Um dos principais e mais importantes eventos literários da América Latina, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo chega a sua 23ª edição nessa sexta-feira, 22. Realizado pela Câmara Brasileira do Livro desde 1970, o evento reúne editoras, distribuidores e escritores que têm como objetivos promover e incentivar o hábito da leitura.

O evento se encerra no próximo dia 31 de agosto e, segundo os organizadores, a expectativa para 2014 é receber cerca de 800 mil visitantes, que terão a disposição mais de 400 expositores. Mais do que a literatura, o evento tem espaço ainda para o teatro, negócios, gastronomia e atrações em outros segmentos artísticos.

Além do lançamento de centenas de livros durante os dez dias de eventos, a Bienal do Livro de São Paulo recebe ainda grandes nomes da literatura nacional, como Pedro Bandeira, Paula Pimenta, Maurício de Sousa, Miriam Leitão, André Vianco, Ziraldo e Luiz Ruffatto. O evento recebe também autores internacionais, como Harlan Coben, Cassandra Clare, Kiera Cass, Ken Follett, Lucinda Riley, entre outros.

A Bienal do Livro de São Paulo acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo-SP). A programação completa do evento pode ser conferida no guia oficial disponibilizado abaixo:

Ed. Literata - 2014
Muitas são as características que encantam os leitores apaixonados pelas histórias de época. Do figurino ao clima encontrado em uma sociedade sem grandes avanços tecnológicos, esse gênero literário tem como aliado o fato de nunca se tornar ultrapassado e, mais do que isso, mostrar pessoas mais sentimentais e menos materialistas.

Esse tipo de história faz parte do trabalho literário da escritora baiana Alane Brito, que durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, entre 22 e 31 de agosto, estará lançando pela editora Literata o livro “O Que Me Disseram as Flores”, seu primeiro trabalho publicado por uma nova editora. Anteriormente, pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, Alane publicou o romance “O Trio”, que também narra uma história de época.

A escritora disse, em entrevista concedida ao Over Shock no fim de julho, se sentir bem mais à vontade em sua nova editora, onde tem a garantia de poder lançar um livro por ano. Além disso, segundo ela, “o editor-chefe transmite respeito e bastante consideração por cada um dos autores, sempre se esforçando para que a editora cresça cada vez mais”. “Vou me esforçar para retribuir esse presente da melhor maneira que estiver ao meu alcance”, afirma.

Antes mesmo do lançamento oficial de seu segundo romance, a escritora garante que seu próximo livro também terá uma história de época, apesar de não descartar a possibilidade de obras mais atuais. A escritora revelou achar interessante o modo de vida das pessoas do passado e também acreditar que daqui a cem anos os leitores enxergarão a obra da mesma forma.

Apesar de ser um gênero de grande sucesso, no Brasil e em outros países do mundo, Alane Brito explica sobre a exigência e os cuidados necessários durante a escrita e ambientação de uma obra em uma época desconhecida. Segundo a autora, “exige mais delicadeza e isso puxa uma certa carga emocional de mim, o que, na verdade, me estimula”.

O ano de 2012 foi deveras importante para o blog Over Shock, por inúmeros motivos, mas principalmente por continuar levando a literatura, nas mais variadas formas e gêneros, ao público leitor. Para atingir esse objetivo, 70 obras foram lidas, sendo que 69 resenhadas, mas claro que uma ou outra se destaca. Abaixo estão relacionadas as melhores obras nacionais e internacionais de determinados gêneros, obras essas que merecem ser lembradas, lidas e relidas pelos leitores.

Contos/Crônicas
Apesar de terem sido publicados originalmente entre 1891 e 1892, os contos de Sir Arthur Conan Doyle encontrados em As Aventuras de Sherlock Holmes (Resenha) são fabulosos e a escrita desse gênio da literatura é viciante desde a primeira página – o que não é novidade para ninguém. Obviamente, como todas as coletâneas, um ou outro conto não agrada, mas todos possuem a genialidade de Conan Doyle e a inteligência incomparável de Sherlock Holmes, o que já basta para destacá-la entre qualquer outra obra internacional lida ao longo do ano.
Como músico, Tico Santa Cruz é um dos grandes nomes do rock nacional do início do século XXI e após ter “altos e baixos” em sua carreira musical, se aventurou na literatura com o livro Clube da Insônia (Resenha), que reúne contos, crônicas e até mesmo poesias, marcadas sempre pela musicalidade já conhecida do estilo de Tico. Se o conteúdo escrito já é fantástico, a arte gráfica se supera e a obra se destaca.

