Need for Speed, Brian Kelleher, tradução de Edmundo Barreiros, 1ª edição, São Paulo-SP:
Única, 2014, 240 páginas.
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Após muito tempo afastado das corridas, Tobey Marshall quer apenas manter, ao lado de toda sua equipe, a oficina que herdou do falecido pai. Mas para sanar as dívidas, ele acaba aceitando um desafio de um antigo desafeto e, no meio dessa aventura eletrizante, um de seus amigos acaba morrendo e Tobey é preso, acusado de um crime que não cometeu.

Três anos depois, quando finalmente deixa a prisão, Tobey está disposto a tudo para se vingar do verdadeiro culpado pela morte de seu amigo. Com sua equipe dividida e sem qualquer chance de reconquistar seu espaço no mundo das corridas de rua, Tobey percebe que sua única alternativa é participar da corrida mais desejada pelos pilotos. Para isso precisa apenas atravessar o país, correndo contra o tempo e sendo perseguido pela polícia, enquanto seu principal adversário planeja como finalmente derrotá-lo.

“A velocidade “inalcançável”, o Santo Graal das corridas de rua, estava em torno dos 400 km/h. Isso é mais do que um quilômetro a cada dez segundos. Assim como quebrar a barreira do som num caça a jato, uma velocidade dessas num carro pode ser excitante. Contudo, bastava um único movimento em falso e a pessoa atrás do volante acabava, na maioria das vezes, morta” (pág. 15).
Quando foi anunciado que a franquia de games Need for Speed ganharia adaptações para o cinema e a literatura, a única certeza era que se assemelharia com os filmes de Velozes e Furiosos, por exemplo. Sabendo disso, antes mesmo da leitura estava claro que se tratava de um livro para um público específico, o que posteriormente se confirmou. O livro de Brian Kelleher é definitivamente um trabalho apenas para os fãs dos games e de velocidade em geral, tanto que os personagens são ofuscados pelos carros.

A leitura de Need for Speed acontece com o mesmo ritmo das corridas e perseguições que encontramos ao longo das sete partes em que é dividido. São inúmeros momentos de pura adrenalina transmitidos a partir de uma narrativa agradável e muito descritiva, contrariando a ideia de que livros originados de filmes são vagos e sem um aprofundamento convincente.

Prova disso é que, diferente do filme, onde provavelmente a única graça está no ronco dos motores, o autor conseguiu descrever de forma detalhada todos os componentes dos carros. Quem não entende pode ficar perdido, mas conhecer o mínimo que seja é suficiente para tornar o trabalho de Kelleher viciante, ainda que existam pequenas falhas de revisão e um estilo bem característico de sua escrita agradável.

Além dos elementos técnicos de cada um dos carros tunados, o leitor se depara ainda com tudo o que é natural nesse tipo de enredo. Perdemos a conta da quantidade de trapaças, motivadas pela rivalidade, e perseguições que geram instante de tensão pela incerteza do que ainda pode acontecer, já que o autor se aproveita de sua imaginação para surpreender em inúmeras oportunidades.

Apenas é uma pena não ser possível recomendar a todos os leitores, já que possui um enredo pouco original se comparado com outras histórias semelhantes - nem por isso pouco interessante. Mas toda a ação é mostrada com veracidade, apesar de ser possível duvidar de certas situações, o que só aconteceria em um trabalho de um escritor acostumado a escrever histórias de ação. Isso tudo torna a experiência muito agradável para quem já foi perseguido, através dos games, e entende a adrenalina e a necessidade por velocidades cada vez mais altas. Nostalgia total!

“Tobey agora manobrava furiosamente, desviando dos carros que vinham em sua direção, enquanto percebia que uma terceira viatura da polícia tinha entrado na perseguição. Quando ia bater de frente num carro de passeio, reduziu, pisou no freio e no acelerador, tudo ao mesmo tempo. O resultado foi um cavalo de pau invertido perfeito de 270 graus” (pág. 147).



6 Comentários

  1. Olá Ricardo,

    Confesso que até ler a sua resenha não esperava muito desse livro, mas vejo que estava enganado, o livro parece ser uma aventura e tanto vou anotar a dica....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Oi Ricardo, apesar das resenhas elogiosas que tenho lido deste livro, não é uma leitura que tenha chamado minha atenção até o momento.
    Bjs, Rose

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  3. Confesso que não tinha conhecimento da existência desse game, pois faz séculos que não jogo, ou leio algo desse universo. Só tive conhecimento quando vi que o filme e livros seriam lançados. Também fiquei com a impressão de ser muito a cara de "Velozes e Furiosos", mas percebi que ele também tem seus encantos. Como gosto dessa pegada de ação e tensão, deve ser ideal pra mim. Com certeza vou dar uma conferida.

    @_Dom_Dom

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  4. Confesso que não tinha conhecimento da existência desse game, pois faz séculos que não jogo, ou leio algo desse universo. Só tive conhecimento quando vi que o filme e livros seriam lançados. Também fiquei com a impressão de ser muito a cara de "Velozes e Furiosos", mas percebi que ele também tem seus encantos. Como gosto dessa pegada de ação e tensão, deve ser ideal pra mim. Com certeza vou dar uma conferida.

    @_Dom_Dom

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  5. Eletrizante, essa deve ser a palavra que define esse livro, sou totalmente viciado no universo dos games de corrida e começando com os livros desse estilo, lógico que a semelhança com Velozes e Furiosos aconteceria, visto que a franquia de filmes se tornou popular por explorar todas as possibilidades com rachas e competições, logo não há muito o que ousar, mesmo assim definitivamente é um livro que me prenderia pelas trapaças e desafios dos personagens.

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    1. Com certeza essa é a melhor palavras para definir Need for Speed. Como você é viciado nesse universo, certamente irá apreciar a leitura, se não pela qualidade técnica, por esse sentimento de adrenalina e nostalgia. Só espero que o filme seja tão bom quanto o livro :D

      Abraços,

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