Texto: Eduardo Martins
Baseado: Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato
Direção: Eduardo Martins
Duração: 75 minutos.
Gênero: Infantil.
Apresentação: 26 de julho de 2015
A peça narra as primeiras aventuras que acontecem no Sítio do Picapau Amarelo e apresenta Emília (Paolla Tamaso), a boneca de pano tagarela e sabida, Tia Nastácia (Eduardo Martins), famosa por seus deliciosos bolinhos, Dona Benta (Gabriela Sanches), uma avó muito especial, e sua neta Lúcia, a menina do nariz arrebitado, ou como é conhecida, Narizinho (Jaqueline Del Giudice). Narizinho é quem transporta os espectadores a incríveis viagens pelo mundo da fantasia.
Tudo começa com uma inesperada visita da neta de Dona Benta ao Reino das Águas Claras e com a chegada de seu primo, Pedrinho (Rodrigo Izidoro) ao Sítio para mais uma temporada de férias. Depois do passeio pelo Reino das Águas Claras, as reinações de Narizinho ficam ainda melhores. As crianças se divertem fazendo o Visconde de Sabugosa (Igor Siton) com um sabugo de milho e planejando o casamento de Emília com o leitão Rabicó (Danilo Mazarin).

A princípio não tinha qualquer motivo para escrever mais uma vez sobre a peça O Sítio do Picapau Amarelo — Reinações de Narizinho. A Companhia Viva Arte já havia apresentado essa peça em outra oportunidade e, na ocasião, fiz diversos elogios ao trabalho que me fez voltar a ser criança por alguns instantes. Sabendo que não seria surpreendido negativamente, não tinha a intenção de ir ao teatro pensando no que escrever, mas apenas apreciar as personagens que em outrora foram responsáveis por despertar a minha paixão pelos livros.

Infelizmente uma queda de energia, que deixou a cidades às escuras, mudou completamente os planos do grupo teatral e a consequência disso foi a mudança dos meus próprios planos. A primeira apresentação em comemoração aos cinco anos da Viva Arte, que deveria acontecer em um sábado à noite, precisou ser transferida para a tarde de domingo. Em minha opinião esse era o horário ideal, especialmente por ser uma peça voltada ao público infantil, mas para o grupo a mudança resultou em uma grande dor de cabeça.

Após vários dias dedicados aos mais variados segmentos artísticos, como a música, o teatro e a dança, a Semana Edgard Cavalheiro chegou ao fim, no último sábado, 01, com a ilustre presença do escritor infanto-juvenil Pedro Bandeira.

A primeira atividade do autor do recém-lançado “A Droga da Amizade” aconteceu em estabelecimentos comerciais do Centro de Espírito Santo do Pinhal-SP, onde autografou livros e atendeu os seus leitores. Logo na sequência, o escritor se encontrou com o público presente no Theatro Avenida, local em que, durante a noite, ministrou uma palestra sobre a importância da leitura na construção de um país.

Por estar participando de um evento em homenagem ao escritor pinhalense Edgard Cavalheiro, criador do Prêmio Jabuti e maior biógrafo de Monteiro Lobato, o escritor declarou a sua admiração pelo criador de, entre outros, “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Segundo disse em entrevista exclusiva, Lobato foi quem “fez as minhas ideias políticas, quem fez o meu patriotismo, o meu nacionalismo, minha sede pela leitura, pela cultura e pela justiça”.

Pedro Bandeira ainda contou que seu pai faleceu antes do seu nascimento, por isso Monteiro Lobato foi o único homem adulto a falar por ele. “Ele serviu para me formar”, afirmou. “É como se eu realmente pudesse falar de um pai, um pai que eu também não conheci pessoalmente, mas até hoje eu o conheço”.

O escritor ressaltou também o trabalho de Edgard Cavalheiro ao escrever sobre a vida e obra de Monteiro Lobato. Para ele, Cavalheiro compreendia o lado pioneiro de Lobato e não o retratava apenas como um polemista, algo que acontece muitas vezes ao falar sobre a vida do escritor. “Ele foi um pioneiro em um monte de coisas. Não um pioneiro efetivo - as coisas que ele tentou fazer muitas vezes não deram certo -, mas deixaram portas abertas”.

Por fim, Pedro garantiu que a amizade entre Cavalheiro e Lobato foi essencial para a construção do mais importante livro do escritor homenageado na semana cultural. “A informação que ele nos dá de Lobato é muito mais sólida”, por isso que “hoje quem vai falar de Lobato primeiro lê Edgard Cavalheiro, depois vai falar de Lobato. A primeira fonte: Edgard Cavalheiro, não tem outra”.