Fantasia
O mundo criado por Patrick Rothfuss na trilogia A Crônica do Matador do Rei é incrível e tudo foi colocado na medida certa, fazendo de O Nome do Vento (Resenha), além de destaque entre as fantasias, ser também o favorito do ano. Patrick inovou em tudo, desde a instituição educacional, até mesmo a contagem do tempo e o próprio protagonista, que não sabemos ao certo se é um herói ou apenas mais um vilão da literatura. Nem mesmo as mais de 650 páginas assustam. O que “assusta” é a genialidade de Rothfuss, presente na lista de mais vendidos do The New York Times e dos melhores autores da atualidade.
Se comparado com O Nome do Vento, O Sonho de Eva (Resenha) é totalmente diferente, mas tão marcante quanto o destaque internacional. Além de ter sido uma das apostas nacionais da editora Novo Conceito, que passa a dar destaque aos nossos autores, o livro de Chico Anes prende a atenção e mostra até que ponto a tecnologia está presente em nossas vidas e que “dormir pode ser um jogo perigoso”. Com muito mistério, ação e aventura, o livro conquista pelas semelhanças ao estilo de escrita de Dan Brown e se destaca principalmente pela criatividade do autor.

Não-Ficção
Geralmente os livros de não-ficção têm o objetivo de informar e ensinar os leitores, não emocionar, como aconteceu com Para Sempre (Resenha), de Kim e Krickitt Carpenter. A autobiografia narra em sua grande parte os acontecimentos posteriores a um grave acidente sofrido pelo casal Carpenter e que resultou na perda da memória de Krickitt. Mas, se apegando a Deus e não deixando o amor morrer, Kim superou todas as adversidades e reconquistou sua esposa, virando exemplo para pessoas do mundo todo; inspirando até mesmo a produção de um filme de mesmo nome; e transformando esse livro em uma leitura obrigatória.
Obrigatória também é a leitura dos livros de Laurentino Gomes, entre eles 1822 (Resenha), onde o autor mostra aos leitores, de maneira clara e objetiva, “como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”. Desde a leitura do livro anterior a 1822 que digo: todos os brasileiros precisam ler as obras de Laurentino Gomes.

Policial
Se existe uma categoria em que não é fácil fazer uma escolha, essa categoria é a de livros policiais. Bons autores e autoras foram apresentados ao longo de 2012, mas um velho (ou não tão velho assim) conhecido novamente merece ser lembrado: James Patterson. Suas obras possuem sempre a mesma estrutura, o que não impede que cada uma delas se destaque. Nesse caso, Ameaça Mortal (Resenha) pode ser considerada a melhor obra internacional, afinal, onde tem Alex Cross é garantia de ação e envolvimento até o fim.
Já no Brasil, pelo menos três autores policiais foram lidos, mas nenhum conseguiu fazer o que foi feito por Leonardo Barros em Presságio: O Assassinato da Freira Nua (Resenha). Leonardo reuniu em um único livro o que já havia sido usado em seus demais trabalhos literários, e ainda proporcionou viagens através dos presságios de uma protagonista que precisa provar não ser louca e ajudar a evitar que um serial killer faça novas vítimas. Com mistério, sensualidade e muitas reviravoltas, o livro chegou apenas aos 45 do segundo tempo, mas chegou com tudo!

Romance
Quando se trata de romances, Nicholas Sparks é um dos melhores e foi o primeiro a despertar minha atenção ao gênero, o primeiro a realmente emocionar, e talvez também o primeiro a deixar apreensivo e com medo do que aconteceria nas páginas seguintes, isso em A Escolha (Resenha). Assim como James Patterson, Sparks segue sempre a mesma receita e ao menos por enquanto não deve mudar, já que ainda está dando certo e a emoção continua falando mais alto.
Outra obra emocionante e que se destacou ao longo de 2012 foi O Pássaro (Resenha), da jovem autora Samanta Holtz. Nesse romance, Samanta cria uma história envolvente, onde nem tudo o que parece realmente é, e mostra com muita fidelidade o que jovens de séculos passados sofreram ao tentar alçar voos até então proibidos pela sociedade. O Pássaro ainda dá vida a uma das grandes protagonistas do ano: Caroline Mondevieu, uma guerreira que voou em busca de seus sonhos e ideais.

