Autor do livro “Carratos — Uma história de rock” (Novo Século, 2011), biografia da banda homônima que narra os passos de um grupo de rock considerado um sonho realizado pelo próprio autor, Ocelo Moreira embarca, com Oliver Moore — O legado do rock, em sua primeira obra ficcional, tendo mais uma vez o gênero musical que mais transformações causou na música mundial como temática principal.

Oliver Moore gira em torno do músico de mesmo nome, personagem que mora no interior da Inglaterra e enfrenta um momento difícil em sua vida, quando conhece um milionário que lhe promete transformar a sua vida. Com esperança de que essa promessa realmente fará a diferença, ele parte para Londres, mas tem seus planos interrompidos graças a uma grande crise financeira, obrigando-o a recomeçar. O recomeço acontece ao lado de seu melhor amigo e de seu grande amor da adolescência. Juntos, e com a música como grande aliada, os três sofrem mudanças irreparáveis em suas vidas, ditando todo o ritmo do enredo.

Ultra Carnem, Cesar Bravo, 1ª edição, Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2016, 384 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Sou paulistano, mas aos 17 me mudei para o interior de São Paulo, onde vivo desde então. Morei em várias cidades, da fronteira do sul de Minas até a região central do estado. Dentre os ditados caipiras que me vêm à mente quando penso no livro Ultra Carnem, de Cesar Bravo, o que melhor define a obra é se está no inferno, abrace o capeta! Cesar Bravo nasceu em uma cidadezinha perto de Ribeirão Preto, e não sei quanto tempo morou nesse interiorzão, mas o fato é que esse período ficou tão marcado em sua memória que ele usou de cenário para sua obra máxima. Criou nomes fictícios para essas cidades, pois ninguém gostaria de ver sua cidadezinha ser chamada de buraco de merda, ou coisa assim, mas nós sabemos do que ele está falando. Eu já morei em lugares assim, sei bem como é.

Quanto à parte gráfica, é um volume com a marca de excelência Darkside. Capa dura, com um material meio emborrachado, e um design gráfico atraente. Dizer mais é quebrar o elemento surpresa.

O livro narra a trajetória de um artista cigano chamado Wladimir Lester e de outros personagens que de uma maneira ou de outra acabam tendo a vida miserável arruinada em virtude de entrar em contato com as obras de arte malditas do artista, ou de alguma maneira interferir na trajetória do personagem. A partir dessa premissa o autor cria no romance quatro histórias que se fundem em uma conclusão dantesca.

Na primeira parte do livro somos introduzidos à Lester, um pobre menino órfão que é deixado em um orfanato da pequena cidade de Três Rios, aos cuidados de um padre. O livro é muito bem escrito, a leitura flui naturalmente e quando você menos espera está enredado na trama macabra tecida meticulosamente, fio a fio. Essa parte parece ter sido feita sob encomenda para os fãs de terror mais tradicional, e apesar de atiçar a curiosidade, não é o ponto alto do livro. Posso estar errado, mas acredito que essa parte foi escrita há mais tempo do que as outras, pois utiliza fórmulas do terror clássicas.
Você nunca encontra o que procura. O tempo come tudo, Nôa. Roupas, valores, devora inclusive a esperança de nos entendermos com o passado. O que aconteceu com o tal menino e com as outras pessoas deste livro é algo que não pertence a nós.

Colecionadores de Histórias, Rogério Feltrin, 1ª edição, São Paulo-SP:
Planeta, 2016, 192 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

A trajetória de quase trinta anos da banda Rosa de Saron tem diversas peculiaridades que transformam a banda em uma referência do rock católico no Brasil. Embora tenha surgido dentro de um movimento católico, a importância do grupo ultrapassou as barreiras impostas pelas divergências religiosas e hoje todos que compõem esse grupo podem se orgulhar de ter conquistado fãs de diversas religiões cristãs — e outros tantos que nem menos seguem uma religião —, isso sem levar em consideração o seu poder de evangelização, um elemento talvez ainda mais importante.