O Saci, Monteiro Lobato, ilustrações de Paulo Borges, 1ª edição, São Paulo-SP:
Globo, 2007, 72 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Apesar de não ser conhecido apenas por suas obras infantis, o escritor Monteiro Lobato se tornou um verdadeiro marco da literatura brasileira. Cansado das histórias europeias e da inexistência dos nossos próprios livros infantis, o escritor resolveu criar um cenário tipicamente brasileiro e assim surgiu a mais importante história infantil do país.

A história do Sítio do Picapau Amarelo marcou a infância de várias crianças nos últimos quase cem anos. Como todos sabem, as aventuras acontecem no sítio de Dona Benta, a mais simpática de todas as vovós, onde os primos Pedrinho e Narizinho sempre buscam formas de se aventurar ao lado de toda a turma do Sítio do Picapau Amarelo.

Certa vez, enquanto passava as férias ao lado da avó, o garoto Pedrinho resolveu caçar no Capoeirão dos Tucanos, e apesar de Dona Benta alertá-lo dos perigos da mata virgem, ele se empolga com a ideia de caçar um Saci. Ao conseguir capturar o pequeno ser, esse também revela os perigos e acaba guiando Pedrinho pela escuridão da mata, contando os segredos de vários seres do nosso folclore e enfrentando a temível Cuca.

“Tinha a impressão de que o terrível tigre dos sertões estava atrás dele, já de boca aberta para o engolir vivo. Mas era ilusão apenas, filha do medo, pois a fera miou outra vez e o Saci calculou pelo som que ainda deveria estar a cem metros dali. Pedrinho ajeitou-se como pôde numa forquilha da árvore, lá ficando quietinho ao lado do Saci” (pág. 31).

Falar sobre literatura e ainda assim conquistar a atenção de uma criança é uma tarefa complicada, no entanto é preciso apenas mencionar um nome para que os olhos infantis se voltem ao interlocutor. A aparência pode ser desconhecida, mas o nome é forte e faz parte da vida de crianças, adolescentes e adultos desde meados da década de 1910.

Um dos responsáveis por aumentar a valorização do escritor e do livro em nosso país, Monteiro Lobato se destacou em todas as suas áreas de atuação e sua importância vai muito além da literatura. Nascido em Taubaté, interior de São Paulo, em 18 de abril de 1882, José Renato Monteiro Lobato (mais tarde José Bento) criou personagens inesquecíveis que imortalizaram sua memória.

Ainda muito jovem, Monteiro Lobato leu grande parte dos livros da coleção pessoal de seu avô, o Visconde de Tremembé, e durante sua vida escolar teve os primeiros contos publicados em jornais das escolas que frequentava, já mostrando aptidão com a escrita. Seu sonho sempre foi seguir carreira artística, mas por imposição de seu avô se formou em Direito e exerceu a profissão de promotor público.

Quando o Visconde de Tremembé faleceu, em março de 1911, Lobato herdou uma das fazendas do avô e se mudou para o local ao lado da esposa e dos filhos. Na época publicou artigos em alguns jornais, incluindo O Estado de São Paulo, mas foi apenas em 1914 que sua carreira literária deu um grande salto.

Ao enviar uma reclamação para o mesmo jornal, seu texto foi publicado e ganhou destaque entre leitores e críticos. A crônica não apenas tinha qualidade, como também causou polêmica, o que resultou na escrita de novos textos. Mais tarde, a união desses textos deu origem ao livro “Urupês” (1918), obra-prima de Lobato e responsável por um dos seus mais importantes personagens: Jeca Tatu.

Foto: Reprodução
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Texto: Monteiro Lobato
Direção: José Eduardo Martins
Duração: 74 minutos
Gênero: Infantil
Apresentação: 09 de outubro de 2013

A música começa e não demora para que a voz de Gilberto Gil chegue nos ouvidos e toque o coração. Lembro-me da infância, quando tinha um compromisso marcado todos os dias com a televisão. Volto a ser criança por alguns instantes, mas logo percebo não estar no sofá da casa de minha avó. Estou na plateia de um teatro lotado por crianças e o Sítio do Pica-Pau Amarelo está apenas começando.

Após apresentar O Auto da Compadecida, a Companhia Viva Arte teve pouco mais de duas semanas para preparar uma nova peça. O Dia das Crianças estava se aproximando e os alunos da rede municipal de ensino teriam o prazer de conhecer a história de Narizinho (Beatriz Olivi), a garota do nariz arrebitado.

Vivendo no Sítio do Pica-Pau Amarelo, Narizinho está sempre buscando por novas aventuras e tudo o que quer é dar vida para sua boneca Emília (Rebeca Monteiro). A viagem da garota para o Reino das Águas Claras é apenas o inicio dessa divertida história ao lado de Emília, de seu primo Pedrinho (Rodrigo Izidoro) e de todos os moradores do sítio de Dona Benta (Fernanda Monteiro).