Livros em Destaque
Ao saber que Cruzando o Caminho do Sol (Resenha) serviu de inspiração para uma novela global, nota-se que não é um livro qualquer. Porém, esse detalhe é muito pequeno para descrever a obra de Corban Addison, um livro que emociona, ensina, revolta, e que, acima de tudo, mostra uma realidade que infelizmente ainda acontece, mesmo no nosso século XXI. Apesar de uma das melhores obras do ano, esse é um livro para ser ler lido no momento certo, principalmente devido as fortes cenas descritas por Addison, um autor que entrou para a lista dos favoritos, bem como seu primeiro livro.
Outro livro lançado pela editora Novo Conceito é Garota Replay (Resenha), de Tammy Luciano. Devido aos poucos livros do gênero lido, seria inviável colocar esse livro em alguma categoria própria, porém também não poderia deixar de destacá-lo. Mesmo não sendo um gênero que agrade, pessoalmente falando, Garota Replay prendeu a atenção. Mais do que um livro retratando a vida de adolescentes, esse envolveu “reflexões sobre atitudes e segredos”, além de incluir um mistério gostoso de ser desvendado. Como citado na resenha, o público jovem está muito bem representado com Tammy Luciano.

Autores em Destaque
Aparentemente Ruta Sepetys e Alane S. A. Brito não possuem nada em comum, mas suas obras, A Vida em Tons de Cinza (Resenha) e O Trio (Resenha), respectivamente, apesar de diferentes, conseguem emocionar e passar uma lição que ficará eternizada na memória de cada um de seus leitores.
O amor e a amizade são fundamentais nesses dois livros, que se passam em lugares diferentes e em momentos históricos opostos. Mas em ambos os casos percebemos o valor dos nossos sentimentos, que podem nos ajudar a superar todas as barreiras encontradas ao longo de nossas vidas e também curar todas as cicatrizes causadas pelo sofrimento.
Os dois livros ainda possuem momentos angustiantes, seja pela dor ou simplesmente pelas injustiças sofridas pelos personagens, e poderiam facilmente estar entre os melhores do ano em determinadas categorias – e estão. Mas o que os diferencia de outras obras é a maestria de se contar uma história dessas duas grandes autoras: Alane, que pode ser comparada aos grandes mestres de nossa literatura; e Sepetys, que soube como ninguém mostrar a dura realidade enfrentada pelos povos do Báltico durante o tempo em que Stalin esteve no poder.

Para vocês, quais as melhores obras, lidas em 2012, nesses e outros gêneros literários? E qual autor se destacou?

Amizade. Uma palavra; vários significados; 1001 sentimentos. A amizade está presente na vida de todos nós e ela é sempre tema de livros capazes de nos emocionar, simplesmente por narrar histórias comuns. Por trás desses livros, há sempre um autor com seus próprios métodos e que com fé em Deus consegue construir aquilo que o leitor precisa ler. Com doses de romance e aventura; explorando também a amizade verdadeira, Alane S. A. Brito escreveu O Trio (Resenha), lançado pela editora Novo Século. Ela tem o talento para a escrita e sua história se aproxima de um grande clássico, o que mostra que podemos esperar muito dessa autora. Um talento que deve ser explorado, por isso agora estamos De Olho Nela:
Over Shock - Alane, muito obrigado por conceder essa entrevista ao blog que tenta, com esse espaço, divulgar e apoiar a grande literatura nacional. Antes de qualquer coisa, conte um pouco sobre quem é a autora Alane S. A. Brito.
Alane S. A. Brito - Olá, Ricardo! Em primeiro lugar, devo agradecer pela oportunidade, por seu apoio importantíssimo nesse início de minha recente trajetória como escritora. Então, vamos lá... Sou uma baiana muito tímida, neurótica, perfeccionista, muito exigente, especialmente comigo mesma, amo escrever, desenhar, séries, filmes, livros, obcecada por personagens; sonhadora, embora, creio que realista na mesma proporção. Permito-me ter devaneios, mas procuro me preparar para o caso de não dar certo. Acredito muito em Deus, por isso trato sempre de entregar meus anseios e desejos em Suas mãos. Então aguardo... Sei que o melhor para mim está por vir.

Over Shock - Apesar de escrever há anos, você demorou a publicar seu primeiro livro e essa publicação aconteceu com o último livro concluído, O Trio. Essa demora foi um desejo pessoal ou devido a determinadas dificuldades encontradas?
Alane - Principalmente pelas dificuldades encontradas. Eu não tentei antes, para falar a verdade, pois eu achava muitos empecilhos em ter que digitar tudo (sem computador na época), tirar várias cópias e ainda enviar para várias editoras e aguardar meses por uma resposta provavelmente negativa. Isso me desanimava. Porém... Como eu disse antes, entreguei nas mãos de Deus e sei que aconteceu no momento certo por todas as razões possíveis, inclusive com relação à qualidade da escrita, pois anos de treino ajudaram a melhorar um pouquinho e a amadurecer as ideias. E a escolha de O Trio foi basicamente por isso. Além de ter sido recomendado pelo meu esposo (o primeiro a lê-lo ainda escrito a mão, coitado), foi por eu julgar que era o tinha melhores condições de publicação.