Com tantos fãs, que carregam suas próprias histórias, seria natural que o grupo recebesse diariamente muitos relatos e a proposta de Colecionadores de Histórias é justamente narrar alguns deles, deixando-os para a posterioridade. Diferente de “Rock, Fé e Poesia” (Ed. Pontes, 2008), em que Rogério Feltrin, o fundador e baixista da banda, narra toda a trajetória do Rosa de Saron, na ocasião completando vinte anos de estrada, em Colecionadores de Histórias o autor apresenta uma série de histórias dos fãs, não sem também refletir sobre o impacto que cada história gera.

O que torna o livro tão marcante ao seu leitor é perceber como os relatos contidos em suas páginas podem possuir semelhanças com as histórias que todos nós vivemos dia após dia. De perdas familiares a problemas relacionados às drogas, de doenças incuráveis a transformações a partir da dor, os relatos publicados na obra emocionam a ponto de tirar lágrimas e de apertar o coração — perdi as contas de quantas vezes enxuguei os olhos durante a leitura. Também por isso é uma leitura que exige o mínimo de um bom estado de espírito para saber lidar com tantas histórias tristes, e algumas muito pesadas, que os nossos semelhantes são obrigados a enfrentar.

Quando o amor bater à sua porta, Samanta Holtz, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2016, 304 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Malu Rocha é uma escritora de 29 anos independente, confiante e bem-sucedida. Mora sozinha em São José dos Pinhais, perto de Curitiba, onde mantém uma rotina regrada de pedalar todas as manhãs, escrever e, semanalmente, visitar o avô de 98 anos em uma casa de repouso.

Porém sua vida toda controlada sai do eixo quando um homem bate à sua porta e se apresenta como Luiz Otávio Veronezzi, dizendo ter perdido uma reunião marcada com ela. Malu não se lembra do compromisso e sua primeira reação é dispensá-lo. Mas o belo desconhecido insiste, explicando que sofreu um acidente de carro, ficou em coma e perdeu a memória, assim como seus documentos. As únicas coisas que restaram foram um pouco de dinheiro e um papel com o nome e o endereço de Malu, o nome dele e a data da reunião. Luiz confessa que a escritora era sua última esperança para descobrir a própria identidade.

O problema é que ela não tem a menor ideia de quem ele seja.
“Malu mal ousou respirar. Seus pensamentos se dividiram entre o desejo que pulsava vivo em seu corpo e a possibilidade muito real de Luiz Otávio ter uma pessoa à espera dele, escondida na penumbra temporária da amnésia. As duas vozes brigavam dentro dela, e era quase impossível distinguir qual delas vencia” (pág. 120).

Cobra Norato, Raul Bopp, ilustrações de Ciro Fernandes, 30ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
José Olympio, 2016, 96 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

O desejo de corrigir um antigo erro pessoal foi o principal motivo que me levou a decidir pela leitura de Cobra Norato, porém ela foi muito aquém do esperado e pelas mesmas razões que me fizeram cometer o erro supracitado, o que me faz questionar se realmente devo considerar que tenha errado no passado.

Quando digo tudo isso me refiro ao fato de em outras oportunidades, ainda no período escolar, ter abandonado leituras tidas como importantíssimas para a Literatura brasileira. Hoje vejo que ter abandonado alguns clássicos pode ser visto como um grande pecado literário, mas tenho a certeza que faria exatamente a mesma coisa com Cobra Norato se tivesse iniciado a sua leitura na época em que era obrigado a fazê-lo. Isso porque, embora tenha uma ótima premissa, não é uma leitura que prende a atenção. Muito pelo contrário.

