Morte na Mesopotâmia, Agatha Christie, tradução de Milton Persson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 220 páginas.
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A paciente da enfermeira Amy Leatheran é uma mulher muito peculiar e constantemente se sente atormentada por fantasias macabras. Estava claro para todos que ela sentia muito medo, porém ninguém desconfiava do que poderia ser e isso causava uma tensão incomum. Até um misterioso assassinato acontecer e o detetive belga Hercule Poirot ser o único capaz de encontrar o culpado.

“Em matéria de doença, como já tive oportunidade de constatar, os maridos são uma raça de crédulos. No entanto, mesmo assim, não encaixava lá muito bem com o que ouvira dizer. Não combinava, por exemplo, com aquela expressão mais segura” (pág. 18).

Tragédia em Três Atos, Agatha Christie, tradução de Bárbara Heliodora, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Record, 1987, 224 páginas.
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Primeiro ato: Stephen Babbington, um velhinho inofensivo, está participando de uma reunião social na casa de um ator quando toma um coquetel e não demora a ir de encontro ao chão e cair morto. Segundo ato: algum tempo depois, o neurologista Sir Bartholomew Strange promove uma nova reunião, com a participação de quase todos os presentes na morte de Babbington, que assistem a mais uma morte com as mesmas características da anterior. Terceiro ato: uma misteriosa mulher recebe bombons envenenados.

Após presenciar a morte de Babbington e afirmar que ele morreu devido aos problemas comuns de sua idade, Hercule Poirot percebe que cometeu um grande engano e está disposto a tudo para corrigir esse erro. Para isso conta com a ajuda de Sir Charles Cartwright e da bela Egg Lytton Gore, que juntos irão tentar descobrir o que motivou essas mortes.

“- (...) Há pessoas com talento especial para naufrágios, mesmo num laguinho ornamental alguma coisa lhes acontece. Do mesmo modo homens como Hercule Poirot não precisam ir em busca do crime... ele vem a ele” (pág. 19).

Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie, tradução de Archibaldo Figueira, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 2009, 223 páginas.
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Se existe uma autora capaz de surpreender em cada uma de suas obras, essa certamente é Agatha Christie, que não por menos é considerada a “Dama do Crime” e é uma recordista de venda. Além de possuir uma escrita inconfundível, Christie é a criadora de um dos principais personagens da literatura, Hercule Poirot, que protagonizou duas das obras-primas da autora: O Assassinato de Roger Ackroyd e Assassinato no Expresso do Oriente.
Na segunda obra citada, lançada originalmente 1934, Poirot se envolve em um dos seus casos mais enigmáticos enquanto está atravessando a Europa no luxuoso Expresso do Oriente, que misteriosamente possui mais passageiros do que costuma acontecer na época do ano em que se passa a história. O grande problema surge quando, após uma tempestade de neve que impossibilita que o trem prossiga sua viagem, um dos passageiros é encontrado morto, com doze facadas e a porta de sua cabina trancada por dentro.
A intenção do assassino era que sua identidade permanecesse desconhecida, porém a tempestade de neve e a presença de Hercule Poirot estragam todos os planos. Por isso a identidade do verdadeiro assassino está prestes a ser revelada, ainda que inúmeras pistas falsas tentem enganar uma das mentes mais brilhantes da literatura mundial.

A Casa do Penhasco, Agatha Christie, tradução de Lais Myriam Pereira Lira, 3ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Nova Fronteira, 1979, 211 páginas

