Histórias, nossas histórias, dias de luta, dias de glórias... E de luto. O luto inevitável que aparece sempre quando menos esperamos, e quando menos estamos preparados. Mas afinal, quem consegue se preparar para perder uma pessoa importante, para perder um verdadeiro ídolo? Ninguém! Ninguém está preparado, por isso a lágrima é tão inevitável quanto o próprio luto.
O dia 06 de março amanheceu mais triste para o mundo da música e para uma geração de jovens que cresceram ao som de uma banda que soube misturar gêneros para criar um som próprio. Um som que saiu da cidade de Santos para conquistar o país e o mundo, tudo graças ao talento, como músico e compositor, de Alexandre Magno Abrão, um poeta do rock nacional.
Paulistano nascido em 09 de abril de 1970, Chorão, como ficou conhecido, se mudou para Santos quando seus pais se separaram e parte da família ficou com a mãe, uma doméstica, e a outra parte com o pai, que fora menino de rua. Santos se transformou em sua grande paixão, o que era claro em suas composições, onde fazia questão de destacar a cidade litorânea.
Além da cidade, o Santos Futebol Clube e o skate também eram paixões de Chorão, que ganhou esse apelido na adolescência, quando ainda não sabia andar de skate e por isso ficava olhando os amigos. Um deles disse para ele não chorar e o apelido pegou.
Antes de conquistar o mundo da música, Chorão enfrentou dificuldades em sua infância e adolescência, principalmente devido à separação dos pais. Ia mal na escola e acabou abandonando os estudos ainda na sétima série. Teve problemas com a polícia e também em seus empregos, que segundo o próprio, “fracassou em todos”, mesmo quando precisou assumir a responsabilidade por ter um filho ainda muito jovem (atualmente com 23 anos).
A música sempre esteve ligada ao skate, esporte que mais praticava, porém sua carreira musical começou de forma inusitada. Durante um show em um bar, o vocalista da banda que se apresentaria teve problemas e precisou se ausentar. Eis que Chorão assume os vocais e mostra pela primeira vez ao público a sua voz inconfundível, o que motivou o convite para fazer parte de uma banda.
Não demora muito para Chorão conhecer o jovem baixista Champignon, de apenas doze anos, com quem forma a banda What’s Up. Mas a banda não dá certo como ambos esperavam, por isso convidam o baterista Renato Pelado, conhecido por outras bandas em Santos, e os guitarristas Thiago Castanho e Marcão. Estava formado o que viria ser a banda Charlie Brown Jr., talvez a banda mais importante do rock nacional nas duas últimas décadas.

Quarenta anos. Apenas quarenta anos foram necessários para um homem de Liverpool gravar seu nome para toda a eternidade, seja na história da música ou não. Isso por ser um excepcional compositor e membro de uma das maiores bandas de todos os tempos: The Beatles.
Uma verdadeira lenda da música, John Winston Lennon nasceu em 09 de outubro de 1940 e enfrentou algumas dificuldades familiares no início de sua vida, além de não ser um verdadeiro exemplo na escola. Sua primeira banda, que daria origem aos Beatles, foi formada em 1956, dois anos antes de John perder a mãe Julia.
The Quarrymen, como era chamada, tocava um gênero muito conhecido na época: skiffle, estilo com influência de jazz, blues e country. Foi após uma apresentação da banda que John Lennon conheceu Paul McCartney e não demorou muito para que ele fosse convidado a também participar da banda, apesar do receio inicial por parte de Lennon. Outro futuro membro dos Beatles a fazer parte do The Quarrymen foi George Harrison, que entrou para o grupo em 1958.
1960: ano que The Beatles passaria a marcar seu nome na história. Apenas nesse ano, a banda de John Lennon mudou seu nome em várias oportunidades, até chegar ao nome que se tornaria famoso e reverenciado no mundo inteiro. No início, além de Lennon, a banda era formada por Paul McCartney (guitarra), George Harrison (guitarra), Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria), porém dois anos mais tarde Ringo Starr (bateria) também assumiria o grupo. Lennon, McCartney, Harrison e Ringo formariam então o quarteto mais famoso da música mundial.
Durante os dez anos em que os Beatles permaneceram na ativa, o grupo gravou mais de dez álbuns de estúdio e com isso construiu um legado que permanece até hoje, mesmo mais de quarenta anos depois do fim da banda. O primeiro compacto foi lançado em 5 de outubro de 1962, enquanto em 11 de fevereiro do ano seguinte, era gravado o primeiro álbum: Please Please Me.
A importância de John Lennon para os Beatles era tamanha que grande parte da produção musical da banda era de responsabilidade do músico, apesar de também contar com a participação de McCartney. A dupla assinava todas as músicas, e uma das mais importantes é All You Need Is Love, lançada em 1967. A ideia para a canção surgiu devido a um evento transmitido mundialmente e que deveria conter uma mensagem para ser entendida por todos. Na canção, Lennon diz: “There's nothing you can know that isn't known; Nothing you can see that isn't shown; Nowhere you can be that isn't where you're meant to be; It's easy” (“Não há nada que você possa saber que não pode ser conhecido; Nada que você possa ver que não possa ser visto; Nenhum lugar que você possa estar que não seja onde você deveria estar; É fácil”).
Em sua vida pessoal, John Lennon se casou com Cynthia Powell em 1962 e tentou esconder o fato de ser casado, para evitar o descontentamento das fãs. Desse casamento, Lennon teve um filho chamado Julian, que atualmente é músico e possui uma carreira cheia de altos e baixos.
O casamento com Cynthia durou até que em 1968, dois anos após Lennon conhecer a artista plástica japonesa Yoko Ono, eles iniciam um relacionamento amoroso. Nessa parte da história dos Beatles, a banda já vivia um momento conturbado e a participação de Ono nas gravações deixou o clima ainda mais pesado.
Mas antes da banda chegar ao fim, o grupo gravou seu décimo álbum: The Beatles (1968), conhecido como o Álbum Branco. Um dos melhores discos da história da música, esse álbum foi lançado como disco duplo em 22 de novembro e continha 30 faixas divididas em quase 94 minutos. Até hoje é aclamado pela crítica e adorado pelos fãs.
Três álbuns depois, o fim da banda foi anunciado por Paul McCartney em 1970 e no mesmo ano Lennon lança o álbum John Lennon Plastic Ono Band, seu primeiro trabalho solo após deixar os Beatles – sendo que já havia lançado outros trabalhos, apesar de ainda continuar na banda. No ano seguinte, o músico lança o álbum Imagine, seu maior sucesso em carreira pós-Beatles. A faixa que dá título ao álbum é considerada um verdadeiro hino da paz.
Os últimos anos de vida de Lennon foram marcados pelo consumo excessivo da bebida e por diversas confusões, incluindo a separação de Yoko, um caso com uma assistente, e a reconciliação com a artista plástica com quem teve um filho: Sean Lennon. John ainda se tornou um importante ativista político e gravou seu último trabalho, Double Fantasy, entre agosto e setembro de 1980, lançado poucas semanas antes de sua morte.
New York, segunda-feira, 8 de dezembro de 1980. Mark David Chapman, fã dos Beatles, aborda John Lennon pedindo um autógrafo. Horas depois, já durante a noite, o rapaz acerta quatro tiros em Lennon, que vem a morrer depois de perder 80% de seu sangue. Segundo Mark, ele ouviu vozes dizendo que deveria cometer esse crime. Em 1981 foi julgado e condenado à prisão perpétua.
A morte de John Lennon aconteceu prematuramente; uma morte que colocou John Winston Lennon no seleto grupo de Majestades Eternas da música mundial. Um nome que continuará no coração dos fãs e que foi eternizado pelas canções em mais de duas décadas de uma carreira musical incontestável.

"Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que um dia você se junte a nós e o mundo viverá como um só." – John Lennon em Imagine, música de 1971

John Lennon - ☆ 09/10/1940 - ✞ 08/12/1980

Tudo começou no início da década de 1960 e por isso ele é considerado o Pai do Rock Brasileiro. Seus mais de 20 álbuns de estúdio foram responsáveis por um legado que continuou até mesmo depois de sua morte, o que prova o valor musical de um grande gênio da arte.
Membro de uma família de classe média, Raul Santos Seixas nasceu em Salvador no dia 28 de junho de 1945 e desde muito novo o rock esteve presente na vida do futuro músico – não apenas em questão musical, já que ele seguia todo o estilo de vida próprio deste gênero.
Devido aos problemas que Raul Seixas causou em sua infância e adolescência, foi matriculado pelos pais em um colégio de padres, porém nem isso o motivou a estudar e a escola era um lugar que ele sempre declarou odiar.
Nessa mesma época Raul descobre os prazeres da leitura e da escrita. Passa a deixar sua imaginação falar mais alto e então coloca todas as suas ideias no papel. Raul Seixas continua escrevendo e contando suas histórias ao irmão mais novo, Plínio, até que inicia sua carreira musical com a banda Os Panteras.
Os Panteras participam do início do rock no Brasil e apresenta o estilo, sobretudo aos baianos. O primeiro grande desafio aconteceu em 1967, quando Raul e os demais membros da banda recebem o convite para ir ao Rio de Janeiro. O grupo não demora a gravar o primeiro e único disco da banda: Raulzito e Os Panteras, lançado em 1968. Com um estilo romântico, o álbum continha diversas composições de Raul Seixas, porém não recebeu boas críticas da mídia e do público em geral.
O fracasso do grupo e problemas financeiros obrigaram Raul Seixas a voltar à Salvador, onde conhece um produtor que novamente lhe abre as portas para o mundo musical. Ao lado de sua esposa Edith, com quem se casou em 1967, Raul viaja novamente ao Rio de Janeiro. Trabalha no anonimato e aos poucos ganha experiência com a produção musical, além de conhecer importantes nomes da música.
Apenas no início da década de 70, quando já é um produtor respeitado, suas composições começam a ser gravadas por outros músicos. Raul Seixas percebe que o sonho de ser músico continua vivo e conhece, na mesma época, o escritor Paulo Coelho, grande parceiro em tudo o que produziu a partir de então.
O sonho vira realidade com seu primeiro álbum solo, intitulado Krig-ha, Bandolo! (1973). Krig-ha, Bandolo!, que faz uma referência ao grito do personagem Tarzan, é considerado pela revista Rolling Stone como um dos cem maiores discos da música brasileira e traz grandes sucessos do músico, como Al Capone e Metamorfose Ambulante.
Após o sucesso de seu primeiro álbum, Raul Seixas é apontado como uma das grandes promessas da música brasileira, porém, graças a uma ideia que defendeu ao lado de Paulo Coelho, é preso ao lado do grande escritor e exilado nos Estados Unidos.
Ao voltar, Raul grava seu terceiro trabalho solo, o álbum Gita (1974), que lhe rende um disco de ouro após a venda de 600.000 cópias. É no mesmo ano que Raul Seixas separa-se de Edith e no ano seguinte se casa com Gloria Vaquer. O ano de 1975 também é marcado pela gravação do álbum Novo Aeon, que incluía uma das canções mais conhecidas: Tente Outra Vez. No álbum seguinte, Raul Seixas apresentou ao Brasil uma canção marcante, de versos fortes e inesquecíveis: Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás.
A seguir, o cantor baiano passa enfrentar altos e baixos em sua vida. Encerra, temporariamente, sua parceria com o escritor Paulo Coelho; grava músicas como O Dia em Que a Terra Parou e Maluco Beleza; luta contra problemas de saúde, principalmente os ocasionados pela bebida; e por fim separa-se de sua segunda esposa.
Sem gravadora e outros com dois relacionamentos que duraram pouco tempo, Raul Seixas enfrenta uma forte depressão e a bebida lhe causa situações que nenhum fã deseja ao seu grande ídolo. Mas o seu talento com a música garante outros trabalhos, inclusive o convite para participar do especial Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música Carimbador Maluco, presente no álbum Raul Seixas (1983).
Após uma apresentação em São Caetano do Sul, em 1985, o cantor fica até 1988 sem subir aos palcos. Nesse tempo grava Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987), que agrada a maioria dos fãs e novamente é grande sucesso de vendas. Em seus últimos anos de vida, Raul Seixas conhece Marcelo Nova, com quem faz algumas apresentações, voltando assim aos palcos.
O último trabalho de Raul Seixas foi gravado em uma série de shows pelo país, mas o cantor não chegou a presenciar o lançamento de A Panela do Diabo, que aconteceu no dia 22 de agosto de 1989. Na manhã do dia anterior, Raul Seixas é encontrado morto em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada cardíaca em decorrência aos seus problemas com o álcool.
Enquanto era enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, o CD A Panela do Diabo iniciava suas vendas, que rendeu mais de 150.000 cópias vendidas. Os anos se passaram e Raul Seixas conquistou as gerações seguintes, que não chegaram a testemunhar a maestria desse grande mestre. Homenagens foram feitas por fãs e principalmente por músicos, que regravaram os grandes sucessos do Maluco Beleza, que viu Cristo ser crucificado, o amor nascer e ser assassinado; viu Moisés cruzar o Mar Vermelho e Maomé cair na terra de joelhos; e que viu o surgimento de uma música moderna, e mais tarde se tornou uma Majestade Eterna.