Over Shock - Em O Trio, o leitor é levado a uma aventura até certo ponto nostálgica. Momento ou outro nos deparamos com situações que, semelhante ou não, já vivemos ao longo de nossa vida. A inspiração para a construção dessa trama veio de sua própria infância ou apenas de sua imaginação?
Alane - Nossa... Algumas coisas eu imaginei, mas muitas eu tirei da minha infância! Sou a nostalgia em pessoa (risos)! Nasci no interior da Bahia e vivia muito livre! Brincava na rua, subia em árvores, fazia piqueniques na beira de um riacho... Mas sinto que explorei muito mais as recordações de minhas viagens à antiga fazenda de meu avô, que ele infelizmente vendeu... Meu sentimento de saudade vem especialmente de lá. Era muito bom... E gosto desse clima roceiro, de simplicidade...

Over Shock - E como foi o processo de escrita, publicação e divulgação de seu primeiro livro?
Alane - Escrever é sempre maravilhoso. Eu me transformo! Não sinto fome, fico dispersa e em algumas cenas de O Trio eu ficava muito ansiosa para colocar no papel. Meu processo é esse: escrevo tudo a mão, depois passo tudo a limpo, a mão; depois leio e corrijo, vou tirando ou acrescentado algo mais, em seguida digito, corrijo novamente e continuo tirando e acrescentando o que julgo necessário. Mesmo depois do livro publicado já me peguei com o impulso de querer arrumar alguma coisa (risos). Depois que terminei, guardei por uns alguns anos, como era o costume com todos os anteriores a ele. Nesse período engravidei, comecei a passar a limpo, mas acho que ficava tão ansiosa que, na barriga, minha filha se sentia incomodada, se mexia muito! Então resolvi dar um tempo. Tornei a guardar e só voltei a pegar ano passado, quando enfim terminei de digitar – e consertar de novo. Procurei vários meios de publicação, embora, sempre com aquela ideia de fazer várias cópias e enviar para as editoras. Mas aí encontrei sites que ofereciam chances aos autores iniciantes, então preenchi fichas de inscrições de duas editoras. Dois dias depois a Novo Século disse que minha ficha tinha sido aprovada e que era para enviar o manuscrito. Após cinco dias – e eu preparada para aguardar semanas ou meses – me assusto com a informação de que meu livro tinha sido aprovado. Graças a Deus na primeira tentativa! A divulgação é talvez o mais complicado, graças aos blogs literários meu livro tem sido mostrado ao público, e só tenho que agradecer muito a todos eles! Encontrar uma brecha nesse meio não é nada fácil, pois ainda temos que lidar com o preconceito que existe com autores nacionais, especialmente iniciantes...

“Ah, se eu soubesse que era a última vez que eu o veria, teria ao menos aproveitado sua presença e o contemplado até o derradeiro milésimo de segundo. Não tenho fotografias dele, nem sequer uma... Seu rosto vai e vem em minha memória, e eu nem sei mais se é realmente ele”. – pág. 105 (O Trio)

Over Shock - O amor e a amizade são pontos fortes em O Trio, mas essa história se passa em meados da década de 50. Você acredita que esses sentimentos seriam tão intensos se a história se passasse na atualidade?
Alane - Acho que sim... Apesar de nos tempos atuais alguns valores terem se perdido, amizade é sempre amizade, todo mundo busca alguém em quem confiar; com quem possa ter cumplicidade, independente da época em que se viva. Acredito que mesmo quem não tem nenhum, por escolha ou não, se aflige com o desejo de encontrar esse alguém.

Over Shock - “Até que ponto você suportaria o desprezo e a dor? Até que ponto você é capaz de perdoar?”
Alane - Mulheres são sempre mais resistentes a dores que os homens, isso ninguém pode negar (risos)! E eu me considero até resistente... Não sou masoquista, detesto dor, mas não gosto de alarmar, de chamar a atenção de ninguém. Se estiver sentido alguma dor em frente às pessoas, consigo disfarçar na medida do possível. Desprezo já é algo mais complicado de se lidar, já passei por isso e acho mais pungente que a dor propriamente dita, pois parece ferir a alma.  Perdoar... Eu confesso que preciso de um período para digerir a situação. Mas me esforço a esquecer para ficar bem com quem quer que seja... Se bem que até então ninguém tenha feito nada grave demais comigo, então não conheço a proporção exata de minha capacidade de perdoar ainda...