Publicado originalmente em 1932 com o título Peril at End House, A Casa do Penhasco é a oitava aventura do detetive belga Hercule Poirot, considerado um dos maiores – se não o maior – detetive da literatura policial. Como costuma acontecer, a autora Agatha Christie surpreende da primeira a última página, em uma história fantástica.
A história se passa em Saint Loo, segundo o narrador-personagem, uma das cidades mais atraentes do litoral da Inglaterra. Ali, Hercule Poirot e seu fiel companheiro, Capitão Arthur Hastings, estão hospedados em um hotel, onde conhecem Nick Buckley, uma mulher jovem e dona da Casa do Penhasco. Nick conta sobre uma série de acidentes que tem sofrido nos últimos dias, mas Poirot não acredita que seja simples acidentes e sim tentativas de assassinato que falharam. Mesmo desejando se aposentar, Poirot entra em ação e ao lado de Hastings tenta evitar um novo atentado que pode levar a morte da jovem Nick Buckley.
A cada nova experiência com uma obra de Agatha Christie, somos surpreendidos de tal forma que a nossa admiração por ela apenas cresce. A narrativa, como costuma acontecer, é de uma simplicidade incomum e ainda assim nos prendemos na história, querendo apenas o desfecho – ou ao menos dicas do que pode realmente acontecer. São os diálogos, fortes e muito bem construídos, o ponto fonte de mais uma aventura de Hercule Poirot, um verdadeiro gênio.
O livro é narrado mais uma vez pelo Capitão Hastings e para ao menos tentar – o que é difícil se tratando de Christie – se aproximar da teoria do detetive belga, precisamos estar atentos e não se prender apenas ao que é narrado. Como diz o próprio Poirot, seu amigo “nunca percebe as coisas” e se focando no que ele escreve o leitor também nunca vai perceber as coisas. Isso diferencia um caso de Hercule Poirot com os demais personagens da autora, como Sr. QuinO Misterioso Sr. Quin (Resenha) –, outro personagem emblemático.
Tão surpreendente como O Assassinato de Roger Ackroyd (Resenha), em A Casa do Penhasco encontramos também citações de outros casos de Hercule Poirot, como O Mistério do Trem Azul (Resenha) e também personagens comuns nas histórias do personagem, como o inspetor Japp, detetive da Scotland Yard. Conhecemos outros personagens bem elaborados – como a própria Nick ou o Comandante George Challenger -, de importância para o enredo e que possuem histórias paralelas, sem que isso se perca da história principal.
Como um bom livro policial, são necessárias reviravoltas e isso acontece a cada capítulo, aumentando assim o mistério e também confundindo o leitor, que mais do que nunca precisa usar a massa cinzenta. Mas essas reviravoltas não se comparam ao final surpreendente, quando Hercule Poirot, com seu jeito metódico de investigar e solucionar um caso, mostra a verdade aos interessados e só fica satisfeito ao encontrar a resposta para todas as suas perguntas.
A Casa do Penhasco pode ser um livro amado ou odiado, dependendo apenas da relação do leitor com as personagens. Isso porque ao mesmo tempo em que o final é surpreendente, ele pode desagradar a muitos pelo fim tomado por certas personagens - como o meu caso, já que nunca desconfiei de nada. Mesmo que isso aconteça, ninguém poderá dizer que a autora não fez um excelente trabalho ao construir essa trama, que se fosse de qualquer outro autor, seria de longe sua grande obra-prima.

“- Não lhe pedi para descrever o chapéu. Está claro que você não percebeu. É incrível, meu pobre Hastings, como você quase nunca percebe as coisas. Espanto-me sempre com isso! Olhe, meu caro imbecil, olhe! Não é preciso usar a massa cinzenta. Bastam os olhos. Olhe! Olhe com os olhos de ver.” (pág. 25).

O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie, São Paulo, 1975, 288 páginas.

Quando se trata da Dama do Crime, Agatha Christie, sempre é necessário colocar em pauta sua surpreendente escrita, e como ela faz com que o leitor aprecie cada vez mais seus livros, prova disso é O Assassinato de Roger Ackroyd, a 6ª obra da escritora inglesa que foi publicado em 1926. Desde que comecei a ler os livros de Christie, sempre ouvi falar muito desta obra, e sem entender o porque, e até mesmo sem curiosidade de saber o porque, acabei demorando para ler. Hoje me arrependo. De fato, o livro é uma excelente história, e apesar de receber muitas críticas pelo final proporcionado pela escritora, é claro que esta, sem dúvida nenhuma, é a maior obra prima da Rainha do Crime.

Como o nome já sugere, O Assassinato de Roger Ackroyd conta como Hercule Poirot desvendou a morte de Roger Ackroyd, morador da pequena vila britânica de Kings About. A história é narrada pelo doutor Sheppard, um médico conhecido, respeitado e amigo do homem assassinado, e é ele que ajuda o grande detetive belga a desvendar o caso. Conforme a história vai se desenrolando, a nova dupla busca os motivos que cada pessoa residente da casa de Roger teria para assassina-lo, e claro, com Poirot dando atenção aos mínimos detalhes, como sempre foi seu jeito único de ser. Ao descobrir o assassino, Poirot continua com sua simplicidade e com seu modo de falar "Para esse fim, eu sugeriria que terminasse a sua interesantíssima narrativa... mas, desta vez, pondo de lado as reticências." (pág. 281)

Acredito que no ínicio do livro, não dei a atenção necessária a que ele realmente merece. Por ser uma obra tão impecável, com um final surpreendente, posso afirmar com toda a certeza, que esse está entre os 3 melhores livros de Agatha Christie, e que todas as críticas negativas contra o livro são realmente 'sem motivo', ou por que quem o criticou, nunca imaginou o fim. Claro que quando o caso é enfim desvendado, qualquer pessoa fica chocada, e se pergunta: "É isso mesmo que eu li?". Dentre os livros que já li, final mais surpreendente só Cai o Pano, que foi publicado em 1975. O final ousado faz deste livro algo que não se pode deixar de ler.