“Eu quero dizer agora, o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante [...] Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou. Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor.” – Raul Seixas

Raul Seixas - ☆ 28/06/1945 - ✞ 21/08/1989

“Não era apenas o poeta maior, era o guia. Todos queriam ser como Vinicius, amar e ser amado como Vinicius, beber como Vinicius”, disse Luiz Nassif sobre Vinicius de Moraes, um dos maiores poetas brasileiros e que faleceu no Rio de Janeiro em 09 de julho de 1980.
Filho de músicos, Vinicius de Moraes nasceu na Gávea em 19 de outubro de 1913, mas iniciou seus estudos em Botafogo, bairro para onde se mudou com apenas três anos. Ainda no colégio, demonstrou interesse pela poesia e anos mais tarde, também iniciou sua vida na música e no teatro.
Após anos de estudo e uma tentativa frustrada, passou no concurso do Ministério das Relações Exteriores em sua segunda tentativa e assim trabalhou como diplomata em Los Angeles, Paris e Roma, ao mesmo tempo em que se dedicava para as diversas áreas artísticas em que ficou conhecido ao longo de sua vida.
Como escritor, o primeiro livro de Vinicius foi O Caminho para a Distância, que mais tarde recebeu o nome de O Sentimento do Sublime. Publicado originalmente em 1933, o livro tem influência de outros grandes nomes da poesia, como o chileno Pablo Neruda, e marca o início de um estilo único de poetizar, que continuaria até uma mudança de estilo na década seguinte.
Ainda na década de 30, o poeta teve outras obras publicadas e canções gravadas, como também conheceu poetas que tiveram importância em sua vida, como Manuel Bandeira e Mário de Andrade (Imortais da Literatura) .
No teatro, ficou conhecido pela peça baseada no drama da mitologia de Orfeu e Eurídice, e intitulada Orfeu da Conceição, em meados da década de 50. Foi também nessa época que seu trabalho na música passou a ser prestigiado e suas composições foram gravadas por diversos músicos. Cerca de 60 composições foram gravadas na era de ouro da MPB, quando Vinicius conheceu um dos seus maiores parceiros: Tom Jobim (Majestades Eternas), que participou da criação da trilha sonora de Orfeu da Conceição, que mais tarde seria adaptada ao cinema.
Apesar de já ter suas composições gravadas, o nome de Vinicius de Moraes seria reconhecido pela música no final da década de 50 e início da década seguinte, quando a bossa nova começava a se tornar um dos maiores movimentos musicais do Brasil. Nomes como Elizeth Cardoso, João Gilberto e Agnaldo Rayol gravaram composições do poeta. Vinicius também se arriscaria como cantor e gravou algumas de suas músicas, como é o caso de Água para Beber e Lamento no Morro.
Ao longo dos anos, Vinicius continuou seus trabalhos na música e também na poesia, fazendo parceria com diversos músicos, como é o caso de Toquinho, com quem compôs diversos clássicos.
Vinicius de Moraes faleceu no dia 09 de julho de 1980, após passar mal na banheira de sua casa, na Gávea. Mas sua vida e obra jamais foram esquecidas e homenagens não faltaram a esse grande gênio das palavras. Poetinha, como ficou conhecido, teve mais de 10 livros lançados, seis peças de teatro e compôs dezenas de canções em parceria com os mais variados nomes e assim se tornou um imortal. Um Imortal da Literatura. Uma Majestade Eterna da música.

“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!” – Vinicius de Moraes.

Vinicius de Moraes - ☆ 19/10/1913 - ✞ 09/07/1980

Alguns músicos marcam seus nomes pelo seu timbre de voz, por suas composições, por seu estilo ou até mesmo por outras características marcantes, que mesmo com os anos, jamais são esquecidas. Dentre tantos nomes está o carioca Sebastião Rodrigues Maia, um dos maiores ícones da nossa música que conquistou admiradores pelos mais variados gêneros musicais.
Tim Maia nasceu no bairro da Tijuca em 28 de setembro de 1942. Ainda criança, iniciou sua vida musical com composições que já mostravam o talento desse grande ícone. Antes de fundar o grupo The Sputniks, que contou com a participação de Roberto Carlos, Tim tocou bateria e violão. Dois anos mais tarde, em 1959, o cantor foi para os EUA onde teve os primeiros contatos com a soul music, porém foi deportado ao ser preso por roubo e posse de drogas. Drogas essas que sempre fizeram parte da vida de Tim Maia, mesmo após o sucesso.
De volta ao Brasil, produziu um álbum de Eduardo Araújo e assim introduziu a soul music na Jovem Guarda. No mesmo ano (1968), teve uma de suas composições gravada por Roberto Carlos, no álbum autointitulado, e também gravou seu primeiro compacto, antes de ter o primeiro álbum gravado, já em 1970.
Intitulado Tim Maia – como a maioria dos seus trabalhos na década de 70 -, o primeiro álbum continha 12 faixas com misturas da música brasileira com a soul music, e lançou um dos seus maiores sucessos: a canção Azul da Cor do Mar. Bem recebido pela crítica e pelo público em geral, o álbum foi o mais vendido no ano seguinte e considerado, até os dias de hoje, uma referência para a música brasileira. Foi também eleito o 25º melhor disco brasileiro de todos os tempos.
Com o sucesso que adquiriu com o primeiro álbum, Tim Maia não demorou a estourar e virar um ícone. Passou a gravar diversos discos, sendo 28 deles até o ano de sua morte. Média de um disco por ano.
Para muitos, o melhor momento do cantor foi nos primeiros anos após o lançamento de seu primeiro trabalho. Nesse período, conheceu a doutrina Cultura Racional e lançou o trabalho Tim Maia Racional, dividido em dois volumes. Um dos motivos que levou a crítica positiva em relação a esse período é a ausência das drogas na vida do cantor, o que resultava em melhor qualidade na voz e em outros pontos importantes para sua música.
Na década seguinte, Maia passou a trabalhar ao lado de outros nomes da música e contou com composições de Michael Sullivan, Paulo Massadas, entre outros. Nessa parceria, importantes sucessos foram gravados, como O Descobridor dos Sete Mares (do álbum lançado em 1983), Um Dia de Domingo, onde cantou com Gal Gosta (lançado em 1985) e por fim, Do Leme ao Pontal (1986).
Os problemas de Tim Maia com as gravados resultou na criação de sua própria gravadora, que recebeu o nome de Vitória Régia Discos. Nessa gravadora, ele trabalhou nos seus discos na década de 90, que incluíam Tim Maia Interpreta Clássicos da Bossa Nova (1990), Voltou Clarear (1994), Nova Era Glacial (1995), entre outros.
Com o passar dos anos, a obesidade e outros problemas de saúde ficaram frequentes na vida do cantor, o que não afastou o uso das drogas. Em 08 de março de 1998, o cantor se apresentaria no Teatro Municipal de Niterói, mas seu estado de saúde não era dos melhores e acabou sendo internado, vindo a falecer no dia 15 de março, vítima de uma infecção generalizada. Devido a todos os problemas, Tim Maia nos deixou precocemente com apenas 55 anos, porém seu repertório e a voz marcante jamais serão esquecidos, pois Vossa Majestade, o Síndico do Brasil (apelido dado por Jorge Ben Jor) é um nome eterno para a nossa música.
Mesmo depois de anos, Tim Maia continua sendo lembrado e reverenciado. Sua história musical continua emocionando ao público que tanto lhe acolheu em seus mais de trinta anos no meio musical. Seu sobrinho, Ed Motta, representa um importante nome da música atual. Tim Maia continua sendo homenageado por muitos, tanto que em 2007, seu amigo Nelson Motta lançou o livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia. Mais recentemente, foi criado um musical inspirado no livro e que é protagonizado pelo ator Tiago Abravanel. Sucesso de público e de crítica.
“Se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito prá contar, dizer que aprendi... E na vida a gente tem que entender, que um nasce prá sofrer enquanto o outro ri...” – trecho de Azul da Cor do Mar.
Tim Maia - ☆ 28/09/1942 - ✞ 15/03/1998