Esse é um poema de grande importância para a primeira fase do modernismo brasileiro e tem como enredo a trajetória de um ser lendário que sai em busca de sua amada, mas para alcançar o seu objetivo precisa enfrentar uma série de provações e vencer diversos desafios. Na teoria essa é uma história que poderia render ótimos momentos de prazer literário, em especial por explorar um pouco do rico folclore brasileiro, mas na prática ficou bem distante do esperado.

Welcome to Copacabana & outras histórias, Edney Silvestre, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 2016, 352 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Por um motivo que particularmente desconheço, não é normal a criação de uma lista com os nossos jornalistas favoritos, porém se hoje fosse obrigado a criar essa lista não tenho a menor dúvida de que Edney Silvestre seria o primeiro nome lembrado. Embora não saiba dizer quando minha admiração por ele começou, sei que foi responsável por algumas das minhas matérias/coberturas favoritas e por isso tenho o costume de parar o que estou fazendo para ouvi-lo. Talvez esse seja o principal motivo que me levou a querer conhecer os seus livros.

Ganhador do Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, Edney acaba de lançar Welcome to Copacabana & outras histórias, livro que reúne vinte contos divididos em três partes: No Rio, Além do Rio e De Volta ao Rio. Isso deixa claro que nos primeiros contos o autor explora ao máximo o Rio de Janeiro e aí que está o grande barato da obra, em especial pelo fato de ainda não conhecer a Cidade Maravilhosa e todos os seus encantos (e aqui faço uma pausa para dizer que o maior desejo é conhecer o Cristo Redentor, por me orgulhar de ser conterrâneo de um dos responsáveis por sua criação).

Digo que esse é o grande barato porque lendo não é difícil se sentir no Rio de Janeiro. Por minha relação com a cidade ser apenas através das telas da televisão, a forma como autor descreve o cotidiano, e os próprios cariocas, estreita a relação com o desconhecido e apresenta uma faceta que geralmente não se está acostumado. Isso é mais forte e especial no conto que dá título ao livro.

Amor à moda antiga, Fabrício Carpinejar, 1ª edição, Caxias do Sul-RS:
Belas-Letras, 2016, 112 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

A primeira vez que tive contato com o escritor Fabrício Carpinejar foi assistindo uma de suas entrevistas ao Programa do Jô. Na ocasião não cheguei a correr atrás de nenhum de seus livros, porém pensei: Caramba, esse cara é bom!. E após muito tempo, quando finalmente conheci a sua escrita e passei a acompanhá-lo nas redes sociais, ele não parou mais de comprovar que fiz a escolha certa ao decidir ouvi-lo. Também por isso fiquei ansioso pelo lançamento de seu novo livro.

Amor à moda antiga é a maior prova de como o escritor sempre tem algo bom para dizer. No caso, por ser uma antologia de poemas sobre o amor, suas palavras carregam muitos sentimentos e, mais do que isso, o prazer de lê-los é semelhante ao prazer de ouvi-los sendo declamados. E o mais interessante nessa experiência com o novo livro de Carpinejar é perceber como ele tratou o amor de forma tão pura e verdadeira, retratando o ciúme, as loucuras, os desejos e tantos outros detalhes como de fato o são.

E por não ser um leitor de poemas, pelo menos não no sentido de entrar em uma livraria com o intuito de procurar uma obra do gênero, não posso falar com propriedade sobre eles. Apesar disso, sempre que um poema cai em minhas mãos acabo sendo fisgado para o seu interior, embora nunca tenha acontecido como dessa vez. No fim, encontrei nas palavras de Carpinejar os sentimentos que muitas vezes não soube como expressar e sensações que estou acostumado a carregar em mim, mas que se mantinham até então guardadas à sete chaves.

Grito, Godofredo de Oliveira Neto, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 2016, 160 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Por mais que tenha tentado escrever essa resenha pouco depois de concluir a leitura de Grito, foram necessárias pelo menos duas horas e ainda assim elas foram insuficientes para que encontrasse as palavras que melhor descrevessem o novo trabalho de Godofredo de Oliveira Neto, escritor ganhador do Prêmio Jabuti. Geralmente isso acontece com as melhores leituras, mas dessa vez o motivo é bem diferente: apenas não consegui formar uma opinião convincente.