Over Shock - Em 2012 comemoramos o centenário do baiano Jorge Amado, um dos maiores escritores da história desse país. Como você, conterrânea de Jorge, vê a importância desse grande escritor para a literatura de seu estado e do país em geral? Você se espelha de alguma forma em Jorge Amado?
Alane - Eu o considero um ícone. Especialmente porque ajudou a quebrar um pouco o preconceito pelos nordestinos, que são vistos pela maioria da população das outras Regiões como ignorantes. Confesso envergonhada que nunca li um livro sequer de Jorge Amado... Nunca me interessei, de fato. Até comecei a ler “Capitães de Areia”, mas creio que pela minha idade na época, não tive desejo de continuar. Ainda pretendo corrigir esse desleixo.

Over Shock - Como já citado no início, antes de publicar O Trio, você concluiu outros romances, ainda não publicados. Você pretende publicar essas histórias ou se dedicar apenas as ideias que surgirem a partir de agora?
Alane - Pretendo publicar alguns dos prontos, se Deus quiser. Estou revisando meu primeiro romance no momento. E claro que não vejo a hora de iniciar outros! Mas antes preciso me desligar um pouco de O Trio...

Over Shock - E o que você pode adiantar sobre suas possíveis futuras publicações?
Alane - O seguinte será a história de um casal de prometidos que, por culpa de um deles, essa união acabará se tornando bastante conturbada. Inicia-se quando uma menina se muda para a fazenda herdada pelo pai e lá encontra o diário de uma parente, já falecida. Ela começa e lê-lo e a história é transportada para o ano de 1914, onde a autora conta ali como foi a sua relação com o seu prometido e tudo o que fez para impedir essa união, sem se importar com a proporção do amor que ele sentia por ela. Apesar de se tratar da leitura de um diário, a narração é em terceira pessoa. Comecei e parei outro, que é do gênero fantasia, com direito a superpoderes e tudo mais. Tem mais um que ainda precisa de uma boa revisão, mas fala sobre uma seita. Tem um pouco de suspense. E por aí vai...

“Achei que merecia ao menos um beijo no rosto mas ela passou adiante. Não liguei para isso também porque tinha certeza de que, dali em diante me deleitaria em seus lábios sempre que tivéssemos chances de nos ver e tudo seria real e não apenas devaneios em noites solitárias”. – pág. 224 (O Trio)

Over Shock - Como você vê o atual mercado editorial brasileiro? Você acredita que aos poucos as portas das grandes editoras estão se abrindo para os autores iniciantes?
Alane - Sem dúvida alguma que hoje está muito melhor, pois existe um crescimento favorável de leitores, especialmente do público mais jovem, mas devo dizer que é graças aos livros estrangeiros que vêm fazendo sucesso nos últimos anos. Graças a Deus que isso acendeu neles o gosto pela leitura e estão direcionando esse prazer aos nacionais também. E claro que as Editoras estão de olho nisso, embora, eu, particularmente, ainda sinta que dão mais valor aos autores de fora. As portas estão se abrindo sim, mas ainda é preciso dar mais créditos aos iniciantes, porque ainda tem uma dificuldade em especial, que só quem publicou um livro por essas editoras que dão espaço para quem está iniciando, sabe do que estou falando... Eu compreendo perfeitamente, sei que é mais fácil investir em uma coisa em que o lucro é uma certeza. Mas acho que isso pode mudar algum dia, para melhor. Em todo caso, devo agradecer muito a oportunidade que a Novo Século me deu. Conseguir que uma editora de renome publique um livro da gente é bastante recompensador!

Over Shock - Quais seriam as dicas que você daria para os escritores que estão começando uma carreira literária?
Alane - Especialmente para não desistirem. Analisem seus trabalhos como se quem estivesse lendo fosse outra pessoa; peçam opiniões, aceitem críticas e tenham muita paciência. Não tomem decisões precipitadas. Pesquisem sobre as editoras, têm muitas dispostas a publicar obras de novos autores, não é a toa que tanta gente iniciante tem surgido. Seu sonho pode ser realizado e não enxergo uma época melhor para se correr atrás disso. Busquem apoio nos blogs literários, que se tornaram um suporte indispensável! Escolham direitinho, existem muitos de qualidade.

Over Shock - Jogo Rápido:
Deus: A quem eu sirvo.
O Trio: Uma paixão arrebatadora.
Davi Guerrato, Nelson Beltrame ou Jordan Merkel? Os três... Prefiro dizer isso para não influenciar a ninguém... (mas quem souber ler nas entrelinhas saberá a resposta!)
Yola, Ana ou Leonor? Leonor
Amor: Solução para muitos problemas.
Amizade: Alento à alma.
Família: Amo.
Novo Século: Tenho muita gratidão pela chance dada e por não ter desistido de mim.
Jorge Amado: Inteligência.
Blog Literário: Criados por anjos.

