Apartir de hoje, todos os sábados, será postado um capítulo do meu primeiro drama investigativo, O Lado Obscuro de um Criminalista. Agradecimentos especiais ao @tiodoramen por me ajudar muito com correções ortográficas, e a @_jujulih por sugerir nomes)

Capítulo I: Futuro Imprevisível


Lembro-me como se fosse ontem, daquela noite fria, do dia 17 de Dezembro, de 2010. Era uma sexta-feira que marcaria a minha vida para sempre.
Estava debruçado sobre a janela do 3º andar do prédio, onde estava hospedado. Era um lugar até que "fino", em um hotel chamado Duane Street Hotel, localizado em uma esquina, próxima de uma pizzaria chamada Raimo Pizza.
Observava atentamente cada pessoa, cada veículo, cada pássaro voando furtivamente em meio a escuridão daquela noite magnífica em Nova Iorque, tudo isso enquanto degustava um Jack Daniel's, esperando por um chamado investigativo, de mais algum assassinato, ou furto.
A vida de um criminalista, em Nova Iorque estava se tornando cada vez mais monótona e cansativa. Não era fácil conviver com as mortes, com a corrupção e com a ganância que envolvia o meu trabalho. Dia após dia de serviço, via muitos colegas, parceiros e amigos morrerem em meus braços, e por isso tudo aquilo tinha se tornado insanamente comum para mim. Já não mais temia a morte, e poderia atendê-la, sem medo, assim que ela batesse em minha porta. Estas situações trágicas corromperam a minha alma, fazendo com que eu me tornasse uma pessoa fria, sem muitos sentimentos.
De fato, estava casado com uma linda mulher chamada Lavínia Vecchi, e talvez fosse o único motivo para que eu continuasse a ter vontade de viver, apesar de nosso casamento não ser algo perfeito, parecido com um conto de fadas.
Estávamos morando separados, pois o meu trabalho estava atrapalhando o nosso convívio. A vida de um criminalista, não é nada fácil. Precisamos estar disponível a qualquer hora, fato este que resultara em diversas brigas de casal, fazendo com que nosso relacionamento decaísse cada vez mais, criando um clima nada agradável em nossas vidas. Por isso decidi ir morar sozinho em um apartamento
   Minha vida tendia em tornar-me cada vez mais uma pessoa sádica, e sempre tratava de me virar de ponta cabeça, colocando-me em uma situação lamentável. Testando o quanto seria capaz de resistir, sem derramar uma simples lágrima. Muitos dizem que minhas palavras são sem nexo, e mal consigo expressar isto que está dentro de mim, mas talvez, nem mesmo eu saiba o que está acontecendo comigo.
Naquela noite de sexta-feira, Lua já estava no ponto mais alto daquele céu estrelado. Os ponteiros já marcavam 1:00AM, e já estava terminando, de tomar por completo, aquela garrafa do meu whisky favorito quando então, recebi um chamado, do Departamento de Polícia de Nova Iorque, conhecido como NYPD, em meu celular que estava sobre um criado mudo de madeira. Corri até o aparelho, e atendi rapidamente. Era Claire Hutson, minha atual supervisora. Percebi um ar de preocupação em sua voz, ao me dizer:
- Lucas Linnankivi, temos uma urgência, é um homicídio, precisamos de você aqui!
Apesar de estar um pouco alterado, respondi bastante interessado:
- Certo, Certo, estarei a caminho, só preciso que me passe a localização onde tudo ocorreu.
Ela, percebendo minha embriagues, respondeu:
- Acho melhor você dar uma passada aqui, no departamento, antes de partir para este caso. Preciso ter uma conversa séria com o senhor! Esteja aqui em 30 minutos, ou seus dias como criminalista, terão fim! Não vou tolerar seus atrasos por muito mais tempo, então, tudo o que você tem são miseros 30 minutos! Já estou contando...
E desligou antes que pudesse dizer qualquer outra coisa.
Confesso que fiquei com certo "medo" de ir até o departamento de polícia de Nova Iorque, da maneira em que estava: embriagado.
Dirigir bêbado poderia causar algum acidente, inconscientemente, e poderia acabar ferindo algum civil, por causa de minha irresponsabilidade. Pensei em chamar um taxi, porém, não haveria nenhum um disponível, naquela região. Era noite de sexta-feira, muitas pessoas recorriam taxi para ir à festas, ou outros lugares desprezíveis, aproveitar a noite que antecedia o fim de semana.
Não havia outra forma, jamais conseguiria chegar ao departamento em tão pouco tempo, a não ser arriscar ir com meu próprio carro. Foi então, que em uma medida desesperada, sem pensar nas conseqüências, apanhei meu molho de chaves, fechei rapidamente a janela daquele quarto e parti desesperadamente, para porta de saída. Desci em direção a garagem,  onde meu veículo estava estacionado, foi então que de repente, ouço novamente o toque de meu celular, e pensando ser Claire novamente, atendi rapidamente. Poderia ser algo importante sobre o homicídio que acabara de acontecer. Estranhei ao ouvir a voz de Lavínia, me ligando, as 1:06AM, fato incomum, desde que decidimos morar separados. Ela estava com uma voz cansada, sussurrou:
   - Querido, eu preciso de você... Eu não estou bem, estou com saudades...
   - Agora não dá ! Eu acabei de receber um chamado urgente de homicídio ! Conversamos pela manhã
   E antes que eu pressionasse o botão vermelho, para encerrar a ligação, ela exclamou:
   - Você não faz idéia, do que esta acontecendo comigo... minha menstruação está atrasada, faz dias que não consigo comer direito... Eu realmente estou muito mal
   Sem entender direito, o ponto em que ela queria chegar, devido a minha embriagues visível, perguntei:
   - Mas o que isto tem haver, com você estar mal? Deve ser só um mal estar, logo passa, você não precisa de mim para ser curada... Isso é normal...
   - Você realmente, se tornou uma pessoa muito fria... Sem sentimentos ! Como uma menstruação atrasada pode ser normal? Você já mal sabe o que se passa no interior do corpo desta mulher que um dia você jurou amar !
   - Desculpe, mas estou atrasado, tenho pouco tempo para chegar no departamento de polícia, então, seja direta !
   - Arrogante, como sempre... O que foi que eu vi em você?
   Seus gritos ao telefone, estavam a ponto de sangrar meus ouvidos. Lavínia nunca foi uma mulher calma, e eu nunca fui um homem atencioso, talvez isso tenha causado o colapso em nossa relação.
   - Isso não importa agora, apenas me diga, o que você quer?
   - Você realmente é um cretino... Imbecil ! Eu não sei porque eu ainda tento te dizer as coisas, me re-aproximar de você... Não sei quem é mais imbecil, você, ou eu !
   - Essa conversa vai durar a noite toda... Você está afim de me atrasar, e fazer eu perder este caso... e meu emprego não é? Então tudo bem, vá em frente
   - Seu emprego, o que você faz, de pouco me importa ! Será que você não percebe, que estou grávida? Eu estou GRÁVIDA! Quer que eu soletre, pra você entender melhor, seu mentecapto, G-R-Á-V-I-D-A !
   Estas palavras, eram as últimas que eu precisava ouvir... Eu jamais planejei ter filhos, pelo fato de meu serviço não dispor tempo para isso. Sem ação, sem o que dizer, apenas indaguei-a:
   - Grávida? Como assim.... Grávida?
   - Sim, grávida ! Como eu disse, estou com a menstruação atrasada, fui até uma farmácia, e comprei um daqueles testes caseiros, feitos com a urina... e deu positivo, eu vou ter um filho seu !
   - Mas como isso é possível? O que vamos fazer? Eu nunca planejei ter filhos !
   - O que vamos fazer não sei, só sei que você tem que vir aqui agora ! Eu estou muito mal...
   Se eu atendesse este pedido da minha mulher, seria egoísmo da minha parte, ao deixar um caso de homicídio de lado, para tratar de problemas pessoais, e sem dúvidas, seria o fim de minha carreira de criminalista. Ela estava sendo dramática como sempre, e este desespero todo, é por conta da falta de atenção, na qual ela estava sofrendo. Provavelmente, ela não conseguiu encontrar ninguém, depois que fomos morar separadamente, pois não somos divorciados, e nem um homem quer uma mulher que ainda é casada, em cartório, muito menos agora, que está grávida. Tendo ciência, da dramatização de Lavínia, respondi:
   - Eu passo ai pela manhã, hoje realmente, estou incapacitado, não posso deixar meu trabalho por questões pessoais.
   Apenas dei tempo para ela responder:
   - Trabalho, trabalho... Este teu trabalho, te tornou uma pessoa sádica, uma pessoa diferente da que conheci! Se você não vier aqui agora, eu...
   Sem esperar que ela completasse a frase, desliguei o celular.
   Para que ela não tornasse a me ligar, desliguei-o, e coloquei no bolso de minha calça. De relance, vi meu casaco pendurado, no qual havia esquecido de colocar. Estava muito frio, não poderia sair de casa, sem agasalho, poderia prejudicar minha saúde.
   Sai rapidamente de meu quarto, tranquei a porta, e fiquei parado, por alguns segundos, olhado para o nada... estava então, diante de mais um caso, mais uma vez, diante da morte.

3 Comentários

  1. Nem precisa agradecer Lú o/ Quando precisar só falar :)

    Conhecendo você, como eu conheço, tenho certeza que sua história será muito sinistra. Pelo menos é isso o que eu espero.

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  2. Será muito sinistra ! AUHEHAEAEHUAEHHUAE

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  3. Desconfiei desde o príncipio HAHAHA agora só esperar até sábado ><

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