Talvez não haja dia mais triste para a música brasileira como 02 de Março, data em que no ano de 1996, cinco jovens e talentosos músicos perderiam a vida e teriam suas carreiras encerradas precocemente em um acidente de avião na Serra da Cantareira, em São Paulo. Um acidente que ocorreu apenas alguns meses depois de serem lançados no mercado musical e no auge da carreira.
Dinho (vocal), Bento Hinoto (guitarra), Samuel Reoli (baixo), Sérgio Reoli (bateria) e Júlio Rasec (teclados) fazem falta e essa ausência é sentida e lamentada após anos do trágico acidente que calaria os músicos da banda Mamonas Assassinas, deixando uma legião de fãs enlutados. Apesar da falta, esses jovens que já eram aclamados pelo país inteiro, se tornaram mitos da música e possuem fãs, admiradores e súditos que se orgulham dessas feras que nos deixaram há exatos 16 anos.
Conheça um pouco de cada um dos integrantes dessa fantástica banda brasileira:

Bento Hinoto
Natural de Itaquaquecetuba, Alberto Hinoto nasceu em 07 de Agosto de 1970 e sua habilidade com a guitarra impressionava a todos. Torcedor fanático do Palmeiras conheceu o futuro baterista da banda através de seu irmão e foi responsável – além dos arranjos – pelo estilo que conquistaria fãs.
Após sua morte Bento recebeu diversas homenagens, sobretudo em sua cidade natal e Guarulhos, onde morava na época do acidente. Em ambas deu nome a ruas, deixando o nome Alberto Hinoto eternizado.

Dinho
Baiano, Alecsander Alves Leite, mais conhecido como Dinho – apelido dado pela avó – faleceu poucos dias antes de completar 25 anos, o que aconteceria em 05 de Março. Quando criança, Dinho fazia parte de um coral evangélico e venceu um concurso de dança em um programa do apresentador Silvio Santos.
Antes de iniciar sua carreira profissional, trabalhou em campanhas políticas e também foi vocalista da banda Utopia, que daria origem aos Mamonas Assassinas e que consistia em um estilo mais sério.
Era nos intervalos dos ensaios que Dinho iniciava o estilo cômico que se tornaria marca registrada do grupo de Guarulhos, mas na época, o próprio Dinho não pretendia criar uma banda do gênero. Só mais tarde, com o estilo agradando a todos, que Dinho aceitou a ideia e teve inicio os Mamonas Assassinas.
Quinze anos após a morte do vocalista, seu pai, Hildebrando Alves, disse que o cantor deixaria a liderança da banda para se juntar ao comediante Tom Cavalcante, e isso gerou uma grande polêmica, mas nada que tirasse o mérito e a saudade deste excelente músico.

Júlio Rasec
O mais velho da banda, Júlio Cesar Barbosa nasceu em Guarulhos no dia 4 de janeiro de 1968 e antes da fama, trabalhava como técnico em eletrônica. Não gostava de sua técnica musical, mas tinha grande importância para a banda. Além de tocar teclado, Rasec (Cesar ao contrário) fazia também backing vocals e a voz de Maria, na famosa canção Vira-Vira, antes de outras participações importantes.
Torcedor do São Paulo, Júlio também se simpatizava pelo Grêmio de Porto Alegre e pela Portuguesa, o que sua irmã, Paula, declarou em uma comunidade do Orkut. Além disso, praticava esportes, mas devido a sua qualidade sempre era deixado de lado. Ao ser perguntado sobre um possível superpoder, ele respondeu: “Queria poder ficar invisível. Dá prá ver quem tá falando mal ou quem fala bem de você”.
Horas antes do acidente que o mataria, Júlio disse ter tido um sonho onde um avião caía. Era apenas um pressentimento do que estava por vir.

Samuel Reoli
Já o mais novo era Samuel Reis de Oliveira, que nasceu em 11 março de 1973 em São Paulo. Baixista e irmão de Sérgio Reoli, Samuel costumava se esconder nas apresentações da banda e era conhecido por seu humor característico. Também era obcecado por aviões, sempre desenhando-os, sem imaginar que um deles causaria sua morte.
Antes de morrer, Samuel escreveu uma carta à família, onde agradecia por tudo o que lhe proporcionaram. Essa carta seria encontrada meses depois de sua morte e emocionaria a todos.

Sérgio Reoli
O irmão de Samuel, Sérgio Reis de Oliveira, nasceu em 30 de setembro de 1969 e também marcou a vida de todos por seu humor e pelas suas piadas, o que se tornaria sua marca. Ouvia de Red Hot Chilli Peppers à Titãs e foi um dos criadores da banda Utopia.