Over Shock - Obrigado por essa entrevista, Alane. Espero que você tenha gostado das perguntas e que todos os leitores gostem de conhecer um pouco mais da autora Alane Brito. Para encerrar, deixe sua mensagem final aos leitores do blog Over Shock:
Alane - Não tem como não ter amado suas perguntas, Ricardo! Muito bem elaboradas. Não esperava o contrário! Mais uma vez agradeço pela oportunidade! Espero ter sido clara o suficiente e que tenham se agradado de minhas respostas. A vocês que doaram um pouco do seu tempo para ler essa entrevista também tenho muito a agradecer. Valorizem os autores nacionais, quem ainda tem preconceito tente dar uma chance a nós, garanto que não irão se arrepender! Espero “encontra-los” novamente por aqui quando eu lançar meus próximos trabalhos, se Deus quiser!

 “”Gostar de alguém é bom, embora fique complicado demais de se administrar quando se torna algo mais que só uma paixão infantil”” – pág. 245 (O Trio)

O Trio, Alane S. A. Brito, 1ª Edição, Barueri-SP: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira), 2012, 511 páginas

Escritora desde os quatorze anos, Alane S. A. Brito já escreveu diversos romances, porém sua primeira publicação é o livro O Trio, o último a ser concluído. Nesse livro, a autora baiana conta uma história de amor e amizade que emociona e prende o leitor do início ao fim.
A história se inicia em Goiás, no ano de 1956. Depois de anos, o jovem Davi Guerrato pega a estrada e volta para o lugar que no passado foi cenário de suas aventuras nas melhores fases da vida de uma pessoa: a infância e a adolescência. Enquanto se recorda de suas melhores lembranças, um garoto aparece e os dois iniciam uma conversa. Não demora até que Davi começa a contar, ao garoto e aos leitores, a longa história de sua vida.
Anos antes, Davi vivia na pequena vila de Valentino Duarte, “no meio do nada no norte de Goiás”. Ali vivia famílias de oito sobrenomes diferentes e como sempre acontece em casos semelhantes, todos se conheciam. Apesar disso, ninguém tinha uma relação de amizade como a de Davi, Nelson Beltrame e Jordan Merkel. A relação desses três garotos é o tema principal do livro, que tem ainda injustiça, romance, rivalidade e o foco principal: a força de uma amizade verdadeira.

“Ah, se eu soubesse que era a última vez que eu o veria, teria ao menos aproveitado sua presença e o contemplado até o derradeiro milésimo de segundo. Não tenho fotografias dele, nem sequer uma... Seu rosto vai e vem em minha memória, e eu nem sei mais se é realmente ele.” (pág. 105)

Ver a história apenas por esse lado pode enganar muita gente. O Trio vai além de pequenas aventuras que todos nós vivemos em nossas infâncias, e que até certo ponto poderia ser descartado de uma possível leitura. Apesar de a nostalgia surgir em diversos momentos da leitura, o sentimento de felicidade por se recordar do passado pode dar lugar a sorrisos e lágrimas. Isso porque nessa história a infância possui muitas dificuldades, principalmente no sentindo psicológico da palavra.
Em uma época em que o bullying é tão constante na sociedade, O Trio dá uma lição de que a vida de um adolescente pode ser perturbada mesmo longe das escolas, por exemplo. Em uma pequena vila com poucos habitantes, uma brincadeira – ou rixa - causa injustiça em proporções incontroláveis e assim, muda a vida de todos; afeta a amizade; e a felicidade, por sua vez, se perde pelo ar. Situações que deixam o leitor com um nó na garganta e que aos poucos mostram a verdadeira essência da amizade existente entre esses três personagens principais.
Não importa a época e nem o lugar. Um adolescente terá sempre um amor platônico e um desejo incontrolável por uma garota. Em O Trio não é diferente. A forma como Davi, Nelson e Jordan se entregam – cada um de uma forma – ao amor, proporcionam cenas comuns e que nos identificamos. O que também acontece quando a relação entre eles é avaliada de alguma forma, afinal, de maneira simples ou não, já passamos por esse tipo de avaliação. Já nos aventuramos ao lado de nossos amigos; brigamos com eles como se nunca mais fossemos conversar novamente; perdoamos independente de quem tenha sido o culpado; nos afastamos quando necessário, mas nunca nos esquecemos dos momentos bons. Isso tudo está explícito a cada página de O Trio, um livro rico em sentimentos.
Com o amor, a amizade e o perdão tão presentes neste livro, não poderia faltar a aventura para dar um pouco mais de adrenalina e prender o leitor, como talvez não acontecesse apenas com o lado sentimental. Justamente quando a aventura está presente é que a ansiedade do leitor aumenta e o livro, mesmo distante, permanece nos pensamentos. E as tais aventuras novamente trazem um sentimento nostálgico. Elas podem ser uma simples bobeira de criança, ou uma situação de vida ou morte que passamos quando já estamos mais maduros, mas lembram de algum momento de nosso passado.