Narrado pela octogenária e ex-atriz Eugênia, Grito conduz o leitor a uma série de experiências vivenciadas por sua protagonista ao lado do jovem Fausto. Em uma espécie de conversa com o leitor, que aparentemente não é o seu único interlocutor, a ex-atriz apresenta o íntimo da relação entre as duas personagens e cria dúvidas sobre os verdadeiros sentimentos que foram despertados através dessa intensa relação de amizade. Como história essa poderia ser apenas mais uma, entre tantas outras, que narram casos semelhantes; como narrativa, o autor surpreende pela maneira como a conduziu.

O primeiro ponto que me fez ficar interessado por essa história foi o fato de ela ser desenvolvida no meio teatral, afinal, cada dia que passa, me vejo mais interessado por tudo o que envolve a segunda arte. Mas tão logo iniciei a leitura, percebi que o teatro não é apenas um mero detalhe na obra em questão. Ele é como o melhor amigo do protagonista, que pode estar sempre em segundo plano, mas que no geral é de extrema importância para todo o contexto e fundamental para o desfecho. O teatro é o que dá vida ao que é lido ao longo dos 21 atos em que a história é dividida; sem ele nada seria possível.

A máquina de caminhar, Cristovão Tezza, seleção de Christian Schwartz, ilustrações de Bennet, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Record, 2016, 192 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Organizando eventos literários em minha cidade há quase quatro anos, tive o prazer de conhecer imortais da Academia Brasileira de Letras, escritores premiados e outros que incentivaram o meu hábito da leitura, figuras polêmicas e alguns que não se enquadram em nenhuma dessas categorias. Mas posso afirmar que nenhuma experiência foi tão marcante quanto a viagem de duas horas acompanhado de Cristovão Tezza, que faz parte do time dos premiados.

Quando o amigo Zaga Tessarine me convidou para buscar Tezza, no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, tive de pensar por alguns instantes. Ele participaria, no dia seguinte, da III Semana Edgard Cavalheiro e, como um dos organizadores, ainda precisava acertar os últimos detalhes para que tudo saísse como o planejado. Mas deixei isso de lado e não demorei a aceitar o convite, sem imaginar que essa se tornaria uma das decisões mais acertadas.

Papo vai, papo vem e durante a viagem em direção à Serra da Mantiqueira falamos sobre cachaça, café, altitude, literatura e A máquina de caminhar. Ainda que brevemente, Cristovão Tezza comentou que dentro de alguns meses seria lançado, pela editora Record, um livro que reuniria algumas de suas crônicas, não por menos a leitura desta obra foi para mim como uma extensão daquele riquíssimo e inesquecível papo com um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Toda poesia, Augusto dos Anjos, 5ª edição, Rio de Janeiro-RJ: José Olympio, 2016, 320 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

A leitura de uma obra poética é uma experiência rara em minha vida de leitor, e nem posso dizer que é por falta de interesse, mas de tantos poetas que poderiam ser escolhidos neste momento, Augusto dos Anjos não seria uma das primeiras opções. Na verdade, estaria bem longe disso, no entanto o lançamento de uma nova edição de Toda poesia de Augusto dos Anjos não poderia passar despercebido.

Já em sua 5ª edição, a obra possui poemas de “Eu” (1912), o único livro do autor publicado em vida, e também uma série de poemas não reunidos por ele em um único volume. Além disso, um estudo crítico escrito pelo poeta Ferreira Gullar serve como auxílio para o entendimento da obra, das escolas literárias das quais o autor participou e, querendo ou não, até o contexto histórico e social do início do século XX.