Esses cinco jovens escreveram uma curta, mas rica história, que teve inicio após um show da banda Utopia, onde o grupo conheceu o produtor musical, Rick Bonadio. Após esse encontro, a banda Utopia deixa de existir e surge os Mamonas Assassinas no Espaço, reduzido logo depois para Mamonas Assassinas, uma banda que estouraria no país inteiro e chegaria ao auge em poucos meses.
O grupo então grava três músicas (Pelados em Santos, Robocop Gay e Jumento Celestino) e envia para diferentes gravadoras, até que é aceita e assina com a EMI, gravando assim o primeiro – e único – trabalho, autointitulado e produzido por Bonadio, apelidado como Creuzebek. A gravação não demora a render frutos e o grupo de Guarulhos passa a fazer ao menos oito shows semanais e aparecer nos mais importantes programas de TV da época. Essas aparições na mídia resultaram na venda de cerca de 100 mil cópias a cada dois dias.
O sucesso nacional foi tanto, que em menos de oito meses, o grupo já se preparava para a primeira apresentação internacional, que aconteceria em Portugal. Porém, a viagem marcada para o dia 03 de Março de 1996 jamais aconteceria e o show em Brasília, na noite do dia 02, seria a última apresentação dos eternos Mamonas Assassinas.
Na volta para Guarulhos, o jatinho fretado pra levar o grupo até o show em Brasília apresentou alguns problemas e veio a se chocar com a Serra da Cantareira às 23hrs16min, matando os músicos, o piloto e co-piloto, e os dois assistentes do grupo.
Além do único álbum de estúdio, o grupo teria ainda uma coletânea, intitulada Atenção, Creuzebek: A Baixaria Continua; o disco ao vivo Mamonas ao Vivo; além de reportagens e documentários, incluindo Mamonas para Sempre, que teve sua estreia em 2011.
Não importam os anos, não importa a quantidade de músicos com qualidade que surgem dia após dia nesse país. Independente de qualquer coisa, os membros da banda Mamonas Assassinas são insuperáveis e se tornaram eternos por suas qualidades musicais e pessoais. Vossas Majestades possuem características próprias e todos são verdadeiros ícones da música mundial. São ídolos que jamais serão esquecidos.
“As pessoas olhavam pra mim e diziam: “É impossível cara, é impossível você chegar até aqui.” Manda eles pra puta que pariu! É possível sim. É possível vocês, cada um de vocês que estão aqui hoje. É possível realizar sonhos de vocês sim. Vocês são capazes. Acreditem em vocês. Você pode cara, se você não acreditar em você, ninguém vai acreditar. Lute pelo seu sonho.” – Dinho em uma apresentação do grupo no dia 06/01/1996.
“Minha Brasília amarela, tá de portas abertas, pra mode a gente se amar, pelados em Santos. Pois você, minha pitchula, me deixou legalzão, não me sintcho sozinho, você é meu chuchuzinho” – trecho de Pelados em Santos.
Bento Hinoto - ☆ 07/08/1970 - ✞ 02/03/1996
Dinho - ☆ 05/03/1971 - ✞ 02/03/1996
Júlio Rasec - ☆ 04/01/1968 - ✞ 02/03/1996
Samuel Reoli - ☆ 11/03/1973 - ✞ 02/03/1996
Sérgio Reoli - ☆ 30/09/1969 - ✞ 02/03/1996

O tempo passa, e diversos músicos surgem para marcar seus nomes na história da arte no Brasil, porém, existem aqueles que mesmo depois de sua morte, continuam com seus nomes, e canções, entoadas por multidões e por isso jamais serão esquecidas. No caso de Elis Regina Carvalho Costa, não apenas sua voz, como também sua personalidade ficará guardada por muitos brasileiros, e o dia 19 de janeiro será sempre reservado para a sua memória.
Nascida em Porto Alegre no dia 17 de março de 1945, Elis Regina passou sua infância na Vila do IAPI, local com grande importância histórica e arquitetônica na capital gaúcha. Elis iniciou sua carreira musical precocemente, com apenas 11 anos, após uma apresentação na Rádio Farroupilha. Alguns anos mais tarde, em 1961, lançou o seu primeiro EP, intitulado Viva a Brotolândia, e a partir de então, seu nome passou a ser reconhecido e respeitado pelos brasileiros.
Com o estouro no inicio da década de 60, foi contratada pela extinta TV Rio e mais tarde pela TV Record, emissoras onde participaria de diversos especiais e programas de música, entre eles O Fino da Bossa, que apresentou ao lado de Jair Rodrigues e que mais tarde originou três discos, intitulados Dois na Bossa (primeiro álbum brasileiro a vender mais de 1 milhão de cópias), Dois na Bossa nº2 e Dois na Bossa nº3. Esse programa foi produzido por Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, com quem se casaria em 1967. Elis e Ronaldo são pais do músico e empresário João Marcello Bôscoli.
Os anos passaram, e a cantora não só continuou com seu sucesso, como também aprimorou sua voz, que cada vez ficou mais conhecida no país inteiro. Além dos álbuns lançados a partir de sua parceria com Jair Rodrigues, Elis Regina lançou ainda outros três álbuns ao vivo, um deles em parceria com o trio paulista intitulado Zimbo Trio. Fora os álbuns ao vivo, Elis lançou inúmeros trabalhos de estúdio, um deles, em 1974, ao lado de Tom Jobim e intitulado Elis & Tom. É considerado pela crítica, um dos mais importantes álbuns da história da MPB, não apenas por suas canções, mas também pela genialidade de seus interpretes.
Elis Regina sempre foi contra a ditadura militar, principalmente pelos diversos músicos que foram exilados na época. Não chegou a ser presa, e muitos acreditam que isso só não aconteceu devido a sua popularidade. Apesar do momento crítico na até então política brasileira, Elis foi importante também por ser presidente da ASSIM (Associação de Intérpretes e Músicos), e também por isso, teve voz ativa em Brasília, onde lutava pelos direitos dos músicos.
No ano de 1975, teve seu segundo filho, Pedro Camargo Mariano, fruto do casamento com o pianista César Camargo Mariano. Dois anos mais tarde, nascia Maria Rita, futura cantora e premiada artista brasileira.
Vossa Majestade, Elis Regina, gravou mais 25 álbuns e nos deixou precocemente aos 36 anos, quando faleceu após uma overdose de cocaína e álcool. Aquele 19 de janeiro de 1982 seria um dia triste para toda a população, que se chocou com a morte da eterna Pimentinha (apelido criado por Vinicius de Moraes), que partiu, deixando os brasileiros com saudade daquela voz característica e aquele estilo que jamais será esquecido.
“Me tomam por quem? Um imbecil? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso é o que todos queriam, na realidade. Mas não vão conseguir, porque quando descobrirem que estou verde já estarei amarela. Eu sou do contra. Sou a Elis Regina do Carvalho Costa que poucas pessoas vão morrer conhecendo” – Elis Regina.