Está provado por A + B, que Agatha Christie tem toda a magia necessária para escrever um romance policial de primeira. Em O Assassinato de Roger Ackroyd, o foco principal não está apenas no assassinato, mas também em todos os principais pontos dos personagens secundários, e esse é só mais um do diferencial da escritora que faleceu em 1976. Para os fãs da leitora que ainda não tiveram a honra de ler esse livro, digo apenas uma coisa: tá esperando o que?

Outras Resenhas de Agatha Christie:

Peças de Teatro: A teia da Aranha

@ricbiazotto 

O mistério do Trem Azul, Agatha Christie, Porto Alegre: L&PM Pocket, 2010, 271 pág.

The Mystery of the Blue Train é o 9º livro da escritora inglesa Agatha Christie e foi lançado originalmente em 1928. Contando mais uma história do grande detetive belga, Hercule Poirot, que dessa vez investiga a morte de Ruth Kettering, herdeira da fortuna de um americano. Ruth é encontrada morta depois que o Trem Azul, "o trem dos milionários", chega até Nice, na Riviera Francesa. Nessa hora que Poirot entra em ação, e com seu jeito único de ser, mostra quem é o verdadeiro assassino.

O livro, como todos da dama do crime, te prende, e não deixa você fechar o livro nem por um segundo, e quando fecha, está pensando no final da história. Final este que como em todos os livros - pelo menos os quais li - é surpreendente: o assassino, e o cúmplice. Os personagens são marcantes, o já consagrado Poirot com sua delicadeza para resolver os mistérios, e os demais personagens da obra, como a dançarina Mirele com sua beleza, e Katherine, que pensou que os "roman policier" não passavam de ficção, e logo depois, estava em uma aventura policial.

O livro e a autor são extremamente recomendados para qualquer fã de histórias de detetive, já que a simpatia de Hercule Poirot conquista até os mais criticos, e a forma de escrita de Agatha não é cansativa e sim empolgante.

O Misterioso Caso de Styles, Agatha Christie, Rio de Janeiro: BestBolso, 2008, 235 pág.

Lançado inicialmente em 1920 sob o título “The Mysterious Affair at Styles”, trata-se de um romance policial da escritora inglesa Agatha Christie. Com mais de oitenta livros publicados, entre eles “Treze à Mesa”, “Os Crimes ABC” e “Assassinato no Expresso do Oriente”, a autora ficou conhecida por seus romances policiais e por criar personagens exóticos como o detetive Hercule Poirot, Miss Marple entre outros. Suas obras já foram traduzidas para quase todas as línguas e algumas já viraram produções cinematográficas. Nasceu em 1890 em Devonshire (Inglaterra) e faleceu em 1976.
“O Misterioso Caso de Styles” é o primeiro romance policial da escritora assim sendo, relata a primeira aventura com o detetive belga Hercule Poirot. O livro narra a morte da rica proprietária da mansão Styles, a Sra. Inglethorp, a qual é encontrada morta em sua cama, supostamente acometida de um ataque cardíaco, entretanto é levantada a hipótese de que ela foi vítima de um assassinato: morte por envenenamento e, assim, são  encontradas algumas evidencias de que essa hipótese é verídica, mas quem é o  assassino? “A falecida não tivera a capacidade de merecer o amor das pessoas que a cercavam. Sua morte era um choque, a causa de uma terrível aflição. Mas não seria lamentada com paixão” (p.45). Eis que entra em cena o famoso detetive belga Poirot que tenta destrinchar este mistério.
Todo o conjunto desta obra – capítulos, descrições e diálogos – encontram-se em harmonia a fim de promover grandes expectativas e um ar de mistério. O leitor fica imerso nas palavras e nas pistas na esperança de poder descobrir quem é o assassino da Sra. Inglethorp. O livro não deixa de surpreender no seu desfecho.
Um ponto imprescindível nas obras de Christie é que ela fornece pistas para que o leitor possa, a sua maneira, tentar descobrir e avançar nas investigações como se estivesse presente diante daqueles fatos. Christie mostra paulatinamente que por trás de um assassinato há múltiplas formas do assassino tentar se esconder, mas há uma forma de se chegar ao assassino: metodicamente, associando os fatos com precisão. Em outras palavras, há muitas formas de colocar a culpa em alguém forjando provas e criando álibis, porém há apenas uma única forma de descobrir o culpado: encontrando a verdade.
Em suma, Agatha Christie encadeia este romance policialesco de uma maneira tão singular que cativa qualquer tipo de leitor. É uma leitura clara, coerente e prazerosa tanto para jovens quanto para adultos!

Camila Márcia