Lisbela e o Prisioneiro, Osman Lins, 3ª edição, São Paulo-SP: Planeta, 2015, 120 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Leléu é um conquistador de primeira que sempre se apaixonou por várias mulheres ao mesmo tempo. A primeira vez que ele se apaixona por alguém para sempre é quando conhece Lisbela, a jovem filha do tenente Guedes, delegado da cadeia pública de Vitória de Santo Antão-PE. O único problema é que Lisbela está de casamento marcado com Dr. Noêmio, que não gosta da ideia de ser traído e está disposto a contratar um matador para assassinar Leléu e resolver todos os seus problemas.
“FREDERICO: Você me parece que é corajoso e sabido. É bom dever favor a um homem de coragem, porque quem tem coragem não gosta de viver pedindo ajuda. Mas dever favor a um sabido é o mesmo que dormir de porta aberta” (pág. 30).

A Revolta da Cachaça, Antonio Callado, 1ª edição, Rio de Janeiro: José Olympio, 2016, 124 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Talvez mais do que nunca vivemos um momento de intensas e importantes lutas pelos direitos de todas as pessoas, independente de crenças, raça ou orientação sexual. Consequentemente esse fato faz de A Revolta da Cachaça uma obra atemporal, em especial ao pensarmos que a peça teatral, escrita em homenagem ao ator Grande Otelo, trata a descriminação de atores negros no meio artístico — e qualquer semelhança com as polêmicas das últimas edições do Oscar é mera coincidência.

O debate racial em A Revolta da Cachaça faz parte de algo muito maior, afinal o enredo compõe o chamado Teatro Negro de Antonio Callado, composto por outros três trabalhos. Mas, tão importante quanto a temática, o enredo se destaca pela forma como o dramaturgo soube usar de seu trabalho intelectual em defesa dos direitos daqueles que defendia. Reconhecido principalmente por sua elegância, Callado, que era um intelectual de esquerda, fez algo que muitos artistas ideológicos não conseguem nos dias de hoje: liderou com sua obra uma luta eficiente em busca de seus interesses.

Nesse caso em especial, a história se foca no dramaturgo Vito e em sua esposa Dadinha, ambos brancos. Os dois são surpreendidos por um inusitado presente: um tonel de cachaça, que chega sem qualquer remetente. Tão inesperada quanto o presente é a visita de Ambrósio, um ator negro que foi o responsável por enviar o tonel a fim de a cachaça acompanhar os amigos em uma intensa discussão sobre seus passados e as questões que incomodam o ator, como o descaso com os negros e a falta de interesse de seu amigo em concluir uma peça.

Morada das Lembranças, Daniella Bauer, 1ª edição, São Paulo-SP: Biruta, 2014, 200 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Após a morte do pai, uma menina se depara com uma mudança drástica em sua vida e na forma como vê tudo ao seu redor. No auge da Revolução Russa de 1917, o clima de tensão assombra muitas famílias judias e essa garota, acompanhada do que restou de sua família, se vê obrigada a iniciar uma jornada rumo ao desconhecido. Viajando para o outro lado do mundo, ela precisa assumir uma nova identidade, se adequar a uma nova cultura e enfrentar todas as dificuldades sem se abalar. E sempre seguindo em frente…
“Eu teria de me acostumar com esse traço de tristeza que me acompanharia. Mesmo quando experimentei momentos de alegria em minha vida, as marcas de tristeza em meu ânimo e o medo, companheiro próximo tal qual sombra, nunca me abandonavam” (pág. 61).

Sensacionalista, Leonardo Lanna, Martha Mendonça, Marcelo Zorzanelli e Nelito Fernandes, 1ª edição, Caxias do Sul-RS: Belas-Letras, 2016, 192 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Embora não acompanhe assiduamente as postagens do portal Sensacionalista, sempre me divirto quando me deparo com algumas de suas notícias fakes. O humor inquestionável de toda a equipe do site é a maior ferramenta na busca pelo sucesso, mas isso não bastaria de nada sem ter como aliada uma impressionante criatividade, capaz de transmitir veracidade até nos temas mais absurdos explorados diariamente.