“Achei que merecia ao menos um beijo no rosto, mas ela passou adiante. Não liguei para isso também porque tinha certeza de que, dali em diante me deleitaria em seus lábios sempre que tivéssemos chances de nos ver e tudo seria real e não apenas devaneios em noites solitárias”. (pág. 224).

Facilmente o leitor se emociona com algum tipo de injustiça, ou quando o amor está presente. O leitor também é pego de surpresa quando os segredos são revelados e se sente presente na história quando existe a possibilidade de uma atitude para encorajar ou aconselhar as personagens, e também quando os desenhos da autora ilustram determinadas cenas.
Nem todos os personagens agradam, o que é normal. Até mesmo Davi, o protagonista, em alguns momentos é incompreendido, mas a leitura continua normalmente - devido a ótima escrita da autora - até que o final, feliz ou não, chegue de vez para a história de todas as personagens. Personagens amadas, como Ana e Leonor, ou odiadas, como Nícolas e as fofoqueiras tão comuns.
A única coisa que se pudesse mudaria em O Trio é a participação do garoto que ouve toda a história de Davi. Ao iniciar a leitura, tinha certeza de que o estilo da narrativa seria semelhante ao livro O Nome do Vento (Resenha) – com o uso de interlúdios. No caso do livro de Patrick Rothfuss, os ouvintes da história participavam em diversos momentos fazendo perguntas ou simplesmente algum tipo de comentário, o que não acontece. Sendo assim, a história segue diretamente ao ponto, como se realmente tivesse sendo contada e não ouvida, mas a participação do garoto – que no final é de extrema importância – se torna vaga até que a história contada por Davi chegue ao fim e passe a ser contada em 3ª pessoa.
Esse pequeno detalhe não tira o brilhantismo de O Trio, que apesar de ser escrito por uma autora jovem e da atualidade, é semelhante aos grandes clássicos que no passado se tornaram importantes para a literatura. A história se foca em uma pequena vila e o leitor se sente como se estivesse nela; a mensagem deixada pode ter efeitos distintos, porém todos eles positivos; os personagens, por vários motivos, cativam, ou não, o leitor; e o desfecho, neste caso, mostra que a amizade é o bem mais precioso que existe para uma pessoa. E deve ser sempre valorizado. Jamais esquecido.

“”Gostar de alguém é bom, embora fique complicado demais de se administrar quando se torna algo mais que só uma paixão infantil””. (pág. 245)

A espera chegou ao fim e o livro O Trio, da autora parceira Alane S. A. Brito será lançado em junho pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século. O Trio marca a estreia no mundo literário da autora baiana que já escreveu diversos romances, sendo esse seu último trabalho concluído. O Trio conta uma história de amor, amizade, envolvendo é claro, muita emoção. Conheça o primeiro livro de Alane S. A. Brito:

O Trio
Lançamento Original: 2012
ISBN: 978-85-7679-729-6
Autor (a): Alane S. A. Brito
Tradução: -
Páginas: 512
Preço: R$39,90
Onde Comprar? Site Novo Século
Leia um Trecho: -
Sinopse:
O desejo do homem pela paz é algo naturalmente espontâneo; e o perdão talvez seja o ponto mais rápido para se alcançar isso. Mas até que ponto você suportaria o desprezo e a dor? Até que ponto você confia em seus amigos? Até que ponto você é capaz de perdoar? O fato é que: ninguém conhece o íntimo de ninguém. Nem o de nós mesmos... Dez anos após terríveis experiências na vila onde morava, Davi Guerrato está de volta para cumprir um acordo. Não imaginava então que teria a oportunidade de regressar à sua infância, contando a um garotinho desconhecido a trajetória de sua vida em Valentino Duarte, onde também teve agradáveis e saudosos momentos com seus dois melhores amigos, Nelson Beltrame e Jordan Merkel. Deixe-se envolver por uma história de amor e amizade, em que os desafios pouco a pouco revelam força, garra e sentimento.

