80, teve o sonho de realizar uma semana literária em que pudesse homenagear e repetir os gestos de seu conterrâneo. Naquela época, esse escritor chamado João Batista Rozon plantou a semente, mas infelizmente precisou esperar muito tempo para ver sua ideia dando frutos.

Mas ele nunca desistiu e continuou lutando para preservar a memória de Edgard Cavalheiro, conhecido principalmente por ter escrito a principal biografia de Monteiro Lobato, uma obra de mais de 900 páginas. Além de sempre lutar por essa memória, João Rozon fundou a Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro”, que há treze anos procura idealizar projetos visando à união dos amantes das letras e claro, a divulgação da obra de Cavalheiro.

Ao longo de treze anos de atividades, e mais de 500 reuniões realizadas pela Casa do Escritor, João Rozon lutou pela criação da Semana Edgard Cavalheiro. Isso foi possível pela primeira vez em 2010, quando se iniciariam as comemorações do centenário de Cavalheiro, que aconteceria no ano seguinte. Mas na ocasião a cidade de Pindamonhangaba queria homenagear Monteiro Lobato e por isso as duas cidades se uniram para a criação do Pin Pin de Literatura, utilizando o “Pin” de Pindamonhangaba e o “Pin” de Pinhal.

Às vésperas da primeira edição do evento, Pindamonhangaba desistiu da ideia e acabou ficando apenas para Espírito Santo do Pinhal, que realizou as três primeiras edições do Pin Pin de Literatura, a última com cobertura completa do blog Over Shock.

Apesar da realização de três edições, o desejo de criar uma semana que levasse o nome de Edgard Cavalheiro persistiu até a posse de uma nova administração pública, ocorrida no início do ano. Estava ali a chance de a tão sonhada ideia ser enfim colocada no papel, mas claro que para isso era necessária muita luta.

Assim como aconteceu nas últimas décadas, João Rozon não desistiu e continuou batalhando pela criação do evento. Como membro da Casa do Escritor Pinhalense “Edgard Cavalheiro”, acompanhei essa luta e inclusive participei de reuniões preparatórias, por isso é motivo de orgulho ver que a Semana Edgard Cavalheiro deixou de ser apenas um sonho.

O poeta João Batista Rozon pode agora, merecidamente, ver o seu sonho se tornar realidade.