Esse sucesso é comprovado pelos números: são mais de dez milhões de acessos mensalmente, além de 2,2 milhões de seguidores apenas no Facebook. Com essa legião de fãs, era questão de tempo para que as postagens do site ultrapassassem a barreira tecnológica e atingissem também o mercado editorial, que ao meu ver carece de obras que tenham como principal característica o humor. Sensacionalista, escrito pelos responsáveis do portal, Leonardo Lanna, Martha Mendonça, Marcelo Zorzanelli e Nelito Fernandes, chega ao mercado para presentear os fãs virtuais e conquistar uma nova leva de leitores para as suas absurdas notícias.

Não Olhe!, FML Pepper, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2015, 352 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

A reviravolta que aconteceu na vida de Nina em Não Pare! foi apenas uma pequena amostra do que ela ainda teria de enfrentar. Agora, quando acorda na sombria Thron, após ser levada por Rick, um resgatador cruel e pouco confiável, Nina já está em uma jornada sem volta, em que precisará enfrentar seus medos e fugir das mãos de seus inimigos, ao mesmo tempo em que tenta desvendar os segredos de sua identidade. Sem contar que deve lidar com as vontades de seu coração, que pode reservar surpresas nada agradáveis.

Essa premissa de Não Olhe! pode até estar batida no atual cenário da literatura jovem, porém sempre dizem que a primeira imagem é a que fica e não teria coragem de discordar dessa afirmação. O fato é que a autora FML Pepper me surpreendeu no primeiro livro da trilogia Não Pare!, best-seller da Amazon, por isso, diferente do que aconteceria em outras situações, em nenhum momento tive receio de me decepcionar com esta nova leitura.

História Bizarra da 2ª Guerra Mundial, Otavio Cohen, 1ª edição, São Paulo-SP:
Planeta do Brasil, 2015, 288 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Ao falar sobre uma guerra, vem logo à mente os possíveis conflitos políticos que causaram o início das batalhas. Ao falar sobre a Segunda Guerra Mundial, a maior de todos os tempos, o que vem à mente é a figura de Adolf Hitler e as bombas atômicas que destruíram duas cidades japonesas, colocando fim a um conflito que já se encaminhava ao sexto ano de sangue e destruição. No entanto, este conflito foi muito além do que está nos livros didáticos e nos bastidores coisas inimagináveis aconteceram.

História Bizarra da 2ª Guerra Mundial, como o próprio título sugere, tem como objetivo reunir o que de mais estranho aconteceu nos bastidores da guerra que ocorreu entre 1939 e 1945. A intenção do autor Otavio Cohen não era simplesmente apresentar o que todos nós estamos cansados de saber, mas mostrar o que raramente foi comentado e assim reunir informações que ajudam a compreender, senão o conflito, como as personagens deste momento históricos agiram longe dos campos de batalha.

O Alquimista, Paulo Coelho, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Sextante, 2015, 176 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Santiago é um jovem pastor que decide descobrir o significado de um sonho repetido. Nessa busca ele descobre que, segundo o sonho, ele encontrará um tesouro enterrado junto às pirâmides do Egito, por isso o rapaz resolve sair da Espanha e partir em uma longa viagem para encontrar este tesouro. Contudo, a jornada pelo deserto, que deveria ser em busca de bens materiais, se transforma em um encontro com as maiores riquezas que cada pessoa carrega dentro do coração.
“As pessoas dizem coisas muito estranhas, pensou o rapaz. Às vezes é melhor estar com as ovelhas, que são caladas e apenas procuram alimento e água. Ou é melhor estar com os livros, que contam histórias incríveis sempre nas horas que a gente quer ouvir. Mas, quando a gente fala com pessoas, elas dizem certas coisas e ficamos sem saber como continuar a conversa” (pág. 36).