Elis Regina - ☆ 17/03/1945 - ✞ 19/01/1982

Foram duas décadas de muita música e que fizeram com que o nome de Cássia Rejane Eller jamais fosse esquecido e assim ela se tornasse um dos grandes nomes da nossa música, mas que infelizmente nos deixou cedo há exatos dez anos.
Carioca, Cássia Eller nasceu em 10 de dezembro de 1962 e recebeu esse nome por causa da devoção de sua avó por Santa Rita de Cássia, santa italiana que viveu no século XIV. Antes de a música lhe conquistar, Cássia, além do Rio, morou em Belo Horizonte, Santarém, no Pará, e Brasília. Ganhou seu primeiro violão, aos 14 anos e desde então a música entrou em sua vida para nunca mais sair.
Quando se mudou para Brasília, aos 18 anos, a música passou a estar ainda mais presente na vida de Cássia. Cantou em corais, óperas e musicais. Também participou de um grupo de forró e de um trio-elétrico, além de tocar surdo em uma escola de samba. Um ano depois, em 1981, participaria de um espetáculo de Oswaldo Montenegro e assim o Brasil e o mundo conheceria de vez uma das melhores cantoras que o país já viu.
Apesar disso, sua carreira demorou a decolar e isso aconteceu só no final da década de 80, quando assinou pela primeira gravadora. Em 1990, gravou seu primeiro disco, autointitulado e com 11 faixas, sendo que apenas uma delas foi composta pela própria Cássia Eller, característica marcante da carioca, que sempre foi uma interprete e não uma compositora. As outras duas únicas composições de Cássia Eller apareceriam no seu segundo álbum de estúdio, lançado em 1992 com o título O Marginal.
Nos anos seguintes, a cantora gravaria outros três álbuns de estúdio, além de álbuns ao vivo e DVDs, até chegar o ano e 2001, que seria de extrema importância para a cantora, que logo nos primeiros dias participou da terceira edição do Rock in Rio. Ela ainda se apresentaria mais de 90 vezes, gravando um DVD que contou com a participação de nomes importantes, técnica e artisticamente falando.
Homossexual, teve um filho com o baixista Tavinho Fialho, que foi criado, após a morte dos pais, pela companheira de Cássia, Maria Eugênia Martins. Vossa Majestade faleceu as vésperas do réveillon de 2002, aos 39 anos, devido a um enfarte do miocárdio e está sepultado no Cemitério de São João Batista, mesmo lugar onde estão enterrados Rodrigo Netto e Tom Jobim.
“Eu não sei me definir. Nunca soube muito bem dizer quem eu sou. Só sei que sou alguém que gosta de escutar todo tipo de música. Gosto de música em geral. Gosto demais de blues e rock e também gosto de baladas. A música clássica também me comove. Na verdade, escuto de tudo. Meu repertório surge a partir do momento que estou vivendo.” – Cássia Eller, em entrevista para a Folha.
Cássia Eller - ☆ 10/12/1962 - ✞ 29/12/2001

A bossa nova nunca mais seria a mesma quando em 08 de dezembro de 1994 o movimento perdesse um dos maiores responsáveis por sua criação, bem como um dos melhores compositores que esse país já viu. Não há no Brasil todo, e por não no mundo, uma única pessoa que em algum momento da vida não cantarolou uma das canções do mestre Tom Jobim, que nos deixou naquele ano da década de 90.
Carioca da Tijuca, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu em 25 de janeiro de 1927 e ainda nos primeiros anos da infância, se mudou junto com sua família para o bairro de Ipanema, que ficaria eternizado em uma de suas canções mais conhecidas. Se interessou pela música ainda jovem, e fez aula de violão e piano no colégio que sua mãe era diretora, com Hans Joachim Koellreuter, um dos nomes mais influentes da música brasileira.
Antes de se tornar um dos grandes nomes da música brasileira, Tom Jobim ainda cursou dois anos de arquitetura, no entanto, passou a ser pianista da Rádio Clube do Brasil e não demorou muito tocar também em bares cariocas e arranjar músicas para a gravadora Continental. Mais tarde se transferiu para a Odeon e nessa época seus primeiros grandes sucessos começam a surgir.
Uma de suas primeiras canções foi Chega de Saudade, escrita por Vinícius de Moraes, um de seus maiores companheiros, e com arranjos do próprio Tom. A canção seria gravada pela primeira vez em 1958 na voz de Elizeth Cardoso e é o marco inicial do movimento bossa nova. Dois anos antes, Tom Jobim musicou a peça Orfeu da Conceição, novamente ao lado de Vinícius de Moraes e em 1959, ganharia a Palma de Ouro, no Festival de Cinema de Cannes, pela trilha sonora de Orfeu Negro, filme inspirado na peça que havia musicado anos antes.
Em 1962, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, compuseram a canção que se tornaria um dos maiores hinos da música brasileira: Garota de Ipanema. Uma das poucas canções gravadas em inglês a fazer sucesso fora do país, foi inspirada em Helô Pinheiro, na época com 17 anos, que passava frequentemente em frente a um bar no bairro de Ipanema. Foi gravada pela primeira vez em 1963, ano em que Tom Jobim lançaria o álbum The Composer of Desafinado, Plays, primeiro álbum solo do cantor. Gravado em apenas dois dias em Nova York, contou com 12 canções, sendo que uma delas era Chega de Saudade.
Outra canção que ganharia o mundo na voz de diversas artistas foi Wave, composta em 1967 e que esteve no álbum de mesmo nome, lançado também em 1967. Esse seria o quinto álbum solo do músico, que gravaria outros 14 álbuns, sendo que o último foi Antônio Brasileiro, gravado entre setembro de 1993 e janeiro do ano seguinte, e que foi lançado apenas três dias depois do falecimento do músico.
Depois de uma série de exames, Tom Jobim descobriu que estava com câncer na bexiga e em 06 de dezembro de 1994 seria operado em um hospital de Nova York. Em 08 de dezembro, Vossa Majestade, o grande maestro da música brasileira, Tom Jobim, teve uma parada respiratória, vindo a falecer para a tristeza de fãs do mundo todo.
Até hoje, Tom Jobim é lembrado por suas canções que ficarão guardadas por gerações e é constantemente homenageado por empresas, celebridades e pessoas comuns, o que faz dele uma Majestade Eterna. Majestade essa que foi casado duas vezes, a primeira com Thereza de Otero Hermanny, com quem teve dois filhos, e também com a jovem Ana Beatriz Lontra, com quem teve dois filhos e se casou oficialmente em 1986.

“Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar. Em cada despedida eu vou te amar. Desesperadamente, eu sei que vou te amar. E cada verso meu será pra te dizer que eu sei que vou te amar” – Tom Jobim, em parceria com Vinicius de Moraes
Tom Jobim - ☆ 25/01/1927 - ✞ 08/12/1994

É impossível falar de rock sem se lembrar de um dos melhores cantores da história do gênero, que é conhecido não apenas por suas canções, mas também por sua voz, uma das mais conhecidas do mundo. É claro que estou falando de Freddie Mercury, vocalista e líder da banda britânica Queen, que nos deixava há exatos vinte anos.
Nascido como Farrokh Bulsara, Freddie Mercury nasceu em 5 de setembro de 1946, em Stone Town, Zanzibar, na época colônia britânica. Foi lá, em uma escola inglesa, que Freddie deu os primeiros passos na música, quando fez aulas de piano. Com dezoito anos, sua família foi para a Inglaterra devido a revolução que estava acontecendo em seu país de origem, e na sua nova terra, fez um curso de design gráfico e artístico. Foi na faculdade que conheceu o baixista Tim Staffell, um dos membros de uma banda que mais tarde originaria o Queen.
Quando, em 1970, Tim deixa a banda, Freddie assume os vocais da banda e cria então o Queen, uma das maiores banda da história da música. Com a banda, Freddie lançou diversos álbuns e foi responsável pelas canções mais conhecidas que ficaram imortalizadas com sua voz, como por exemplo, We Are the Champions e Somebody to Love.
Além de lançar os trabalhos ao lado da banda, Freddie lançou ainda quatro álbuns solo: Mr. Bad Guy (1984), Barcelona (álbum) (1988 - com Montserrat Caballé), The Freddie Mercury Album (versão estadunidense - 1992) e The Great Pretender (1992), o que mostra como foi importante não apenas para o Queen.
Bissexual assumido, Freddie é dono de um estilo característico e por isso é lembrado até os dias atuais. Mas não só por isso o cantor é lembrado, sendo que sua voz é idolatrada por milhares de fãs no mundo inteiro. Muitos artistas aproveitaram de suas especialidades para homenagear o músico, como por exemplo, Akira Toriayma, mangaká de Dragon Ball. Ainda recebeu homenagens em diversas cidades mundo afora, e suas familiares continuam recebendo flores até os dias de hoje, principalmente
Há exatos vinte anos, o mundo da música perdia Vossa Majestade, um dos principais ícones musicais, Freddie Mercury, que declarou um dia antes de sua morte que era portador do vírus HIV. Sua perda causou comoção nos quatro cantos do mundo, não apenas pela morte de um grande vocalista, mas também, pela perca de homem que marcou com sua voz, com suas composições, com seu estilo e com um jeito único: o jeito Freddie Mercury de ser.
“Bem, resolvi confirmar ao público as suspeitas que a imprensa vem levantando há algumas semanas: eu sou HIV positivo, e venho lutando contra essa doença há alguns anos. Espero que daqui pra frente todos se conscientizem e se unam para enfrentar esse terrível mal” – Freddie Mercury, um dia antes de falecer.
 Freddie Mercury - ☆ 05/09/1946 - ✞ 21/11/1991

Acredito não haver uma única pessoa no país que nunca tenha cantando alguma música desse cara. Tenho certeza que todos já usaram de alguma frase ou filosofia desse grande poeta da música brasileira. Grande parte da população, sobre tudo quem nasceu na década de 70/80, chorou com a morte de Renato Manfredini Júnior, o eterno e amplamente amado e idolatrado, Renato Russo.
Renato Russo nasceu no Rio de Janeiro em 27 de março de 1960, morando na Cidade Maravilhosa até seus seis anos, quando seu pai fora trabalhar em Nova York. Morando nos EUA, Renato ganhou fortes marcas da cultura norte-americana, inclusive aprendendo a língua inglesa. Dois anos depois, voltou ao Brasil e passou a morar com um tio, na Ilha do Governador, até 1973, quando se mudaram novamente, dessa vez para Brasília, onde Renato Russo iniciaria sua carreira musical.
Antes disso, Renato passou por um dos momentos mais difíceis da sua vida, quando foi diagnosticado com epifisiólise, uma doença óssea, que o deixou em uma cama por seis meses, período este que foi fundamental para a marcante musicalidade encontrada em sua futura carreira.
A primeira banda do cantor foi o Aborto Elétrico, formado em 1978 ao lado de Fê Lemos e de André Pretorius. A primeira apresentação do grupo aconteceu em 1980, em um bar. Logo depois Pretorius precisou ir para seu país natal, a África do Sul, e Flávio Lemos entrou para a banda, assumindo assim o baixo do Aborto Elétrico, primeira banda punk da história de Brasília.
Renato Russo sempre foi uma pessoa admirada por todos a sua volta, porém suas músicas refletiam a dor e o sofrimento, e devido a isso, foi apelidado de O Trovador Solitário.
O auge do Aborto Elétrico aconteceu em 1981, quando a quantidade de shows aumentou consideravelmente. Foi nessa época também que Ico Ouro Preto assumiu as guitarras, que até então era responsabilidade de Renato Russo, e este ficou responsável apenas pelos vocais, e suas letras, que inspiram até hoje. Porém nem tudo foram flores, e com o aumento dos shows, as brigas entre Renato e Fê também aumentaram. Não demorou muito para a banda chegar ao fim, com cada um indo para um canto: Fê para o Capital Inicial, formado em 1982; Renato Russo para a...
...Legião Urbana, uma das maiores bandas da história da música brasileira, voltada mais para o pop e rock, do que para o punk que era o estilo da banda anterior. Em menos de um ano, a banda teve diversos membros, até que a formação original foi formada, com Renato nos vocais, violão, baixo e teclados; Dado Villa-Lobos na guitarra, violão e percussão; e Marcelo Bonfá na bateria.
O primeiro álbum, auto-intitulado, foi gravado entre outubro e dezembro de 1984 e lançado em janeiro do ano seguinte, e contou ainda com Renato Rocha no baixo. Todas as 11 faixas foram escritas com a ajuda de Renato Russo, que já mostrava porque se tornaria um dos maiores compositores do país. Entre os sucessos, muitos são cantados até hoje por multidões, como por exemplo, Será, Geração Coca-Cola e Ainda É Cedo. Em toda a história da Legião Urbana, oito discos foram lançados, todos com músicas que virariam hits entre várias gerações.
Dois, o segundo álbum do grupo, um dos maiores sucessos foi a música Eduardo e Mônica, que narra a história de amor de duas pessoas de uma forma bem humorada. No álbum seguinte, Que País é Este, outros dois sucessos: a faixa que dá nome ao CD e Faroeste Caboclo, com 168 versos e 9 minutos de duração. Nesse faixa, Renato Russo narra a história de João de Santo Cristo, um traficante nordestino que vai para Brasília e mais tarde é assassinado por Jeremias, um traficante rival. No ano de 1989, a banda lançou o álbum As Quatro Estações, agora sem a participação de Renato Rocha. Pais e Filhos, que segundo Renato foi composta no banheiro, e Meninos e Meninas são os destaques do álbum, que passaria a mostrar a bissexualidade do cantor.
Nos álbuns seguintes, Renato continuaria emplacando sucessos, com suas letras sempre muito representativas e passando algo importante para aqueles que a ouvirem. No álbum V (1991), Renato e a Legião Urbana lançaram a música Metal Contra as Nuvens, a mais longa do grupo, com 11’30”. Em O Descobrimento do Brasil (1993), dentre os sucessos estavam Giz, considerada por Renato Russo sua maior obra prima. Já A Tempestade (1996), os destaques ficaram para A Via Láctea e Dezesseis, que muitos acreditam ter sido uma homenagem a Ayrton Senna, que morreu em 1994. O último álbum de estúdio da Legião Urbana foi lançada em 1997, alguns meses depois do grande líder e fundador falecer.
Soropositivo desde 1989, Renato Russo faleceu na madrugada do dia 11 de outubro de 1996, deixando um filho e milhares de fãs espalhados pelo país inteiro. Com apenas 36 anos, Vossa Majestade, o Trovador Solitário, partiria dessa vida com a expressiva marca de 20 milhões de discos vendidos. Um grande mestre das composições, que sem dúvida deixou saudade aos eternos fãs, que o consideravam, e ainda o consideram, como um deus.
“A paixão já passou em minha vida, foi até bom mas ao final deu tudo errado e agora carrego em mim, uma dor triste, um coração cicatrizado” – Renato Russo (Longe do Meu Lado)
Renato Russo - ☆ 27/03/1960 - ✞ 11/10/1996