Quem é Alane S. A. Brito? Alane de Souza Alves nasceu em Ibotirama, Bahia, no dia 5 de janeiro de 1981. Morou em sua cidade natal durante exatos vinte anos, com seus pais, duas irmãs e três irmãos. Concluiu o ensino médio no Colégio Cenecista de Ibotirama, formando-se em Técnica em Contabilidade na classe de 1997. Em 2001, passou a morar em Feira de Santana, onde se casou e adquiriu o sobrenome Brito. 
Aos catorze anos, escreveu seu primeiro romance (ainda não publicado), e mais alguns vieram após este. O TRIO foi o último livro a ser concluído, mas o primeiro encaminhado para publicação, por incentivos e escolha própria.

Com prazer que anuncio que, a partir de agora, a autora baiana Alane S. A. Brito é a nova parceria do blog. Alane lançará em breve, pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira da editora Novo Século, o livro O Trio, que conta a história de três amigos que precisam se unir para enfrentar os desafios que aparecem em suas vidas. O livro será lançado em breve, mas enquanto isso não acontece, conheça um pouco mais da autora e de sua obra:

Quem é Alane S. A. Brito? Formada em Contabilidade, nunca exerceu a profissão. Aprendeu a gostar de livros por causa da mãe. É uma baiana tímida, muito crítica, perfeccionista, chocólatra, ama histórias e, principalmente, ama cria-las. Tem fixação por personagens. Não se acha perfeita e até já recebeu apelido de "Da Lua", por viver em seu próprio mundo paralelo. Deus é o seu guia, e espera nEle conseguir mostrar ao mundo, se possível, as suas criações e deseja que elas ajudem a fazer as pessoas relaxarem, tomar bons conselhos e ler mensagens otimistas, coisa que nos dias de hoje parece estar se tornando raro.

O Trio
Lançamento Original: 2012
Onde Encontrar?
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Sinopse:
Dez anos após terríveis experiências na pequena vila no meio do nada onde morava, Davi Guerrato está de volta para cumprir um acordo. Não imaginava então que teria a oportunidade de regressar a sua infância, contando a trajetória de sua vida em Valentino Duarte, onde também teve agradáveis e saudosos momentos com seus dois melhores amigos, a um garotinho desconhecido. O retorno ao passado traz à tona sensações jamais amortecidas. Relembra o exagerado amor que sentiam pela mesma menina, e sua luta íntima para não trair a confiança de ambos por se permitir deseja-la somente para si; seu grande esforço para tornar a vida conturbada de um deles menos sofrida e a luta dos três pela sobrevivência a uma traumática invasão a vila, por homens violentos, numa fuga atormentadora. Tendo que juntar forças com seus desafetos, descobrindo assim, que no fundo de suas almas existem uma grande garra e coragem jamais experimentadas por nenhum deles.
Como se pode provar a alguém quem somos? Como perdoar grandes decepções?
De qualquer forma...  ter amigos verdadeiros  presentes, torna as piores situações mais brandas...

Booktrailer

Leia um Trecho
"Do alto da gruta dava para ver boa parte da vila, inclusive o centro, onde Jordan estava. Fiquei observando sempre que julgava necessário para ter certeza de que ainda estaria lá à noite. Vez ou outra alguém ia até ele, ou passava por perto o olhando.
O sol estava bem quente, por isso eu precisava retornar à caverna com bastante freqüência, o clima lá dentro era bem mais agradável. Eu estava inquieto, ansioso e a ociosidade era massacrante.
Jordan tinha vontade de arrancar as roupas para aliviar o calor. Se o vento que soprava às vezes não fosse tão quente e empoeirado, até ajudaria a refrescar. Sua cabeça doía muito, sentia falta de ar porque a posição dos braços contraía os pulmões, e a claridade lhe feria os olhos. Algumas vezes Guima chegou a ele com uma moringa e quando não a entornava garganta abaixo a derramava na base do cruzeiro. Além de Jordan ter que suportar tamanho desconforto, precisava se esforçar a tentar ignorar aquele homem tão desagradável..."
Ilustrações de Cenas do Livro – por Alane S. A. Brito
Desejo muito sucesso à autora e aproveito para agradecê-la pela confiança e por acreditar no nosso trabalho com o blog. Para quem se interessar e quiser conhecer um pouco mais da autora, conheça o blog do livro (www.livrootrio.blogspot.com.br) e também pelo Facebook, clicando aqui. Todas as novidades referentes a carreira literária da Alane serão divulgar a partir de agora nas nossas redes sociais e também aqui pelo blog. Fiquem atentos!!