A Invasão, Dias Gomes, 7ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Bertrand Brasil, 2015, 154 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Após uma enchente que destruiu seus barracos em uma favela, várias famílias são obrigadas a encontrar um novo lugar para morar e acabam invadindo o esqueleto de um prédio abandonado, onde querem recomeçar suas vidas, mesmo sabendo que a qualquer momento podem ser despejadas. Mas as promessas de políticos e a exploração de pessoas que visam seus próprios interesses pode colocar em xeque o recomeço ou mesmo moldar as atitudes de todos que estão em busca de melhores condições de vida.
“(...) Fizeram muito bem, invadindo esta construção, resolvendo por suas próprias mãos um problema que os homens públicos não querem resolver. Fizeram muito bem e aqui estou, não só para lhes dar o meu apoio, como também para assumir um compromisso solene. (Faz uma pausa de efeito). Se reeleito nas próximas eleições, comprometo-me a apresentar um projeto desapropriando este prédio e entregando-o aos seus heroicos conquistadores!” (pág. 83).

O Santo Inquérito, Dias Gomes, 34ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Bertrand Brasil, 2015, 126 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Paraíba, 1750. Em um ato de bondade, a jovem Branca Dias se atira no rio para salvar a vida de Padre Bernardo e impede que o sacerdote morra afogado. No entanto, o que poderia ser apenas um episódio insignificante de sua vida, na verdade é o ponto de partida para que tudo comece a desmoronar.

Após o salvamento, Branca revela ao padre a sua crença em Deus, apesar de não possuir um confessor e não ir à missa aos domingos. Para ela, o mais importante era sentir Deus em todas as coisas que lhe davam prazer, mas Padre Bernardo acha suas revelações suspeitas e teme que o demônio esteja corrompendo a jovem sonhadora, por isso a procura para tentar, em vão, convertê-la. Ingênua, Branca se abre ao seu novo confessor, enquanto este, para livrá-la da heresia, é capaz de acusá-la à santa inquisição.
“(…) Deus deve estar onde há mais claridade, penso eu. E deve gostar de ver as criaturas livres como Ele as fez, usando e gozando essa liberdade, porque foi assim que nasceram e assim devem viver. Tudo isso que estou lhes dizendo é na esperança de que vocês entendam… Porque eles, eles não entendem… Vão dizer que sou uma herege e que estou possuída pelo demônio. E isso não é verdade! Não acreditem! Se o Demônio estivesse em meu corpo, não teria deixado que eu me atirasse ao rio para salvar Padre Bernardo, quando a canoa virou com ele!…” (pág. 30).

O Berço do Herói, Dias Gomes, 6ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Bertrand Brasil, 2015, 154 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Cabo Jorge, morto na Itália durante a guerra, se tornou herói em sua cidade natal, que venera a sua bravura diante dos nazistas. Isso encheu de orgulho o coração da pátria e sua cidade, modesta e perdida no interior do país, adotou o nome de Cabo Jorge, passando a ser um centro turístico e a realizar diversas comemorações em homenagem ao filho ilustre.

Porém, anos depois, o militar reaparece na cidade, como se tudo não passasse de uma grande brincadeira. A verdade é que ele apenas foi ferido em combate e fugiu da luta, mas a volta do Cabo Jorge (o cabo) pode arruinar o comércio e a indústria de Cabo Jorge (a cidade), destruindo os interesses de muitas pessoas.

“(...) Cabo Jorge pertence a esta nossa geração que, muito antes de chegar à idade da razão, recebeu a notícia, jamais dada a outros antes de nós: o homem adquiriu o poder de destruir a humanidade. Num mundo assim, que poderá desaparecer de um momento para outro, ao simples premir de um botão, certos conceitos de heroísmo, de dignidade, lhe parecem absurdos, ridículos (...)” (pág. 52).