Um jovem baixista, que é considerado por muitos, um dos maiores do mundo, e não apenas por ser dono de características únicas, mas também por fazer parte de uma das maiores bandas de heavy metal do mundo. O nome desse norte-americano que perdeu a vida há exatos 25 anos, com apenas 24 primaveras é Cliff Burton, responsável pelo baixo do Metallica nos primeiros quatro anos da banda.
Clifford Lee Burton nasceu na cidade Castro Balley, na Califórnia, em 10 de fevereiro de 1962. Por mais incrível que possa parecer, o interesse de Cliff pela música surgiu quando tinha apenas 10 anos e seu pai lhe apresentou o Jazz. Não demorou muito para passar a fazer aula de teclado, mas três anos depois largou o teclado para aprender a tocar baixo. Como havia perdido o irmão, Cliff declarou que se tornaria o maior baixista por ele, Scott Burton.
Ao terminar o Ensino Médico, Cliff foi estudar música, onde conheceu Jim Martin, ex-guitarrista do Faith No More. Foi com Martin que Cliff se apresentou pela primeira vez. Em 1982 entrou para sua primeira banda, Trauma. Foi em uma das apresentações do Trauma, que Cliff conheceu James Hetfield e Lars Ulrich. Ambos haviam criado o Metallica no ano anterior, e ao ouvir um solo nessa apresentação do Trauma, chegaram a pensar que era um solo de guitarra. Só depois então descobriram que na verdade aquele era um solo de baixo, e não de guitarra como haviam pensado. Hetfield conta que "Nós (Hetfield e Ulrich) ouvimos este solo selvagem acontecendo e pensei, 'Eu não vejo nenhum guitarrista lá em cima." Nós dois estávamos contando as cordas, e eu finalmente me virei para Lars, e disse: 'Cara, isso é um baixo!' Cliff estava lá no palco com sua banda, com um pedal wah wah e seu enorme tufo de cabelos vermelhos. Ele não se importava se as pessoas estavam lá. Ele estava olhando para o seu baixo, tocando".
Hetfield e Ulrich convenceram Cliff a assumir o baixo do Metallica, e depois de fazer um pedido, ele enfim entrou para a banda que mais tarde se tornaria a maior banda de metal do mundo. O primeiro álbum de Cliff no Metallica é também o primeiro de estúdio do grupo liderado por Hetfield. Lançado em 1983, Kill 'Em All foi muito bem aceito pela crítica, e Cliff teve grande responsabilidade nisso, principalmente pela música instrumental (Anesthesia) Pulling Teeth, que é um solo de baixo com um pequeno acompanhamento de bateria e efeitos jamais usados por baixistas anteriormente.
O nome de Cliff continuou sendo marcante nos próximos do Metallica, não apenas por suas composições, como também pelos efeitos, que continuaram sendo usados. Seu último álbum foi Master of Puppets, lançado em março de 1986, que aborda o conceito da dominação e é considerado por muitos o maior álbum do metal na história, vendendo até hoje, mais de 6 milhões de cópias, só nos EUA. A faixa que dá nome ao álbum era também a canção favorita de Cliff.
Em 26 de setembro de 1968, Cliff faria sua última apresentação em Estocolmo, na Suécia. No dia seguinte, um acidente na comuna de Ljungby, tiraria a vida de Vossa Majestade, um dos maiores baixistas da história, Cliff Burton. No acidente, o ônibus em que o grupo estava derrapou no gelo e capotou, jogando o baixista para fora do veículo, que ao capotar, caiu em cima de Cliff.
O mundo perdeu precocemente um excelente baixista, e em sua lápide ficará escrito eternamente a frase Não poderia o Reino da Salvação me levar para casa? (Cannot The Kingdom of Salvation take me home), escrita por ele mesmo na canção To Live Is to Die.
“Nós nunca teríamos escrito harmonias de guitarra ou instrumentais ou músicas com melodias tão complexas e orquestrações sem Cliff. Nós não estaríamos onde estamos hoje sem ele” - James Hetfield
Cliff Burton - ☆ 10/02/1962 - ✞ 27/09/1986